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2 de dezembro de 2013

Escatologia - Teologia 17.09 - Entre os Reformadores

Escatologia - Teologia 17.09


b) Entre os reformadores

 Durante quase toda a idade média a igreja Católica Romana teve o domínio da interpretação bíblica atribuindo a si mesma, como a única capaz de fazê-  lo corretamente:

“Pois  tudo  o  que  concerne  à  maneira  de  interpretar  a  Escritura,  está  sujeito  em  última  estância  ao  juízo  da  igreja,  que  exerce  o  mandato  e   ministério divino de guardar e interpretar a palavra de Deus”. (Bíblia Ave Maria, Constituição dogmática Dei Verbum sobre a revelação divina).

Com a reforma protestante, o método literal volta com grande força por ser este o método usado por seus líderes. Weldon E. Viertel em seu artigo   sobre os “Princípios Hermenêuticos de João Calvino”, escreve:

“Calvino doutrinava que a primeira responsabilidade de um intérprete é deixar que o autor diga aquilo que de fato diz, em vez de atribuir   a  ele  o  que  nós  pensamos  que  ele  deveria  dizer.  É  tarefa  do  intérprete  mostrar a  mente  do  escritor.  Considerou  como  sacrilégio  o  uso  da   Escritura  à  mercê  do  prazer  de  cada  um.  Ele  recusou  apresentar  seus  pontos  de  vista  teológicos  em  conjunto  com  sua  interpretação  da   Escritura. Os princípios de Calvino sobre a interpretação incluíam o sentido literal (princípio gramático-histórico) (...)”.

Sabemos que parece um pouco contraditório o fato de Calvino ser literalista e espiritualizar vários textos, principalmente escatológicos, para que seus   ensinos sejam fundamentados, porém o que nos importa é seu reconhecimento quanto ao uso indispensável do método literal.

Todo o movimento reformista aderiu ao método literal, a declaração de fé de Westminster tem o seguinte parágrafo:


“A  regra  infalível  de  interpretação  da  Escritura  é  a  mesma  Escritura;  portanto,  quando  houver  questão  sobre  o  verdadeiro  e  pleno   sentido  de  qualquer  texto  da  Escritura  (sentido  que  não  é  múltiplo,  mas  único),  esse  texto  pode  ser  estudado  e  compreendido  por  outros   textos que falem mais claramente”.  


Este foi incluído também, na declaração de fé Batista de 1689.

Paulo R. B. Anglaba em seu artigo faz comentário sobre o rompimento com o alegorismo medieval:

John Colet (1467-1519) foi um dos primeiros reformadores a romper com o método alegórico medieval, ao expor em 1496, em Oxford, as   cartas do apóstolo Paulo em seu sentido literal e no seu contexto histórico.  Três anos depois, em 1499, ele já sustentava o princípio de que as   Escrituras não podem ter senão um único significado: o mais simples.  

Lutero também rejeitou a interpretação alegórica. Defendeu que ‘‘nós devemos nos ater ao sentido simples, puro e natural das palavras,   como requerido pela gramática e pelo uso do idioma criado por Deus entre os homens.’’

Quanto a Calvino, sua aversão à interpretação alegórica era de tal ordem que ele chegou a afirmar ser satânica, por desviar o homem da   verdade das Escrituras. ‘‘É uma audácia próxima do sacrilégio’’, escreveu ele, ‘‘usar as Escrituras ao nosso bel-prazer e brincar com elas como   com uma bola de tênis, como muitos antes de nós o fizeram’’.   

Muitos outros nomes poderiam ser citados, porém os destacados falam por todo o grupo, que mesmo divergindo em questões doutrinárias tinham   comum parecer quanto ao método de interpretação.

A conclusão que chegamos, tendo em vista que a igreja moderna e a contemporânea seguiram os passos da reformada quanto à hermenêutica, é que não há   outro método de interpretar a palavra de Deus, que não seja o de respeitar e não deturpar o seu sentido original, ou seja, levar em consideração aquilo que o   escritor realmente queria dizer. O fato é que na escatologia lidamos com textos de difícil elucidação, no entanto não temos o direito de dar-lhe outro sentido
apenas baseando-se em nossos pensamentos e raciocínios e é justamente o que tem acontecido em nossos dias. Sobre os que brincam com o sentido das   Escrituras, Teodoro de Mopsuéstia disse “agem como se toda a narrativa histórica da Escritura divina de nenhum modo diferisse de sonhos à noite”.




Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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