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11 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.213 (Livro 15 Cap 12) AJUDÉIA É AMARGURADA POR ENORMES MALES, PARTICULARMENTE POR UMA VIOLENTA PESTE E UMA GRANDE CARESTIA. CUIDADOS E LIBERALIDADES INCRÍVEIS DE HERODES PARA REMEDIAR OS GRAVES INCONVENIENTES. RECONQUISTA DESSE MODO Â AFETO DO POVO E RESTAURA A ABUNDÂNCIA. SOBERBO PALÁCIO QUE ELE CONSTRÓI EM JERUSALÉM. DESPOSA AFILHA DE SIMÃO, QUE ELE CONSTITUI SUMO SACERDOTE. OUTRO SOBERBO CASTELO QUE ELE CONSTRÓI NO LUGAR ONDE OUTRORA VENCERA OS JUDEUS.

História De Israel – Teologia 31.213

 
CAPÍTULO 12

AJUDÉIA É AMARGURADA POR ENORMES MALES, PARTICULARMENTE POR UMA VIOLENTA PESTE E UMA GRANDE CARESTIA. CUIDADOS E LIBERALIDADES
INCRÍVEIS DE HERODES PARA REMEDIAR OS GRAVES INCONVENIENTES.
RECONQUISTA DESSE MODO Â AFETO DO POVO E RESTAURA A ABUNDÂNCIA.
SOBERBO PALÁCIO QUE ELE CONSTRÓI EM JERUSALÉM. DESPOSA AFILHA DE
SIMÃO, QUE ELE CONSTITUI SUMO SACERDOTE. OUTRO SOBERBO CASTELO QUE
ELE CONSTRÓI NO LUGAR ONDE OUTRORA VENCERA OS JUDEUS.

663. Naquele mesmo ano, que era o décimo terceiro do reinado de Herodes, a Judéia foi torturada por grandíssimos males, por uma vingança de Deus ou por algum dos funestos acidentes que de tempos em tempos sucedem no mundo. Começou por uma prolongada seca, e a terra não dava mais os frutos que produz naturalmente, sem que se cultive. A necessidade obrigou o povo a sustentar a vida com um alimento que antes lhes era desconhecido, e contraíram assim graves doenças. E ainda, por uma concatenação de males que se sucediam uns aos outros, sobreveio uma violenta peste.
Esse terrível flagelo aumentava, porque os que eram por ela atacados não tinham assistência nem alimento. Muitos morriam logo, e o desespero por não terem recursos e não poderem auxiliar os enfermos tirava aos que não haviam sido contaminados a coragem de prestar aos seus semelhantes cuidados que lhes seriam inúteis. Todos os frutos dos anos precedentes haviam sido consumidos. Naquele ano, nada se colhera, e inutilmente se teria semeado a terra, porque estava tão árida e seca que deixava morrer em seu seio as sementes lançadas. Como aquilo continuasse por mais de um ano, o mal crescia sempre, em vez de diminuir.
Em tal desolação, a riqueza de Herodes, por maior que fosse, não seria bastante, pois a esterilidade da terra lhe impedia de receber os tributos, e ele havia empregado enormes somas na construção de cidades e fortalezas. Sem esperança de socorro, ele via unir-se a tantos males o ódio de seus súditos contra ele, porque é costume dos povos lançar sobre os governantes a culpa dos males que sofrem. Ele procurava sem cessar o remédio para aliviá-los, mas inutilmente, pois os vizinhos também estavam angustiados pela fome e não lhe podiam vender trigo. Ele tampouco tinha dinheiro suficiente para repartir com uma multidão tão grande e tão necessitada de auxílio. Por fim, convencido de que tinha de fazer algo em tal conjuntura, mandou fundir tudo o que havia de ouro e prata, sem mesmo poupar as obras dos mais célebres artistas. Com isso, reuniu uma grande soma e enviou-a ao Egito, onde Petrônio governava, no lugar de Augusto.
O governador era solicitado com insistência por muitos outros, atingidos também por semelhante desgraça, que a ele recorriam. Mas, como era muito amigo de Herodes, concedeu-lhe, em consideração aos seus súditos, uma partida de trigo, dando-lhe preferência a todos os outros. Ele próprio ajudou-os a realizar a compra e o transporte e assim contribuiu mais do que ninguém para a salvação de nossa gente. A gratidão por se ver aliviado e socorrido em sua miséria pelos extremos cuidados do rei não somente fez o povo esquecer o ódio que lhe tinha, mas o levou a tecer os elogios que a sua bondade merecia. Ele distribuiu o trigo primeiro aos que podiam fazer o pão e enviou padeiros àqueles que, pela velhice ou pela doença, não o podiam fazer. Ajudou-os também contra o rigor do inverno, dando-lhes vestes, de que tinham também grande necessidade, pois o gado morrera quase todo, e eles não tinham lã nem outras coisas de que se servir.
Depois de atender às necessidades de seus súditos, Herodes levou os seus cuidados às cidades da Síria, vizinhas da Judéia. Deu-lhes trigo para semear e não obteve para si menor vantagem que eles, pois a terra produziu em tal abundância o trigo semeado que a fartura voltou. E, quando veio o tempo da messe, ele enviou cinqüenta mil homens, aos quais salvara a vida, para fazer a ceifa. Assim, ele foi não só benfeitor de seu reino, pela sua vigilância e proceder, mas também de seus vizinhos, que não recorreram a ele inutilmente, mas receberam o que precisavam. Ele calculou haver fornecido aos estrangeiros dez mil coros de trigo, contendo cada coro dez medidas áticas. O que ele distribuiu no seu reino montava a oitenta mil coros.
Tantos cuidados e favores realizados em favor do povo numa tão premente necessidade fizeram-no admirado por todo o mundo. Ele ganhou de tal modo o coração de todos que a gratidão pelos favores recentes os fez esquecer o ódio causado pelas modificações qtie ele havia introduzido no reino e na observância dos antigos costumes. Julgaram que aquele mal fora compensado pelos grandes bens que haviam recebido de sua maravilhosa liberalidade, no tempo em que ela lhes foi tão necessária. Não foi menor a glória que ele conquistou também perante os estrangeiros. Assim, tantos males só serviram para tornar o seu nome ainda mais ilustre. Os sofrimentos do povo aumentaram, em seu reino, a sua fama. A gratidão pelos benefícios e a extraordinária bondade que ele demonstrou em tão dura provação, mesmo para com os que não eram seus súditos, fizeram-no ser considerado no exterior não como antes, mas tal como o haviam conhecido naquela extrema necessidade.
664.  O generoso soberano, ainda para demonstrar o seu afeto por Augusto, mandou ao mesmo tempo quinhentos dos mais valentes de seus guardas a Hélio Galo, ao qual prestaram grandes serviços na guerra que ele fazia na Arábia, perto do mar Vermelho. E, depois de haver restaurado a prosperidade em seu território, mandou construir no lugar mais elevado da cidade de Jerusalém um grande e soberbo palácio, resplandecente de ouro e de mármore, onde, entre os magníficos aposen-tos que lá se viam, havia um com o nome de Augusto e outro com o de Agripa.
665.  Ele pensou então em casar-se novamente e, como não procurava prazer nesse ato, quis escolher uma pessoa em quem pudesse depositar todo o seu afeto. Assim, recebeu uma jovem apenas por amor, do modo que vou narrar. Simão, filho de Boeto, Alexandrino de família nobre e que era sacerdote, tinha uma filha de tão extraordinária beleza que só se falava disso em Jerusalém. A notícia chegou até Herodes, e ele quis vê-la. Jamais houve amor maior à primeira vista que o que ele sentiu por ela. Mas julgou que não devia usar de seu poder, tomando-a, como teria podido fazer, para não passar por tirano. Pensou que devia desposá-la. E, como Simão não era de posição bastante nobre para tal aliança e nem tampouco de condição desprezível, elevou-o então, para torná-lo mais ilustre: tirou o sumo sacerdócio de Jesus, filho de Fabete, e entregou-a a ele, desposando-lhe depois a filha.
666.  Logo após as núpcias, ele construiu, a sessenta estádios de Jerusalém, um magnífico castelo, no lugar onde outrora tinha vencido os judeus, quando Antígono lhe fazia guerra. A localização era muito vantajosa, pois trata-se de um pequeno monte arredondado, muito forte e agradável. Ele embelezou-o e o fortificou ainda mais. O castelo era rodeado de torres às quais se subia por duzentos degraus de pedra. Havia no interior soberbos aposentos, porque Herodes não media despesas para unir a beleza à força. A seus pés, havia diversos e vistosos edifícios, particularmente ricos pela quantidade de lagos e de tanques, cujas águas eram trazidas de longe por aquedutos. Os campos das redondezas estavam tão cheios de casas que poderiam formar uma boa cidade, da qual aquele magnífico castelo construído sobre o monte seria a fortaleza, dominando tudo o mais.
667.  Quando deu por terminadas todas essas obras, Herodes não teve mais receios de revoltas em seu território. O temor do castigo, do qual não excetuava ninguém, mantinha os súditos no cumprimento do dever. A liberalidade com que cuidava das necessidades públicas granjeava-lhe o afeto e a solicitude, os quais empregava para se fortificar cada vez mais. E, como a sua conservação particular fosse a mesma do reino, ela o punha em absoluta segurança. Ele tornou-se popular em todas as cidades, mostrando-lhes muita bondade. E, como era de alma elevada, sabia também ganhar-lhes a estima nas adversidades com a magnificência e o coração dos grandes. Assim, ele tornou-se querido a todos, e a sua prosperidade crescia cada vez mais.
668. A paixão de tornar célebre o seu nome e de cultivar a amizade de Augusto e dos romanos mais poderosos, porém, levou-o a se descuidar da observância dos nossos costumes e a violar em muitos pontos as nossas santas leis. Ele construiu em sua própria honra cidades e Templos, mas não na judéia, porque a nossa nação jamais o teria permitido, sendo coisa abominável entre nós reverenciar imagens e estátuas, como fazem os gregos. Ele alegava, como desculpa para essas obras sacrílegas, que não o fazia voluntariamente, mas para homenagear àqueles aos quais não podia desobedecer. Herodes ganhava por esse meio o afeto de Augusto e dos romanos, os quais viam que, para agradá-los, ele não temia contrariar os costumes de seu país. O benefício particular e o ardente desejo de eternizar a sua memória eram, contudo, o principal motivo de ele gastar tão prodigiosas somas na construção e embelezamento dessas cidades.


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