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1 de outubro de 2017

História De Israel – Teologia 31.18 - Raquel da a Luz a Benjamim e Morre (Livro 1 Cap 18)

História De Israel – Teologia 31.18
 
CAPÍTULO 18

VISÃO QUEJACÓ TEVE NA TERRA DE CANAÃ, ONDE DEUS PROMETE TODA
SORTE DE FELICIDADE A ELE E À SUA DESCENDÊNCIA. NA MESOPOTÂMIA,
DESPOSA LEIA E RAQUEL, FILHAS DE LABÃO. RETIRA-SE SECRETAMENTE PARA
VOLTAR AO SEU PAÍS. LABÃO PERSEGUE-O, MAS DEUS O PROTEGE. LUTA COM
UM ANJO E RECONCILIA-SE COM O SEU IRMÃO ESAÚ. O FILHO DO REI DE
SIQUÉM VIOLENTA DINÁ, FILHA DEJACÓ. SIMEÃO E LEVI, SEUS IRMÃOS,
PASSAM AFIO DE ESPADA TODOS OS HABITANTES DA CIDADE DE SIQUÉM.
RAQUEL DÁ À LUZ BENJAMIM E MORRE DE PARTO. FILHOS DE JACÓ.

49.  Gênesis 28. Tendo sido Jacó, com o consentimento do pai, enviado por sua mãe à Mesopotâmia, para desposar uma filha de Labão, seu tio, atravessou o país dos cananeus. Mas, por ser uma nação inimiga, não entrou em nenhuma de suas casas. Dormia no campo, utilizando-se das pedras como travesseiro. E, dormindo, teve uma visão. Parecia-lhe ver uma escada que ia da Terra até o céu com pessoas — que pareciam ser mais que humanas — descendo por ela. Deus, que estava no alto, apareceu-lhe claramente, chamou-o pelo nome e disse-lhe: "Jacó, tendo como tendes por pai um homem de bem e tendo o vosso avô se tornado tão célebre pela virtude, por que vos deixais abater pela dor? Concebei melhores esperanças. Grandes bens vos esperam, e eu jamais vos abandonarei. Quando Abraão foi expulso da Mesopotâmia, eu o fiz vir aqui. Tornei feliz o vosso pai, e vós não o sereis menos que ele. Coragem! Continuai o vosso caminho, nada temais sob o meu governo. O vosso casamento será como desejais: tereis muitos filhos, e vossos filhos terão ainda mais. Sujeitar-lhes-ei este país, e à sua posteridade, que se multiplicará de tal modo que todas as terras e os mares que o Sol ilumina serão povoadas por eles. Nenhuma tribulação e nenhum perigo serão capazes de vos assustar. Desde já tomo cuidado de vós, e tomarei ainda mais para o futuro".
50. Uma tão favorável visão encheu jacó de consolo e de alegria. Lavou as pedras que lhe serviam de travesseiro, pois grande felicidade ali lhe se havia predito, e fez voto: se retornasse feliz, ofereceria naquele mesmo lugar um sacrifício a Deus e a décima parte de todos os seus bens, o que cumpriu depois com fidelidade. Quis também, para tornar célebre o lugar, dar-lhe o nome de Betei, isto é, "permanência de Deus".
Gênesis 29. Continuou depois a marcha para a Mesopotâmia e por fim chegou a Harã. Nos arredores, encontrou alguns pastores, moços e moças, que estavam sentados à borda de um poço. Rogou-lhes que lhe dessem de beber e, tendo entabulado conversação com eles, perguntou-lhes se conheciam um homem de nome Labão e se ele ainda vivia. Responderam-lhe que o conheciam: era um homem muito estimado para não ser conhecido; que ele tinha uma filha que habitualmente ia ao campo com eles (admiravam-se de ela não estar ali com o grupo); e que ele poderia saber dela tudo o que desejava.
Conversavam assim quando Raquel chegou, acompanhada de seus pastores. Apontaram-lhe Jacó, dizendo que aquele estrangeiro perguntara pela saúde de seu pai. Como ela era muito jovem e muito simples, mostrou-se satisfeita em ver Jacó e perguntou-lhe quem era e que motivo o trazia ao seu país, acrescentando o desejo de que seu pai e sua mãe lhe pudessem dar tudo o que ele queria deles. Tão grande bondade comoveu-o. Estando ela perto de jacó, este ficou bastante surpreendido com a sua beleza, que era extraordinária. "Pois que vós sois filha de Labão", disse-lhe ele, "posso dizer que a nossa aproximação precedeu o nosso nascimento. Terá teve a Abraão por filho, Naor e Arã também. Mas nós somos ainda mais próximos: pois Rebeca, minha mãe, é irmã de Labão, vosso pai. Assim, somos primos irmãos, e eu vos venho visitar para dar-vos o que vos devo e renovar tão estreita aliança".
Raquel, que ouvira o pai falar tantas vezes de Rebeca e do desejo que tinha de receber notícias dela, ficou tão contente que, levada pela alegria, abraçou Jacó e, chorando, disse-lhe que seu pai e toda a sua família guardavam contínua recordação de Rebeca e dela falavam a todo instante. E, como ele não lhes poderia dar maior prazer que as informações sobre uma pessoa que lhes era tão cara, rogou-lhe que a seguisse, para não retardar nem mais um momento tão grande satisfa-ção. Levou-o depois a Labão, cuja alegria, ao ver o sobrinho quando menos o esperava, não foi menor, e Jacó sentiu-se em segurança junto dele.
Alguns dias depois, Labão perguntou-lhe como tinha podido deixar seu pai e sua mãe numa idade em que eles necessitavam tanto de sua assistência e ao mesmo tempo ofereceu-lhe tudo o que dele podia depender. Jacó, para satisfazer o desejo do tio, contou-lhe o que se havia passado em família. Disse-lhe que tinha um irmão gêmeo e que Rebeca, sua mãe, querendo-o mais que a seu irmão Esaú, havia conseguido, por um ato de astúcia, que seu pai lhe desse, com todas as vantagens que a acompanhavam, a bênção que era do irmão. Contou-lhe que Esaú, para vingar-se, procurava por todos os meios matá-lo e que sua mãe lhe havia ordenado então que viesse buscar asilo junto de Labão, pois não tinha nenhum outro parente mais próximo ao seu lado. E assim, no estado a que se encontrava reduzido, tinha confiança apenas em Deus e no tio.
Labão, comovido com essas palavras, prometeu a jacó toda a assistência, fosse em consideração ao parentesco, fosse para testemunhar a amizade que conservava por sua irmã, embora ausente há tanto tempo e tão longe dele. Prometeu também dar-lhe inteira autoridade sobre todos os que cuidavam de seus rebanhos, e, quando Jacó voltasse ao seu país, saberia, pelos presentes que lhe daria, qual era a sua gratidão e amizade. E Jacó, como nutrisse já grande afeto por Raquel, respondeu-lhe que a nenhum trabalho consideraria pesado, em se tratando de servi-lo, e que tinha tanta estima pela virtude de Raquel e tanta gratidão pela bondade com a qual ela o havia levado até ali que não pedia outra recompensa pelos seus serviços senão recebê-la em ca-samento.
Labão recebeu a proposta com satisfação, respondendo que não poderia ter genro mais agradável. Disse-lhe então ser necessário que Jacó ficasse algum tempo com eles, porque não podia resolver-se ainda a mandar a filha para Canaã, pois já havia sentido muito ter deixado a irmã partir para um país tão distante. Jacó aceitou a condição, prometeu servi-lo por sete anos e acrescentou que teria prazer em encontrar ocasião de lhe mostrar, por sua solicitude e seus serviços, que não era indigno de sua aliança.
51. Quando se passaram os sete anos, Labão viu-se na contingência de cumprir a promessa e, no dia das núpcias, deu um grande banquete. Mas, em vez de colocar Raquel no leito, mandou secretamente que lá pusessem Leia, irmã mais velha, que nada tinha em si mesma que pudesse despertar o amor. As trevas e o vinho levaram Jacó a perceber o engano somente no dia seguinte.* Ele queixou-se a Labão, que se desculpou de assim ter agido, dizendo ter sido obrigado pelo costume do país, que proibia casar a filha mais nova antes da mais velha, mas que isso não o impediria de esposar Raquel: estava disposto a entregá-la a Jacó, com a condição de que este o servisse por mais sete anos. Jacó percebeu que o engano era um mal sem remédio, mas o seu amor por Raquel o fez aceitar a proposta, embora injusta. Assim, ele a desposou e serviu Labão durante outros sete anos.

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* As Escrituras afirmam que Jacó desposou Raquel ao fim de sete dias, com a condição de que ele serviria Labão por mais sete anos.

52. As duas irmãs mantinham junto delas duas moças, Zilpa e Bila, que Labão lhes dera não como criadas, mas apenas para fazer companhia às filhas, embora a estas devessem prestar obediência. Leia vivia triste, porque Jacó só tinha amor por Raquel, mas julgou que ele também poderia amá-la, se Deus lhe desse filhos. Por isso rogava a Ele constantemente que lhe fizesse aquela graça e por fim a obteve. Deu à luz uma criança, à qual chamou Rúben, para mostrar que o obtivera unicamente dEle. Teve em seguida outros três: um de nome Simeão, significando que Deus lhe havia sido favorável; outro a que chamou Levi, isto é, "sustentáculo da sociedade"; e outro ainda, Judá, isto é, "ação de graças".
Gênesis 30. A fecundidade de Leia, com efeito, levou jacó a amá-la mais. E Raquel, temendo que o afeto do marido pela irmã diminuísse a parte que lhe tocava, resolveu dar Bila a Jacó, que dela teve dois filhos: o mais velho, de nome Dã, isto é, "julgamento de Deus", e o mais novo, Naftali, isto é, "engenhoso", porque Raquel havia combatido por meio da astúcia a fecundidade da irmã. Leia usou também do mesmo artifício e pôs Zilpa em seu lugar, com a qual Jacó teve dois filhos: um de nome Gade, isto é, "vindo por acaso", e outro, Aser, isto é, "felicidade", porque Leia daí tirava vantagem.
Dessa maneira, viviam juntas as duas irmãs. Rúben, filho mais velho de Leia, trouxe um dia para sua mãe algumas mandrágoras. Raquel teve também desejo de comê-las e rogou à irmã que as repartisse com ela. Leia recusou atender o pedido, dizendo que Raquel devia contentar-se com a vantagem do afeto de Jacó. Raquel, para acalmá-la, ofereceu-lhe Jacó por aquela noite. Ela aceitou a proposta e ficou grávida de Issacar, isto é, "nascido como recompensa". Em seguida, teve Zebulom, isto é, "recompensa da amizade", e uma filha: Diná. Por fim, Raquel teve também a alegria de ser mãe — de José, que quer dizer "aumento".
53. Gênesis 31. Vinte anos passaram-se dessa maneira, e ]acó, durante todo esse tempo, teve sempre a guarda geral dos rebanhos de Labão. Após tantos anos de serviço, pediu para voltar ao seu país, com as duas esposas. Labão recusou-se a dar o consentimento, e ]acó então resolveu retirar-se secretamente. Leia e Raquel estavam de acordo com ele. E assim, partiu com elas, levando também Zilpa e Bila, todos os seus filhos, os seus bens e metade dos rebanhos de Labão. Raquel tomou os ídolos de seu pai, não para adorá-los, porque Jacó não estava dominado por esse erro, mas para aplacar a cólera de Labão, restituindo-os, caso ele os perseguisse.
Labão soube da retirada de |acó apenas no dia seguinte e pôs-se a segui-lo com muita gente, alcançando-o no sétimo dia, pela tarde, numa colina onde os fugitivos descansavam. Quis deixar passar a noite sem os atacar. Mas, quando dormia, Deus apareceu-lhe em sonhos e proibiu-lhe de pela cólera empreender algo contra Jacó e suas filhas, ordenando-lhe que se reconciliasse com o genro e que não confiasse na desigualdade das forças, pois se ousasse atacá-los, combateria por Jacó, para protegê-lo.
O dia não havia raiado quando Labão, em obediência à ordem divina, mandou contar a Jacó o sonho que tivera, pedindo que viesse ter com ele. E Jacó foi, sem nada temer. Labão começou por fazer-lhe graves censuras: "Não podíeis", disse ele, "ter esquecido em que estado estáveis quando viestes à minha casa, como eu vos recebi, com que liberalidade vos tornei participante de meus bens e com quanta bondade vos dei as minhas filhas em casamento? Quem não teria pensado que tantos favores vos teriam unido para sempre a mim, com um afeto inviolável? Mas nem a estreita parentela, que nos une, nem a consideração de que a vossa mãe é minha irmã, que as vossas esposas me devem a vida e que os vossos filhos são meus impediram que me tratásseis como se eu fosse vosso ini-migo. Levais os meus bens, obrigastes as minhas filhas a me deixar para fugir convosco e sois a causa de elas me roubarem o que os meus antepassados e eu sempre tivemos em grande veneração, porque são coisas sagradas. Qual! Será então necessário que eu receba do filho de minha irmã, de meu genro, de meu hóspede e de um homem que me é devedor de tantos benefícios todos os ultrajes que um inimigo irreconciliável me teria podido fazer?"
54. Jacó, para justificar-se, respondeu que não era o único a quem Deus havia imprimido no coração o amor pelo país natal e o desejo de voltar após longa ausência. Quanto à acusação de tê-lo roubado, qualquer homem justo Julgaria que tal censura se ajustava ao próprio Labão, porque, em vez de lhe agradecer por ter não somente conservado, mas aumentado tanto os seus bens, vinha queixar-se de que lhe havia sido levada uma pequena parte. E, quanto ao que se referia às filhas, era estranho achar maldade no fato de as esposas seguirem o marido, bem como esperar que as mães abandonassem os filhos.
Após ter-se defendido dessa maneira, Jacó, para usar das mesmas razões que Labão apresentara contra ele, acrescentou que, sendo seu tio e sogro, não deveria tê-lo tratado tão rudemente, como o fizera por vinte anos, sem falar no que sofrerá para obter Raquel, suportado apenas por causa de sua afeição por ela, e ainda depois, quando continuou a agir contra ele de maneira que nem da parte de um inimigo teria esperado pior. Jacó tinha sem dúvida grandes motivos para queixar-se das injustiças de Labão, pois quando este viu que Deus favorecia jacó em todas as coisas, ora prometia-lhe dar, na partilha do aumento do rebanho, os animais que nascessem brancos, ora os que fossem pretos. E, percebendo que a parte de Jacó era a maior, faltava-lhe sempre à palavra e adiava a partida para o ano seguinte, na esperança de que seria depois a mesma coisa. Como nisso era sempre enganado, continuava também a enganar Jacó.
Quando Raquel soube que, ante a queixa do furto dos ídolos, Jacó dera a Labão permissão de os procurar, escondeu-os debaixo do camelo em que montava, sentou-se sobre ele e disse que não podia se levantar, pois estava sofrendo do incômodo próprio das mulheres. Assim, Labão não os procurou mais, porque pensou que a filha não teria naquele estado se aproximado de coisas que no seu espírito passavam por sagradas. Prometeu depois a Jacó, com juramento, não somente esquecer o passado, mas conservar por suas filhas o mesmo afeto que sempre lhes tivera. E, como sinal da renovação da aliança, ergueram sobre a montanha uma coluna em forma de altar, à qual deram por esse motivo o nome de Galeede e que a região vizinha, posteriormente, conservou. Fizeram depois um grande banquete, e Labão deixou-os para regressar à sua casa.
55. Gênesis 32. jacó, por seu lado, continuou a viagem para Canaã e no caminho teve visões, as quais o fizeram conceber tão grandes esperanças que chamou Campos de Deus o lugar onde as tivera. Mas, temendo sempre o ressentimento de Esaú, mandou alguns dos seus para levar-lhe notícias e ordenou-lhes que se expressassem nestes termos: "O respeito que Jacó, vosso irmão, vos tem, fá-lo pensar que não deve se apresentar diante de vós enquanto estiverdes irritado contra ele, assim como o fez abandonar este país e retirar-se para uma terra longínqua. Mas agora ele espera que o tempo tenha apagado de vosso espírito o descontentamento e volta com as suas esposas, os seus filhos e o que conquistou com o trabalho, a fim de pôr em vossas mãos tudo o que possui. Nada lhe daria mesmo mais alegria do que oferecer-vos os bens com que aprouve a Deus enriquecê-lo".


Esaú ficou tão comovido com essas palavras que veio imediatamente encontrar-se com o irmão, acompanhado de quatrocentos homens. Esse grande número assustou jacó, mas ele colocou a sua confiança em Deus e dispôs todas as coisas para se pôr em condições de resistir-lhe, caso Esaú tivesse a intenção de usar de violência. Distribuiu para isso tudo o que trazia consigo em diversos grupos, que se seguiam a curtos espaços um do outro, de modo que, se o que vinha à frente fosse atacado, os demais pudessem retirar-se. Mandou depois avançar alguns de seus homens e, para acalmar o espírito do irmão, se é que este ainda estava irritado contra ele, ordenou-lhes que oferecessem, de sua parte, diversos animais de várias espécies que lhe poderiam ser agradáveis pela sua raridade. Disse-lhes também que caminhassem separadamente, a fim de que, indo assim em fila, parecesse que eram em maior número, e recomendou-lhes sobretudo que falassem a Esaú com o máximo respeito.
56. Depois de ter assim empregado todo o dia em dispor essas coisas, foi caminhar à noite. E, após ter atravessado as torrentes de Jaboque, estando muito afastado de seus homens, um vulto apareceu e atracou-se com ele. jacó foi o mais forte nessa luta, e o vulto disse-lhe: "Alegrai-vos )acó, e que nada seja capaz de vos assustar. Pois não foi a um homem que vencestes, mas a um anjo de Deus", jacó, tomado de admiração, pediu que o espírito celeste informasse o que lhe devia acontecer, ao que este respondeu: "Considerai o que acaba de se passar como um presságio, não somente de grandes bens que vos esperam, mas da duração perpétua de vossa descendência e da confiança que deveis ter de que ela será invencível". O anjo ordenou-lhe em seguida que tomasse o nome de Israel, que significa, em hebreu, "o que resistiu a um anjo", e nesse mesmo instante desapareceu. Jacó, transbordando de alegria, chamou ao lugar Peniel, isto é, "a face de Deus". E, como fora ferido naquela luta num lugar da coxa, jamais comeu daquela parte de animal algum. Não nos é, do mesmo modo, permitido comê-la.
57. Gênesis 33. Quando Jacó soube que o irmão se aproximava, mandou dizer às suas mulheres que viessem separadas uma da outra, cada qual com as suas criadas, para ver de longe o combate, caso fossem obrigados a travá-lo. Quando já estava próximo do irmão, todavia, reconheceu que ele vinha com espírito de paz e apresentou-se diante dele. Esaú abraçou-o e perguntou-lhe o que era aquela multidão de mulheres e crianças. Depois de ter sido informado de tudo, ofereceu-se para levá-las todas a Isaque, seu pai. Jacó agradeceu e rogou-lhe que o desculpas-se, porque toda a comitiva estava muito cansada, por causa da longa viagem, e tinha necessidade de repouso. Assim, Esaú voltou a Seir, onde residia habitualmente, tendo ele mesmo lhe dado esse nome, que significa "peludo".
58.  Gênesis 34. jacó, por sua vez, dirigiu-se a um lugar denominado As Tendas, que ainda hoje conserva esse nome, e de lá a Siquem, que é uma cidade dos cananeus. Aconteceu então que ali se realizava uma festa, e Diná, única filha de Jacó, aproximou-se para ver de que maneira as mulheres daquele país se vestiam. Siquem, filho do rei Hamor, achou-a tão bela que a carregou e abusou dela. Estando apaixonado por ela, pediu ao rei, seu pai, que a fizesse desposar. Ele consentiu e foi procurar Jacó para pedi-la em casamento. Jacó ficou muito embaraçado, porque, de um lado, não sabia como recusar a filha ao filho de um rei e, de outro, julgava que em sã consciência não podia dá-la a um estrangeiro. Assim, pediu algum tempo a Hamor, para decidir, e o monarca regressou, na persuasão de que o casamento se realizaria.
Jacó contou aos filhos tudo o que se havia passado, pedindo-lhes que deliberassem sobre o que deviam fazer. A maior parte não sabia que resolução tomar. Mas Simeão e Levi, irmãos de pai e mãe de Diná, tomaram juntos uma determinação e, sem nada dizer a Jacó, escolheram executá-la no dia de uma grande festa que se realizava em Siquem e que se passava toda em banquetes e divertimentos. Foram de noite às portas de Siquem, acharam os guardas adormecidos e os mataram. Daí foram à cidade, passaram todos os homens a fio de espada, até mesmo o rei e seu filho, poupando somente as mulheres, e trouxeram de volta a sua irmã. Jacó ficou fora de si por aquela ação sangrenta e muito irritado com os dois, mas Deus, numa visão, ordenou que se consolasse, que purificasse as suas tendas e pavilhões e que oferecesse o sacrifício ao qual se havia obrigado quando Ele lhe apareceu em sonho, na sua viagem à Mesopotâmia.
59.  Enquanto executava essas ordens, jacó encontrou os ídolos de Labão, que Raquel havia furtado sem nada lhe dizer. Enterrou-os em Siquem, sob um carvalho, e foi sacrificar em Betei,* no mesmo lugar onde tivera a visão de que acabamos de falar. De lá passou a Efrata, onde Raquel teve um filho e morreu de parto. Ela foi sepultada ali mesmo, sendo a única de sua descendência que não foi levada a Hebrom, ao sepulcro de seus antepassados. A morte dela causou grande aflição a ]acó, e ele chamou ao filho Benjamim, porque havia sido causa de dor, ao custo da vida de sua mãe. Jacó teve apenas uma filha, Diná, e doze filhos, dos quais oito eram legítimos, isto é, seis de Leia e dois de Raquel. Quanto aos outros quatro, dois eram de Zilpa e dois de Bila. Chegou finalmente a Hebrom, na terra de Canaã, onde morava Isaque, seu pai, mas o perdeu logo depois.
___________
* Belém.




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