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20 de dezembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.97 - Rei Dos moabitas e Morte de Josafá Rei de Juda (Livro 9 Cap 1)

História De Israel – Teologia 31.97
 
Livro Nono

CAPITULO 1

O PROFETA JEÚ REPREENDE JOSAFÁ, REI DE JUDÁ, POR TER UNIDO ARMAS
COM O REI ACABE, DE ISRAEL. ELE RECONHECE A SUA FALTA, E DEUS O
PERDOA. SEU ADMIRÁVEL PROCEDER. VITÓRIA MIRACULOSA QUE ELE OBTÉM
SOBRE OS MOABITAS, OS AMONITAS E OS ÁRABES. IMPIEDADE E MORTE DE
ACAZIAS, REI DE ISRAEL, COMO O PROFETA ELIAS HAVIA PREDITO, FORÃO, SEU
IRMÃO, SUCEDE-O. ELIAS DESAPARECE. JORÃO, AUXILIADO POR JOSAFÁ E
PELO REI DA IDUMÉIA, OBTÉM UMA GRANDE VITÓRIA SOBRE MESA, REI DOS
MOABITAS. MORTE DE JOSAFÁ, REI DE JUDÁ.

370. 2 Crônicas 19. Quando Josafá, rei de Judá, após ter unido as suas tropas com as de Acabe, rei de Israel, contra Hadade, rei da Síria, como vimos, voltou de Samaria a Jerusalém, o profeta )eú veio à sua presença e repreendeu-o por ter ajudado um rei tão ímpio. Disse-lhe que Deus estava muito irritado e que lhe conservara a vida, tirando-o das mãos dos inimigos, por causa de sua virtude. O religioso príncipe, comovido com grande arrependimento pela sua falta, recorreu a Deus e aplacou-lhe a cólera com orações e sacrifícios.
Percorreu então todo o reino, para instruir o povo nos mandamentos de Deus e para exortá-lo a adorar e a servir a Deus de todo o coração. Colocou magistrados em todas as cidades e recomendou-lhes muito expressamente que fizessem justiça a todos, sem se deixar corromper, quer pela nobreza, quer pelas riquezas, quer pelo talento de qualquer pessoa, pois deviam lembrar que Deus, que conhece todas as coisas, mesmo as mais ocultas, vê todas as ações dos homens.
Depois de regressar a Jerusalém, constituiu também juizes, escolhidos por ele dentre os principais sacerdotes e levitas, e recomendou-lhes, como aos demais, que administrassem com perfeita justiça. Ordenou que, quando houvesse em outras cidades assuntos importantes e difíceis, que merecessem ser examinados com mais cuidado e precisão que os comuns, eles os deveriam levar a Jerusalém perante os magistrados, porque se deveria crer que a justiça não seria em nenhum outro lugar tão bem distribuída quanto na capital do reino, onde estavam o Templo de Deus e o palácio onde os reis habitavam. Nos cargos principais, colocou Amarias, sacerdote, e Zebadias, que era da tribo de Judá.
371.  2 Crônicas 20. Nesse entretempo, os moabitas e os amonitas, unidos aos árabes, a quem haviam chamado em seu socorro, entraram com um grande exército nas terras de Josafá e acamparam a trezentos estádios de Jerusalém, perto do lago Asfaltite, no território de En-Gedi, muito fértil em bálsamos e em palmeiras. Josafá, surpreendido que tivessem adentrado tanto o seu reino, mandou reunir no Templo todo o povo de Jerusalém para rogar a Deus que o ajudasse contra tão poderosos inimigos e os castigasse pelo seu atrevimento. Disse-lhe com humildade que tinha o direito de esperar auxílio, porque Ele mesmo dera ao seu povo a posse do país do qual aquelas nações os queriam expulsar, e, quando os seus antepassados construíram e consagraram o Templo em honra a Ele, eles puseram toda a sua confiança no auxílio dEle, sem duvidar que Ele lhes seria sempre favorável. O príncipe fez acompanhar essa oração com lágrimas, e o povo em geral, tanto os homens quanto as mulheres, fez o mesmo.
Então, o profeta Jaaziel adiantou-se e disse em alta voz, dirigindo-se ao rei e àquela grande multidão, que os seus votos haviam sido ouvidos. Deus combateria por eles e lhes daria a vitória. Deveriam partir no dia seguinte para enfrentar o inimigo, até uma colina denominada Ziz (isto é, "eminência", em hebreu), que está entre Jerusalém e En-Gedi, pois ali os encontrariam. Não teriam necessidade de se servir das armas, porque seriam apenas espectadores do combate que Deus travaria, Ele mesmo, em favor deles. Ante as palavras do profeta, o rei e todo o povo prostraram-se com o rosto em terra, deram graças a Deus e o adoraram. Os levitas, com acompanhamento de música, cantaram hinos em seu louvor.
372.  No dia seguinte, ao raiar do dia, o rei Josafá se pôs em campo e, quando chegou ao deserto que está abaixo da cidade de Tecoa, disse às tropas que não havia necessidade de combater, como num dia de luta, pois toda a sua forca consistia em sua perfeita confiança no auxílio que Deus prometera por meio de seu profeta. Seria suficiente fazer marchar os sacerdotes com as suas trombetas e os levitas com os seus cantores, para dar graças a Deus pela vitória alcançada e pelo triunfo já obtido sobre os inimigos. Essa ordem tão santa, de tão piedoso rei, foi recebida com respeito por todo o exército e rigorosamente executada.
Deus infundiu então tal cegueira no Espírito dos amonitas e dos povos que a eles se haviam juntado que eles próprios se tomaram por inimigos e, transportados de furor, mataram-se uns aos outros, com tanta animosidade e raiva que não restou um só com vida de todo aquele imenso número, e o vale onde isso ocorreu ficou juncado de cadáveres, josafá, transbordando de alegria, deu graças a Deus por aquela vitória tão milagrosa, pois quem obteve a glória de conquistá-la não havia tomado parte nela nem corrido perigo algum. Ele permitiu depois que os soldados saqueassem o campo dos inimigos e despojassem os mortos. Levaram três dias inteiros para isso, tão grande era o número de mortos e tantas as riquezas. No quarto dia, o povo reuniu-se num vale para cantar louvores a Deus e as maravilhas de seu poder, por isso deu-se àquele lugar o nome de Vale dos Louvores, que conserva ainda hoje.
Esse piedoso e glorioso príncipe, após regressar com o seu exército para Jerusalém, passou vários dias fazendo sacrifícios e festas públicas, em regozijo e ação de graças pelo favor que ele e todo o seu povo haviam recebido de Deus, tendo Ele mesmo combatido no lugar deles e destruído os inimigos com o efeito prodigioso de seu soberano poder. A fama dessa vitória sobrenatural espalhou-se entre as demais nações, e não puderam elas duvidar de que esse grande soberano fosse particularmente querido de Deus. Conceberam um tão alto conceito de sua justiça e honestidade que a conservaram durante todo o resto de seu reinado.
373.  Como ele era amigo de Acazias, rei de Israel, filho de Acabe, equiparam juntos uma grande frota para navegar ao Ponto e à Trácia, mas esses navios naufragaram, porque não eram grandes o suficiente para ser dirigidos, e assim eles abandonaram o projeto.
374.  2 Reis 1. Vamos agora falar de Acazias. Ele sempre morou em Samaria e foi tão mau quanto o seu pai e o seu avô. Foi grande imitador da impiedade de jeroboão, que por primeiro levou o povo a se afastar da adoração ao verdadeiro Deus. No segundo ano do reinado desse rei jovem e mau, os moabitas recusaram-se a pagar-lhe o tributo que deviam a Acabe, seu pai.
Um dia, ao descer uma galeria do palácio, ele caiu e, tendo-se ferido muito, mandou consultar o oráculo de Myiode, deus de Ecrom, para saber se ele ficaria curado daquele ferimento. Deus ordenou ao profeta Elias que fosse à presença dos enviados do rei perguntar-lhes se o povo de Israel não tinha Deus, pois o rei os estava mandando consultar um deus estrangeiro. Depois que Elias desempenhou a sua incumbência, ordenou-lhes que fossem dizer ao seu senhor que ele morreria daquele ferimento, e eles voltaram ao seu país. Acazias, assustado por vê-los voltar tão depressa, perguntou-lhes o motivo, e eles responderam que haviam encontrado um homem, o qual os impedira de ir além e ordenara que lhe dissessem, da parte de Deus, que aquela doença iria agravar-se gradualmente.
O rei perguntou como era o homem, e eles relataram que era todo coberto de pêlos e trazia as vestes presas por um cinto de couro. Acazias percebeu então que se tratava de Elias, e enviou um oficial com cinqüenta soldados para prendê-lo. O oficial achou-o sentado no alto de um monte e ordenou-lhe que o seguisse, para ir falar com o rei. E, se ele não o fizesse espontaneamente, levá-lo-ia à força. Elias respondeu que lhe mostraria com fatos que era um verdadeiro profeta. Dizendo essas palavras, rogou a Deus que fizesse descer fogo do céu para castigar aquele oficial e todos os seus soldados. Imediatamente apareceu no céu um turbilhão de chamas, que os reduziu a cinzas.
A notícia foi levada ao rei, e ele enviou outro oficial, com igual número de soldados, que ameaçou do mesmo modo levar à força o profeta, se ele não quisesse ir de boa vontade. Elias renovou a sua oração, e fogo do céu devorou também aquele oficial e todos os seus soldados, tal como sucedera aos anteriores.
O rei enviou então um terceiro oficial e mais cinqüenta soldados. Como esse era mais sensato, ele aproximou-se do profeta, saudou-o cortesmente e disse-lhe: "Não ignorais sem dúvida que é contra o meu desejo e somente para obedecer à ordem do rei que vos venho falar, como os precedentes. Por isso rogo-vos que tenhais compaixão de nós e venhais voluntariamente falar com o rei". Elias, comovido pelas maneiras respeitosas do oficial, seguiu-o. Quando chegou junto do rei, Deus inspirou-lhe o que devia dizer, e ele assim falou ao soberano: "O Senhor diz: Como não me quisestes reconhecer por vosso Deus e não me julgastes capaz de predizer o que vos aconteceria de mal, mas mandastes consultar o deus de Ecrom, declaro-vos que morrereis".
375. Pouco tempo depois, essa profecia realizou-se. Como Acazias não tinha filho, Jorão, seu irmão, sucedeu-o no trono. Imitou igualmente o seu pai em impiedade e abandonou, como ele, o Deus de seus antepassados, para adorar os deuses estrangeiros. Fora isso, ele era muito hábil. Foi sob o seu reinado que Elias desapareceu, sem que jamais se tenha podido saber o que aconteceu a ele. Ele deixou, como já disse, Eliseu, seu discípulo. E bem podemos ver nas Sagradas Escrituras que Elias e Enoque, o qual viveu antes do dilúvio, desapareceram do meio dos homens, mas nunca se soube que tenham morrido.
376. 2 Reis 3. Jorão, depois de ocupar o trono de Israel, resolveu fazer guerra a Mesa, rei dos moabitas, porque este se recusava a pagar-lhe o tributo de duzentos mil carneiros com sua lã, que pagava ao rei Acabe, seu pai. Mandou então pedir ao rei josafá que o ajudasse, tal como fizera a Acabe, seu pai. josafá respondeu que não somente o ajudaria, mas levaria com ele o rei da Iduméia, que era seu dependente. Jorão ficou muito grato por essa resposta e foi a Jerusalém agradecer-lhe. Josafá recebeu com grande magnificência esse príncipe e o rei da Iduméia, e eles resolveram entrar no país inimigo pelos desertos da Iduméia, que era o lado pelo qual os moabitas menos esperavam ser atacados.
Os três reis partiram juntos em seguida e, depois de haver marchado durante sete dias e de ter perdido o rumo, por falta de bons guias, encontraram-se em tão grande penúria e com tanta sede que os cavalos morriam por falta de água. Como Jorão era de natureza impaciente, ele perguntava a Deus, murmurando contra Ele, que mal haviam feito para entregar assim três reis nas mãos dos inimigos, sem combate. Josafá, que, ao contrário, era um príncipe muito religioso, consolava-o, e indagou se não havia no exército algum profeta de Deus a quem pudessem consultar a respeito do que fazer em tal contingência. Um dos servidores de Jorão declarou ter visto Eliseu, filho de Safate, que era discípulo de Elias. Logo os três reis, por conselho de Josafá, foram procurá-lo em sua cabana, que ficava fora do acampamento, e pediram-lhe, particularmente jorão, que lhes revelasse o resultado daquela guerra.
Ele respondeu ao príncipe que o deixasse descansar e fosse consultar os profetas de seu pai e de sua mãe, que também eram verdadeiros. Jorão insistiu e rogou-lhe que falasse, pois estava em jogo a vida de todos. Eliseu tomou então a Deus por testemunha e afirmou com juramento que só lhe responderia em consideração a Josafá, que era um príncipe justo e temente a Deus. Disse em seguida que fizessem vir um músico com instrumentos. Quando ele começou a tocar, o profeta, cheio do Espírito de Deus, disse aos três reis que mandassem fazer uns regos na torrente, e eles veriam que, embora o ar permanecesse imóvel, sem vento algum, e sem que caísse do céu uma gota de água, os regos ficariam cheios e forneceriam a eles e a todo o exército água para matar a sede. Disse mais o profeta: "E esse não será o único favor que recebereis de Deus, pois com o auxílio dEle vencereis os vossos inimigos, tomareis as mais belas e as mais fortes de suas cidades e devastareis o seu país: cortareis as suas árvores, fareis secar as suas fontes e desviareis o curso de seus regatos".
Assim falou-lhes o profeta, e no dia seguinte, antes do nascer do sol, viu-se a torrente completamente cheia de água, proveniente da Iduméia, distante três dias de caminho, onde Deus fizera cair chuva, e todo aquele grande exército teve água em abundância para beber. O rei dos moabitas, ao saber que os três reis marchavam contra ele pelo deserto, reuniu todas as suas forças para enfrentá-los nas fronteiras de seu território, a fim de barrar-lhes a entrada. Mas quando ele chegou perto da torrente, o revérbero dos raios de sol na água fizeram-nas parecer vermelhas, e todos as tomaram por sangue, imaginando que o desespero causado pela sede fizera os inimigos matarem-se reciprocamente. Com essa falsa convicção, os moabitas pediram permissão ao seu rei para saquear o acampamento e, tendo-a obtido, partiram precipitada e desordenadamente, como quem tem certeza de encontrar presa fácil. Mas logo se viram rodeados de todos os lados pelos inimigos, que mataram parte deles e puseram o resto em fuga.
Os três reis entraram no país, tomaram o que quiseram, destruíram várias cidades, espalharam o cascalho da torrente sobre as terras mais férteis, cortaram as melhores árvores e entupiram as fontes. Destruíram tudo e sitiaram o próprio rei, que procurava pôr-se a salvo. (Vendo-se em perigo, o soberano tudo fizera para escapar. Saiu da cidade com setecentos homens escolhidos e tentou atravessar o campo inimigo do lado que ele julgava menos defendido. Mas isso não lhe foi possível, e ele teve de voltar.) O desespero então levou-o a fazer o que não se pode descrever sem horror. Ele tomou o príncipe, seu filho mais velho e sucessor, e sacrificou-o sobre as muralhas da cidade, à vista dos sitiantes. Tão terrível espetáculo comoveu os três reis, enchendo-os de tanta compaixão que, levados por um sentimento de humanidade, levantaram o cerco, e cada qual voltou para o seu país.
josafá viveu muito pouco depois disso. Morreu em Jerusalém, na idade de sessenta anos, dos quais reinara apenas vinte e cinco. Enterraram-no com a magnificência que merecia tão notável soberano e tão grande imitador das virtudes de Davi.


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