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27 de dezembro de 2012

O Principio do Amor

O Principio do Amor



"Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para te condenar?
Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais.” (Jesus Cristo)

Com estas palavras Jesus despediu uma mulher trazida até a Sua presença por fariseus e mestres da lei no pátio do Templo.
 Este encontro, registrado no capítulo oito de João, é fonte de muitas lições sobre uma espiritualidade fundamentada no Princípio do Amor, manifesto através de atos de compreensão e misericórdia.

Quando a mulher chegou até a presença de Jesus, já estava sentenciada e praticamente executada. 
Os homens que a levaram àquela situação queriam apenas usá-la para incriminar Jesus por Suas próprias palavras. 
E como Ele age?

Primeiro, ignora a chegada dos religiosos, 
sempre tão prestigiados pela população em geral
É necessário que insistam muito para que Jesus dirija-lhes a palavra. 
É como se Ele estivesse dizendo que aquele tipo de pessoa não lhe atraía 

hodiernamente, correspondem exatamente aos representantes eclesiásticos que nós mais tememos e veneramos, aqueles que têm o poder de arrastar e julgar os pecadores em praça pública 

- Jesus parecia estar mais interessado num desenho na areia.
Quando resolve quebrar o silêncio, dirige-se aos religiosos e diz: "Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher" (v. xx) 

- E volta a escrever no chão. 
Estas palavras invertem as posições. 
De algozes, os religiosos passam a réus de suas próprias consciências, e começando pelos mais velhos até os mais novos, todos, emudecidos, deixam o local. 

A espiritualidade do amor é aquela que nos faz soltar as pedras, que nos faz voltar para dentro de nós mesmos tomados pela consciência de que também precisamos de perdão e restauração.

Num segundo momento lindíssimo desse texto, Jesus pergunta à mulher onde estavam os seus acusadores, e se alguém a havia condenado.

Vemos nestas questões um ato terapêutico profundo. Jesus se dirige a uma mulher que se sabia pecadora e pergunta-lhe onde estavam os puros que a condenavam e a julgavam. Onde estavam os perfeitos que, diferentemente dela, não cometiam pecados? A mulher responde que eles haviam-se ido embora sem 
condená-la.

A resposta da pecadora era necessária no processo da cura. Era necessário que ela dissesse com os seus próprios lábios: "Não, ninguém me condenou", para ouvir, em seguida, de Jesus: "Nem Eu tampouco te condeno. Vai e não peques mais".

É isso que o amor faz: dá novas oportunidades, estende a mão para curar a alma, a ferida, revela a semelhança de todos os homens em sua miserabilidade e carência da bendita e surpreendente misericórdia do Pai...

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