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7 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.205 (Livro 15 Cap 4) Herodes é obrigado a justificar-se diante de Antônio pela morte de Aristóbulo e o conquista por meio de presentes. Antes de partir, ordena a José, seu cunhado, que mande matar Mariana, caso Antônio o condene à morte. José conta-o imprudentemente à princesa, e Herodes manda matá-lo, por ciúme. Avareza insaciável e ambição desmesurada de Cleópatra.

História De Israel – Teologia 31.205


Capítulo 4

Herodes é obrigado a justificar-se diante de Antônio pela morte de
Aristóbulo e o conquista por meio de presentes. Antes de partir,
ordena a José, seu cunhado, que mande matar Mariana, caso
Antônio o condene à morte. José conta-o imprudentemente à
princesa, e Herodes manda matá-lo, por ciúme. Avareza insaciável
e ambição desmesurada de Cleópatra.

637. A perda de um filho tão amável fez uma ferida tão profunda no coração de Alexandra que nada podia consolá-la. Seu penar renovava-se todos os dias, com sentimentos tão vivos que todos a animavam continuamente a se vingar. Ela escreveu então a Cleópatra, narrando como Herodes lhe havia arrebatado o fi­lho, com tão detestável traição. A rainha, que sempre fora inclinada a ajudá-la, teve tanta pena de sua desdita que tudo fez para persuadir Antônio a vingar uma morte tão deplorável. Falou-lhe como de coisa horrível, na qual ia também algo da honra dele, pois Herodes, depois de ter sido por seu intermédio elevado ao trono, ao qual não tinha direito, praticara aquela rara crueldade, derramando o sangue daquele que era o legítimo possessor. Antônio ficou impressionado com essas palavras e, como não podia aprovar tão negra ação, caso fosse verdadeira, dirigiu-se a Laodicé, dando ordem para que Herodes fosse procurá-lo a fim de se justificar do crime de que o acusavam.
Herodes, que se sentia culpado e receava a ira de Cleópatra, que ele sabia incitar continuamente Antônio contra ele, temia muito essa viagem. A necessida­de de obedecer, no entanto, o obrigou a empreendê-la, e ele deixou o governo do reino a )osé, seu cunhado,* ordenando-lhe em segredo que, se Antônio o condenasse, ele deveria imediatamente matar a rainha Mariana, sua mulher, pois ele a amava com tanta paixão que não podia tolerar que, depois de sua morte, ela passasse para outro homem. Além disso, considerava que ela era a causa de sua infelicidade, pois a fama de sua extraordinária beleza suscitara havia muito o amor de Antônio por ela. Depois de dar essas ordens, ele se pôs a caminho, com pouca esperança de um feliz êxito.

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* A continuação da história nos faz ver que José era cunhado de Herodes, e não seu tio, como nos refere o texto grego.

638.  Na ausência de Herodes, José ia freqüentemente visitar Mariana, quer para prestar-lhe a honra que lhe era devida, quer para tratar dos negócios do reino, e lhe falava constantemente do extremo amor que o rei seu marido tinha por ela. Quando ele notou que, em vez de mostrar que acreditava, ela se punha a zombar, e Alexandra, sua mãe, mais que ela ainda, um imprudente desejo de fazê-las mudar de sentimento levou-o a revelar a ordem que recebera, o que comprovava que Herodes não podia tolerar que a morte o separasse dela. Essas palavras, todavia, em vez de persuadir as princesas do afeto de Herodes, causaram-lhes horror, pela tirânica desumanidade que, mesmo após a morte, o tornava tão cruel para com a pessoa a quem ele mais amava na terra.
639.  Os inimigos desse príncipe então fizeram correr a notícia de que Antônio mandara matar Herodes, depois de submetê-lo a diversos tormentos. Toda a cida­de de Jerusalém ficou agitada, principalmente no palácio real e no das princesas. Alexandra exortou José a sair com ela e com Mariana, a fim de se colocarem sob a proteção das águias romanas — da legião comandada por Júlio, que estava acampada fora da cidade — e assim ficarem em segurança, caso houvesse algum tumulto, e também porque ela não duvidava de que quando Antônio visse Mariana obteria dele tudo o que quisesse, até mesmo a restauração ao trono e todas as outras honras e privilégios que o seu nascimento lhe permitia esperar.
Pensavam assim, quando receberam cartas de Herodes, contrariando essas notícias. Diziam que, tendo chegado onde Antônio estava, havia acalmado o seu espírito com grandes presentes, tornando-o tão favorável nas conversações que tivera com ele que não havia mais motivo para temer os maus ofícios de Gleópatra, porque Antônio afirmava que um refnão era obrigado a prestar contas a ninguém de suas ações com relação ao governo de seu território, pois se assim fosse deixa­ria de ser rei, não podendo agir com a autoridade que tal posição lhe concede, e que não importava, nem mesmo a Cleópatra, a maneira como os reis governam.
As cartas acrescentavam que não havia honras que ele não tivesse recebido de Antônio, o qual se servia de seus conselhos e o convidava todos os dias para banquetes, embora Cleópatra fizesse todos os esforços para destruí-lo, pelo desejo que tinha de ser rainha da Judéia. Mas a justiça de Antônio estava à porta dos artifícios e calúnias da princesa, e assim ele voltaria logo, mais consolidado do que nunca em seu reino e no afeto de Antônio, sem que restasse a Cleópatra esperança alguma de prejudicá-lo, porque Antônio entregara a ela a Baixa Síria, com a condição de que desistisse das pretensões que tinha sobre a Judéia.
640. Essas cartas fizeram Alexandra — e também Mariana — abandonar a idéia de ficar sob a proteção das águias romanas, mas Herodes veio a sabê-lo. Salomé, sua irmã, e sua mãe disso lhe falaram logo que ele chegou a Jerusalém e depois que Antônio partiu em marcha contra os partos. Salomé fez ainda mais. Para se vingar de Mariana, que tinha o coração extremamente grande, mas havia censurado numa con­testação entre ambas a baixeza da origem da outra, ela acusou José, seu próprio mari­do, de ter se portado muito familiarmente com a princesa. Herodes, que amava arden­temente Mariana, sentiu então até onde iam os seus ciúmes. Conteve-se, todavia, embora com dificuldade, para que não percebessem que a sua paixão o fazia perder o juízo. E, em particular, perguntou a Mariana que relações ela tivera com José. Ela pro­testou com juramento, do qual uma pessoa inocente pode se servir para a sua justifica­ção, que nada houvera entre eles que ele viesse a ter motivo para se queixar.
Herodes, vencido pelo amor que lhe devotava, não somente acalmou o espí­rito como também pediu perdão por ter, ainda que levemente, prestado fé às palavras que lhe haviam dito. Demostrou ainda toda a satisfação que sentia por saber que ela era tão fiel e tudo fez para mostrar-lhe com que paixão a amava. Tantas provas de ternura fizeram, como acontece em casos semelhantes, com que ambos se pusessem a chorar e se abraçassem. Porém, ainda que Herodes se esforçasse por lhe incutir cada vez mais o seu amor, ela não pôde deixar de lhe dizer: "Achais então que é grande prova de amor ter ordenado que me mandas­sem matar, caso Antônio também vos tirasse a vida, embora eu jamais tivesse dado motivo para que ficásseis insatisfeito comigo?"
Essas palavras foram como uma punhalada no coração de Herodes. Ele afastou Mariana, a quem ainda estava abraçado, arrancou os cabelos e disse que já não podia duvidar de seu crime, pois era impossível que José lhe tivesse manifestado um segredo daquela importância sem que ela se tivesse entregado a ele, para recompensá-lo pela traição. Ficou de tal modo transtornado pela cólera que a teria matado naquele mesmo instante, se a violência do amor não tivesse combatido a força do ciúme. Quanto a José, mandou imediatamente matá-lo, sem nem mesmo querer vê-lo ou ouvi-lo, e mandou meter Alexandra numa prisão, como sendo a causadora de todo aquele mal.
641. Nesse ínterim, a Síria estava convulsionada pela insaciável avareza de Cleópatra, a qual, abusando do poder que exercia sobre o espírito de Antônio, incitava-o continuamente contra os grandes do país, a fim de que ele os privasse de suas terras e possessões e as entregasse a ela. O amor que ela nutria pelas riquezas era tão grande que nada havia que não julgasse lícito para obtê-las. A sua ambição era tão desme.surada que ela mandou envenenar o irmão de quinze anos, ao qual pertencia o reino, e fez com que Antônio mandasse matar Asinoé, sua irmã, enquanto esta orava em Éfeso, no Templo de Diana. Ela não temia violar a santidade dos Templos, dos sepuicros ou dos asilos, se deles pudesse obter dinheiro. Não tinha escrúpulos em cometer sacrilégios, se lhe fossem úteis, nem diferençava os caminhos santos dos profanos, quando se tratava de seus interesses. Não tinha nenhuma dificuldade em calcar aos pés a justiça, contanto que daí lhe viesse alguma vantagem. Os tesouros todos da terra dificilmente seriam suficientes para satisfazer essa ambiciosa e voluptuosa princesa. Não devemos, portanto, nos admirar de que ela instigasse continuamente Antônio a despojar os outros para enriquecê-la.
Assim, não havia ainda entrado com ele na Síria, quando sonhou apoderar-se de toda a região. Mandou então matar Lisânias, filho de Ptolomeu, dizendo que ele favorecia os partos. Depois insistiu com Antônio que tirasse a Arábia e a Judéia de seus reis as entregasse a ela. No entanto, embora a paixão de Antônio por ela fosse tão violenta que parecia havê-lo enlouquecido, ele não quis cometer uma injustiça tão patente, que com certeza teria mostrado ao mundo que ele era escravo de uma mulher. E, para não aborrecê-la com uma negativa a todos os seus pedidos e também para não passar por injusto perante todos se neles consentisse, deu-lhe tudo o que se havia suprimido dessas duas províncias e todas as cidades situadas desde o rio de Eleutério até o Egito, exceto Tiro e Sidom, que ele sabia terem sido sempre cidades livres, não obstante os esforços que ela fazia para obtê-las.



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