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Sobre O Autor: Sergio C A

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24 de abril de 2018

História Do Cristianismo - Teologia 32.04 - PORQUE E QUE DEUS PERMITE A PERSEGUIÇÃO

História Do Cristianismo - Teologia 32.04

PORQUE E QUE DEUS PERMITE A PERSEGUIÇÃO

Mas Deus permite, algumas vezes, que a malvadez leve o homem muito longe em perseguir os cristãos, a fim de fi­car manifestado o que está no seu coração, e por isso não é de estranhar que na alma do cristão que não tem apreciado esta verdade se levantem dúvidas e dificuldades, e que co­mece a queixar-se de o caminho ser custoso, e da mão do opressor ser pesada sobre ele. 8
O Senhor porém não nos deixa na Terra para nós nos queixarmos das dificuldades, nem para recuarmos diante da ira dos homens: temos de servir ao Mestre e resistir ao inimigo, porém é somente quando estamos fortalecidos no Senhor e na força do seu poder que podemos prestar esse serviço, ou resistir efetivamente a esse inimigo.
Esta história pretende indicar quão dignamente se fez isto nos tempos passados, porém se quisermos compreen­der a maneira como Deus tem tratado o seu povo, sempre nos devemos lembrar de que a milícia cristã é diferente de qualquer outra, e que uma parte da sua resistência é o so­frer.
As armas da nossa milícia não são carnais, mas sim es­pirituais, e o cristão que se serve de armas carnais mostra sem dúvida que não aprecia o caráter do verdadeiro crente. Não pode ter apreciado com inteligência espiritual o cami­nho do seu Senhor, ou compreendido o sentido das suas palavras: "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo pelejariam os meus servos".
A igreja militante é uma igreja que sofre, mas se empre­gar as armas carnais, deixa na verdade de combater.
No ousado e santo Estêvão temos um exemplo do ver­dadeiro crente militante. Foi ele o primeiro mártir cristão. E que grande vitória ele ganhou para a causa de Cristo quando morreu pedindo ao Senhor pelos seus perseguido­res! Davi, séculos antes da era cristã, disse: "O justo se ale­grará quando vir a vingança : lavará os seus pés no sangue do ímpio", porém Estêvão, que viveu na época cristã, orou:"Senhor, não lhes imputes este pecado". Isto foi um exemplo da verdadeira milícia cristã.
A primeira onda da perseguição geral que veio sobre a igreja fez-se sentir no ano 64, no reinado do imperador Ne-ro, que tinha governado já com uma certa tolerância du­rante nove anos.
Neste tempo, o assassinato de sua mãe, e a sua indife­rença brutal depois de ter praticado aquele crime tão monstruoso, mostrou claramente a sua natural disposição, e indicou ao povo aquilo que havia de esperar dele. Desgra­çadamente, as tristes apreensões que muitos tinham a seu respeito tornaram-se em negra realidade.

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História Do Cristianismo - Teologia 32.03 - TEMPOS DE PERSEGUIÇÃO

História Do Cristianismo - Teologia 32.03

TEMPOS DE PERSEGUIÇÃO

Porém estava para chegar um tempo de perseguição para a Igreja, e isso foi permitido pelo Senhor, na sua gra­ça, a fim de que se pudessem distinguir os fiéis.
Esta perseguição, instigada pelo imperador romano Nero, foi a primeira das dez perseguições gerais que conti­nuaram, quase sem interrupção, durante três séculos.
"Por que razão permite Deus que o seu povo amado so­fra assim?"Muitas vezes se tem feito esta pergunta, e a resposta é simples: é porque Ele ama esse povo. Podia ha­ver, e sem dúvida há, outras razões, porém a principal é esta - Ele o ama. "Porque o Senhor corrige o que ama ' e se o coração se desviar, tornar-se-á necessária a disciplina.
Com que facilidade o mal se liga, mesmo ao melhor dos homens! Mas, na fornalha da aflição, a escória separa-se do metal precioso, sendo aquela consumida. Ainda mais, quando suportamos a correção de Deus, Ele nos trata como filhos; e se sofremos com paciência, cada provocação pela qual Ele nos faz passar dará em resultado mais uma bên­ção para a nossa alma. Tal experiência não nos é agradá­vel, nem seria uma provocação se o fosse, porém, à noite de tristeza sucede a manhã de alegria, e dizemos com o salmista Davi: "Foi bom para mim, ter sofrido aflição".

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História Do Cristianismo - Teologia 32.02 - 1 Primeiro século da Era cristã

História Do Cristianismo - Teologia 32.02

1 Primeiro século da Era cristã

A história da Igreja de Deus tem sido sempre, desde a era apostólica até o presente, a história da graça divina no meio dos erros dos homens. Muitas vezes se tem dito isso, e qualquer pessoa que examine essa história com atenção não pode deixar de se convencer que assim é.
Lendo as Epístolas do Novo Testamento vemos que mesmo nos tempos apostólicos o erro se manifestou, e que a inimizade, as contendas, as iras, as brigas e as discór­dias, com outros males, tinham apagado o amor no coração de muitos crentes verdadeiros.
Deixaram as suas primeiras obras e o seu primeiro amor e alguns que tinham principiado pelo espírito, pro­curavam depois ser aperfeiçoados pela carne.
Mas havia muito mais do que isso. Não somente exis­tiam alguns verdadeiros crentes em cujas vidas se viam muitas irregularidades, e que procuravam, pelas suas pa­lavras, atrair discípulos a si, como também havia outros que não eram de modo algum cristãos, mas que entraram despercebidamente entre os irmãos, semeando ali a discór­dia. Isto descreve o estado de coisas a que se referem os primeiros versículos do capítulo dois de Apocalipse, na carta escrita ao anjo da igreja em Éfeso.

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1 de fevereiro de 2018

História De Israel – Teologia 31.122 - Daniel lançado a Cova Dos Leões, Deus o Salva e Ele se Torna Mais Poderoso em Suas Profecias e Louvor (Livro 10 Cap 12)

História De Israel – Teologia 31.122

CAPÍTULO 12

MORTE DE NABUCODONOSOR, REI DA BABILÔNIA. EVIL-MERODAQUE, SEU
FILHO, SUCEDE-O E PÕE JECONIAS, REI DEJUDÁ, EM LIBERDADE. SÉRIE DOS
REIS DA BABILÔNIA ATÉ BELSAZAR. CIRO, REI DA PÉRSIA, E DARIO, REI DOS
MEDOS, CERCAM-NO NA BABILÔNIA. VISÃO QUE ELE TEM, EXPLICADA POR
DANIEL. CIRO TOMA A BABILÔNIA E APRISIONA O REI BELSAZAR. DARIO
LEVA DANIEL PARA A MÉDIA E O ELEVA A GRANDES HONRAS. A INVEJA DOS
NOBRES CONTRA ELE É CAUSA DE ELE SER LANÇADO NA COVA DOS LEÕES.
DEUS O SALVA, E ELE TORNA-SE MAIS PODEROSO DO QUE NUNCA.
SUAS PROFECIAS E SEU LOUVOR.

433.  Depois da morte do rei Nabucodonosor, de que acabamos de falar, Evil-Merodaque, seu filho, sucedeu-o e não somente pôs Jeconias (que antes se chamava Joaquim), rei de Judá, em liberdade, como também deu-lhe ricos presentes, tornou-o mordomo-mor de seu palácio e dedicou a ele um afeto muito particular. E assim, tratou-o de uma maneira bem diferente da que Nabucodonosor o havia tratado, quando o amor pelo bem de seu país, como vimos, o fez entregar-se em boa fé nas mãos deste, com sua mulher, seus filhos e todos os seus bens, para que fosse levantado o cerco de Jerusalém, sendo que Nabucodonosor lhe faltou à palavra.
Evil-Merodaque reinou dezoito anos. Niglizar, seu filho, sucedeu-o e reinou quarenta anos. Seu filho Labofordá, que o sucedeu, reinou somente nove meses. Belsazar, filho deste, a quem os babilônios chamam Naboandel, substituiu-o. Ciro, rei dos persas, e Dario, rei dos medos, fizeram-lhe guerra e o sitiaram na Babilônia.
434.  Daniel 5. Enquanto a cidade era cercada, esse soberano oferecia um banquete aos nobres da corte e às suas concubinas numa sala onde havia um armário riquíssimo, em que se conservavam os preciosos vasos de que os reis se costumam servir. A isso ele quis acrescentar uma nova magnificência e ordenou então que fossem trazidos os vasos sagrados do templo de Jerusalém, os quais Nabucodonosor mandara colocar junto com os de seus deuses, porque não se atrevera a servir-se deles. Como Belsazar estava turvado pelo vinho, teve a ousadia de beber num daqueles vasos e de blasfemar contra Deus. No mesmo instante, ele viu uma mão sair da parede e escrever nela algumas palavras.
A visão deixou-o atônito, e ele mandou buscar da Caldéia e de outras nações alguns dos maiores sábios que sabiam interpretar os sonhos e ordenou-lhes que dissessem o significado daquelas palavras. Eles responderam que era impossível. O seu sofrimento aumentou de tal modo que ele mandou apregoar que daria uma cadeia de ouro, uma túnica de púrpura, como as que usam os reis da Caldéia, e a terça parte do reino a quem interpretasse aquelas palavras.
A promessa de tão grande recompensa fez chegar de todos os lados candidatos que passavam pelos mais hábeis e peritos. Todavia, por maiores esforços que todos fizessem, ninguém foi capaz de interpretá-las. A princesa sua avó, vendo-o em tal aflição, disse-lhe para não perder a esperança de que alguém lhe desse a explicação que desejava, porque havia entre os escravos que Nabucodonosor trouxera para a Babilônia depois da ruína de Jerusalém um certo Daniel, cuja ciência era extraordinária. Ele explicava coisas que somente eram conhecidas por Deus e interpretara um sonho que nenhum outro conseguira explicar. Precisava apenas mandar chamá-lo e dizer-lhe do seu desejo de saber o significado daquelas palavras, pois talvez até fosse algo inquietante que Deus quisesse comunicar.
Diante de tal conselho, Belsazar mandou imediatamente chamar Daniel, disse-lhe o quanto se sentia feliz por saber que ele recebera de Deus o dom de penetrar e conhecer o que os outros ignoravam e rogou que lhe dissesse o que significavam as palavras escritas naquela parede, prometendo-lhe, se o fizesse, dar-lhe uma túnica de púrpura, uma cadeia de ouro e a terça parte de seu reino, para mostrar a todos, com aquelas demonstrações de honra, a sua sabedoria, quando fosse conhecida a causa de ele merecê-las. Daniel, ciente de que a sabedoria que vem de Deus deve sempre ter em vista fazer o bem sem pretender outra recompensa, suplicou ao rei que o dispensasse de aceitá-las.
Disse-lhe em seguida que aquelas palavras significavam que o fim da vida de Belsazar estava próximo, porque ele não havia aprendido com o castigo com o qual Deus punira a impiedade de Nabucodonosor e nem aproveitara aquele exemplo para evitar colocar-se acima da sua condição de simples homem, pois não podia ignorar que aquele príncipe fora obrigado a viver durante sete anos à maneira dos animais e que só depois de muitas preces Deus, movido pela compaixão, o reconduziu ao convívio dos homens e o restabeleceu no trono. E Nabucodonosor foi tão grato que pelo resto de sua vida não deixou de dar a Deus contínuas ações de graças e de admirar o seu poder onipotente. No entanto Belsazar, em vez de se deixar levar por aquele exemplo, não tivera medo de blasfemar contra Deus e de beber com as suas concubinas nos vasos consagrados em honra dEle. Por isso Ele estava tão irritado que desejou manifestar por meio daquelas palavras qual seria o fim de sua vida.
Daniel acrescentou ainda que esta era a explicação das palavras: Mene, isto é, "número", significava que o número que Deus marcara aos anos do reinado de Belsazar iria se completar, e lhe restava muito pouco tempo de vida. Tequel, isto é, "peso", significava que Deus havia pesado na sua justa balança a duração daquele reinado, e que ele tendia ao fim. Peres, que quer dizer "fragmento" e "divisão", significava que o reino seria dividido entre os medos e os persas. Por maior que fosse a dor que sentia, o rei Belsazar, sabendo pela explicação dessas palavras misteriosas as desgraças que o aguardavam, julgou que Daniel agira como um homem de bem e lhe dissera somente a verdade, e seria muito injusto maltratá-lo por essa razão. Por isso não deixou de o recompensar, dando-lhe o que prometera.
435. Naquela mesma noite, Babilônia foi tomada e Belsazar, morto. Isso aconteceu no dédicmo sétimo ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia. Dario, filho de Astíages, ao qual os gregos dão outro nome, tinha sessenta e dois anos quando, com o auxílio de Ciro, seu parente, destruiu o império da Babilônia. Levou consigo para a Média o profeta Daniel e, para mostrar até que ponto o estimava, nomeou-o um dos três governadores supremos, cujo poder se estendia sobre outros trezentos e sessenta, pois o considerava um homem todo divino e só se aconselhava com ele nos assuntos mais importantes.
Os outros ministros, como geralmente acontece na corte dos reis, não podendo tolerar que ele fosse tão preferido, sentiram tal inveja que tudo fizeram para encontrar um motivo de caluniá-lo. Mas isso lhes foi impossível, porque a virtude de Daniel era tão grande e as suas mãos tão puras que ele julgava que seriam manchadas se recebessem presentes e considerava coisa vergonhosa desejar recompensa pelo bem que se faz. Eles, porém, não se arrependeram nem desistiram. E, faltando-lhes outros meios, imaginaram um pelo qual, pensaram, poderiam destruí-lo.
Tendo notado que três vezes por dia ele fazia as suas orações a Deus, foram ter com o rei e disseram-lhe que todos os grandes e governadores do império haviam julgado conveniente elaborar um edito pelo qual seria proibido a todos os súditos, durante trinta dias, fazer orações a qualquer deus ou a qualquer homem, senão a ele, o rei, devendo ser lançados na cova dos leões todos os que desprezassem essa ordem. Dario, que não desconfiava de sua malícia, aceitou a proposta e mandou publicar esse edito em todo o seu território. Todos o obser-varam, exceto Daniel, que sem se impressionar continuou a fazer as suas orações a Deus, como era seu costume.
Os seus inimigos não deixaram de ir imediatamente ao rei acusá-lo de ter violado a ordem. Afirmaram que ele fora o único a ousar desobedecer, e era tanto mais culpado porque não o fizera por um sentimento de piedade apenas, mas por saber que aqueles que não o estimavam observavam as suas ações. E, como esses nobres temiam que a grande afeição de Dario por Daniel o levasse a perdoá-lo, insistiram tanto em que fosse inflexível em fazer observar o seu edito e ordenasse que Daniel fosse atirado na cova dos leões que não lhe foi possível defender-se. Mas ele esperava que Deus libertasse Daniel do furor daqueles temíveis animais e exortou-o a suportar generosamente a sua desdita. E assim, foi Daniel atirado àquele lugar, e fecharam a porta com uma grande pedra. Dario mandou selá-la com o seu sinete e voltou para o palácio imerso em tão grande aflição pelo que poderia acontecer a Daniel que não quis comer e passou toda a noite sem dormir.
No dia seguinte, ao despontar do sol, o rei foi à cova dos leões e viu que o seu selo estava intacto. Chamou Daniel por uma abertura que havia na entrada e perguntou, gritando com todas as suas forças, se ele ainda estava vivo. Daniel respondeu que não sofrerá mal algum, e o soberano no mesmo instante mandou que o retirassem de lá. Os inimigos de Daniel, em vez de reconhecerem que Deus o salvara por um milagre, disseram ousadamente ao rei que aquilo acontecera porque antes se dera demasiado alimento aos leões, os quais, não tendo mais fome, não o quiseram devorar. O rei ofendeu-se com a malícia deles e ordenou que se desse grande quantidade de carne aos leões e que depois de eles estarem fartos fossem atirados à cova os acusadores de Daniel, para ver se os animais os poupariam, como diziam haverem poupado Daniel. A ordem foi imediatamente executada, e ninguém mais pôde duvidar de que Deus salvara Daniel, porque os leões devoraram os caluniadores com tanta avidez que pareciam os mais esfomeados do mundo. Minha opinião, porém, é que foi o crime desses malvados, e não a fome, o que irritou os leões contra eles, porque Deus quis que esses animais irracionais fossem ministros de sua justiça e de sua vingança.
Depois que os inimigos de Daniel foram assim punidos, Dario mandou publicar em todo o seu território que o Deus que Daniel adorava era o único verdadeiro e Todo-poderoso e elevou esse grande personagem a tão alto grau de honras que ninguém duvidava que ele fosse o homem mais estimado pelo rei em todo o império, e todos admiravam tão grande glória e tão extraordinário favorecimento da parte de Deus.
Dario mandou construir em Ecbátana,* capital da Média, um soberbo palácio, que ainda hoje se vê e que parece ter sido recém-concluído, pois conserva o seu primitivo brilho, ao contrário do comum dos edifícios, aos quais o tempo apaga a beleza, envelhecendo-os como aos homens. É nesse palácio que está a sepultura dos reis dos medos, dos persas e dos partos. A sua guarda ainda hoje está confiada a um sacerdote de nossa nação.
Nada encontro de mais admirável nesse grande profeta que esta felicidade particular e quase incrível de que desfrutou, acima dos demais: ter sido durante toda a sua vida honrado pelos reis e pelos povos e deixar depois de sua morte uma memória imortal. Os livros que ele escreveu, lidos ainda hoje, comprovam que Deus mesmo lhe falou e que ele não somente predisse em geral, como os outros profetas, as coisas que deviam acontecer, mas também determinou o tempo em que sucederiam. E, enquanto eles prediziam somente desgraças, o que os tornava odiosos aos soberanos e aos súditos, ele predisse coisas favoráveis, que levaram os reis a amá-lo. E a veracidade de suas palavras, confirmada depois pelos fatos, fez com que todos não somente prestassem fé às suas pala-vras, mas cressem que havia nele algo de divino.
Narrarei uma de suas profecias, para mostrar como eram corretas. Ele disse que, tendo saído com os seus companheiros da cidade de Susã, que é a capital do reino da Pérsia, para tomar ar no campo, houve um tremor de terra, que surpreendeu e espantou de tal modo os que estavam com ele que todos fugiram e o deixaram sozinho. Ele lançou-se então com o rosto em terra e, estando assim nesse estado, percebeu que alguém o tocava e lhe dizia para levantar, a fim de ver as coisas que sucederiam muito tempo depois aos de sua nação.
Depois que ele se ergueu, viu um carneiro que tinha vários chifres, sendo o último maior que os outros. Voltando os olhos para o lado do ocidente, viu aproximar-se um bode, que se chocou com o carneiro, derrubou-o e o pisou. Viu depois sair da fronte desse bode um chifre bem grande, que foi quebrado, e dele saíram outros quatro, voltados para os quatro ventos. Entre esses quatro chifres, surgiu um menor. Deus lhe disse que esse chifre, quando crescesse, faria guerra à sua nação, tomaria Jerusalém, aboliria todas as cerimônias do Templo e durante mil e duzentos e noventa e seis dias proibiria que ali se oferecessem sacrifícios.
Depois que Deus lhe manifestou essa visão, explicou-a deste modo: o carneiro significava o império dos medos e dos persas, cujos reis eram representados pelos chifres. O maior era o último deles, porque sobrepujava a todos em riquezas e em poder. O bode significava que viria da Grécia um rei que venceria os persas e se tornaria senhor daquele grande império — o chifre grande significava esse rei. Os quatro chifres pequenos nascidos desse grande chifre e que se dirigiam para as quatro partes do mundo representavam aqueles que depois da morte desse soberano dividiriam entre si esse grande império, embora não fossem nem seus filhos nem seus descendentes. Eles reinariam durante vários anos, e de sua posteridade viria um rei que faria guerra aos judeus, aboliria todas as suas leis e toda a forma de sua república, saquearia o Templo e durante três anos proibiria que ali se oferecessem sacrifícios. Isso tudo aconteceu sob o reinado de Antíoco Epifânio.
Esse grande profeta deu também notícia do império de Roma e da extrema desolação a que reduziria o nosso país. Deus lhe tornou patentes todas essas coisas, e ele as deixou por escrito para serem admiradas pelos que lhe vissem os efeitos, para mostrar os favores que recebera dEle e para confundir os erros dos epicureus, que, em vez de adorarem a Providência, dizem que Ele não se importa com os interesses deste mundo e que a terra não é conservada nem governada por essa suprema Essência, igualmente bem-aventurada, incorruptível e onipotente, mas subsiste por si mesma. Se eles considerassem verdade o que dizem, ver-se-iam logo perecendo como um navio que, não tendo piloto, é batido pela tempestade ou como um carro sem condutor, que é arrastado pelos cavalos. Não pode haver melhor prova que as profecias de Daniel para nos fazer constatar a loucura de quem não aceita que Deus tenha cuidado com o que se passa sobre a terra. Pois se tudo o que acontece no mundo é por acaso, como explicar o cumprimento de todas essas profecias? Julguei meu dever relatar tudo isso conforme o que encontrei nos Livros Santos, mas deixo a cada qual liberdade para ter outras opiniões ou acreditar no que quiser.

__________________
* Ou Acmetá.



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31 de janeiro de 2018

História De Israel – Teologia 31.121 - Daniel E Seus Companheiros São Atirados em Uma Fornalha Mas Deus os Salva (Livro 10 Cap 11)

História De Israel – Teologia 31.121

CAPÍTULO 11

O EXÉRCITO DE NABUCODONOSOR TOMA JERUSALÉM, SAQUEIA O TEMPLO E
O QUEIMA, BEM COMO AO PALÁCIO REAL, DESTRUINDO COMPLETAMENTE A
CIDADE. NABUCODONOSOR MANDA MATAR SERAÍAS, SUMO SACERDOTE, E
VÁRIOS OUTROS. FAZ VAZAR OS OLHOS DE ZEDEQUIAS E LEVA-O ESCRAVO À
BABILÔNIA, BEM COMO UM GRANDE NÚMERO DE JUDEUS. ZEDEQUIAS
MORRE. NOMES DOS SUMOS SACERDOTES. GEDALIAS É CONSTITUÍDO POR
NABUCODONOSOR CHEFE DOS HEBREUS ESTABELECIDOS NA JUDÉIA. ISMAEL
MATA-O E LEVA OS PRISIONEIROS. JOÃO E SEUS AMIGOS PERSEGUEM-NO E
OS LIVRAM. RETIRAM-SE PARA O EGITO CONTRA O CONSELHO E A OPINIÃO DE
JEREMIAS. NABUCODONOSOR, APÓS VENCER O REI DO EGITO, LEVA OS
ESCRAVOS PARA A BABILÔNIA. FAZ EDUCAR COM MUITO CUIDADO AS
CRIANÇAS JUDIAS QUE ERAM DA NOBREZA. DANIEL E TRÊS DE SEUS
COMPANHEIROS, TODOS PARENTES DO REI ZEDEQUIAS, ESTÃO ENTRE ELES.
DANIEL, ENTÃO CHAMADO BELTESSAZAR, EXPLICA A NABUCODONOSOR UM
SONHO. O REI DIGNIFICA DANIEL E SEUS COMPANHEIROS COM OS MAIS
ALTOS CARGOS DO IMPÉRIO. OS TRÊS COMPANHEIROS DE DANIEL, SADRAQUE. MESAQUE E ABEDE-NEGO, RECUSAM-SE A ADORAR A ESTÁTUA QUE NABUCODONOSOR MANDOU FAZER. SÃO ATIRADOS A UMA FORNALHA ARDENTE, E DEUS OS SALVA. NABUCODONOSOR, DEPOIS DE OUTRO SONHO,
QUE DANIEL TAMBÉM IBE EXPLICA, PASSA SETE ANOS NO DESERTO COM OS
ANIMAIS. VOLTA AO SEU ESTADO PRIMITIVO. SUA MORTE. TRABALHOS
SOBERBOS POR ELE EXECUTADOS EM BABILÔNIA.

425. Nabucodonosor apertava cada vez mais o cerco. Mandou construir altas torres, com as quais sobrepassava as muralhas da cidade, e também grande quantidade de plataformas tão altas quanto os muros. Os habitantes, por sua vez, defendiam-se com todo o empenho e com toda a coragem possível, sem que a fome e a peste pudessem esmorecê-los. A coragem dava-lhes ânimo contra todos os males e perigos. E, sem se espantar com as máquinas de que seus inimigos se serviam, opunham-lhes outras. Assim, não era somente à força aberta, mas também com muita arte que a guerra transcorria entre essas duas valentes nações. Era principalmente por esse último meio que alguns esperavam conquistar a praça, e outros, ao invés, conservá-la.
Passaram-se dezoito meses desse modo. Por fim, os sitiados, consumidos pela fome, pela peste e pela quantidade de dardos que os inimigos lhes atiravam do alto das torres, cederam, e a cidade foi tomada pela meia-noite do décimo primeiro ano, no nono dia do quarto mês do reinado de Zedequias, por Nergelear, Aremante, Emegar, Nabazar e Ercarampsar, generais de Nabucodonosor que então estavam em Ribla. Eles marcharam diretamente para o Templo. O rei Zedequias, sua esposa, seus filhos, seus parentes e as pessoas da nobreza que ele mais estimava saíram da cidade para fugir por lugares desconhecidos rumo ao deserto.
Os babilônios, porém, foram avisados por um dos que eles haviam deixado de lado ao fugir, e ao despontar do dia puseram-se a persegui-los. Alcançaram-nos perto de Jerico e quase todos os que acompanhavam Zedequias o abandonaram. Ele foi aprisionado com sua mulher, seus filhos e os poucos que lhe restavam, e todos foram levados ao rei. Nabucodonosor chamou-o de ímpio e pérfido por faltar à promessa de lhe conservar inviolavelmente o reino, pois para isso pusera a coroa na sua cabeça. Reprovou-lhe a ingratidão, por esquecer-se da obrigação que lhe devia por tê-lo preferido a Joaquim, seu sobrinho, ao qual pertencia o reino, e por ter empregado contra o seu benfeitor o poder que este lhe concedera. E terminou com estas palavras: "Mas o grande Deus, para castigar-vos, vos entregou em minhas mãos". Então, na presença dele e diante dos outros escravos, mandou matar os seus filhos e amigos. Vazou-lhe os olhos e ordenou que o acorrentassem para levá-lo escravo à Babilônia.
Assim, cumpriram-se ambas as profecias, a de Jeremias e a de Ezequiel, que esse desventurado príncipe tão erradamente desprezara: a de Jeremias, que afirmava que ele seria feito prisioneiro, seria levado a Nabucodonosor, falaria com ele e o veria face a face; a de Ezequiel, que dizia que ele seria levado à Babilônia, mas não a poderia ver. Esse exemplo ensina, mesmo aos mais ignorantes, o poder e a sabedoria infinita de Deus, que sabe fazer realizar por diversos meios e no tempo por Ele marcado tudo o que determina e prediz. Esse mesmo exemplo faz também ver a ignorância e incredulidade dos homens: a primeira os impede de prever o que lhes sucederá; a segunda faz com que eles caiam, quando menos esperam, na infelicidade e na desgraça de que foram ameaçados e só as conheçam quando as sentirem e quando não mais estiver em seu poder evitá-las.
Esse foi o fim da estirpe de Davi, depois que vinte e um reis seus descendentes sucessivamente ocuparam o trono e empunharam o cetro do reino de Judá. E todos os seus governos, juntamente, duraram quinhentos e quatorze anos, seis meses e dez dias.
Nabucodonosor, depois da vitória, enviou Nebuzaradã, general de seu exército, a Jerusalém, com ordem de incendiar o Templo após retirar de lá tudo o que encontrasse e de também reduzir a cinzas o palácio real e de destruir a cidade por completo. Deveria trazer depois todos os habitantes como escravos para a Babilônia. Assim, no décimo oitavo ano do reinado desse príncipe, que era o décimo primeiro do reinado de Zedequias, no primeiro dia do quinto mês, esse general, para executar tal ordem, despojou o Templo de tudo o que lá encontrou: levou todos os vasos de ouro e de prata, o grande vaso de cobre chamado mar, que Salomão mandara fazer, as duas colunas de bronze, as mesas e os candelabros de ouro. Em seguida, incendiou o Templo e o palácio real e destruiu completamente a cidade. Isso aconteceu quatrocentos e setenta anos, seis meses e dez dias desde a construção do Templo, mil seiscentos e dois anos, seis meses e dez dias desde a saída do Egito e mil novecentos e cinqüenta anos, seis meses e dez dias desde o dilúvio.
Nebuzaradã ordenou então que se levasse o povo como escravo para a Babilônia, até mesmo o rei, que então estava em Ribla, cidade da Síria, e também Seraías, sumo sacerdote, Cefã,* que era o segundo dos sacerdotes, os três oficiais a quem estava confiada a guarda do Templo, o primeiro dos eunucos, sete dos que desfrutavam maior favor perante Zedequias, o secretário de Estado e sessenta outras pessoas de classe, que ele apresentou ao príncipe com os despojos do Templo. Nabucodonosor, naquele mesmo lugar, mandou cortar a cabeça ao sumo sacerdote e aos mais nobres. Em seguida mandou levar para a Babilônia o rei Zedequias, Jeozadaque, filho de Seraías, e todos os outros escravos.
Depois de haver registrado a série dos reis que empunharam o cetro do povo de Deus, julgo dever referir também a dos sumos sacerdotes que se sucederam desde que Salomão construiu o Templo. O primeiro foi Zadoque, cujos descendentes foram: Aquimas, Azarias, Jorão, His, Aciorão, Fideas, Sudeas, Jul, Jotão, Urias, Nerias, Odeas, Saldum, Elcias, Seraías e jeozadaque, que foi levado escravo para a Babilônia.
O rei Zedequias morreu na prisão, e Nabucodonosor sepultou-o à maneira dos reis. Quanto aos despojos do Templo, ele os consagrou aos seus deuses. Enviou os escravos dentre o povo para certos lugares, nos arredores da Babilônia, a fim de que lá vivessem, e pôs Jeozadaque, sumo sacerdote, em liberdade.

__________________
* Ou Sofonias.

426. Nebuzaradã, posto por Nabucodonosor como governador da Judéia, deixou lá o povo, os pobres e os fugitivos. Deu-lhes Gedalias, filho de Aicão, que era de família nobre e homem de bem, como governador e lhes impôs um tributo em favor do rei. O mesmo Nebuzaradã tirou Jeremias da prisão e rogou insistentemente ao profeta que o acompanhasse até a Babilônia, pois tinha ordem do rei, seu senhor, de ali fornecer-lhe tudo o que precisasse. E, caso não o quisesse seguir, bastava apenas dizer em que lugar gostaria de morar, a fim de comunicá-lo ao soberano. O profeta disse-lhe que não desejava nem uma coisa nem outra, mas desejava terminar os seus dias no meio das ruínas de sua pátria, para não perder de vista aquelas tristes relíquias de tão deplorável naufrágio. Nabuzaradã ordenou a Gedalias que tivesse dele um cuidado particular e, depois dar ao santo profeta grandes presentes e de conceder liberdade a Baruque, filho de Nerias, que também era de família nobre e muito instruída na língua de seu país, voltou para a Babilônia. Jeremias estabeleceu moradia na cidade de Mispa.
Quando os hebreus que haviam fugido durante o cerco de Jerusalém e se retirado a diversos lugares souberam do regresso dos babilônios ao seu país, vieram de todos os lados ter com Gedalias em Mispa. Os principais eram Jorão, filho de Careá, Jezanias, Seraías e alguns outros. Ismael, que era de família real, porém muito mau e fingido junto de Batal,* rei dos amonitas, veio também. Gedalias aconselhou-os a trabalharem as suas terras sem nada mais temer da parte dos babilônios, que com juramento haviam prometido ajudá-los, caso alguém os incomodasse. Eles precisavam tão-somente dizer em que cidade queriam estabelecer-se, e ele daria ordens para as necessárias reparações, a fim de torná-las habitáveis. E não deveriam deixar passar a estação sem trabalhar com afinco, para poderem recolher o trigo e fazer vinho e óleo para se alimentarem durante o inverno. Ele permitiu em seguida que escolhessem os lugares que desejavam cultivar.
Espalhou-se logo por várias províncias vizinhas da Judéia a notícia desse fato e da bondade com que Gedalias recebia todos os que se dirigiam a ele, dando-lhes terras para cultivar, com a condição de se pagar um tributo ao rei da Babilônia. Assim, muitos vieram procurá-lo de todos os lugares, e cada qual se pôs ao trabalho com entusiasmo. A grande humanidade de Gedalias granjeou-lhe depressa o afeto de João** e de todos os outros, até mesmo das pessoas mais importantes. E eles avisaram-no de que o rei dos amonitas enviara Ismael com o fim de matá-lo à traição e de se declarar rei de Israel, pois era de família real. O único meio de remediar o problema era ele permitir que matassem Ismael, a fim preservar o resto da nação da ruína que seria inevitável, caso Ismael cumprisse o seu perverso desígnio.
Ele respondeu que não havia a menor probabilidade de Ismael, que recebera dele somente benefícios, atentar contra a sua vida e que, não tendo feito más ações durante os dias difíceis que vivera, ousasse cometer agora tão grande crime contra o seu benfeitor, ao qual deveria ajudar com todas as suas forças se algum outro o combatesse. Mesmo que fosse verdade aquilo de que o avisavam, ele preferia correr o risco de ser assassinado a fazer morrer um homem que viera buscar asilo junto dele e que nele havia confiado.
Trinta dias depois, Ismael, acompanhado por dez de seus amigos, veio a Mispa visitar Gedalias — que os recebeu e tratou muito bem — e bebeu diversas vezes à saúde dele, para mostrar-lhe o seu afeto. Quando Ismael e os que com ele estavam perceberam que o vinho começava a perturbar Gedalias e que ele adormecera, mataram-no, bem como a todos os outros convidados, que haviam bebido bastante. Depois, auxiliados pela escuridão da noite, foram degolar os soldados babilônios e os judeus adormecidos na cidade.
No dia seguinte de manhã, cerca de oitenta pessoas vieram do campo oferecer presentes a Gedalias. Ismael disse-lhes que falassem com ele. Depois de entrarem na casa, Ismael e seus cúmplices mataram-nos e os lançaram num poço muito profundo, para que ninguém percebesse o que se passara, com exceção de uns poucos que lhe prometeram mostrar no campo o lugar onde haviam escondido móveis, vestes e trigo. Ismael aprisionou também alguns habitantes de Mispa, mulheres e crianças, entre as quais estavam as filhas do rei Zedequias, deixadas por Nebuzaradã sob a custódia de Gedalias. Esse péssimo homem, depois de cometer tantos crimes, pôs-se a caminho, para voltar ao rei dos amonitas.
João e outros homens da nobreza, seus amigos, ao saber o que se passara, ficaram muito irritados e reuniram o que puderam de homens armados, perseguiram Ismael e o alcançaram próximo da fronteira de Hebrom. Os que o acompanhavam pensaram que João e seus amigos vinham socorrê-los e passaram para o lado dele, com grandes demonstrações de alegria. Ismael, seguido apenas por uns oito dos seus, fugiu para o rei dos amonitas. João, seus amigos e os que ele havia salvado foram a Mandra, onde passaram todo aquele dia, mas ele teve a idéia de se dirigir para o Egito, temendo que os babilônios os mandassem matar por causa da morte de Gedalias, que eles lhes haviam dado como comandante. Antes, porém, foram se aconselhar com Jeremias. Rogaram-lhe que consultasse a Deus, prometendo com juramento fazer o que Ele ordenasse.
O profeta assim fez, e dez dias depois Deus lhe apareceu e ordenou que dissesse a João, a seus amigos e a todo o povo que se eles ficassem onde estavam cuidaria deles e impediria que os babilônios lhes fizessem mal. Se fossem para o Egito, porém, Ele os abandonaria e lhes infligiria, em sua cólera, os mesmos castigos que aplicara aos seus outros irmãos. Jeremias deu-lhes essa resposta da parte de Deus, mas eles não prestaram fé às suas palavras nem acreditaram que era por ordem de Deus que ele lhes ordenava ficar. Convenceram-se de que ele dava aquele conselho para ser agradável a Baruque, seu discípulo, e para expô-los ao furor dos babilônios. Desprezaram então as ordens de Deus e foram para o Egito, levando com eles também Jeremias e Baruque. Deus então falou ao seu profeta e ordenou-lhe que dissesse ao seu povo que o rei da Babilônia faria guerra ao rei do Egito e o venceria. Então parte deles seria morta, e o resto, levado como escravo para a Babilônia.
Os fatos confirmaram a veracidade dessa profecia, pois cinco anos depois da ruína de Jerusalém, que era o vigésimo terceiro ano do reinado de Nabucodonosor, esse soberano entrou com um grande exército na Baixa Síria e dela se apoderou. Venceu os amonitas e os moabitas e fez depois a guerra ao Egito. Conquistou-o, matou o rei que então governava e escolheu outro para o seu lugar. Em seguida, levou como escravos para a Babilônia todos os judeus que estavam no país.
___________________
* Ou Baalis.
** Ou Joana.


427.  A nação dos hebreus estava então reduzida a esse estado miserável, e por dois fatos foi duas vezes levada para além do Eufrates. A primeira, quando sob o reinado de Oséias, rei de Israel, Salmaneser, rei dos assírios, depois de tomar Samaria, levou escravas dez tribos. A segunda quando Nabucodonosor, rei dos caldeus e dos babilônios, depois de tomar Jerusalém, levou as duas tribos que restavam. Salmaneser, porém, mandou para Samaria, da longínqua Pérsia e da Média, os chuteenses, para que a habitassem. Nabucodonosor, por sua vez, não mandou colônia alguma para as terras das duas tribos que derrotara. De modo que a Judéia, Jerusalém e o Templo ficaram desertos durante setenta anos. E assim, passaram-se cento e trinta anos, seis meses e dez dias desde o cativeiro das dez tribos que formavam o reino de Israel e o das duas que formavam o reino de Judá.
428.  Daniel 1. Dentre todos os filhos da nação judaica, parentes do rei Zedequias e outros de origem mais ilustre, Nabucodonosor escolheu os que eram mais perfeitos e competentes e deu-lhes preceptores e mestres para que os educassem e instruíssem com grande cuidado. A alguns fez eunucos, como costumava fazer a todas as nações que derrotava. Ordenou que os alimentassem com as mesmas iguarias de sua mesa e os fez aprender não somente a língua dos caldeus e dos babilônios, mas também todas as ciências em que esses povos eram peritos. Dentre os moços que eram parentes de Zedequias, havia quatro perfeitamente honestos e inteligentes: Daniel, Hananias, Misael e Azarias, porém Nabucodonosor trocou-lhes os nomes. Deu a Daniel o nome de Beltessazar e a Hananias chamou Sadraque, a Misael, Mesaque e a Azarias, Abede-Nego.
O excelente caráter deles, a beleza de sua inteligência e a sua grande sabedoria fez com que o príncipe lhes dedicasse um grande afeto. Eram tão sóbrios que preferiam comer apenas coisas simples, abstendo-se de seres vivos e das iguarias da mesa real. Assim, rogaram ao eunuco Aspenaz, sob cujos cuidados estavam, que tomasse para si o que era destinado a eles e lhes desse somente legumes, tâmaras e coisas semelhantes, que não tivessem tido vida, porque aqueles manjares os aborreciam. Ele respondeu que faria de muito boa vontade o que eles desejavam, mas temia que o rei viesse a percebê-lo pela mudança do rosto deles, porque a cor e a face têm sempre relação com o alimento que se come, e isso seria ressaltado ainda mais pela diferença entre eles e os outros moços, alimentados com melhores iguarias. Também não era justo que, para lhes ser agradável, ele se pusesse em risco de perder a vida.
Quando viram que o eunuco estava disposto a servi-los, continuaram a insistir e conseguiram dele permissão para experimentar pelo menos por uns seis dias essa maneira de se alimentar e depois continuá-la, se não causasse alteração na saúde deles. Caso fosse notada alguma mudança em seus rostos, retomariam à antiga nutrição. Ele consentiu e, depois de constatar que não somente eles não se apresentavam mal, como ainda pareciam mais fortes e robustos que os outros moços de sua idade alimentados com as comidas da mesa do rei, continuou sem temor a tomar para si o que era destinado a eles e a alimentá-los do modo como desejavam. O corpo deles tornou-se mais belo e mais apropriado para o trabalho, e a sua inteligência, mais pronta e capaz, porque não era enfraquecida pelas delícias que tornam os homens efeminados. Fizeram grande progresso nas ciências dos egípcios e dos caldeus, particularmente Daniel, que se dedicou também à interpretação dos sonhos, e Deus o favorecia com revelações.
429. Daniel 2. Dois anos depois da vitória obtida por Nabucodonosor sobre os egípcios, esse príncipe teve um sonho estranho, do qual Deus lhe deu a explicação enquanto ele dormia. Depois que acordou, porém, esqueceu o sonho e o seu significado. Por isso mandou chamar os maiores sábios dentre os caldeus, os que se dedicavam à predição do futuro, chamados magos devido à sua sabedoria. Disse-lhes que tivera um sonho, mas o havia esquecido, e ordenou-lhes que lhe dissessem qual era e o que significava. Eles responderam que era impossível aos homens o que ele desejava. Tudo o que podiam fazer era explicar o sonho depois que ele o tivesse narrado. O rei ameaçou-os de morte se não obedecessem, e, como continuassem a dizer a mesma coisa, mandou matá-los.
Daniel soube de tudo e, vendo que ele e seus companheiros corriam o mesmo risco, foi ter com Arioque, comandante da guarda real, para saber o motivo. Arioque contou, e então Daniel suplicou-lhe que rogasse ao rei para suspender a execução até o dia seguinte, porque estava confiante de que se pedisse a Deus para revelar o sonho, Ele ouviria a sua oração. O oficial foi referir tudo ao rei, e este consentiu em esperar. Daniel e seus companheiros passaram toda a noite em oração a fim de obter de Deus o livramento para os magos — e para eles também, pelo perigo em que os colocava a cólera do rei — e a manifestação do sonho que o rei havia esquecido. Deus, movido de compaixão, revelou a Daniel o sonho e o seu significado, para que fosse dizê-lo ao rei. A alegria de Daniel foi tão grande que ele se levantou no mesmo instante para comunicar aos companheiros a graça recebida de Deus. E, tendo-os encontrado muito tristes, pensando já na morte, animou-os a tomar coragem e alimentar maiores esperanças. Deram todos juntos muitas graças a Deus por ter tido piedade de sua juventude. Logo depois que raiou o dia, Daniel foi pedir a Arioque que o levasse à presença do rei, a fim de lhe dizer qual fora o sonho.
Apresentando-se diante do soberano, ele disse que, embora fosse lhe manifestar o sonho, rogava que o não julgasse mais hábil que os magos que não o puderam fazer, pois na realidade não era mais sábio que eles: a revelação que tivera foi motivada pela compaixão que Deus sentira pelo perigo em que ele e seus companheiros se encontravam, por isso Ele lhe revelara o sonho e a sua significação.
E acrescentou: "Eu, majestade, não estava menos apreensivo pelo risco que corríamos eu e os meus companheiros que pela tristeza de ver a injustiça que vossa majestade cometeu, condenando à morte tantos homens de bem por não terem conseguido fazer uma coisa inteiramente impossível aos homens, por mais inteligentes que sejam, e que somente Deus pode fazer. E vossa majestade não estava menos apreensivo pelo risco que corria e estava ansioso para saber quem dominaria depois de vossa majestade sobre todo o mundo. Deus, para vos fazer conhecer esses monarcas, fez-vos ver em sonhos uma grande estátua, cuja cabeça era de ouro, os ombros e os braços de prata, o ventre e as coxas de bronze e as pernas e os pés de ferro. Vossa majestade viu depois uma pedra rolar da montanha sobre a estátua, quebrando-a em pedaços e reduzindo-a a um pó mais fino que a farinha, o qual o vento levou sem que tivesse ficado o menor vestígio. Por fim, vossa majestade viu essa pedra crescer de tal modo que esmagou com o seu peso toda a terra. Esse foi, majestade, o vosso sonho, e esta é a explicação: a cabeça de ouro representa os reis da Babilônia vossos predecessores. Os ombros e os braços de prata significam que o vosso império será destruído por dois reis poderosos. As coxas de bronze dizem que outro rei, vindo do lado do ocidente, destruirá esses dois reis. As pernas e os pés de ferro mostram que, sendo o ferro mais duro que o ouro, a prata e o cobre, virá um outro conquistador, que subjugará esse".
Daniel explicou também a Nabucodonosor o que significava a pedra, mas como o meu intento é narrar somente coisas passadas, e não as que estão por se realizar, nada mais direi. Se alguém desejar saber mais alguma coisa em particular, leia nas Sagradas Escrituras o livro de Daniel. Nabucodonosor, com transportes de alegria e de admiração por Daniel, prostrou-se diante dele para adorá-lo e ordenou a todos os seus súditos que lhe oferecessem sacrifícios, como ao seu Deus. Deu-lhe o nome daquEle que ele reconhecia antes por Deus e honrou-o, bem como aos seus parentes, com os primeiros cargos no seu império. Essa rápida e prodigiosa felicidade suscitou tão grande inveja contra essas quatro pessoas que poderia lhes ter custado a vida, como direi a seguir.
430.  Daniel 3. Nabucodonosor mandou fazer uma estátua de ouro de sessenta côvados de altura e seis de largura, que foi colocada no grande campo da Babilônia. Quando de sua consagração, mandou vir de todas as partes de seu território as pessoas mais importantes e ordenou que ao primeiro som de trom-betas todos se prostrassem por terra para adorá-la, sob pena de ser lançado numa fornalha ardente quem não o fizesse. Todos obedeceram à ordem, exceto os amigos de Daniel, que disseram não poder fazê-lo sem violar as leis de seu país. Imediatamente acusaram-nos, e foram lançados na fornalha. Mas Deus os salvou por um efeito de seu infinito poder: o fogo, parecendo reconhecer a sua inocência, respeitava-os, em vez de consumi-los. Eles venceram as chamas, e tão grande milagre aumentou ainda mais o respeito e a estima que o rei já lhes devotava, porque os considerava pessoas de virtude extraordinária e muito particularmente queridos de Deus.
431.  Daniel 4. Algum tempo depois, o príncipe teve outro sonho, no qual parecia que ele fora privado do reino e passara sete anos no deserto com os animais, sendo em seguida restaurado à primitiva dignidade. Mandou chamar os magos, contou-lhes o sonho e perguntou qual o seu significado. Mas nenhum deles soube responder. Daniel foi o único a explicá-lo, com tal perfeição que tudo o que disse depois se realizou. O príncipe tornou a subir ao trono depois de haver passado sete anos no deserto e aplacado a cólera de Deus com uma grande penitência, sem que ninguém durante todo esse tempo ousasse apoderar-se do trono. Quanto a isso, não devo ser censurado por narrar o que se pode ler nas Sagradas Escrituras, pois desde o princípio desta minha história preveni-me dessa acusação, declarando que não pretendia fazer outra coisa senão escrever em grego, em boa fé, o que encontro nos livros dos hebreus, sem nada aumentar nem diminuir.
432.  Nabucodonosor morreu após reinar quarenta e três anos. Era um príncipe muito inteligente e foi muito mais feliz que os seus predecessores. Berose assim o descreve, no seu terceiro livro da História dos Caldeus: "Nabopolassar, pai daquele de quem acabamos de falar, tendo sabido que os governadores que ele pusera no Egito, na Baixa Síria e na Fenícia se haviam revoltado contra ele e não estando mais na idade de suportar as dificuldades de uma guerra contra eles, enviou Nabucodonosor, seu filho, com uma parte de suas forças. O jovem príncipe venceu os rebeldes, recolocou todas as províncias sob a obediência do rei seu pai e, tendo sabido que naquele mesmo tempo este morrera na Babilônia, após reinar vinte e um anos, passou a dirigir os destinos do Egito e das outras províncias. Deixou aos oficiais em quem mais confiava o encargo de levar o seu exército para a Babilônia com os escravos judeus, sírios, fenícios e egípcios. Acompanhado por alguns poucos, passou pelo deserto e marchou rapidamente. Depois de chegar, governou o império que fora administrado na sua ausência pelos magos caldeus, dos quais o principal e de maior autoridade nada levara tanto a peito para conservar-lhe o trono. E assim, ele sucedeu em todo o reino ao rei seu pai. Uma das primeiras coisas que fez foi distribuir em colônias os escravos recém-chegados. Consagrou no templo de Bel, seu deus, e em outros templos os ricos despojos que havia conquistado. Não se contentou em restaurar os antigos edifícios de Babilônia: aumentou também a cidade e fortificou o canal. Para impedir que a atacassem e a pudessem tomar depois de atravessar o rio, mandou fazer outro dentro. E fora, ergueu uma tríplice muralha, muito alta, de tijolos refratários. Fortificou também todas as outras partes da cidade. Fez portas monumentais e construiu um novo palácio perto do que fora do falecido rei seu pai, do qual seria inútil referir a beleza e a magnificência. Não poderia mesmo eu dizer que esse soberbo edifício foi construído em quinze dias. E, como a rainha, sua mulher, que fora educada na Média, desejava ver alguma semelhança com o seu país, mandou fazer, para lhe ser agradável, arcos por cima desse palácio, com grandes pedras que pareciam montes. Mandou cobrir esses arcos com terra e plantou sobre eles uma tal quantidade de árvores de todas as espécies que esse jardim, suspenso no ar, passou a ser uma das maravilhas do mundo".
Megastene, no seu quarto livro da História das índias, faz menção desse admirável jardim e procura provar que esse príncipe sobrepujou muito a Hércules pela grandeza de seus feitos e conquistou não somente a capital da África, mas também a Espanha. Diocles também o cita na História da Pérsia, e Filóstrato, na da índia e da Fenícia, declarando que ele sitiou durante trinta anos a cidade de Tiro, da qual Stobal então era rei. Eis tudo o que pude encontrar nos vários historiadores com relação a esse príncipe.

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30 de janeiro de 2018

História De Israel – Teologia 31.120 - O Profeta Jeremias Prediz Todas As Desgraças Que Deveram Acontecer (Livro 10 Cap 10)

História De Israel – Teologia 31.120

CAPÍTULO 10

NABUCODONOSOR CONSTITUI ZECLEQUIAS REI DEJUDÁ NO LUGAR DE
JOAQUIM. ZEDEQUIAS FAZ ALIANÇA CONTRA ELE COM O REI DO EGITO.
NABUCODONOSOR CERCA-O EM JERUSALÉM. O REI DO EGITO VEM EM SEU
AUXÍLIO. NABUCODONOSOR LEVANTA O CERCO PARA COMBATER O REI DO
EGITO, DERROTA-O E VOLTA PARA CONTINUAR O CERCO. O PROFETA JEREMIAS
PREDIZ TODAS AS DESGRAÇAS QUE DEVERÃO ACONTECER. METEM-NO NUMA
PRISÃO E DEPOIS NUM POÇO, PARA FAZÊ-LO MORRER. ZEDEQUIAS MANDA
RETIRÁ-LO E PERGUNTA-LHE O QUE DEVE FAZER. O PROFETA ACONSELHA-O A
ENTREGAR JERUSALÉM. ZEDEQUIAS DIZ NÃO PODER TOMAR TAL DECISÃO.

422. 2 Reis 25. Nabucodonosor, rei da Babilônia, constituiu Zedequias* rei de Judá no lugar de Joaquim, seu tio paterno, depois de fazê-lo prometer com juramento que seria fiel e não faria nenhum entendimento com os egípcios. O soberano tinha então somente vinte e um anos e era irmão de Jeoaquim — ambos eram filhos do rei Josias. Como mantinha junto de si apenas jovens de sua idade, que não eram homens de valor, mas ímpios, ele desprezava também a virtude e a justiça. O povo, à sua imitação, entregava-se a toda sorte de desordens.
O profeta Jeremias ordenou-lhe diversas vezes, da parte de Deus, que se arrependesse, se corrigisse e não acreditasse mais nos homens de mau Espírito que o rodeavam nem nos falsos profetas que o enganavam, afirmando que o rei da Babilônia não sitiaria Jerusalém e que o rei do Egito far-lhe-ia guerra e o venceria. As palavras do profeta fizeram impressão no Espírito do príncipe, e ele queria mesmo seguir aqueles conselhos. Mas os seus favoritos, que o manipulavam como queriam, faziam-no mudar de opinião.
Ezequiel, que estava então na Babilônia, como dissemos, predisse também a destruição do Templo e mandou dar a notícia a Jerusalém. Mas Zedequias não prestou fé às suas profecias porque, embora se assemelhassem em todo o resto com as de Jeremias, e os dois profetas estivessem de acordo no que se referia à ruína e ao cativeiro de Zedequias, parecia que eles não combinavam nisto: Ezequiel afirmava que ele não veria a Babilônia, e Jeremias sustentava que o rei da Babilônia o levaria prisioneiro para lá. Essa discordância fazia com que o rei não prestasse fé às profecias. Mas os fatos lhe mostraram a verdade, como diremos mais detalhadamente a seu tempo.

_____________________
* Zedequias antes chamava-se Matanias.

423.  Oito anos depois, Zedequias renunciou a aliança com o rei da Babilônia para fazer outra, com o rei do Egito, na esperança de que unindo com este as suas forças aquele não lhes pudesse resistir. Nabucodonosor, logo que soube disso, pôs-se em campo com um poderoso exército. Ele devastou a judéia, apoderou-se das maiores praças-fortes e sitiou Jerusalém. O rei do Egito veio com grandes forças em auxílio de Zedequias, e então o rei da Babilônia levantou o cerco para dar-lhe combate. Venceu-o numa grande batalha e o expulsou da Síria. Os falsos profetas, contudo, depois que Nabudonosor levantou o cerco, continuaram a enganar Zedequias, dizendo-lhe que, em vez de ter motivo para temor de que ele fizesse guerra novamente, veria logo o regresso dos seus súditos que estavam na Babilônia, com todos os vasos sagrados que haviam sido roubados do Templo.
Jeremias, ao contrário, afirmou que aqueles homens o enganavam ao dar-lhe tal confiança, pois ele nada deveria esperar do auxílio dos egípcios; que o rei da Babilônia os venceria; que voltaria para continuar o cerco e tomaria Jerusalém pela fome; que levaria escravizado para a Babilônia o que restasse dos habitantes, depois de os despojar de todos os seus bens; que saquearia o Templo e todos os seus tesouros e depois o incendiaria; que destruiria completamente a cidade; e que esse cativeiro duraria setenta anos, mas os persas e os medos destruiriam a Babilônia e seu império, e os hebreus, libertos por eles da escravidão, voltariam a Jerusalém e reconstruiriam o Templo.
As palavras de Jeremias persuadiram a muitos, no entanto os príncipes e os que como eles se vangloriavam de serem ímpios zombaram dele, como de um insensato. Algum tempo depois, indo esse profeta a Anatote, que era o lugar de seu nascimento, distante vinte estádios de Jerusalém, encontrou no caminho um dos magistrados, o qual o deteve e o acusou de estar indo procurar o rei da Babilônia. Jeremias respondeu-lhe que não tinha absolutamente aquela intenção, ia somente fazer uma visita à sua terra natal. O magistrado, não acreditando em suas palavras, levou-o perante o tribunal, para instaurar-se o processo. Declararam-no culpado e meteram-no numa prisão, para fazê-lo morrer.
424.  No nono ano do reinado de Zedequias, no décimo dia do último mês, o rei da Babilônia recomeçou o cerco de Jerusalém e durante dezoito meses empregou todos os esforços para apoderar-se dela. E as armas não eram o único meio de que esse soberano se servia para oprimir os seus habitantes. Eles eram ao mesmo tempo atormentados por dois dos mais temíveis flagelos: a fome e a peste, ambos violentos e graves. No entanto jeremias continuava a clamar e a exortar o povo a abrir as portas ao rei da Babilônia, pois não lhes restava outro meio de salvação, por maiores que fossem os males vindouros.
Os príncipes e os principais magistrados, em vez de se convencerem com as palavras do profeta, irritaram-se de tal sorte que o acusaram perante o rei de ser insensato e de procurar fazer com que eles e todo o povo perdessem a coragem, predizendo-lhes tantas desgraças. Quanto a eles, estavam dispostos a morrer pelo serviço do rei e pela sua pátria, ao passo que aquele sonhador, por meio de ameaças, os exortava a fugir, dizendo que a cidade seria tomada e que todos pereceriam.
O rei, por uma certa bondade natural e amor à justiça, não estava irritado contra Jeremias. Porém, temendo em tal contingência descontentar os maiorais do país, permitiu-lhes fazer o que quisessem. Foram eles então ao cárcere, tiraram de lá o profeta e o desceram por meio de cordas a um poço cheio de lama, a fim de que morresse afogado. Ele ficou ali, mergulhado até o pescoço. Entretanto um criado do rei, que era etíope e gozava de grande estima perante ele, contou-lhe o que se havia passado, dizendo que aqueles homens agiam errado ao tratar daquele modo o profeta e que seria muito melhor deixá-lo morrer na prisão. O rei, comovido com essas palavras, arrependeu-se de o ter deixado à discrição dos inimigos e ordenou ao etíope que tomasse trinta de seus oficiais e fosse imediatamente tirá-lo do poço. Ele executou a ordem no mesmo instante e colocou Jeremias em liberdade.
O rei, em segredo, mandou chamar Jeremias e perguntou se o profeta não conhecia um meio de obter de Deus um livramento do perigo que os ameaçava. Ele respondeu que sabia de um apenas, mas seria inútil dizê-lo, pois estava certo de que aqueles em quem o rei mais confiava, em vez de acreditar, se levantariam contra ele, como se estivesse cometendo um grande crime ao declará-lo, e procurariam eliminá-lo. Continuou o profeta: "Onde estão agora aqueles que vos enganavam, dizendo com tanta certeza que o rei da Babilônia não voltaria? E, não deverei eu ter medo de dizer-vos a verdade, sendo que nisso vai a minha vida?" O rei prometeu-lhe com juramento que ele não correria perigo algum, nem de sua parte nem da parte dos nobres.
Jeremias, tranqüilizado por essas palavras, disse-lhe que o conselho que lhe dava era por ordem de Deus. Ele deveria entregar a cidade aos babilônios, nas mãos do próprio rei, pois era o único meio de se salvarem e de impedir que a cidade fosse destruída e o Templo incendiado. Se não o fizesse, seria a causa de todos esses males. O rei respondeu que gostaria de seguir o conselho, mas temia que os seus, os quais se haviam passado para o lado do rei da Babilônia, viessem prejudicá-lo perante ele e até o matassem. Diante disso, o profeta garantiu-lhe que, se seguisse o seu conselho, nenhum mal sucederia a ele nem às suas mulheres e filhos e nem ao Templo.
O rei proibiu-o de contar a quem quer que fosse o que se passara entre ambos, particularmente aos nobres. Se lhe perguntassem o motivo da entrevista ou qualquer outra coisa, dissesse apenas que fora pedir para ser posto em liberdade. Os grandes e os nobres não deixaram de perguntar ao profeta o que se havia passado entre ele e o rei, e ele respondeu conforme o príncipe lhe havia ordenado.


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