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15 de julho de 2018

História De Israel – Teologia 31.281 (2º Parte Livro 0.2) Vida de Flávio Josefo Escrita por Ele mesmo Parte 5


História De Israel – Teologia 31.281
 
Vida de Flávio Josefo

Escrita por Ele mesmo Parte 5

É aqui, Justo, que devemos falar da vossa cidade. Ela está situada junto do lago Genesaré, longe de Hippos, trinta estádios, sessenta, de Gabara, e cento e vinte de Citopolis, que está sob a dominação do rei. Não está perto de nenhuma aldeia dos judeus. Que vos impedia, portanto, de continuar fiel aos romanos, pois que tínheis grande quantidade de armas em particular e em público? Se responderdes que eu então fui a causa disso, eu vos pergunto, quem o foi, depois? Podeis ignorar que antes do cerco de Jerusalém eu tinha sido sitiado em Jotapate, que vários outros castelos tinham sido tomados e que um grande número de galileus tinham sido mortos em vários combates? Se, então, não foi voluntariamente, mas por coação que tomastes as armas, quem então vos impedia de abandoná-las e vos colocardes sob a obediência do rei e dos romanos, pois não tínheis mais nenhum temor de mim? Mas o que é verdade é que esperastes até que vistes Vespasiano chegar, com todas as suas tropas, às portas de vossa cidade e então, o temor do perigo vos desarmou. Não poderíeis, no entanto, evitar ser obrigado pela força e levados ao saque, se o rei não tivesse obtido, da clemência de Vespasiano, o perdão de vossa loucura. Não foi, pois, minha culpa, mas vossa, e vossa ruína só veio porque sempre fostes no coração inimigo do império. Esquecestes de que, em todas as vantagens que obtive sobre vós, jamais quis mandar matar alguns dos vossos, ao passo que as divisões que cindiram vossas cidades, não por vosso afeto pelo rei e pelos romanos, mas por vossa própria malícia, custaram a vida a cento e oitenta e cinco dos vossos concidadãos, durante o tempo em que eu estive sitiado em Jotapate? Não foram encontrados em Jerusalém, durante o cerco, dois mil homens em Tiberíades, dos quais alguns foram mortos e os outros feitos prisioneiros? Direis para provar que não éreis inimigos dos romanos, que vos tínheis então retirado para junto do rei? Não direi, ao contrário, que vós o fizestes apenas pelo medo que tínheis de mim? Se eu sou mau, como vós apregoais, que sois vós então, vós a quem o rei Agripa salvou a vida, quando Vespasiano vos havia condenado à morte; vós, que ele não deixou de mandar por duas vezes à prisão, embora lhe tivésseis dado bastante dinheiro vós; que ele mandou duas vezes ao exílio; vós, que ele teria feito morrer, se Berenice, sua irmã, não vos tivesse obtido o perdão e em quem, por fim, ele constatou tanta infidelidade no cargo de secretário, com que ele vos havia honrado, que vos proibiu de vos apresentardes jamais em sua presença? Não quero continuar a falar. De restante, admiro a ousadia com a qual afirmais ter escrito esta história, mais exatamente que qualquer outro, vós, que não sabeis somente o que se passou na Galiléia — pois estáveis então em Baruque junto do rei — e não podeis saber o que os romanos sofreram no cerco de jotapate, nem de que modo eu procedi nessa ocasião, pois não me seguistes e não ficou um sequer, dos que me ajudaram a defender aquela praça, para vos vir trazer as notícias. Se disserdes que narrastes com mais exatidão o que se passou no cerco de Jerusalém, eu vos pergunto, como isso pode ser, pois lá não vos encontrastes e não lestes o que Vespasiano escreveu a respeito? Isso eu posso afirmar, sem temor, vendo que escrevestes o contrário. Se julgais que vossa história é mais fiel do que qualquer outra, porque não a publicastes enquanto Vespasiano vivia e Tito também, seu filho, que tiveram o comando de toda essa guerra, e enquanto viveu o rei Agripa, bem como seus parentes, que eram tão peritos na língua grega? Pois a escrevestes vinte anos antes, e podíeis então ter por testemunhas da verdade aqueles que tinham visto tudo com os próprios olhos. Mas esperastes para publicá-la depois da morte deles, a fim de que ninguém vos pudesse acusar de não ter sido fiel.
Eu não fiz o mesmo, porque não temia a ninguém. Mas, ao contrário, entreguei a minha a esses dois imperadores, quando esta guerra estava apenas terminada e a memória dos fatos ainda era recente, porque minha consciência me dizia que só tendo dito a verdade, ela seria aprovada por aqueles que lhe poderiam dar testemunho; e nisto não me enganei. Eu a comuniquei imediatamente a muitos, dos quais a maior parte estivera presente a esta guerra, no número dos quais estavam o rei Agripa e alguns dos seus parentes. O próprio imperador Tito quis que a posteridade não tivesse necessidade de haurir numa outra fonte a notícia de tão grandes feitos; depois de tê-la assinado com sua própria mão, ele ordenou que fosse publicada. O rei Agripa escreveu-me também sessenta e duas cartas, que dão testemunho da verdade das coisas que referi. Apresentarei aqui apenas duas, para provar o que estou dizendo:

"O rei Agripa, a Josefo, seu mui caro amigo, saudação. Eu li vossa história com grande prazer e a achei muito mais exata que todas as outras. Por isso, rogo-vos, que me mandeis a continuação. Adeus, meu caro amigo."

"O rei Agripa a Josefo, seu mui caro amigo, saudação. O que escrevestes fez-me ver que não tendes necessidade de minhas instruções para dizer como todas as coisas se passaram. No entanto, quando eu vier, poderei dizer-vos alguns particulares, de que não sabeis."

Vê-se, assim, de que modo esse príncipe, não por uma bajulação indigna da sua condição, nem por zombaria, tão longe do seu caráter, quis dar testemunho da verdade. Eis o que justo obrigou-me a dizer, para minha justificativa, e devemos agora retomar a continuação da minha narração.
Depois de ter acalmado as perturbações de Tiberíades, propus a meus amigos o assunto sobre João; deliberei com eles os meios de castigá-lo. Seu parecer foi de se reunirem todas as forças de meu governo e marchar contra ele, porque era ele a única causa de todo o mal. Mas eu não estava de acordo com esse projeto, porque desejava acalmar a província sem derramamento de sangue, e para isso lhes ordenei que se informassem bem exatamente de todos os que seguiam o seu partido. Mandei, ao mesmo tempo, publicar uma ordem pela qual eu prometia esquecer todo o passado, em favor daqueles que se arrependessem por terem faltado ao dever e dentro de vinte dias voltassem à obediência; caso não quisessem deixar as armas, eu ameaçava queimar-lhes as casas e expor seus bens ao saque. Esta ameaça assustou-os tanto que quatro mil abandonaram João, deixaram as armas e se entregaram. Os habitantes de Giscala, seus compatriotas, e mil e quinhentos estrangeiros tírios foram os únicos que ficaram com ele. Esse meu modo de agir me saiu tão bem, que o temor os obrigou a ficar em seu país.
Os de Séforis, que confiavam na força de suas muralhas e que me viam ocupado em outros lugares, tomaram as armas, nesse mesmo tempo, e mandaram pedir a Céstio Galo, governador da Síria, que viesse rapidamente tomar posse de sua cidade, ou lhes enviasse pelo menos uma guarnição. Ele o prometeu, mas não marcou o tempo; logo que recebi este aviso, reuni minhas tropas, marchei contra eles e tomei a cidade de assalto. Os galileus, então, não querendo perder esta ocasião de se vingar dos seforitanos, que odiavam mortalmente, tudo fizeram para destruir a cidade e os habitantes. Os homens haviam-se retirado para a fortaleza e então incendiaram as casas que haviam abandonado, saquearam a cidade, e não puseram obstáculo ao próprio ressentimento. Essa desumanidade causou-me profunda dor. Ordenei-lhes que cessassem o saque, fazendo-lhes ver que não deviam tratar daquele modo a pessoas de sua própria tribo. Vendo, porém, que nem minhas ordens, nem meus rogos podiam detê-los, tão violenta era sua animosidade, dei ordem aos mais fiéis dos meus amigos que fizessem correr a notícia de que os romanos estavam entrando pelo outro lado da cidade, com um poderoso exército. Este expediente deu resultado. O temor que este boato lhes causou fê-los deixar o saque, para só pensar em fugir, vendo que eu também fugia, pois, para confirmar ainda mais a notícia, fingia ter tanto medo como eles.
Eis o recurso de que me servi para salvar os seforitanos, quando estes não mais tinham esperanças de salvação; pouco faltou para que os galileus saqueassem também Tiberíades, como vou narrar. Alguns dos principais Senadores escreveram ao rei para rogar-lhe que viesse tomar posse de sua cidade. Ele respondeu-lhes que viria dentro de poucos dias, entregando a carta a um de seus criados, de nome Crispo, judeu de nascimento. Os galileus prenderam-no, a caminho, reconheceram-no e mo trouxeram; quando souberam o que a carta dizia, ficaram tão agitados, que se reuniram, tomaram as armas e no dia seguinte foram procurar-me em Azoque, clamando que os de Tiberíades eram traidores, amigos do rei e pediam-me que lhes permitisse ir destruí-los, pois odiavam Tiberíades, não menos que Séforis. A este respeito, eu não sabia que resolução tomar para salvar Tiberíades de seu furor, porque não podia negar que os habitantes daquela cidade tinham apelado para o rei porque a sua resposta mo fazia ver mui claramente. Por fim, depois de ter pensado bastante na maneira de como lhes devia responder, disse-lhes que a culpa dos de Tiberíades era inescusável e eu não queria impedir que saqueassem a cidade, mas que em semelhantes ocasiões, era necessário usar-se de muita prudência. E, assim, pois que os de Tiberíades não eram os únicos traidores da liberdade pública, mas vários dentre os principais dos galileus seguiam-lhes o exemplo, eu era de opinião que se fizesse uma indagação bem cuidadosa de todos os culpados, a fim de castigá-los todos juntamente, como mereciam. Estas palavras acalmaram-nos e eles se dispersaram.
Alguns dias depois, fingi ser obrigado a fazer uma pequena viagem e mandei chamar secretamente esse criado do rei, que havia ordenado pôr na prisão. Disse-lhe que procurasse embriagar o soldado que o guardava e fugisse para junto de seu senhor. Deste modo, Tiberíades, que estava pela segunda vez a ponto de perecer, foi salva por meu intermédio.
Quando estas coisas assim se passavam, Justo, filho de Pisto, foi para junto do rei, escapando, sem que eu o soubesse; esta foi a causa da fuga: no começo da guerra dos judeus contra os romanos, os de Tiberíades tinham resolvido não se revoltar contra eles e submeteram-se à obediência do rei. Mas Justo persuadiu-os a tomar as armas na esperança de que a perturbação e as mudanças dar-lhe-iam ocasião de se apoderar do governo e de se tornar senhor da Galiléia e de seu próprio país. Não obteve, no entanto, o seu desígnio, porque os galileus, anima-dos contra os de Tiberíades pela recordação dos males que deles haviam recebido antes da guerra, não quiseram tolerar a sua dominação; quando fui enviado de Jerusalém para governar a província, fiquei diversas vezes tão encolerizado contra ele por causa da sua perfídia, que pouco faltou que eu não o mandasse matar. O temor que com isso ele sentiu obrigou-o a se retirar para junto do rei, onde julgou poder viver em segurança.
Os seforitanos, que se viram contra toda esperança salvos de grande perigo, enviaram a Céstio Galo embaixadores, para lhe pedir que viesse prontamente à sua cidade, ou pelo menos mandasse tropas bastante fortes para defendê-los e impedir os ataques dos seus inimigos. Ele concedeu-lhes aquele favor e à noite, mandou-lhes tropas de infantaria e de cavalaria. Quando vim a saber que essas tropas devastavam as terras dos arredores, reuni as minhas, e fui acampar em Gerizim, distante vinte estádios de Séforis. À noite, aproximei-me das muralhas, escalei-as e meus soldados se apoderaram de uma boa parte da cidade. Mas, como eles não conheciam bem todos os lugares, fomos obrigados a nos retirar, depois de ter matado doze soldados, dois cavaleiros romanos e alguns habitantes, sem perder um único homem. Poucos dias depois travamos um combate na planície, onde depois de termos sustentado com muita coragem o ataque da cavalaria dos romanos, os meus, vendo-me rodeado pelos inimigos, ficaram assustados e fugiram; justo, um dos meus guardas e que outrora fora guarda do rei, foi morto nessa ocasião.
Sila, comandante dos guardas desse príncipe, veio em seguida com um grande número de soldados de infantaria e de cavalaria acampar a cinco estádios de juliada e deixou uma parte de suas tropas na estrada de Cana e do castelo de Gamala, para impedir que para lá se levassem víveres. Logo que vim a saber disso, mandei jeremias com dois mil homens acampar perto do Jordão, a um estádio de juliada, vendo que eles só cediam pequenas escaramuças, fui reunir-me a eles com três mil homens, coloquei no dia seguinte as forças de emboscada num vale mui perto do acampamento dos inimigos e procurei trazê-los ao combate, depois de ter dado ordem aos meus soldados de fingir uma fuga; isso deu resultado. Como Sila pensou que eles fugiam de verdade, perseguiu-os até aquele lugar e encontrou então tropas, de que nem sequer suspeitava. Mandei então que meus homens fizessem meia volta, ataquei com tal ímpeto os inimigos, que os obriguei a fugir; teria obtido sobre eles uma assinalada vitória, se a sorte não se tivesse oposto à felicidade. Meu cavalo caiu sobre mim, atirando-me a um pântano; fiquei tão ferido numa das mãos que fui obrigado a ir a uma aldeia próxima de nome Cefarnom; os meus, que me julgavam ainda mais ferido do que na verdade eu estava, ficaram tão perturbados que deixaram de perseguir os inimigos. A febre assaltou-me e depois que me medicaram, levaram-me a Tariquéia. Sila soube-o, criou ânimo e imaginando que minhas tropas estavam desprevenidas, mandou à noite, para além do Jordão, uma companhia de cavalaria, que colocou em emboscada; ao despontar do dia atacou os meus, que resistiram firmemente. Aquela cavalaria apareceu, então, atacou, dispersou-os e os pôs em fuga. Somente uns seis morreram, porque correu a voz de que nossas tropas estavam para chegar de Tariquéia e Júlia, e então os inimigos fugiram.
Pouco tempo depois, Vespasiano chegou a Tiro, acompanhado pelo rei Agripa, e os habitantes fizeram-lhe grandes queixas desse príncipe, dizendo que ele era seu inimigo e do povo romano e que Filipe, general de seu exército, tinha, por sua ordem, traído a guarnição romana de Jerusalém e os que estavam no palácio real. Vespasiano censurou-os acremente por ousarem daquele modo ultrajar a um rei amigo dos romanos e aconselhou Agripa a mandar Filipe a Roma prestar contas de suas ações. Ele partiu para esse fim; mas não se avistou com o imperador Nero, porque o encontrou nos extremos do perigo em que a guerra civil o tinha reduzido; e assim voltou para junto de Agripa.
Quando Vespasiano chegou a Ptolemaida, os principais habitantes de Decápolis acusaram Justo, perante ele, de ter incendiado suas aldeias. Vespasiano, para satisfazê-los, entregou-o ao rei, como sendo seu súdito; o soberano, sem nada lhe dizer, mandou-o para a prisão, como vimos há pouco.
Os de Séforis compareceram então à presença de Vespasiano e receberam uma guarnição dele, comandada por Plácido, ao qual eu fiz a guerra até que Vespasiano entrou na Galiléia. Escrevi mui exatamente na minha História da Guerra dos Judeus, o que se refere à vinda desse imperador; como depois do combate de Tariquéia eu me retirei a Jotapate; como, depois de aí ter estado por muito tempo cercado, caí nas mãos dos romanos; como fui em seguida libertado da prisão; e, por fim, tudo o que se passou nessa guerra e no cerco de Jerusalém. Assim, não me resta que falar do que se refere a mim em particular, que ainda não foi relatado.
Depois da tomada de Jotapate, os romanos, que me haviam aprisionado, vigiavam-me severamente; mas Vespasiano não deixava de me prestar muitas honras e desposei, por sua ordem, uma moça de Cesaréia, que era também escrava. Ela não ficou muito tempo comigo, pois quando fui libertado da prisão, segui Vespasiano a Alexandria e ela me deixou. Desposei outra na mesma cidade, de onde fui mandado, com Tito, a Jerusalém e me encontrei diversas vezes em grave perigo de vida, pois os judeus tudo faziam para me matar. Todas as vezes que a sorte das armas não era favorável aos romanos, eles diziam que era eu que os traía, e insistiam muito com Tito, que então tinha sido declarado César, que mandasse me matar. Mas como esse príncipe bem conhecia as vicissitudes da guerra, nada respondia a essas queixas. Ele me permitiu, mesmo diversas vezes depois da tomada de Jerusalém, tomar a parte que eu quisesse no que restava das ruínas do meu país. Nada, porém, era capaz de me consolar em tão grande desolação e me contentei de lhe pedir os livros sagrados e liberdade de algumas pessoas, o que ele de boa vontade me concedeu. Pedi-lhe também a liberdade de um meu irmão e de cinqüenta de meus amigos, que ele me concedeu do mesmo modo; tendo entrado, com sua licença, no Templo, lá encontrei no meio de uma grande multidão de escravos, tanto de homens como de mulheres e crianças, mais ou menos cento e noventa amigos meus, ou conhecidos, que foram todos libertados, a meu rogo, sem pagar resgate e restaurados em seu primitivo estado.
Tito mandou-me em seguida com Cerealis e mil cavaleiros a Técua, para ver se aquele lugar seria próprio para um acampamento. Ao meu regresso, soube que tinham crucificado vários escravos, dentre os quais reconheci três amigos meus. Fiquei muito sentido e fui, banhado em lágrimas, dizer a Tito o motivo de minha aflição. Ele ordenou no mesmo instante que os tirassem da cruz e que os curassem com todo o cuidado. Dois deles morreram nas mãos dos médicos, mas o terceiro sobreviveu.
Depois que Tito pôs em dia todos os problemas da Judéia e toda a região estava tranqüila, vendo que as terras que eu tinha nos arredores de Jerusalém ser-me-iam inúteis por causa das tropas romanas, que eram obrigadas a lá permanecerem, para a defesa do país, ele deu-me outras em lugares mais afastados e quando voltou a Roma, concedeu-me a honra de subir ao seu navio. Quando chegamos, Vespasiano tratou-me da melhor maneira possível. Fez-me hospedar no palácio em que ele morava antes de ser imperador, quis que fosse recebido no número dos cidadãos romanos, deu-me uma pensão, sem nada diminuir dos seus benefícios para comigo; isso causou contra mim tamanha inveja dos meus compatriotas, que me pôs em grande perigo. Um judeu chamado jônatas, tendo provocado uma rebelião em Cirene e reunido dois mil homens da região, que foram todos severamente castigados, foi mandado, atado de pés e mãos ao imperador e ele acusou-me falsamente de lhe ter fornecido armas e dinheiro; Vespasiano, porém, não acreditou na sua impostura e mandou cortar-lhe a cabeça; Deus livrou-me ainda de outras falsas acusações dos meus inimigos, e Vespasiano deu-me na Judéia uma propriedade de grande extensão.
Nesse mesmo tempo, os costumes de minha mulher se me tornaram insuportáveis; eu a repudiei, embora tivesse três filhos dela, dois dos quais haviam morrido, restando-me apenas Hircano. Desposei outra, de Creta, judia de nascimento, filha de pais nobres e muito virtuosa. Dela tive dois filhos, Justo e Simão, cognominado Agripa. Este é o estado dos meus assuntos domésticos. A isso devo acrescentar que continuei a ser sempre honrado com a benevolência dos imperadores, pois Tito não ma demonstrou menos que Vespasiano, seu pai, e jamais escutou as acusações que se faziam contra mim. O imperador Domiciano, que o sucedeu, acrescentou novos favores aos que eu já havia recebido, mandou cortar a cabeça a judeus que me haviam caluniado e castigar um escravo eunuco, pre-ceptor de meu filho, que era do seu número. Este soberano acrescentou a tantos favores um sinal de honra mui ilustre, como libertar todas as terras que eu possuía na Judéia, e a imperatriz Domícia sempre teve prazer em me obsequiar. Poder-se-á por este reduzido resumo dos fatos de minha vida imaginar quem fui eu. Quanto a vós, ó mui virtuoso Epafrodita, depois de vos ter dedicado a continuação das minhas antigüidades, não vos direi mais coisa alguma.


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