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9 de outubro de 2017

História De Israel – Teologia 31.34 - veste dos Sacerdotes (Livro 3 Cap 8)

História De Israel – Teologia 31.34

CAPÍTULO 8

VESTES E ORNAMENTOS DOS SACERDOTES E DO SUMO SACERDOTE.

119. Devemos agora falar das vestes, tanto as dos sacerdotes, às quais os hebreus chamam chanes, quanto as do sumo sacerdote, às quais chamam anarabachem. Começaremos pelas comuns, dos sacerdotes. Aquele que ia oficiar era obrigado, segundo a Lei, a ser puro e casto. Ele revestia-se de uma veste chamada manachaz, isto é, "que segura forte", uma espécie de calção de linho retorcido que se prendia nos rins. Colocava por cima uma túnica de um duplo tecido de lã e linho, à qual chamavam chetonem, porque o linho se chama chetom. Ela descia até os calcanhares, era muito justa no corpo e tinha também mangas muito estreitas para cobrir os braços.
A túnica era presa sobre o peito, um pouco abaixo das espáduas, com um cinto da largura de quatro dedos, o qual era de tecido fraco, de maneira que se parecia com uma pele de cobra. Diversas flores e figuras nele estavam representadas, com linho de cor escarlate, púrpura e jacinto. Essa cinta dava duas vezes a volta em torno do corpo. Era atada na frente e depois caía até os pés, a fim de tornar o sacerdote mais venerável ao povo quando não estava oferecendo algum sacrifício. Pois, quando o oferecia, atirava a cinta sobre o ombro esquerdo, a fim de ficar mais livre para desempenhar o seu ministério. Moisés chamou a esse cinto abanete, e nós o chamamos hoje emiã, nome que tiramos dos babilônios. A túnica não tinha pregas e possuía uma grande abertura em torno do pescoço, que era presa na frente e atrás com colchetes, e a chamavam massabazem.
Ele usava uma espécie de mitra, que não lhe cobria mais que metade da cabeça e que ainda hoje se chama masnaemphite. Tinha a forma de uma coroa e era de tecido de linho, mas muito grossa por causa das muitas pregas. Colocava-se por cima uma touca de pano muito fino, que cobria toda a cabeça e descia até a fronte, ocultando as costuras e pregas dessa coroa. Era presa com muito cuidado, para que não caísse durante o sacrifício.
Essas eram as vestes do sacerdote. Quanto às do sumo sacerdote, além do que acabo de dizer, ele se revestia de uma túnica cor de jacinto, chamada methir, que lhe ia até os calcanhares. Ele a cingia com um cinto semelhante ao de que falei, exceto que era entrelaçado de ouro. A parte inferior de seu vestuário era ornada de franjas com guizos e campainhas de ouro, entremeadas de maneira igual. Essa túnica, que era toda uma só peça, sem costura, não era aberta de lado, mas de alto a baixo, isto é, por trás desde o alto até abaixo das espáduas e na frente apenas até a metade do estômago. Para adorno dessa abertura, colocaram-se bordados, como também naquelas feitas para passar o braço.
Por cima dessa túnica, punha-se uma terceira veste, chamada éfode, parecida com a que os gregos chamam epomis, cuja descrição é esta: tinha um côvado de comprimento, mangas, e era como uma espécie de túnica curta. Era de um tecido tingido com várias cores e misturado com ouro e deixava sobre o meio do peito uma abertura de quatro dedos em quadrado. A abertura era coberta por uma peça de pano semelhante ao do éfode. Os hebreus chamam-no essem, e os gregos, logiom, que significa em língua vulgar "racional" ou "oráculo". Tinha a largura de um palmo e estava preso à túnica por colchetes de ouro, juntamente com uma tira cor de jacinto, que passava por anéis. Para que não se visse a menor abertura entre esses anéis, uma fita, também cor de jacinto, cobria a costura.
O sumo sacerdote trazia sobre cada um dos ombros uma pedra sardônica encastoada em ouro, e essas duas pedras preciosas funcionavam como um colchete para fechar o éfode. Os nomes dos doze filhos de Jacó foram gravados nas sardônicas, em língua hebraica, isto é: sobre a do ombro direito, os dos seis mais velhos, e sobre a da esquerda, os dos mais novos. Sobre essa peça, chamada racional, estavam presas doze pedras preciosas de extrema beleza, que não tinham preço. Estavam colocadas em quatro linhas de três cada uma e separadas por pequenas coroas de ouro, a fim de serem conservadas firmes e não caírem. Na primeira fila, estavam a sardônica, o topázio e a esmeralda. Na segunda, o rubi, o jaspe e a safira. Na terceira, o mercúrio, a ametista e a ágata. E na quarta, a crisólita, o ônix e o berilo. Em cada uma dessas pedras preciosas estava gravado o nome de um dos doze filhos de Jacó, que consideramos os chefes de nossas tribos. Esses nomes estavam escritos segundo a ordem de seu nascimento.
Ora, como os colchetes eram muito fracos para sustentar o peso das pedras preciosas, havia outros dois, mais fortes, atados à borda do racional, perto do pescoço, que sobressaíam do tecido e nos quais se passavam duas correntes de ouro, que se uniam por um tubo nas extremidades dos ombros. As pontas superiores dessas correntes, que caíam para trás das costas, atavam-se a um anel que estava por trás, à beira do éfode, e de todo o sustentavam, para impedir que caísse. Um cinto de diversas cores, tecido de ouro, estava preso ao racional e o prendia todo, atando-se por cima das costuras e daí pendendo para baixo. Todas as franjas estavam bem presas a ilhoses de fio de ouro.
A tiara do sumo sacerdote era em parte semelhante à mitra dos sacerdotes. Tinha a mais, porém, uma outra espécie de touca por cima da de cor de jacinto. Era rodeada por uma tríplice coroa de ouro, onde havia pequenos cálices, como os que se vêem numa planta que os hebreus chamam daccar, e os gregos, hioscianos, vulgarmente chamada jusquiame ou anebane. E, se alguém não a conhece bem, para entender pelo que dizemos, vamos descrevê-la.
Ela tem ordinariamente mais de três palmos de altura. A sua raiz se parece com um nabo, e as folhas, com uma erva chamada rinchão. Possui uma pequena pele, que cai quando o fruto está maduro. De seus ramos saem como que pequenas taças, cálices do tamanho da junta de um dedinho, cuja circunferência se parece mesmo com uma taça. Acrescentarei, ainda, para a compreensão dos que não conhecem essa planta, que ela tem embaixo algo como uma meia bola, que se estreita para cima. Depois alarga-se e forma como que uma pequena bacia, semelhante ao centro de uma romã partida em duas, onde se adapta uma coberta redonda, tão bem feita como se a tivessem polido em redor e com recortes que terminam em ponta, tal como se vêem nas romãs. Por cima dessa coberta, ao longo das pequenas taças, ela produz o seu fruto, que se parece com a semente da erva chamada parietária, e a sua flor é como a da papoula.
Essa tiara, ou mitra coroada, cobria a parte posterior da cabeça e as têmporas, em volta das orelhas, pois esses pequenos cálices não rodeavam a fronte. Esta era rodeada por uma espécie de correia de ouro, bastante larga, sobre a qual, em caracteres sagrados, estava escrito o nome de Deus.
Eram essas as vestes do sumo sacerdote, e não deixaria eu de me admirar muito a esse respeito pela injustiça daqueles que nos odeiam e nos tratam como ímpios, porque desprezamos as divindades que eles adoram. Pois se eles quiserem considerar com algum cuidado a construção do Tabernaculo, as vestes dos sacerdotes, os vasos sacros de que se servem para oferecer os sacrifícios a Deus, verão que o nosso legislador era um homem consagrado e que falsamente somos acusados, pois é fácil de se ver, por tudo o que acabo de narrar, que elas representam de algum modo todo o mundo. Pois das três partes nas quais o comprimento do Tabernaculo está dividido, as duas em que é permitido aos sacerdotes entrar, como se entraria num lugar profano, significam a terra e o mar, que estão abertos a todos os homens. E a terceira parte, que lhes é inacessível, é como um céu reservado a Deus somente, pois o céu é a sua morada.
Os doze pães da proposição significam os doze meses do ano. Os véus, tecidos de quatro cores, indicam os quatro elementos, pois o linho refere-se à terra, que o produz, e é da mesma cor; a púrpura significa o mar, pois é tingida com o sangue de um certo peixe; o escarlate representa o fogo (a túnica do sumo sacerdote significa também a terra); o jacinto, que tende para a cor do azul, representa o céu; as sementes de romã, os relâmpagos; o som das campainhas, os trovões.
O éfode, tecido de quatro cores, representa também toda a natureza (penso que o ouro foi acrescentado para representar a luz). O racional, que está no meio, representa também a terra, que está no centro do mundo, e o cinto que o rodeia tem relação com o mar, que circunda a terra. Quanto às sardônicas que servem de colchetes, indicam o Sol e a Lua. As outras doze pedras preciosas simbolizam os meses do ano.
A tiara, sendo da cor do jacinto, significa o céu, sem o que não seria digno de que nela se escrevesse o nome de Deus, e a tríplice coroa de ouro representa, por seu brilho, a sua glória e a sua soberana majestade. Eis de que modo julguei dever explicar todas essas coisas, a fim de não perder a ocasião, nem neste lugar, nem em outros, de fazer conhecer a grande sabedoria do nosso admirável legislador.


Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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