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20 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.232 (Livro 16 Cap 17) HERODES ACUSA ALEXANDRE E ARISTÓBULO NUMA GRANDE ASSEMBLÉIA REUNIDA EM BERITO E OS CONDENA À MORTE.

História De Israel – Teologia 31.232

 
CAPÍTULO 17

HERODES ACUSA ALEXANDRE E ARISTÓBULO NUMA GRANDE ASSEMBLÉIA REUNIDA EM BERITO E OS CONDENA À MORTE.

717. Essa carta de Augusto deu grande alegria a Herodes, tanto por lhe mostrar que estavam reconciliados quanto pela inteira liberdade que lhe concedia para agir com os filhos. Não sei como chegou a tal excesso, o de querer matá-los e de tratar o caso com tal precipitação, porque, embora ele demonstrasse muita severidade para com os filhos no tempo de sua prosperidade, isso nunca havia acontecido. Agora não tinha medidas o seu ódio, ainda que os negócios estivessem em tão boa situação que ele não poderia desejar melhor. Enviou convites a todas as partes, para que todos os que Augusto havia julgado conveniente se reunissem em Berito, exceto Arqueiau, porque o odiava e por temer que ele se opusesse ao seu desígnio. Os governadores das províncias e as personagens mais importantes de diversas cidades para lá se dirigiram, mas ele não quis que os filhos estivessem presentes e mandou-os para uma aldeia dos sidônios, chamada Platana, próxima daquela cidade e de onde podiam ser levados, caso fosse necessário.
Ele adentrou sozinho a assembléia, que constava de cento e cinqüenta pessoas, e a maneira como acusou os filhos, em vez de despertar compaixão pela sua infelicidade e persuadir os presentes da necessidade que o obrigava a chegar a tão grandes extremos, pareceu, ao invés, muito inconveniente na boca de um pai. Ele falou com muita veemência, perturbado pela cólera, esforçando-se para mostrar a verdade dos crimes de que os jovens eram acusados, e não trouxe nenhuma prova daquelas acusações. Via-se, enfim, um pai que, longe de instruir os juizes, não tinha vergonha de tentar convencê-los a se unir a ele no litígio contra os filhos. Leu as cartas deles, mas nada continham que demonstrasse algum plano organizado contra ele ou que se tivessem deixado levar a alguma impiedade. Pareciam confirmar somente que haviam decidido fugir, além de algumas palavras pelas quais expressavam o descontentamento que sentiam contra ele.
Nesse ponto das cartas, ele exclamou, como se tais palavras fossem uma clara confissão, que eles haviam atentado contra a sua vida e jurou que elas lhe eram mais insuportáveis que a morte. Acrescentou que a natureza e Augusto lhe davam pleno poder sobre os filhos e que uma das leis de sua nação era clara a esse respeito, pois ordenava que, quando um pai ou uma mãe acusassem os filhos e pusessem a mão sobre a cabeça deles, os que estivessem presentes eram obrigados a apedrejá-los. Assim, ele teria podido, sem outra forma de processo, condenar à morte os seus filhos em seu país e no seu reino, mas desejara ouvir o parecer daquela ilustre assembléia. Não os reunira, portanto, como juizes, pois o crime deles era manifesto, porém somente por formalidade, a fim de que participassem de seu justo ressentimento e para que a posteridade soubesse, pelos seus sufrágios, quão importante é não tolerar tão horríveis atentados como o dos filhos contra aqueles que lhes deram a vida.
Herodes assim falou e, como não havia trazido os filhos para que se defendessem, a assembléia não teve dificuldade em constatar que não havia mais probabilidade de reconciliação e confirmou-lhe o poder que Augusto lhe dera para dispor dele como quisesse. Saturnino, que havia sido cônsul e desempenhara cargos honrosos, opinou primeiro, com muita moderação. Ele disse que era de opinião que fossem castigados, não, porém, com a morte. Porque, sendo ele pai, não podia ter sentimentos tão cruéis nem crer que se deveria acrescentar à infelicidade de Herodes aquela nova aflição, que seria o cúmulo de todas as outras. Os três filhos dele, que eram os seus lugar-tenentes, opinaram em seguida e foram do mesmo parecer. Volúmnio, ao contrário, achou melhor sentenciá-los a morte. Os que falaram depois dele foram, em sua maioria, da mesma opinião, e assim não restou mais esperança aos dois príncipes.
718. Herodes partiu imediatamente para Tiro e levou também os filhos. Nicolau, que voltava de Roma, encontrou-o lá, e Herodes contou-lhe o que se havia passado em Berito e depois perguntou qual era em Roma a opinião de seus amigos com respeito aos filhos. Ele respondeu que a maior parte os condenava, julgando que ele devia encerrá-los na prisão para fazê-los morrer, se o achasse justo, mas somente depois de madura reflexão, a fim de que não parecesse que, em assuntos tão delicados, ele agia mais pela cólera que pela razão. Ou então, para não se envolver numa aflição sem remédio, devia absolvê-los e pô-los em liberdade. Herodes, ouvindo-o falar assim, ficou muito tempo pensativo, sem dizer palavra. Ordenou em seguida que subisse com ele ao navio, e partiram para Cesaréia.
Esse estado de coisas tornou-se o motivo de todas as conversas; não se falava de outra coisa. A infelicidade dos dois príncipes e o ódio que o pai nutria por eles havia tanto tempo criou uma imensa expectativa quando ao que iria acontecer com os jovens. Mas, na inquietação em que o reino se encontrava, era perigoso expressar ou dar ouvidos a qualquer coisa que lhes fosse favorável. Era preciso esconder no coração a compaixão que se tinha deles e dissimular a dor, sem ousar manifestá-la.
719.  Apenas Tirom, um velho e corajoso cavalheiro, cujo filho era da idade de Alexandre e muito afeiçoado ao príncipe, não ficou calado e ousou dizer o que os outros somente pensavam. Não temia mesmo dizer em voz alta e publicamente que não havia mais verdade nem justiça entre os homens, que a mentira e a malícia reinavam nos corações e que a cegueira era tal que, por maiores que fossem as suas faltas, eles não as reconheciam. Tinha-se prazer em ouvi-lo falar com aquela perigosa liberdade, e ninguém podia condenar a sua ousadia. Porém todos se mantinham em silêncio, pois não queriam se arriscar, embora a apreensão pelo destino dos infelizes príncipes bem podia ter incentivados outros a imitá-lo. Ele atreveu-se mesmo a pedir uma audiência com o rei, para conversar a sós com ele.
Herodes concedeu-a, e então ele lhe disse: "Majestade! Eu não poderia deixar de falar-vos com esta liberdade, que me pode ser perigosa, mas também pode ser muito útil a vós, para que reflitais no que vou dizer. Em que estais pensando, majestade? Onde está agora aquela extraordinária sagacidade com que tratáveis os assuntos mais complicados, e que é feito de vossos amigos e parentes? Poder-se-ia incluir nesse número os que não se preocupam em resolver um assunto que põe em grave perturbação uma corte tão feliz quanto a vossa? Não percebeis o que se passa? Estaríeis desejando a morte desses dois príncipes, oriundos de tão digna rainha — nobres, portanto, de nascimento —, para vos colocardes, na idade em que estais, nas mãos de um filho que concebeu esperanças criminosas e para vos entregardes aos vossos parentes, que tantas vezes julgastes indignos de viver? Não percebeis que o silêncio do povo condena o vosso proceder, achando-o abominável? Não vos ocorre que os vossos soldados, particularmente os oficiais, sentem compaixão pela infelicidade desses dois príncipes e horror pelos que os puseram em tal desgraça?"
Como o rei se achava muito sensibilizado em sua aflição e bem convencido da maldade de seus parentes, não reprovou, de início, as palavras de Tirom. Mas, vendo que ele o apertava com brutal liberdade, sem se impor nenhum limite, começou a se inquietar. E, considerando o que ele lhe dizia mais como censura que como advertência, que a preocupação pelo bem-estar do rei o levava a dizer, perguntou quem eram os oficiais e os soldados que condenavam o seu proceder. Quando tomou conhecimento dos nomes, mandou colocar todos eles na prisão.
Um certo Trifom, que era barbeiro de Herodes, veio contar em seguida que Tirom lhe havia pedido várias vezes para que cortasse a garganta do rei com a navalha quando lhe fizesse a barba, garantindo que ele seria muito bem recompensado e que poderia esperar, depois disso, qualquer favor da parte de Alexandre. Herodes imediatamente ordenou que prendessem o barbeiro e o mandou torturar, bem como a Tirom e seu filho, o qual, vendo o pai padecer os tormentos sem nada confessar e percebendo que a crueldade do rei não dava esperança alguma de que os aliviassem para ele também, disse que declararia toda a verdade contanto que os deixassem de torturar. Herodes prometeu que o faria, e ele contou que o pai, tendo obtido a liberdade de falar a sós com o rei, havia resolvido matá-lo e se expor a todas as conseqüências, tal o seu afeto por Alexandre. Essa declaração livrou Tirom dos tormentos, mas não se sabe se era essa a verdade ou se o filho falara daquele modo apenas para poupar o pai e a si mesmo de tantas dores.
720.  Herodes baniu então de seu espírito qualquer compaixão que lhe viesse impedir de ordenar a morte dos dois filhos. E, não querendo dar lugar ao arrependimento, apressou-se em realizar a execução. Mandou então apresentar em público os trezentos oficiais do exército cujos nomes haviam sido citados, bem como a Tirom, o filho deste e o barbeiro, e os acusou diante do povo, que se lançou imediatamente sobre eles e os matou. Quanto a Alexandre e Aristóbulo, o impiedoso pai os enviou a Sebaste, onde, por sua ordem, foram estrangulados. Os corpos foram levados a Alexandriom, ao túmulo de seu avô materno, onde vários de seus antepassados estavam sepultados.
721.  Não é de admirar, talvez, que um ódio alimentado por tanto tempo tenha crescido até esse ponto, conseguindo afogar no espírito de Herodes todos os sentimentos da natureza. Pode-se duvidar, todavia, e com razão, se foi justa a condenação desses dois príncipes, os quais, tendo continuamente irritado o pai, obrigaram-nos por fim a considerá-los mortais inimigos, ou se não deveríamos atribuí-la à dureza de Herodes e à sua violenta paixão pelo poder, pois ele, quando se tratava de conservar a sua absoluta autoridade, não tolerava a mínima resistência e se achava no direito de não poupar ninguém. Talvez se possa ainda atribuí-la à sorte, que é mais poderosa que todos os sentimentos humanos e pode levar os homens a tais resoluções.
Quanto a mim, estou convencido de que todas as nossas ações são preordenadas por uma inevitável necessidade a que chamamos destino, sem cuja ordem nada se faz no mundo. Mas é suficiente havermos tocado nisso de passagem, isto é, acerca do destino, que é muito mais elevado que o raciocínio pelo qual busquei a causa da morte dos príncipes — se ocorreu pela imprudência deles ou pela crueldade de Herodes. Todavia, como se pode julgar pelo que encontramos escrito a esse respeito nos livros da nossa Lei, não se deve crer que essa doutrina nos isente de qualquer participação nos acontecimentos ou nivele de tal modo os diferentes costumes dos homens que exima de toda culpa os maus e os criminosos.
Mas, voltando às duas primeiras causas de tão trágico e deplorável acontecimento, é verdade que se pode acusar os dois príncipe da ousadia que é comum aos de sua idade, ainda mais quando herdeiros do fausto de um nascimento real; de haverem escutado demais as palavras dos que falavam em desabono de seu pai; de julgarem sem eqüidade as suas ações; de suspeitarem dele injustamente; de falarem com excessiva liberdade; de terem eles mesmos dado motivo para calúnias aos que observavam as suas mínimas palavras com o propósito ganhar a estima do rei.
Quanto a Herodes, como se poderá perdoar uma ação tão desumana e desnaturada como a de matar os próprios filhos sem ter conseguido provar que eles haviam atentado contra a sua vida, privando assim a nação de dois príncipes tão formosos, hábeis em todos os exercícios, capazes de ser valorosos na guerra e que falavam com tanta graça — particularmente Alexandre — que não eram somente queridos de todo o povo judeu, mas também dos estrangeiros? E, mesmo que os tivesse julgado culpados, por que não se contentou em mantê-los numa prisão ou em bani-los do reino, uma vez que nada tinha a temer, nem dentro nem fora, garantido como estava pela poderosa proteção dos romanos? Que maior prova poderia ele dar senão a de se ter deixado governar pela paixão, demonstrando, ao ordenar a morte dos filhos, uma insuperável impiedade?
O que aumenta a sua culpa é o fato de que ele estava já numa idade em que jamais poderia alegar pouca experiência para deixar ir tão longe uma questão. Sua falta teria sido menor se a surpresa de um atentado contra a sua vida o tivesse impelido imediatamente cometer aquela ação, ainda que tão cruel. Porém, agir depois de tão grande demora e após tantas deliberações é indício de uma alma sanguinária e endurecida pelo mal, como o provaram os fatos seguintes, pois ele não perdoou nem mesmo aqueles a quem antes demonstrara amar sinceramente, embora pouco se tenha a lamentar por causa deles, porque eram culpados. Mas nisso se vê também a grande crueldade de Herodes.


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