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18 de setembro de 2013

Eclesiologia - Teologia 25.14 - Institucionalismo Eclesiástico

Eclesiologia - Teologia 25.14

INSTITUCIONALISMO ECLESIÁSTICO: 

Tem sido observado que a igreja de Cristo é mais organismo do que organização.   Infelizmente,   a   prática   eclesiástica   muitas   vezes   contraria   esse   conceito   essencial.   Várias   passagens   bíblicas   espelham   o   mesmo   conflito   entre   as   modalidades institucionais da fé em contraste com as realidades da fé vividas no
quotidiano.  Um  bom  começo  para  essa  investigação  seria  Abraão  e  os  demais   patriarcas.  

No livro de Gênesis, os patriarcas em geral parecem adorar a Deus de uma forma   isenta  de  institucionalismo.  Onde  quer  que  estejam,  eles  constroem  altares   rústicos  para  oferecerem  sacrifícios  de  forma  aparentemente  espontânea.  De   modo  geral,  não  existe  qualquer  clero  ou  sacerdote  oficiante  para  dirigir  ou   pronunciar  a  aceitabilidade  de  suas  ofertas,  orações  ou  posicionamentos.  O   único caso que foge desse paradigma é o dízimo de Abraão a Melquisedeque. Tal   evento é o mais próximo que temos a um padrão de culto institucional entre os   patriarcas.  Esse  meio  de  adoração  tem  os  seus  momentos  altos  bem  como  os   baixos nos exemplos de Isaque, Esaú e Jacó, porém Abraão é tido como o pai da   fé pelos judeus em geral e por Jesus em específico.  

No  período  do  Êxodo,  a  forma  não  institucional  ou  programática  sofreu  certas   alterações  no  contexto  de  um  culto  normativo  e  aliança  perante  um  povo   numeroso. Mesmo esta estrutura, porém, não obedece à rigidez institucional dos   povos  vizinhos.  O  livro  de  Levítico  é  um  exemplo  supremo  desse  princípio.  Ali,   todas   as   regras   mínimas   para   a   oficialização   das   ofertas   e   sacrifícios   são   colocadas   de   forma   aberta   perante   a   massa   do   povo.   Não   há   qualquer  informação  oculta  do  povo  e  qualquer  um  poderia  cumprir  com  os  rituais  e   oficiar  o  seu  próprio  culto  a  Deus.  O  povo  como  um  todo  é  nação  sacerdotal,   mesmo que existam sacerdotes oficiais para atuação no Tabernáculo e depois no   Templo. Na realidade, a prática de altares pessoais com o exercício pessoal de   oferecer  ofertas  e  sacrifícios  pode-se  ver  longe  do  Tabernáculo  em  Juízes  e  1a   Reis 3. Até a construção do Templo de Salomão, qualquer lugar servia como lugar   próprio para adorar a Deus e para a construção de altares de sacrifício.  

Em 1a Samuel 3, Eli está julgando Israel, sendo o proeminente sacerdote do povo,   concentrando    um    certo    poder    político    junto    com    o    cargo    clérico.    A   institucionalização  do  culto,  porém,  não  encontra  aceitação  completa  perante   Deus. O texto diz que já era rara a voz de Deus naqueles dias. Em lugar de utilizar   a  forma  oficializada  da  religião,  Deus  chama  ao  jovem  Samuel.  Eli  estava   aparentemente  invocando  a  presença  e  palavra  divina.  Mesmo  assim,  Deus   escolhe  ignorar  as  suas  tentativas  de  incubação  para  atender  àquele  que  está   prestes a ouvir e atender, não ao clero oficial. A forma religiosa externa não é   eliminada, mas existe por trás da cena um movimento de fé real que caminha em   paralelo ao culto oficial formalizado.  

Esta mesma temática aparece mais adiante em 1a Samuel 17, onde Deus agora   convoca  Samuel  a  deixar  o  rei  Saul  em  exercício  e  seguir  adiante  para  ungir  o   novo  libertador  que  Deus  está  pronto  a  utilizar.  Saul  permanece  oficialmente   como sendo o rei de Israel, mas é através de Davi que Deus atua para conseguir a   libertação do povo perante a ameaça filistina. Davi é o veículo de libertação nos   moldes dos juízes, agora em oposição à estrutura política e eclesiástica oficial da   nação.  

Começa  em  1a  Reis  3,  no  início  do  reinado  de  Salomão,  uma  certa  união  da   estrutura política com a religiosa a partir da centralização do culto no templo que   Salomão pretendia construir. Neste período, o Templo toma o lugar dos altares   particulares e centraliza o culto em padrões oficiais  da instituição religiosa. No   decorrer  dos  reinados,  haverá  uma  crescente  distância  entre  a  forma  oficial   religiosa e o culto real a Deus. Os reis começam pouco a pouco a se desviarem de   Deus, seguindo e estimulando culto aos ídolos de sua volta. O auge do desvio se   vê na época do profeta Elias e do rei Acabe.  

Nos dias de Elias, descritos essencialmente em 1a Reis 17-19, a estrutura religiosa   e  política  oficial  está  longe  de  prestar  atenção  a  Deus,  enquanto  restam  pelo   menos 7.000 homens fiéis a Deus. Elias encontra-se deprimido pela ausência de
pureza e fidelidade a Deus nas estruturas oficiais, mas é alertado que Deus não   se preocupa com as instituições humanas. Deus ocupa-se dos indivíduos dentre o   povo que se mantém fieis em serviço e adoração real. Deus pode não estar no   lugar  esperado,  nem  aparecer  da  forma  esperada.  Mesmo  assim,  Deus  está   presente, não deixa desamparado o remanescente fiel.  

Eliseu, Jeremias e os profetas menores seguem a mesma temática, chamando o   povo de volta a uma adoração real e sincera, muitas vezes despreocupados com   as formas institucionalizadas do culto    a religião oficial do povo. No período de   Eliseu, parece que nem existe uma forma organizada de culto a Deus. O rei está   cercado de sacerdotes e profetas, mas todos parecem falsos, a não ser Eliseu.  

Em Mateus 5-7, Jesus toca na mesma temática, que também havia sido tratada   por  João  Batista.  As  formas  externas  da  religião  não  serviam  para  nada.  O   interesse real era o compromisso interno do indivíduo perante Deus. As formas   externas  do  reinar  de  Deus  não  tinham  tanta  importância  como  a  disposição   interna  de  confiar  em  Deus.  No  capitulo  28,  as  palavras  de  Jesus  revelam  o   mesmo tipo de pensar. Em Atos, Lucas descreve a mesma preocupação de Jesus   em outras palavras. Ele reflete ainda mais a despreocupação com o reinar visível
de Deus (no reino político terrestre), enfatizando o testemunhar da identidade e   mensagem redentora de Deus, não a construção de órgãos oficiais.  

Olhando bem, Jesus tem críticas severas para os líderes religiosos do seu tempo.   O problema não era inerente às estruturas em si, nem o haver ou não liderança   específica ou capacitada. A razão da crítica se radicava no distanciamento que o   institucionalismo havia posto entre as formas  religiosas e o  relacionamento do   indivíduo  com  Deus.  Estruturas  sempre  existirão  e  sempre  serão  necessárias,   mas elas nunca deveriam ser um fim em si. Assim não se deveria deixar que o   relacionamento  com  Deus  se  transformasse  num  relacionamento  com  uma   estrutura,  uma  organização,  uma  instituição  ou  com  um  padrão  de  conduta   externa (legalismo). Para tanto, as estruturas precisam sempre estar sob reforma   e  readequação,  procurando  sempre  a  forma  mais  adequada  para  encorajar  o   indivíduo no seu relacionamento de dependência de Deus e no cumprimento da   missão. Nunca se deve deixar que as estruturas tomem o lugar do compromisso   interior com Deus.  

Nos primeiros séculos depois de Cristo, o evangelho cresceu espantosamente no   mundo greco-romano. Não havia rigidez de formas e estruturas específicas, mas   havia vários tipos de formas organizacionais. Cada grupo de cristãos procurava o
método mais apropriado para suas reuniões e a realização da missão que Deus   havia   entregue   aos   servos  -    “Discipulai   as   nações”.   Quando   Constantino   institucionalizou  a  igreja,  oficializando  o  cristianismo  como  religião  do  Império   Romano,  houve  uma  mudança  na  preocupação  com  a  expansão  da  igreja.  Na   verdade, as mudanças haviam principiado antes da oficialização do cristianismo,   num movimento institucionalizante que estava já começando a reinar no mundo   cristão.  Com  a  oficialização,  houve  uma  politização  religiosa.  Nesse  quadro   político, a igreja perdeu o seu ímpeto e zelo missionário, ocupando-se mais com   o poder e o controle de suas conquistas. Perdeu-se a missão com um enfoque   interno visando à manutenção.  

O  grande  perigo  das  instituições,  organizações  e  estruturas  do  evangelho  é  de   perder   de   foco   a   missão   e   prestigiar   a   própria   estrutura   mais   do   que   a   dependência de Deus. Estruturas e programas não são o evangelho. Instituições   e  organizações  não  são  o  reinar  de  Deus.  O  reinar  de  Deus  é  no  interior  do   indivíduo. Este procura formas de dar expressão ao reinar de Deus em sua vida.   O problema é de confundir a expressão externa com a realidade interna. Quando   tal  acontece,  a  vida  sob  o  reinar  de  Deus  é  transformada  em  ativismo  e
manutenção  de  estruturas  religiosas  da  criação  do  ser  humano.  Começamos  a   transformar a imagem de Deus, servindo ao trabalho de nossas próprias mãos.  


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