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27 de novembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.67 - Saul Destrói os Amalequitas (Livro 6 Cap 8)

História De Israel – Teologia 31.67

CAPÍTULO 8

SAUL, POR ORDEM DE DEUS, DESTRÓI OS AMALEQUITAS, MAS, CONTRA A
PROIBIÇÃO, LHES SALVA O REI. OS SOLDADOS QUEREM APROVEITAR-SE DOS
DESPOJOS. SAMUEL DECLARA-LHE QUE ELE ATRAIU SOBRE SI A CÓLERA DE DEUS.

231. 1 Samuel 15. Samuel veio ter com Saul e disse-lhe que, tendo-o Deus preferido a todos os outros para fazê-lo rei, era obrigado a obedecer a Ele, pois enquanto ele, Saul, fora colocado acima dos demais súditos, Deus estava acima dele e de tudo o que há no céu e na terra, e que vinha dizer-lhe, da parte dEle: "Os amalequitas fizeram muito mal ao meu povo no deserto, quando este, após sair do Egito, ia para o país que agora possuis. A justiça exige que sejam castigados por tamanha desumanidade. Assim, ordeno-vos que lhes declareis guerra e que os extermineis inteiramente depois de os vencerdes, sem poupar idade ou sexo, a fim de castigá-los como merecem pela maneira como trataram o meu povo no passado. Não quero, igualmente, que se poupe um animal sequer nem que se conserve seja o que for nos despojos: tudo deve ser-me oferecido em holocausto. Do mesmo modo, deve ser apagado de sobre a terra o nome dos amalequitas, como Moisés o declarou, e que deles não fique o menor vestígio".
Saul prometeu executar fielmente o que Deus ordenava e, para tornar a sua obediência perfeita, por uma pronta execução, reuniu imediatamente todas as suas tropas. Constatou, pela revista, que possuía quatrocentos mil homens, sem incluir a tribo de Judá, que contribuía sozinha com trinta mil. Entrou com esse exército no país dos amalequitas e, para unir astúcia à força, colocou diversas emboscadas ao longo das torrentes, a fim de surpreendê-los e cercá-los por todos os lados. Deu-lhes em seguida combate, venceu-os, colocou-os em fuga e não deixou de os perseguir até derrotá-los completamente.
Tendo a empresa no início, segundo a ordem de Deus, obtido tão feliz êxito, ele sitiou as cidades dos amalequitas e apoderou-se delas. Tomou algumas com máquina, outras com ameaças, outras por terraços levantados do lado de fora, outras pela carestia, outras por falta de água e outras ainda por diversos meios. Não poupou as mulheres nem as crianças e nem por isso julgou passar por desumano e cruel, pois além de estar lidando com inimigos, ele obedecia a Deus, ao qual não se pode sem crime desobedecer. Conseguiu aprisionar o rei Agague, mas a grandeza, a extraordinária beleza e o rosto formoso do príncipe tocaram-no de tal modo que ele se convenceu de que deveria poupá-lo.
Assim, deixando-se levar por sentimentos em vez de cumprir a ordem de Deus, usou infelizmente de uma clemência que não lhe era permitida, pois Ele odiava de tal modo os amalequitas que não desejava que fossem poupadas nem mesmo as crianças, embora por um sentimento natural a fragilidade as torne dignas de compaixão. Esse rei, porém, não somente era um inimigo como também causara grandes males ao povo de Deus. Os israelitas imitaram o seu rei nesse pecado e como ele desprezaram a ordem de Deus: em vez de matar todos os cavalos e os outros animais, preferiram conservá-los e apanharam o que puderam de valor. Enfim, apoderaram-se em geral de tudo o que lhes poderia ser útil. Assim, Saul devastou toda essa região, desde a cidade de Peluzion até o mar Vermelho, menos os de Siquém, na província de Midiã, porque, desejando salvá-los por causa de Jetro, sogro de Moisés, os avisou, antes de começar a guerra, para não se meterem com os amalequitas.
232. Saul retornou em seguida, contente e gloriando-se da vitória, como se tivesse cumprido cabalmente o que fora ordenado por Samuel. Deus, porém, estava muito irritado, porque ele, contra a proibição, poupara a vida ao rei Agague e porque os seus soldados, a exemplo dele, haviam desprezado as mesmas ordens. Assim, eram tão indesculpáveis de seu crime quanto eram devedores a Ele pela vitória. E, não há rei humano que tenha querido sofrer tão grande ultraje como o que acabavam de fazer a Deus, o soberano Rei de todos os reis.
Assim, Deus disse a Samuel que se arrependia de ter posto Saul no trono, pois ele calcava aos pés as suas ordens para fazer somente a própria vontade. Essa aversão de Deus por Saul feriu com uma dor tão forte e tão viva o profeta que ele lhe rogou durante toda a noite que o perdoasse. Não obteve o perdão, todavia, pois Deus não achou justo perdoar tão grande ofensa, tendo em vista apenas o intercessor, porque quem, pela afetação da falsa glória de uma clemência, deixa crimes impunes é causa de que estes se multipliquem.
Samuel, percebendo que não conseguia aplacar a Deus com as suas orações, foi, ao despontar do dia, encontrar-se com Saul em Gilgal. O príncipe correu à sua presença, abraçou-o e disse-lhe: "Dou graças a Deus pela vitória que lhe aprouve conceder-me, e fiz tudo o que Ele me mandou fazer". Retrucou-lhe o profeta: "Como então estou ouvindo nitridos de cavalos e balidos de ovelhas no vosso campo?" "São rebanhos de carneiros que o povo trouxe e reservou para sacrificar a Deus", respondeu Saul. "Exterminei completamente a raça dos amalequitas, como me havíeis determinado de sua parte, reservando somente o rei. Faremos dele o que vos aprouver".
Samuel respondeu-lhe: "Não são as vítimas que são agradáveis a Deus, mas os homens justos que obedecem à sua vontade e só julgam bem feito o que Ele ordena. Pode-se, pois, sem desprezá-lo, não lhe oferecer sacrifícios, mas não se pode desobedecer a Deus sem desprezá-lo, e aqueles que o desobedecem não lhe podem oferecer sacrifícios verdadeiros, que lhe sejam agradáveis. Por mais gordas que sejam as vítimas a Ele apresentadas e por mais puras que sejam as ofertas por si mesmas, Ele as rejeita. Tem-lhes aversão porque são mais efeito de hipocrisia que sinais de piedade. Por outro lado, Ele olha com vistas favoráveis aqueles que não têm outro desejo senão agradá-lo e preferem morrer a faltar ao menor de seus mandamentos. Não lhe pede vítimas e quando eles mesmos as querem oferecer, por mais desprezíveis que sejam, recebe-as com mais boa vontade que tudo o que os ricos lhe podem oferecer. Sabei, pois, que atraístes sobre vós a indignação e a cólera de Deus pelo desprezo que votastes às suas ordens. Como julgais que Ele olhará o sacrifício que lhe fareis das coisas as quais Ele vos ordenou destruir? É possível que imagineis não haver diferença entre exterminar e sacrificar? A diferença é tanta que, para vos castigar por não terdes cumprido a sua ordem, deveis preparar-vos para perder a coroa que Ele vos colocou sobre a cabeça".
Saul, atônito com essas palavras do profeta, respondeu-lhe que, embora não tivesse podido conter os soldados, por demais ansiosos pelo saque, confessava que era culpado. Rogava-lhe, porém, que o perdoasse e fosse o seu intercessor junto a Deus, com a promessa de não mais cair em semelhante falta. Pediu-lhe em seguida que ficasse um pouco com ele, para oferecer vítimas a Deus e aplacar a sua cólera. Mas como o profeta sabia que Deus não o iria atender, não quis se demorar mais.


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