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9 de outubro de 2017

História De Israel – Teologia 31.35 - Deus Ordena Arão Sumo Sacerdote (Livro 3 Cap 9)

História De Israel – Teologia 31.35

CAPÍTULO 9

DEUS ORDENA ARÃO SUMO SACERDOTE.

120. Êxodo 28, 29, 30 e 40. Tudo estava preparado, e não restava mais que consagrar o Tabernaculo. Deus então apareceu a Moisés e ordenou-lhe que fizesse a Arão, seu irmão, sumo sacerdote, porque era mais digno que qualquer outro para esse cargo. Moisés reuniu o povo, falou-lhe das virtudes de Arão e do interesse deste pelo bem público, que tantas vezes o fizera arriscar a vida. E todos não somente concordaram com a escolha, mas o aprovaram com alegria.
Então Moisés assim lhes falou: "Todas as obras que Deus havia ordenado estão terminadas, segundo a sua vontade e segundo as nossas posses. Como vós sabeis, Ele quer honrar este Tabernaculo com a sua presença, mas é necessário, antes de tudo o mais, criar o sumo sacerdote, aquele que é o mais competente para bem desempenhar esse cargo, a fim de que cuide de tudo o que se refere ao culto divino e ofereça a Ele os vossos votos e as vossas orações. Confesso que, se essa escolha tivesse dependido de mim, eu teria podido desejar essa honra, seja porque todos os homens são naturalmente levados a desejar incumbência tão honrosa, seja porque vós não ignorais quantas dificuldades e trabalhos sofri pelo bem vosso e da República. Mas Deus mesmo, que destinou Arão há muito tempo para esse sagrado ministério, conhecendo-o como o mais justo dentre vós, o mais digno de ser honrado, deu-lhe o seu voto e julgou em seu favor. Assim, Arão oferecer-lhe-á de ora em diante, por vós, orações e votos, e Ele os escutará tanto mais favorávelmente quanto, além do amor que vos tem, eles lhe serão apresentados por aquele que Ele escolheu para ser o vosso intercessor junto dEle".
121. Essas palavras agradaram bastante ao povo, que aprovou por sufrágios a escolha feita por Deus. Arão era, sem dúvida, o que devia ser elevado a tão alta dignidade, quer por causa de sua descendência, quer pelo dom de profecia que recebera, quer pela eminente virtude de Moisés, seu irmão. Ele tinha, então, quatro filhos: Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
122.  Moisés determinou que o resto do que se ofertara à construção do Tabernáculo fosse usado para a confecção do que era necessário à sua cobertura, bem como para se cobrir o candelabro de ouro, o altar de ouro, sobre o qual se fariam as incensações, e, do mesmo modo, todos os outros vasos, a fim de que quando se levassem essas coisas para o campo não fossem deterioradas pela chuva, nem pela poeira, nem por algum outro inconveniente do ar. Reuniu depois o povo e ordenou-lhe que cada um contribuísse ainda com meio sido, que é uma moeda dos hebreus, cujo valor é de quatro dracmas áticas. Eles executa-ram a ordem imediatamente, e então seiscentos e cinco mil e quinhentos homens deram essa quantia, embora somente as pessoas livres e da idade de vinte e cinco até cinqüenta anos tivessem contribuído. Esse dinheiro foi imediatamente empregado em benefício do Tabernáculo.
123.  Moisés, então, purificou o Tabernáculo e os sacerdotes, deste modo: tomou quinhentos sidos de mirra escolhida, o mesmo peso de lírio roxo e a metade de canela e de bálsamo. Mandou bater tudo isso num him de óleo de oliveira, uma medida que contém dois coros áticos, e com isso fez um bálsamo, ou óleo, que tinha ótimo perfume e com o qual ungiu o Tabernáculo e os sacerdotes, e assim os purificou. Ofereceu, em seguida, sobre o altar de ouro, uma grande quantidade de excelentes perfumes, que, para não aborrecer o leitor, não descreverei em particular. E nunca deixou de queimá-lo duas vezes por dia, para fazer a incensação antes do nascer do sol e ao seu ocaso. Guardavam também o óleo purificado para alimentarem as lâmpadas do candelabro de ouro, das quais três ardiam durante o dia e as outras três à tarde. Bezalel e Aoliabe empregaram sete meses para fazer as obras de que acabo de falar e, então, passou-se o primeiro ano depois da saída do Egito. Eram dois artífices admiráveis, principalmente Bezalel, e eles, por si mesmos, inventaram várias coisas.
124. Êxodo 40. No começo do ano seguinte, no mês que os hebreus denominam nisã e os macedônios xântico, na lua nova, foi consagrado o Tabernáculo e todos os vasos que lá estavam. Deus então deu a conhecer que não fora em vão que o seu povo trabalhara numa obra tão magnífica, testemunhando o quanto ela lhe era agradável e como Ele queria ali morar e dar-lhe a honra de sua presença. Eis de que modo isso aconteceu: o céu era sereno, em toda a sua extensão, mas sobre o Tabernáculo apareceu uma nuvem, não tão espessa como as do inverno, mas suficiente para impedir que se pudesse ver através dela, e um pe-queno orvalho caiu, o qual significava, para os que tinham fé, que Deus lhes ouvira os votos e os honrava com a sua presença.
125. Moisés, depois de recompensar todos os operários, cada qual segundo o seu mérito, ofereceu sacrifícios à entrada do Tabernáculo, como Deus lhe havia ordenado, isto é, um touro com um carneiro e um bode, pelos pecados. Direi como se faziam essas cerimônias quando falar dos sacrifícios e enumerarei as vítimas que eram oferecidas em holocausto e que deviam ser inteiramente queimadas e quais as que deviam ser comidas, segundo a permissão da Lei.
126. Levítico 8. Moisés borrifou com o sangue dos animais imolados as vestes de Arão e de seus filhos e os purificou com água da fonte e com o bálsamo de que há pouco falei, para que fossem feitos sacerdotes do Senhor. E continuou durante sete dias a fazer a mesma coisa. Santificou também o Tabernáculo e todos os vasos, com esse bálsamo e com o sangue dos touros e dos carneiros, dos quais todos os dias se matava um de cada espécie.
Levítico 9. Ordenou em seguida que se festejasse o sétimo dia e que cada qual sacrificaria segundo as suas posses. Eles obedeceram, com alegria, e ofereceram vítimas à porfia, as quais, apenas eram colocadas sobre o altar, e um fogo proveniente dele as consumia completamente, de uma vez, como se fosse um raio, na presença de todo o povo.
127.  Levítico 10. Arão sentiu então a maior dor que podia sentir um pai. Como tinha a alma elevada, julgou que Deus a havia permitido e suportou-a generosamente. Nadabe e Abiú, seus dois filhos mais velhos, tendo oferecido outras vítimas que não as determinadas por Moisés, as chamas se lançaram contra eles com tanta violência que lhes queimaram o estômago e o rosto. E eles morreram, sem que fosse possível socorrê-los. Moisés determinou que o pai e os irmãos levassem os corpos para fora do acampamento, a fim de serem sepultados honrosamente. E, embora todo o povo chorasse essas mortes tão inesperadas, proibiu-lhes que os lamentassem, de modo a ensinar-lhes que, tendo sido alguém honrado com a dignidade do sacerdócio, a glória de Deus lhe devia ser mais sensível que o afeto particular.
128.  Esse santo e admirável legislador recusou em seguida todas as honras que o povo lhe queria conceder, para entregar-se totalmente ao serviço de Deus. Não subia mais ao monte Sinai para consultá-lo, mas entrava no Tabernáculo a fim de ser instruído por Ele em tudo o que devia fazer. Continuou sempre, por modéstia, quer no vestuário, quer em tudo o mais, a viver como homem simples, sem ser diferente dos outros, exceto no cuidado que tinha da República. Dava por escrito ao povo as leis e as regras que deviam observar para viver em união e em paz e ser agradáveis a Deus. E eles nada faziam em tudo isso que não fosse conforme as ordens que dele recebiam.
129.  A seu tempo, falarei dessas leis. É preciso, porém, acrescentar aqui uma coisa que eu havia omitido no que se refere às vestes do sumo sacerdote, e é que Deus, para impedir que os que usavam essas vestes, tão santas e tão magníficas, pudessem abusar dos homens sob o pretexto do dom da profecia, jamais lhes honrava os sacrifícios sem dar sinais visíveis de sua presença, não somente ao seu povo mas também aos estrangeiros que lá se encontrassem. Quando lhe aprazia fazer esse favor, uma das duas sardônicas de que falei (e de cuja natureza seria inútil dizer algo, porque todos as conhecem bastante) — a que estava sobre o ombro direito do sumo sacerdote — lançava tal claridade que podia ser percebida de muito longe, o que, não lhe sendo natural e não acontecendo fora da ocasião, devia causar admiração àqueles que fingem parecer sábios, pelo desprezo que votam à nossa religião.
Eis, porém, aqui, outra coisa ainda mais admirável. É que Deus se servia ordinariamente dessas doze pedras preciosas, que o sumo sacerdote trazia sobre o seu essém, ou racional, para pressagiar a vitória. Pois antes que se levantasse o acampamento, delas saía tão viva luz que todo o povo ficava sabendo que a soberana Majestade estava presente e prestes a ajudá-los. Isso faz com que todos dentre os gregos que não têm aversão pelos nossos mistérios e se persuadiram pelos seus próprios olhos desse milagre chamem o essém de logiom, que significa "oráculo", ou "racional". Mas quando comecei a escrever isto, havia duzentos anos que essa sardônica e esse racional não lançavam mais tal resplendor e luz, porque Deus está irritado conosco, por causa de nossos pecados, como direi em outro lugar. Vou agora retomar o fio da minha narração.
130.  O Tabernáculo foi consagrado, e terminaram-se todas as coisas referentes ao serviço de Deus. O povo, fora de si pela alegria de ver que Deus se dignava morar no acampamento e ficar no meio deles, só pensava em entoar cânticos em seu louvor e em oferecer-lhe sacrifícios, como se não houvesse mais perigos nem males a temer e se tudo fosse suceder-lhes dali por diante segundo desejassem.
As tribos em geral e cada um em particular ofereciam presentes à sua adorável Majestade. Os doze chefes e príncipes dessas tribos ofereceram seis carros atrelados cada um com dois bois, para levar o Tabernaculo, e cada um deles ofereceu ainda um vaso do peso de setenta sidos, uma bacia do peso de cento e trinta sidos e um turíbulo que continha dez dáricos, que se enchiam de diversos perfumes. O vaso e a bacia serviam para pôr-se a farinha misturada com óleo, que se usava no altar dos sacrifícios. Para a expiação dos pecados, ofereciam-se em holocausto um novilho, um carneiro e cordeiros de um ano, juntamente com um bode. Cada um desses príncipes oferecia também outras vítimas, a que chamavam salutares e que consistiam em dois bois, cinco carneiros, cordeiros e cabritos de um ano. Isso faziam por doze dias em seguida, cada um somente no seu dia.
Moisés, como eu disse, não subia mais ao monte Sinai, no entanto entrava no Tabernaculo para consultar a Deus e saber dEle que lei queria estabelecer. Essas leis foram tão excelentes que só podiam ser atribuídas a Deus, e nossos antepassados as conservaram tão religiosamente durante alguns séculos que nunca julgaram que os prazeres da paz ou as necessidades da guerra os pudessem tornar desculpáveis, se as violassem. Mas me reservarei para falar disso num trabalho à parte.


Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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