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13 de julho de 2018

História De Israel – Teologia 31.277 (2º Parte Livro 0.2) Vida de Flávio Josefo Escrita por Ele mesmo Parte 1


História De Israel – Teologia 31.277


Vida de Flávio Josefo

Escrita por Ele mesmo Parte 1

Como a minha origem remonta a uma longa série de antepassados de família sacerdotal, eu poderia vangloriar-me da nobreza do meu nascimento, pois cada nação, estabelecendo a grandeza de uma família em certos sinais de honra que a acompanham, entre nós uma das mais notáveis é ter-se a administração das coisas santas. Mas não sou apenas oriundo da família dos sacerdotes: sou também da primeira das vinte e quatro linhas que a compõem e cuja dignidade está acima de todas. A isso posso acrescentar que, do lado de minha mãe, tenho reis entre meus antepassados. O ramo dos hasmoneus, de que ela é proveniente, possuiu durante um longo tempo, entre os hebreus, o reino e o sumo sacerdócio.
Eis a série dos últimos dos meus predecessores: Simão, cognominado Psello, avô de meu bisavô, viveu no tempo em que Hircano, primeiro desse nome, filho de Simão, sumo sacerdote, exercia o sumo sacerdócio. Psello teve nove filhos, um dos quais de nome Matias, cognominado Aflias, desposou no primeiro ano do reinado de Hircano, a filha de Jônatas, sumo sacerdote, e teve Matias, cognominado Curo, que no nono ano do reinado de Alexandre teve um filho de nome José, que no décimo ano do reinado de Arqueiau teve um filho de nome Matias, do qual eu tenho meu nascimento, no primeiro ano do reinado do imperador Caio César. Quanto a mim, tenho três filhos: o primeiro dos quais, chamado Hircano, nasceu no quinto ano do reinado de Vespasiano; o segundo, chamado Justo, nasceu no sétimo; e o terceiro, de nome Agripa, no nono ano do reinado do mesmo imperador. Eis minha descendência como está escrita nos registros públicos e que eu julguei dever relatar aqui a fim de desmanchar as calúnias de meus inimigos.
Meu pai não foi somente conhecido em toda a cidade de Jerusalém pela nobreza de sua origem; ele o foi ainda mais, por sua virtude e por seu amor à justiça, que tornaram seu nome célebre. Fui educado desde minha infância no estudo das letras, com um dos meus irmãos de pai e mãe, que tinha como ele o nome de Matias. Deus me deu bastante memória e inteligência, e eu fiz tão grande progresso que, tendo então só quatorze anos, os sacerdotes e os mais importantes de Jerusalém se dignaram perguntar minha opinião sobre o que se referia à interpretação das leis.
Quando fiz treze anos, desejei aprender as diversas opiniões dos fariseus, as dos saduceus e as dos essênios, três seitas que existem entre nós, a fim de, co-nhecendo-as, pudesse adotar a que melhor me parecesse. Assim, estudei-as todas e experimentei-as com muitas dificuldades e muita austeridade. Mas essa experiência ainda não me satisfez; vim a saber que um certo Bane vivia tão austeramente no deserto que só se vestia da casca das árvores e só se alimentava com o que a mesma terra produz; para se conservar casto, banhava-se várias vezes por dia e de noite, na água fria; resolvi imitá-lo. Depois de ter passado três anos com ele, voltei, aos dezenove anos, a Jerusalém. Iniciei-me, então, nos trabalhos da vida civil e abracei a seita dos fariseus, que se aproxima mais que qualquer outra da dos estóicos, entre os gregos.
Na idade de vinte e seis anos fiz uma viagem a Roma, por esta razão: Félix, governador da Judéia, mandou por um motivo qualquer alguns sacerdotes, homens de bem e meus amigos particulares, para se justificarem perante o imperador; eu desejei, com muito entusiasmo, ajudá-los, quando soube que sua infelicidade em nada havia diminuído sua piedade e eles se contentavam em viver com nozes e figos. Assim, embarquei e corri um grande perigo, como jamais em minha vida. O navio no qual estávamos, umas seiscentas pessoas, naufragou no mar Adriático. Depois de ter nadado toda a noite, Deus permitiu que ao nascer do dia encontrássemos um navio de Cirene, que recebeu oitenta dos que entre nós haviam conseguido nadar tanto tempo; o restante havia perecido no mar. Assim chegamos a Disearche, que os italianos chamam Puteoli (Puzzoli), onde travei conhecimento com um comediante judeu de nome Alitur, o qual o imperador Nero muito apreciava. Esse homem levou-me até a imperatriz Popéa, e obtive sem dificuldade a absolvição e a liberdade daqueles sacerdotes por intermédio dessa princesa, que me deu grandes presentes também, com os quais regressei ao meu país.
Lá encontrei alguns espíritos inclinados às mudanças que começavam a lançar as raízes de uma revolta, contra os romanos. Procurei dissuadir os sediciosos e lhes fiz ver, entre outras coisas, como tão poderosos inimigos lhes deviam ser temíveis, quer pela sua ciência na guerra, quer pela grande prosperidade e que eles não deviam expor temerariamente a tão grande perigo, suas mulheres, seus filhos e sua pátria. Como eu previa que tal guerra seria muito desastrada, não houve razões de que não me servisse para dissuadi-los desse empreendimento. Mas todos os meus esforços foram inúteis; foi-me impossível fazer com que evitassem essa loucura. Assim, temendo que os facciosos, que já tinham ocupado a fortaleza Antônia, suspeitassem que eu favorecia o partido dos romanos e me fizessem morrer, retirei-me para o santuário, de onde, depois da morte de Manahem e dos principais autores da revolta, saí para me unir aos sacerdotes e aos principais dos fariseus.
Encontrei-os muito assustados, por ver que o povo havia tomado as armas, e estava muito indeciso sobre o partido que devia tomar, mas via ser perigoso opor-se à fúria daqueles sediciosos. Fingimos estar de acordo com seus sentimentos e aconselhamo-los a deixar as tropas romanas se afastarem, na esperança que tínhamos de que Cássio viria com grandes forças e acalmaria o tumulto. Ele veio, com efeito; mas depois de ter perdido vários dos seus num combate, foi obrigado a se retirar. Essa vantagem que os revoltosos obtiveram contra ele custou caro à nossa nação, porque, tendo-lhes elevado o ânimo, vangloriavam-se de poder conseguir novas vitórias.
Nesse mesmo tempo, os habitantes das cidades da Síria, vizinhas da Judéia, mataram os judeus que lá moravam, embora eles nem sequer tivessem tido o pensamento de se revoltar contra os romanos, e por uma crueldade mais que bárbara não pouparam nem mesmo as mulheres e as crianças. Os de Citópolis sobrepujaram aos demais em impiedade. Quando os judeus vieram fazer-lhes guerra, eles obrigaram os seus compatriotas que viviam entre eles, a tomarem as armas contra seus irmãos, o que nossas leis proíbem expressamente, e depois de terem vencido, com o auxílio deles, esqueceram, por uma detestável perfídia, o favor que lhes deviam e a palavra dada, e os mataram a todos, sem poupar a um só. Os judeus que moravam em Damasco não foram tratados com mais humanidade. Mas como já narrei estas coisas, na minha História da Guerra dos judeus, basta-me dizer isto de passagem, a fim de que o leitor saiba que não foi voluntariamente, mas obrigada, que nossa nação travou guerra contra os romanos.
Depois da derrota de Géssio, os maiorais de Jerusalém que estavam desarmados e viam os sediciosos armados, temeram com razão cair em seu poder, e, sabendo que a Galiléia não se tinha ainda revoltado totalmente contra os romanos, mas uma parte dela se conservava fiel ao seu dever, mandaram-me para lá com dois outros sacerdotes, Joazar e Judas, para persuadir aos amotinados a abandonar as armas e entregá-las aos chefes da nação, com a garantia de lhas conservar; mas que antes de se servirem delas, seria necessário saber-se qual a intenção do romanos.
Tendo partido com essas instruções, constatei, ao chegar na Galiléia, que os de Séforis estavam a ponto de travar uma luta com os galileus, que ameaçavam devastar seu país, por causa do afeto que aqueles tinham pelo povo romano e da fidelidade que mantinham a Sênio Galo, governador da Síria, livrei os seforitanos desse temor e acalmei os galileus permitindo-lhes mandar, todas as vezes que quisessem, a Dora da Fenícia, os reféns que tinham dado a Géssio.
Quanto aos habitantes de Tiberíades, achei-os em armas. Esta era a razão: Havia naquela cidade três partidos; o primeiro era composto de pessoas da nobreza e Júlio Capela era-lhe o chefe; Herodes, filho de Miar, Herodes, filho de Gamai e Compso, filho de Compso, a ele se haviam reunido; Cripso, irmão de Compso, que Agripa, o Grande, há muito tinha feito governador da cidade, permanecia ainda nas terras que possuía além do Jordão. Todos os outros de que acabo de falar eram de opinião de se permanecer fiel ao povo romano e ao seu rei, e Pisto era o único da nobreza que, para agradar a Justo, seu filho, não era desse parecer.
O segundo partido era composto pelo baixo povo, que queria que se lhe fizesse guerra. Justo, filho de Pisto, era do terceiro partido. Ele mostrou duvidar se seria preciso pegar em armas; mas, secretamente incitava a perturbação, na esperança de conquistar grandeza e grande vantagem com a revolução. Para conseguir o seu intento, disse ao povo que a sua cidade sempre havia ocupado um dos primeiros lugares entre as da Galiléia e lhe tinha mesmo sido a capital durante o reinado de Herodes, que a tinha fundado e lhe tinha submetido a de Séforis:, que eles tinham conservado aquela preeminência, mesmo sob o reinado do rei Agripa, o pai, até que Félix fora feito governador da Judéia, e a tinha perdido somente depois que Nero os havia dado ao jovem Agripa. Mas Séforis, depois de ter recebido o jugo dos romanos, tinha sido elevada acima de todas as outras cidades da Galiléia; essa mudança os havia feito perder o tesouro dos privilégios antigos, e os rendimentos pertencentes ao rei.
Justo, com semelhantes discursos, irritou o povo contra o rei e suscitou-lhes no espírito o desejo de se revoltar; acrescentou ainda que tinha chegado o tempo de se unirem às outras cidades da Galiléia e de tomarem as armas para reconquistar os benefícios que lhes haviam injustamente arrebatado. Nisso seriam secundados por toda a província, pelo ódio que se tinha dos seforitanos, por sua ligação tão estreita com o Império Romano. Essas razões de justo persuadiram o povo, pois, ele era muito eloqüente; a graça, com a qual falava, levou-o a opiniões muito mais sábias e mais salutares. Ele tinha certo conhecimento da língua grega para ter ousado escrever a história do que se passou então, a fim de desmascarar a verdade. No entanto, revelarei mais particularmente, em seguida, toda sua malícia e de como não foi preciso que ele e seu irmão tenham causado a inteira ruína de seu país. Justo, tendo-os então persuadido, obrigou a alguns daqueles, que eram de outro parecer, a tomar as armas; pôs-se em campo e queimou algumas aldeias dos ipinianos e dos gadareenses, que estão na fronteira de Tiberíades e de Citópolis.
Enquanto as coisas andavam como acabo de dizer, eis o que se passava em Giscala. João, filho de Levi, vendo que alguns de seus concidadãos, estavam resolvidos a sacudir o jugo dos romanos, empregou toda a sua habilidade para conservá-los no dever e na obediência. Mas tudo foi inútil, e os gadarenianos, os gabaranianos e os tirios, que estão próximos de Giscala, juntaram-se, atacaram a praça, tomaram-na e a destruíram completamente. João, irritado com esse ato, reuniu muitas tropas, marchou contra eles, derrotou-os, reconstruiu a cidade e a rodeou de muralhas.
Agora direi como os de Gamala permaneceram fiéis aos romanos. Filipe, filho de Jacim, lugar-tenente do rei Agripa, tinha, contra toda sorte de esperança, escapado do palácio real de Jerusalém, quando estava cercado, mas caiu em outro perigo, correndo risco de ser morto por Manahem e seus sediciosos, se alguns babilônios, seus parentes, que então estavam em Jerusalém, não o tivessem salvado. Ele disfarçou-se alguns dias depois e fugiu para uma aldeia que estava perto do castelo de Gamala, onde reuniu um grande número de seus súditos. Deus permitiu que ele fosse tomado por uma febre, sem o que estaria perdido. Este acidente impediu-lhe de continuar a viagem e ele escreveu por um dos seus libertos a Agripa e à rainha Berenice; para fazê-los receber suas cartas, as endereçou a Varo, ao qual o rei e a rainha haviam deixado a guarda do palácio, quando saíram para encontrar-se com Géssio. Varo ficou muito aborrecido por saber que Filipe tinha escapado, porque teve medo de diminuir-se seu prestígio perante o rei e a rainha e de que não tivessem mais necessidade dele, quando Filipe estivesse com eles. Assim, fez o povo crer que aquele liberto era um traidor, que lhe trazia falsas cartas, porque estava certo de que Filipe estava em Jerusalém, com os judeus que se haviam revoltado contra os romanos, e assim, mandou matar aquele homem.
Quando Filipe viu que seu liberto não voltava, não sabendo a que atribuir tal demora, mandou um segundo, com outras cartas. Varo, para prejudicá-lo empregou as mesmas calúnias, com que havia feito morrer o primeiro. Os sírios, que moravam em Cesareia, haviam-no reanimado e feito conceber novas esperanças, dizendo que os romanos tinham matado Agripa, por causa da rebelião dos judeus e que ele poderia reinar em seu lugar, porque era de família real, descendente de Soheme, rei do Líbano. Foi isso que o impediu de entregar ao rei as cartas de Filipe e o obrigou a fechar todas as passagens, a fim de tirar ao príncipe o conhecimento do que se passava. Mandou, em seguida, matar vários judeus para satisfazer aos sírios de Cesareia e resolveu atacar, com o auxílio dos traconítidas, que estavam em Betânia, os judeus que eram chamados de babilônios e moravam em Ecbátana. Para conseguir esse intento, ordenou a doze dos principais entre os judeus de Cesareia, que fossem dizer, de sua parte, aos de Ecbátana, que o haviam avisado de que eles estavam a ponto de se revoltar contra o rei, mas que não haviam prestado fé àquele aviso e assim os mandava a eles, para exortá-los a deixar as armas, a fim de mostrar com esse ato de obediência, que ele tivera razão em não acreditar no que lhe haviam dito em seu desabono. A isso acrescentou que para manifestar ainda melhor sua inocência, seria necessário que lhe mandassem setenta dos mais ilustres dentre os seus.
Chegando a Ecbátana, os doze deputados acharam que os de sua nação só pensavam em se revoltar, e os persuadiram a mandar a Varo os setenta homens que ele pedia. Quando os deputados reuniram-se perto de Cesareia, Varo, que os havia precedido no caminho, com tropas do rei, atacou-os e de todo aquele grande número um só se salvou. Varo marchou em seguida contra Ecbátana. Mas aquele que se havia salvado, precedeu-o e deu aos habitantes a notícia daquela horrível perfídia. Eles tomaram as armas, retiraram-se com suas mulheres e filhos ao castelo de Gamala e abandonaram suas aldeias, com todos os seus bens e todos os animais que possuíam em abundância. Filipe, tendo sabido disso, dirigiu-se imediatamente a Gamala. O povo, alegre com seu regresso, rogou-lhe que fosse seu chefe e os conduzisse contra Varo e os sírios de Cesareia, pois espalhara-se a notícia de que eles haviam matado o rei. Filipe, para reprimir-lhes a impetuosidade, falou-lhes dos benefícios de que eram devedores àquele soberano, fê-los conhecer por meio de razões mui fortes que as forças do Império Romano eram tão temíveis, que eles não podiam empreender a guerra contra ele, sem se expor a um evidente perigo e, por fim, persuadiu-os a seguir seu conselho.
No entanto, o rei Agripa, tendo sabido que Varo queria mandar matar no mesmo dia todos os judeus de Cesaréia, que eram muitos, sem poupar nem as mulheres e as crianças, mandou Equo Módio para substituí-lo, como se pode ver em outro lugar. E Filipe conservou na obediência aos romanos, Gamala e a região dos arredores.
Quando cheguei à Galiléia, soube de tudo o que acabo de referir e escrevi ao Conselho de Jerusalém, para saber o que queria que eu fizesse. Ele determinou que eu ficasse, para cuidar da província e que conservarsse comigo os meus colegas, se eles o quisessem. Mas depois que eles ajuntaram muito dinheiro, o qual lhes era devido pelas décimas, preferiram voltar e me pediram que lhes desse somente um pouco de tempo, para regularizar todas as suas coisas. Partimos depois todos juntos, de Séforis, para uma aldeia de nome Betmaús, longe quatro estádios de Tiberíades. De lá mandei alguns homens ao Senado daquela cidade e aos mais ilustres dentre o povo, para lhes rogar que viessem ter comigo. Eles vieram e Justo também veio. Eu lhes disse que tinha sido enviado pela cidade de Jerusalém com meus colegas, para lhes anunciar que era preciso demolir o palácio tão suntuoso que o tetrarca Herodes tinha feito construir e onde ele tinha mandado pintar diversos animais, contra a proibição expressa de nossas leis. Dessa forma, eu lhes rogava que nos permitissem lá trabalhar com urgência.
Capella e os de seu partido, não podendo resolver-se a destruir tão bela obra, opuseram-se por muito tempo. Mas por fim, nós os induzimos a consentir; enquanto tratávamos desse assunto, Jesus, filho de Safias, seguido de alguns barquei-ros e de alguns outros galileus do seu partido, incendiou o palácio, com a esperança de se enriquecer, porque viam nele coberturas douradas; roubaram de lá várias coisas, contra a nossa vontade. Depois desta conversa que tive com Capella, retiramo-nos para a alta Galiléia. No entanto, os do partido de Jesus mataram todos os gregos que moravam em Tiberíades e todos os que tinham sido seus inimigos antes da guerra. Esta notícia muito me aborreceu. Fui imediatamente a Tiberíades, onde fiz tudo o que me foi possível para reconquistar uma parte do que havia sido roubado do rei, como candelabros coríntios, ricas mesas, uma grande quantidade de dinheiro, em moedas, com o fim de o conservar para o soberano, e entreguei todas essas coisas nas mãos das autoridades do Senado e de Capella, filho de Antillo, com ordem de só os entregar a mim mesmo.
De lá, fui como meus colegas a Giscala, para sondar o que João tinha em mente e pude logo conhecer que ele aspirava a um governo tirânico, pois rogou-me que lhe permitisse servir-se do trigo que pertencia ao imperador e que estava reservado, nas aldeias da alta Galiléia, para, com o seu produto, construírem-se muralhas. Como, porém, percebi a sua intenção, recusei-me, e determinei guardar aquele trigo ou para os romanos ou para as necessidades da província, em virtude do poder que a cidade de Jerusalém me tinha dado. Quando ele viu que nada podia obter de mim, dirigiu-se aos meus colegas e como eles apreciavam muito os presentes e não previam as conseqüências, concederam-lhe o que pe-dia, por maiores objeções que eu fizesse, sendo sozinho contra dois. Ele usou ainda de outro ardil. Disse que os judeus que estavam em Cesaréia de Filipe queixavam-se da falta de óleo virgem, por causa das proibições que o rei lhes havia feito de sair da cidade para comprá-lo; tinham se dirigido a ele para obtê-lo porque não queriam se servir do óleo dos gregos contra o costume da nossa nação. Não era, no entanto, o zelo pela nossa religião, mas o desejo de um ganho sórdido, que os fazia falar dessa maneira, porque ele sabia que vendendo-se duas medidas desse óleo por uma dracma em Cesaréia, oitenta medidas custavam quatro dracmas, em Giscala. Assim, mandou trazer a Cesaréia todo o óleo que havia na cidade, fazendo falsamente crer que o fazia com minha licença; eu não ousei opor-me para que o povo não me apedrejasse, e com essa fraude ele ganhou muito dinheiro.
Despedi depois meus colegas, mandando-os para Jerusalém; entreguei-me diligentemente a fazer provisões de armas e a fortificar as praças. No entanto, mandei chamar todos os indivíduos que viviam de roubo e saque; não conseguindo convencê-los a deixar as armas, persuadi o povo a pagar-lhes uma contribuição; o que se fez, como preferível, a sofrer os prejuízos que eles causavam aos campos; assim os despedi, depois de os ter obrigado com juramento de só voltar ao país se fossem chamados ou se lhes deixassem de pagar; proibi-lhes também de devastar as terras dos romanos e as vizinhanças. Como nada mais tinha a fazer do que manter a paz na Galiléia, fiz amizade com setenta dos principais do país, a fim de que me fossem como outros tantos reféns, seguindo-lhes o conselho e as advertências em várias coisas, sobretudo nada fazendo contra a justiça e não me deixando subornar por presentes.
Eu tinha então trinta anos; embora seja difícil, por mais que se proceda com moderação e prudência, evitarem-se as calúnias dos invejosos, principalmente quando se está constituído em dignidade e autoridade, ninguém, no entanto, jamais ousou dizer que eu recebi presente algum ou permiti que se usasse de violência contra alguma mulher. Também não tinha necessidade desses presentes e estava tão longe de aceitá-los, que não cuidava nem mesmo em receber as décimas que me eram devidas, como sacerdote. Tomei, somente, depois da vitória que obtive sobre os sírios, uma parte de seus despojos, que mandei a meus parentes em Jerusalém. Eu vencera duas vezes os seforitanos, quatro vezes os de Tiberíades, uma vez os gandarianos e aprisionei a João, que me tinha armado tantas emboscadas. No meio de tão felizes resultados, jamais quis vingar-me, nem dele, nem de todos os outros e como Deus tem os olhos abertos sobre as boas ações dos homens, atribuo a essa razão a graça que Ele me fez de livrar-me de tantos perigos de que falarei na continuação desta história.
Todo o povo da Galileia tinha tal afeto por mim e tal fidelidade, que vendo suas cidades tomadas à força, suas mulheres e filhos levados escravos, eles se sentiam menos tristes por essa desgraça, do que pela minha conservação. Essa estima e esse afeto tão geral para comigo
Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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