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1 de dezembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.82 - Absalão Comete Um Crime Infame (Livro 7 Cap 8)

História De Israel – Teologia 31.82
 

CAPÍTULO 8

ABSALÃO FOGE PARA GESUR. TRÊS ANOS DEPOIS, JOABE OBTÉM DE DAVI
PERMISSÃO PARA ELE VOLTAR. ABSALÃO CONQUISTA O AFETO DO POVO. VAI
A HEBROM. É DECLARADO REI, E AITOFELPASSA PARA O SEU PARTIDO.
DAVI ABANDONA FERUSALÉM, RETIRANDO-SE PARA ALÉM DO JORDÃO.
FIDELIDADE DE ITAI E DOS SUMOS SACERDOTES. MALDADE DE MEFIBOSETE.
INSOLÊNCIA HORRÍVEL DE SIMEI. ABSALÃO COMETE UM CRIME INFAME

283. O assassinato de Amnom assustou todos os outros filhos de Davi, que montaram a cavalo e fugiram a toda brida para o rei seu pai. Eles não lhe trouxeram a primeira notícia, mas um outro, caminhando mais depressa, lhe disse que Absalão matara todos os seus irmãos. A idéia da perda de tantos irmãos devido a um crime cometido por um deles partiu o coração de Davi e fez mergulhar o seu Espírito em grande aflição. E, sem esperar a confirmação da notícia nem perguntar o motivo, entregou-se inteiramente à dor, rasgou as suas vestes, lançou-se por terra, soltou gritos e derramou lágrimas. Lastimava não somente os filhos mortos, mas também aquele que lhes tirara a vida.
Seu sobrinho Jonadabe, filho de Siméia, disse-lhe, para consolá-lo, que tinha razão para crer que Absalão chegara àquele extremo pelo ressentimento do ultraje feito à irmã, pois de outro modo pouco motivo havia para que desejasse mergulhar as mãos no sangue dos próprios irmãos. Falava assim quando se ouviu um grande ruído de cavaleiros. Eram os filhos de Davi. Vendo o aflito pai, contra a sua esperança, que aqueles que julgava mortos viviam ainda, correu para abraçá-los e misturou as suas lágrimas com as deles, bem como a pena de ter perdido um filho, enquanto eles choravam a dor de ter perdido um irmão. Absalão fugiu para Gesur, para a casa de seu avô, que ocupava uma posição de relevo naquele país, e lá ficou três anos.
2 Samuel 14. Percebendo Joabe que nesse tempo a cólera do rei se havia acalmado e que ele permitiria facilmente o regresso de Absalão, serviu-se de um artifício para fazê-lo decidir-se. Uma velha, por sua ordem, foi ter com o rei, demonstrando grande aflição. Disse-lhe ela que os seus dois filhos haviam brigado no campo de tal modo que, não havendo quem os separasse, eles se engalfinharam, e um deles foi morto. A justiça procurava agora o criminoso para fazê-lo morrer também. E assim, ela estava prestes a perder o outro filho, seu único amparo na velhice. Em tal contingência, recorria à bondade do soberano, suplicando-lhe que concedesse aquela graça ao filho.
Davi prometeu-o, e então ela continuou a falar, deste modo: "Sou-vos muito grata, majestade, por terdes tanta compaixão desta pobre mulher, de minha velhice e da condição a que me encontraria reduzida se viesse também a perder o filho que me resta. Mas, se quereis que eu não duvide de vossa bondade, é necessário, por favor, que comeceis por aplacar a vossa ira contra o príncipe vosso filho e o recebais de novo em vossa amizade. Pois, como poderia eu ter certeza de que vossa majestade perdoará ao meu filho se não quer do mesmo modo Derdoar ao Dróorio filho uma falta semelhante? Seria coisa digna de vossa prudência acrescentar voluntariamente a perda de um de vossos filhos à do outro, igualmente dolorosa, todavia já irreparável?"
Essas palavras convenceram o rei de que Joabe enviara aquela mulher. Perguntou-lhe se era verdade, e ela confessou-o. Naquele mesmo instante, mandou chamar Joabe para informar que este conseguira o que desejava. Perdoava Absalão, e podia mandar dizer-lhe que voltasse. Joabe prostrou-se diante dele, partiu logo em seguida e trouxe Absalão a Jerusalém. O rei, porém, não quis que o filho se apresentasse diante dele, porque ainda não estava disposto a vê-lo. Assim, para obedecer à ordem, Absalão viveu ainda afastado dois anos, sem que o desgosto por não ser tratado segundo a grandeza de seu nascimento diminuísse algo de sua compostura, que era tal como a sua beleza e a elegância de seu porte.
Tinha ele a cabeça tão bela que quando se lhe cortavam os cabelos, no fim de cada ano, estes pesavam duzentos sidos, que são cinco libras. Porém, não podendo mais suportar viver banido da presença do rei, mandou rogar a Joabe que intercedesse por ele, a fim de obter permissão para vê-lo. Não recebendo resposta, mandou pôr fogo a um campo que pertencia a Joabe. Logo Joabe foi perguntar-lhe por que o tratava daquele modo, e Absalão respondeu que era para obrigá-lo a vir ter com ele, não o podendo conseguir de outro modo, e pediu-lhe que o reconciliasse com o rei, pois o exílio lhe era na verdade mais suportável que o desgosto de ver sempre o pai encolerizado contra si. Joabe ficou comovido com o sofrimento dele, e essa maneira de falar comoveu também Davi, de tal modo que ele mandou chamar Absalão. Este veio, lançou-se-lhe aos pés e pediu-lhe perdão.
2 Samuel 15. Davi consentiu e levantou-o. Tendo feito as pazes com o rei, Absalão partiu imediatamente com grande acompanhamento, seguido, além da grande quantidade de cavaleiros e dos carros que possuía, por cinqüenta guardas. Como a sua ambição não tinha limites, imaginou logo destronar o rei seu pai, apoderar-se da coroa e pô-la na própria cabeça. Com essa intenção, ia todas as manhãs ao palácio do rei, onde consolava a todos os que haviam perdido uma causa, dizendo-lhes que os culpados eram os maus conselheiros do rei, o qual também enganava o povo em seus juízos.
Continuou a proceder desse modo durante quatro anos. Quando percebeu que conquistara o afeto de todos e de todo o povo, rogou ao rei permissão para ir a Hebrom cumprir uma promessa que fizera durante o exílio. Quando lá chegou, fez correr a notícia por todo o país, e gente de todas as partes veio ter com ele. Aitofel, que era de Gilo, um dos conselheiros de Davi, foi também. Duzentos habitantes de Jerusalém também vieram, mas somente para assistir à festa. Assim, o desejo de Absalão realizou-se, como ele esperava, pois todos o escolheram para rei.
284. Davi, como era natural, irritado pela ousadia e impiedade do filho, que após receber o perdão por um crime tão grande tentava tirar-lhe a vida e o reino concedido a ele pelo próprio Deus, resolveu retirar-se às praças-fortes do outro lado do Jordão e entregar nas mãos de Deus o julgamento de sua causa. Deixou então a guarda do palácio a dez de suas concubinas e saiu de Jerusalém seguido por uma grande multidão, que não quis abandoná-lo, e de seus seiscentos homens, os quais estavam com ele desde que Saul o perseguia.
Zadoque e Abiatar, sumos sacerdotes, e todos os levitas queriam também ir com ele e levar a arca, mas Davi obrigou-os a ficar, acreditando que Deus não os deixaria sem socorro e teria cuidado deles. Rogou-lhes somente que lhe dessem, por meio de pessoas de confiança, avisos secretos de tudo o que se passava. Jônatas, filho de Abiatar, e Aimaás, filho de Zadoque, demonstraram assim a sua fidelidade nessa ocasião. E Itai, geteense, tinha-lhe tanta afeição que, por mais que o rei lhe pedisse para ficar, não quis fazê-lo.
Quando esse grande príncipe subia descalço o monte das Oliveiras e todos se desfaziam em lágrimas em redor dele, vieram dizer-lhe que Aitofel, por uma horrível traição, havia passado para o partido de Absalão. Essa dor foi-lhe mais sensível que todas as outras, porque conhecia muito bem o valor de Aitofel, e rogou a Deus que não permitisse a Absalão seguir os seus conselhos. Quando chegou ao alto do monte, contemplou Jerusalém e derramou muitas lágrimas, pois não fazia diferença entre a perda de seu reino e a saída daquela grande cidade que lhe servia de capital.
Husai, um de seus mais fiéis servidores, veio ter com ele com as vestes rasgadas e a cabeça coberta de cinzas. Davi procurou consolá-lo, dizendo-lhe que o maior serviço que lhe poderia prestar era procurar Absalão com o pretexto de lhe querer falar e passar para o partido dele, a fim de conhecer as suas intenções e opor-se aos conselhos de Aitofel. Husai obedeceu e foi a Jerusalém, para onde Absalão também se dirigia.
2 Samuel 16. Davi marchara um pouco adiante, e Ziba, que ele designara para cuidar dos bens de Mefibosete, veio procurá-lo com dois burros carregados de víveres, os quais lhe ofereceu. Perguntou-lhe Davi onde estava o seu amo, e Ziba respondeu que ele havia ficado em Jerusalém, na expectativa de que diante daquela mudança fosse escolhido para reinar, em memória do rei seu avô. Essa falsa notícia irritou tanto a Davi que ele deu a Ziba todos os bens de Mefibosete, dizendo ser aquele muito mais merecedor de possuí-los do que este.
Quando se aproximava do lugar denominado Baurim, Simei, filho de Gera, parente de Saul, não se contentando em dizer-lhe injúrias, começou a atirar-lhe pedras. Como os que acompanhavam o rei procuravam aparar os golpes, o seu furor tornou-se ainda maior. Com todas as forças, gritou que Davi era um sanguinário, sendo a causa de mil males, e que dava graças a Deus por permitir que o próprio filho o castigasse pelos crimes cometidos contra Saul, seu rei e senhor. Dizia ele: "Saí deste país, mau e execrando que sois".
Abisai, não mais suportando tão horrível insolência, procurou matá-lo, porém Davi o impediu, afirmando que já lhe bastavam os males presentes, não havia por que buscar outros. E acrescentou: "Não me incomodo com o que esse homem está dizendo. Considero-o apenas um cão enraivecido e submeto-me à vontade de Deus, que o mandou para me maldizer. Que motivo temos para nos admirarmos de que ele me profira injúrias, se o meu próprio filho declara abertamente que é meu mortal inimigo? Deus, porém, é por demais bom para não me olhar com vistas de misericórdia e muito justo para deixar de confundir os desígnios daqueles que juraram a minha ruína". O virtuoso rei, assim falando, continuou a caminhar sem se deter às injúrias de Simei, e o infeliz correu para o outro lado do monte a fim de continuar a insultá-lo. Por fim, Davi chegou à margem do Jordão e deu um descanso aos seus homens, esgotados pela longa caminhada.
285.  Absalão, nesse meio tempo, acompanhado por Aitofel, em quem depositava toda a sua confiança, dirigia-se a Jerusalém, e Husai, fiel amigo de Davi, foi como os outros prostrar-se diante dele e desejar-lhe um feliz reinado. Absalão perguntou-lhe como o até então melhor amigo de seu pai havia abandonado o rei para passar ao seu partido.
Respondeu Husai: "Vendo que por unânime consentimento todos se submeteram a vós, temia eu resistir à vontade de Deus se não o fizesse também, na certeza que tenho de Ele é que vos faz subir ao trono. E, se me negais a graça de receber-me no número dos que vos honram com a sua afeição, servir-vos-ei com a mesma fidelidade e o mesmo zelo com que servi ao rei vosso pai, pois estou persuadido de que não há motivo para queixa pela mudança que se efetuou, porque a coroa não passou a outra família real: é um filho que sucede ao pai". Absalão prestou fé a essas palavras e não desconfiou mais dele.
286.  O novo rei, conversando com Aitofel a respeito de como agir para consolidar o poder, recebeu desse homem maligno conselho para abusar das concubinas do rei seu pai na presença do povo, a fim de que todos vissem que não era mais possível uma reconciliação entre eles e que necessariamente haveria uma guerra muito sangrenta. Assim, os que estavam no seu partido ficariam inseparavelmente presos a ele. O jovem príncipe seguiu tão infeliz e vergonhoso conselho e o executou sob uma tenda que mandou construir no palácio, à vista de todos. Assim realizou-se o que o profeta Nata predissera a Davi.




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