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14 de maio de 2018

História Do Cristianismo - Teologia 32.43 - 5 Nono e décima perseguições gerais (274-306) - DECADÊNCIA ESPIRITUAL DOS CRISTÃOS

História Do Cristianismo - Teologia 32.43



5 Nono e décima perseguições gerais
(274-306)

DECADÊNCIA ESPIRITUAL DOS CRISTÃOS

Depois dum descanso de uns vinte e oito anos, tornou a mesquinha mão do homem a estender-se para continuar a perseguição, e o imperador fez o último e desesperado es­forço para exterminar a religião tão odiada. Historicamen­te, foi este o último e decisivo conflito entre o paganismo e o cristianismo. Durou dez anos, e foi sem dúvida a mais desoladora de todas as perseguições. A segurança tranqüi­la, que a Igreja desfrutara desde a morte de Aureliano ti­nha produzido uma tal inação nos cristãos, que a sua con­dição levantou um certo sentimento de vergonha no cora­ção de muitos, misturado com o receio de que o desagrado do Senhor estivesse pendente sobre as suas cabeças. Em conseqüência da sua infidelidade, a Igreja tinha diminuído muito em poder espiritual, mas tinha aumentado em so­berba e ambição mundana; e a simplicidade de seu culto quase se ofuscou por ritos mais judaicos que cristãos.
E isto ainda não era tudo. Muitos empregavam os seus dons espirituais em ostentação em vez de os empregarem em edificação; e aqueles que tinham o privilégio de poder alimentar o rebanho de Deus, descuravam o seu encargo sagrado e ocupavam-se na acumulação de riquezas. Os bis­pos, cujo verdadeiro dever era servir ao povo e trabalhar pessoalmente entre os pobres e os doentes, tornavam-se numa grande ordem sacerdotal, e procediam como "tendo domínio sobre a herança de Deus". Estes tinham emprega­dos às suas ordens e já não seguiam a hospitalidade de que Paulo falara como sendo uma qualidade indispensável aos bispos, mas recebiam um salário, tornando-se dependen­tes dos ganhos alheios.
Antes de ter passado um século, ouviu-se um pagão di­zer: "Façam-me bispo de Roma, que eu logo me tornarei cristão".
Na verdade, a distinção entre o clero e os leigos proce­dia deste sistema de tirania espiritual; e daqui provinham por sua vez, aqueles medonhos abusos da Idade Média, que mais tarde foram condenados em parte (se bem que por razões políticas) pelo arrogante e ousado Hildebrando, quando subiu à cadeira papal.
Além disso, a paz inteira das assembléias era constan­temente perturbada pelas discussões. Havia contínuas dis­putas entre os bispos e os presbíteros, por causa das altivas pretensões dos primeiros, que exigiam superioridade na igreja, superioridade esta que os últimos não queriam de modo algum conceder. Nos primeiros tempos do cristianis­mo aqueles dois títulos haviam sido considerados iguais, e só perto do fim do segundo século é que o costume conse­guiu colocar um acima do outro. A controvérsia foi longa e amarga, e enquanto os pastores assim lutavam uns com os outros, as ovelhas morriam de fome, e os lobos daninhos estavam-se introduzindo no meio delas, não poupando o rebanho.

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