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30 de novembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.78 - Davi Obtém Grande Vitórias Sobre os Filisteus (Livro 7 Cap 4)

 História De Israel – Teologia 31.78

CAPÍTULO 4

DAVI OBTÉM GRANDES VITÓRIAS SOBRE OS FILISTEUS E SEUS ALIADOS. FAZ
LEVAR COM GRANDE POMPA A ARCA DO SENHOR PARA JERUSALÉM. UZÁ
MORRE POR TER QUERIDO TOCÁ-LA. MICAL ZOMBA DE DAVI POR TER ELE
CANTADO E DANÇADO DIANTE DA ARCA. DAVI QUER CONSTRUIR O TEMPLO,
MAS DEUS LHE ORDENA QUE RESERVE ESSA EMPRESA A SALOMÃO.

268.  Quando os filisteus souberam que Davi fora constituído rei de todo o Israel, reuniram um grande exército e vieram acampar próximo de Jerusalém, num vale chamado de Refaim. Davi, que jamais empreendia coisa alguma sem consultar a Deus, rogou ao sumo sacerdote que se revestisse do éfode para saber qual seria o resultado daquela guerra. Deus respondeu que o seu povo seria vencedor. Davi marchou imediatamente contra os inimigos, surpreendeu-os, matou um grande número deles e pôs o restante em fuga.
Não se deve no entanto imaginar que, por ter ele conquistado tão facilmente essa vitória, o exército dos filisteus fosse fraco ou pouco aguerrido. Eles haviam chamado em seu auxílio toda a Síria e toda a Fenícia, que são nações muito valentes, como bem o deram a conhecer, porque, em vez de perder a coragem após uma derrota, voltaram a atacar os israelitas com três poderosos exércitos, acampando no mesmo lugar onde haviam sido derrotados.
Davi rogou mais uma vez ao sumo sacerdote que consultasse ao Senhor. Ele o fez, e Deus ordenou-lhe que ficasse com o exército na floresta chamada Os Lamentos e só saísse para o combate quando visse que os ramos das árvores se moviam por si mesmos, embora o tempo estivesse tão calmo que não havia no ar o menor vento para causar aquele efeito. Davi obedeceu rigorosamente e, quando Deus deu a conhecer por aquele milagre que o favorecia com a sua presença, marchou com inteira certeza de obter a vitória.
Os inimigos não sustentaram nem o primeiro choque. Voltaram imediatamente as costas aos israelitas, e assim estes os matavam sem dificuldades. Perseguiram-nos até Gezer, que está na fronteira dos dois reinos, e voltaram depois de saquear o acampamento, onde encontraram grandes riquezas e os ídolos de seus deuses, aos quais fizeram em pedaços.
269. Depois desses dois combates tão favoráveis, Davi, juntamente com o conselho dos maiorais do povo e dos chefes do exército, mandou as principais forças da tribo de Judá acompanhar os sacerdotes e os levitas, que deviam ir buscar a arca do Senhor em Quiriate-Jearim e trazê-la para Jerusalém, cidade destinada a realizar no futuro os sacrifícios que se ofereciam a Deus, a prestar as honras que lhe são agradáveis e a cumprir tudo o que se relaciona ao culto divino. (Se Saul o tivesse observado religiosamente, não teria sido vítima de tantas desgraças, que o fizeram perder a coroa e a vida.)
Depois de tudo preparado, Davi quis assistir à grande cerimônia. Os sacerdotes tomaram a arca da casa de Abinadabe e a puseram sobre um carro novo, puxado por bois. Tal encargo foi confiado aos irmãos e filhos de Abinadabe. O rei caminhava à frente, e todo o povo seguia cantando salmos, hinos e cânticos ao som de trombetas, címbalos e de vários outros instrumentos. Quando chegaram a um lugar conhecido como a eira de Quidom, os bois desgarraram-se um pouco e fizeram pender a arca. Então Uzá estendeu a mão para segurá-la e caiu morto no mesmo instante, fulminado pela cólera de Deus, porque, não sendo sacerdote, tivera a ousadia de querer tocá-la. Esse lugar, depois, foi chamado Perez-Uzá.
Davi, espantado com o milagre, teve receio de que a mesma coisa lhe acontecesse se levasse a arca à cidade, pois Uzá fora severamente castigado apenas por querer tocá-la, e a mandou colocar na casa de campo de um homem de bem muito conhecido: Obede-Edom, que era da raça dos levitas. Lá ficou três meses, e a felicidade que ela trouxe cumulou-o, e a toda a família, de inúmeros bens. Davi, vendo que aquele homem pobre se tornara rico e que muitos começavam a invejá-lo, não receou mais que algum mal fosse lhe suceder se levasse a arca para Jerusalém. E assim fez.
Os sacerdotes, acompanhados por sete ordens de músicos, levaram-na sobre os ombros. E ele mesmo, andando diante dela, dançava e tocava harpa. Esse proceder pareceu a Mical, sua esposa, tão abaixo de sua condição de rei, que ela zombou dele. Quando a arca chegou à cidade, foi colocada num tabernáculo que Davi mandara construir especialmente para ela. Fizeram-se tantos sacrifícios nessa ocasião que parte dos animais imolados foi suficiente para alimentar todo o povo. Não houve homem, mulher ou criança que não recebesse um pedaço de carne, um bolo e uma empada.
Depois que todos voltaram para as suas casas e Davi ao seu palácio, Mical veio ter com ele e, depois de lhe ter desejado toda sorte de felicidade, disse que achava estranho um príncipe tão ilustre quanto ele agir de modo tão inconveniente, como dançar diante de todos sem que houvesse em seus vestess o menor indício de realeza. Ele respondeu-lhe que não estava arrependido do que fizera, porque sabia que aquele seu gesto fora agradável a Deus, que o havia preferido ao rei, pai dela, e a todos os de sua nação, e que nada o impediria de se comportar sempre do mesmo modo. Essa princesa não teve filhos dele, mas teve cinco de Paltiel, como diremos a seu tempo.
270. 2 Samuel 7. Davi, notando que tudo lhe saía às mil maravilhas, pelo auxílio que recebia de Deus, julgou não poder, sem ofendê-lo, morar em um magnífico palácio, todo construído em madeira de cedro e enriquecido com toda espécie de ornamentos, e permitir ao mesmo tempo que a arca da aliança repousasse num simples tabernáculo. Assim, ele resolveu construir em honra de Deus um templo soberbo, tal como Moisés dissera que deveria no futuro existir. Falou disso ao profeta Nata, o qual respondeu que julgava que Deus o aprovaria e o ajudaria naquela empresa.
Na noite seguinte, porém, Deus apareceu em sonhos a Nata e ordenou-lhe que dissesse a Davi que, apesar de louvar a sua intenção, não queria que ele a executasse, porque as suas mãos haviam sido muitas vezes manchadas com o sangue dos inimigos; que quando a sua vida terminasse, todavia, numa feliz velhice, Salomão, seu filho e sucessor, começaria e levaria a cabo o empreendimento; que Ele teria por esse príncipe o cuidado que um pai tem por seu filho; que, depois dele, faria reinar os seus filhos; e que, se eles o ofendessem, afligiria o reino com doenças e carestias, como castigos.
Davi, ao saber pelo profeta, com grande alegria, que o reino passaria aos seus descendentes e que a sua posteridade seria ilustre, foi imediatamente prostrar-se diante da arca para adorar a Deus e agradecer-lhe, uma vez que Ele, não se contentando em tê-lo elevado de simples pastor a tão grande poder, queria ainda passá-lo aos seus sucessores e porque a sua providência não deixava de velar pela salvação do seu povo, a fim de fazê-los desfrutar a liberdade que lhes havia conquistado, salvando-os da escravidão.




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