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23 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.238 (Livro 17 Cap 6) HERODES DESCOBRE A CONSPIRAÇÃO FEITA POR ANTÍPATRO, SEU FILHO, PARA ENVENENÁ-LO.

História De Israel – Teologia 31.238

 
CAPÍTULO 6

HERODES DESCOBRE A CONSPIRAÇÃO FEITA POR ANTÍPATRO, SEU FILHO, PARA
ENVENENÁ-LO.

731. Dois traconítidas, libertos de Feroras, aos quais muito ele estimava, foram depois de sua morte procurar Herodes, para rogar-lhe que não a deixasse impune, mas fizesse uma cuidadosa indagação, para descobrir quem lhe era o causador e o culpado. Herodes escutou-os atentamente e mostrou acreditar em suas palavras; eles disseram-lhe que seu amo tinha ceado em casa de sua mulher, no dia em que a doença se manifestou, pois tinha-lhe dado veneno, misturando com certa bebida, que, apenas ele sorveu, sentiu-se mal; esse veneno tinha sido levado por uma mulher árabe, que dissera não ter ele outro efeito, que despertar o amor, embora fosse, ao contrário, um poderoso veneno; entre aquelas mulheres árabes, que são grandes envenenadoras, principalmente a que era acusada, tinha grande familiaridade com a mulher que Silleu mantinha. A mãe e a irmã da mulher de Feroras, tinham ido procurar essa mulher, para comprar-lhe aquele veneno e haviam-no trazido no dia anterior, ao em que fizeram Feroras beber aquele líquido mortal. Esta comunicação despertou tão grande cólera em Herodes, que ele mandou torturar as mulheres, tanto escravas como livres, da mãe e da irmã da mulher de Feroras. Nada elas confessaram; uma delas, porém, por fim, vencida pela violência das dores, disse que rogava a Deus que a mãe de Antípatro sofresse os mesmos tormentos, pois ela era causa dos que todas sofriam. Esta confissão fez Herodes empregar indagações ainda mais cuidadosas, para descobrir a verdade. Tanto fez atormentar aquelas mulheres, que soube delas tudo o que se havia passado: as refeições, as reuniões secretas, e as coisas mesmo que ele havia dito somente a Antipatro e que Antipatro tinha confiado àquelas mulheres. Elas acrescentaram que ele lhes havia dado cem talentos, para não falarem a Feroras, das obras que ele tinha recebido do rei, seu pai; que tinha por ele um grande ódio, que ele se queixava freqüentemente à sua mãe, por ele viver tanto tempo, pois ele mesmo estava ficando velho, e herdaria tão tarde a coroa, que muito mal poderia dela gozar; que seu pai tinha outros filhos e netos, que ele não podia mesmo esperar ter o reino com plena segurança; e se ele viesse a faltar, não seria seu filho, mas um de seus irmãos, que Herodes teria destinado para sucedê-lo. Essas mulheres disseram também que ele falava freqüentemente da crueldade de Herodes, dizendo que ele não tinha poupado nem mesmo seus próprios filhos, e que aquilo o fizera ir a Roma, e Feroras retirar-se à sua tetrarquia. Como todas essas coisas se referiam aos avisos que Herodes tinha recebido de Salomé, ele não pôs dificuldade em prestar-lhes inteira fé. Prendeu Doris, mãe de Antipatro, como culpada de ter tido parte nessa conjuração, tirou-lhe todas as jóias e pedras preciosas de grandíssimo valor, que lhe havia dado e a expulsou do palácio. Quanto às outras mulheres que eram da família de Herodes, acalmou-se e não as castigou porque confessaram tudo. Nada, porém, o irritou tanto contra Antipatro, como o que ele soube de um samaritano, seu intendente, que também se chamava Antipatro. Esse homem confessou, entre outras coisas, à tortura, que seu amo havia entregado a Feroras um veneno mortal, para dá-lo de presente ao rei, em sua ausência, a fim de que não o pudessem acusar. Que aquele veneno tinha sido trazido do Egito por AntiFílon, amigo de Antipatro, e que Teudiom, seu tio, irmão de Doris, sua mãe, tinha trazido a Feroras, que o havia confiado à sua mulher, para guardá-lo. Herodes mandou imediatamente interrogar a viúva de Feroras, sobre estas informações. Ela confessou que tinha o veneno e correu, como para ir buscá-lo. Mas em vez trazê-lo ela atirou-se de uma janela alta, de uma galeria do palácio; no entanto, não morreu, porque caiu de pé. Depois de ter voltado a si, o rei prometeu perdoá-la, e a toda família, contanto que lhe declarasse a verdade; e ameaçou-a, ao contrário, fazê-la sofrer toda sorte de tormentos se se obstinasse em ocultar-lhe o que sabia. Ela protestou com juramento que nada lhe esconderia, e a persuasão comum foi que ela procedeu sinceramente: "AntiFílon", disse ela, "Majestade, trouxe este veneno do Egito, onde ele foi preparado por seu irmão, que é médico; Antipatro, filho de vossa majestade, comprou para dele se servir contra vossa majestade e Teudiom levou-oa Feroras, que me deu para guardá-lo. Meu marido, depois, caiudoente, ficou tão comovido com a afeição que vossa majestade lhe demonstrava, vindo vê-lo, que me mandou chamar e me disse: Minha esposa, eu me deixei enganar por Antípatro, quando ele me confiou seu desígnio, de envenenar seu pai. Mas agora que eu vejo que o rei nada diminui no afeto fraterno, que sempre me demonstrou e como se aproxima o fim de minha vida, não quero levar para o outro mundo a alma manchada pelo crime de ter tomado parte numa conspiração, de fazer morrer o rei, meu irmão. Por isso rogo-te que queimes esse veneno, na minha presença. Assim ele me falou e eu fui logo buscar o veneno e o queimei na sua presença, com exceção de uma pequena parte, que eu guardei pra me servir dele se depois de sua morte vossa majestade me quisesse tratar com o mesmo rigor." Dizendo isso mostrou a Herodes o resto do veneno e a caixa na qual estava guardado. O irmão de AntiFílon e sua mãe confessaram, ante os tormen-tos, a mesma coisa e reconheceram a caixa. Acusaram também uma das mulheres do rei, filha do sumo sacerdote, de ter tomado parte nesta conspiração, mas ela nada confessou. Herodes repudiou-a, riscou do seu testamento a Herodes, o filho que dela tivera e que tinha citado como seu sucessor ao trono, no caso de Antípatro morrer antes dele, tirou o sumo sacerdócio de Simão, seu pai e seu sogro e confiou Matias, filho de TeóFílon.
No entanto, Batilo, liberto de Antípatro, veio de Roma e o submeteram ao interrogatório com torturas; ele confessou que tinha levado veneno para entregá-lo à mãe de Antípatro e a Feroras, a fim de que, se o primeiro que se desse ao rei não surtisse efeito, ministrassem-lhe o segundo. Entregaram ao mesmo tempo a Herodes umas cartas que seus amigos, que estavam em Roma, lhe haviam escrito a pedido de Antípatro, que os havia ganho por grandes presentes. Essas cartas diziam quer Arquelau e Filipe, seus filhos, acusavam-no freqüentemente da morte de Alexandre e de Aristóbulo, seus irmãos; de que eles mostravam estar sensivelmente tristes e que eles julgavam que não os mandariam voltar de Roma para a Judéia, para tratá-los como os outros haviam sido tratados. Antípatro, por seu lado, escreveu ao rei sobre seu assunto, como para desculpá-los, dizendo que se devia perdoar à sua mocidade e durante sua permanência junto de Augusto, ele continuou sempre a trabalhar para ganhar o afeto dos mais ilustres da sua corte, aos quais deu presentes, para mais de duzentos talentos. A esse respeito parece que há motivo de se admirar, de que durante sete meses em que ele ficou em Roma, nada soubesse do que se passava na judéia. Mas além de se guardarem cuidadosamente todas as passagens para impedir que ele pudesse saber notícias, o ódio que lhe votavam era tão grande, que não havia ninguém que quisesse se arriscar por amor dele.


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