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26 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.244 (Livro 17 Cap 12) GRANDE REVOLTA NA JUDÉIA, ENQUANTO ARQUEIAU ESTAVA EM ROMA. VARO, GOVERNADOR DA SÍRIA, REPRIME-A. FILIPE, IRMÃO DE ARQUEIAU, VAI TAMBÉM A ROMA, NA ESPERANÇA DE OBTER UMA PARTE DO REINO. OS JUDEUS MANDAM EMBAIXADORES A AUGUSTO PARA PEDIR-LHE QUE OS DISPENSE DE OBEDECER AOS REIS E QUE OS REÚNA À SÍRIA. FALAM-LHE CONTRA ARQUELAU E CONTRA A MEMÓRIA DE HERODES.

História De Israel – Teologia 31.244

 
CAPÍTULO 12

GRANDE REVOLTA NA JUDÉIA, ENQUANTO ARQUEIAU ESTAVA EM ROMA.
VARO, GOVERNADOR DA SÍRIA, REPRIME-A. FILIPE, IRMÃO DE ARQUEIAU,
VAI TAMBÉM A ROMA, NA ESPERANÇA DE OBTER UMA PARTE DO REINO.
OS JUDEUS MANDAM EMBAIXADORES A AUGUSTO PARA PEDIR-LHE QUE OS
DISPENSE DE OBEDECER AOS REIS E QUE OS REÚNA À SÍRIA. FALAM-LHE
CONTRA ARQUELAU E CONTRA A MEMÓRIA DE HERODES.

749.  Antes de Augusto dar por terminado este assunto, Maltacé, mãe de Arqueiau, caiu doente e morreu. Augusto soube por cartas de Varo, governador da Síria, que depois da partida de Arqueiau haviam surgido grandes perturbações na judéia; que ele para lá tinha ido logo, com suas tropas, que tinha feito castigar todos usar autores, e depois de ter dominado quase totalmente a sedição, tinha voltado a Antioquia. Essas cartas acrescentaram que ele tinha deixado uma legião em Jerusalém, para impedir que ainda se pudessem revoltar.
750. Assim, parecia que nada mais havia a temer, mas aconteceu justamente o contrário. Sabino, vendo-se fortalecido com tropas enviadas por Varo, procurou tornar-se senhor das fortalezas; não houve que sua incrível avareza o não fizesse empreender, para encontrar o dinheiro deixado por Herodes. Os judeus ficaram muito irritados; a festa de Pentecostes aproximava-se e eles vieram em grande número, de todos os lugares, não somente da Judéia, mas da Galiléia, da Iduméia, de Jerico e de além do Jordão, pelo desejo de se vingar Sabino, bem como por seu sentimento de piedade. Dividiram-se em três corpos, um dos quais ocupou o hipódromo, outro sitiou o Templo, dos lados do norte e do oriente; e o terceiro sitiou-o, do lado do ocidente, onde estava o palácio real. Rodearam assim os romanos de todos os lados e se preparavam para atacá-los. Sabino, atônito por vê-los tão animados e resolvidos a morrer ou a executar o seu empreendimento, escreveu a Varo pedido-lhe que viesse com urgência, para socorrer a legião que ele lá havia deixado, que, de outro modo, corria risco de ser inteiramente dizimada. Ele subiu depois à torre mais alta do castelo que Herodes tinha construído e à qual tinha dado o nome de Fazaela, em nome de Fazael, seu irmão, morto pelos partos, de onde fez sinal com a mão aos romanos, que dessem um ataque contra os judeus, querendo assim que, ao mesmo tempo em que ele não ousava confiar nos amigos, os outros se expusessem ao perigo em que sua avareza os havia lançado. Os romanos atacaram; o combate foi acirrado e vários judeus foram mortos. Mas essa perda não enfraqueceu o seu ardor. Uma parte subiu sobre os pórticos da última muralha do Templo, de onde lançaram uma grande quantidade de pedras sobre os romanos, uns com a mão, outros com fundas, outros atiraram também contra eles uma chuva de flechas e dardos; os que os romanos lhes lançavam de baixo, não chegavam a atingi-los. O combate durou assim, por muito tempo; por fim os romanos, não podendo mais tolerar que seus inimigos tivessem tal vantagem sobre eles, puseram fogo ao pórtico, sem que eles o percebessem e lançaram-lhe ainda grande quantidade de madeira. As chamas subiram logo até o telhado e como lá havia grande quantidade de piche, e de cera, com que se haviam fixado os ornamentos e as douraduras, ele incendiou-se facilmente. Aquelas soberbas cornijas ficaram logo reduzidas a cinzas e os que estavam em cima, surpreendidos pelo fogo, pereceram todos. Uns caíram de cima do teto, outros foram mortos pelos dardos que os romanos lhes lançavam, alguns, assustados pelo perigo e levados pelo desespero mataram-se ou se precipitaram nas chamas, e os que para se salvar queriam descer por onde haviam subido caíram nas mãos dos romanos que os mataram com grande facilidade, porque, não estando armados, sua coragem, por maior que fosse, tornava-lhe a resistência de todo inútil. Assim, nem um só conseguiu escapar, de todos quantos haviam subido ao teto do Templo. Os romanos então, apertando-se, passaram pelas chamas, para ir até onde o dinheiro consagrado por Deus estava guardado. Os soldados levaram-lhe uma parte e sabino parece ter recebido apenas quatrocentos talentos. Esse roubo do tesouro sagrado e a morte de vários dos mais ilustres judeus que pereceram naquele combate, deixaram os outros muito aflitos, mas não os fizeram perder a coragem. Um corpo dos mais valentes cercou o palácio real, ameaçou incendiá-lo e matar todos os que lá estavam, se não saíssem imediatamente; prometeu-lhes, se se retirassem, não lhes fazer mal algum, nem a Sabino, nem aos que estavam com ele, entre os quais, a maior parte dos gentis-homens da corte e Rufo e Grato que comandavam três mil homens dos mais valorosos soldados do exército de Herodes, cuja cavalaria obedecia a Rufo, que tinha também abraçado e fortificado de muito, o partido dos romanos. Os judeus prosseguindo sua empresa com grande ardor solaparam os muros e exortaram ao mesmo tempo os romanos a não se expor mais em seu intento de recobrar a liberdade. Sabino ter-se-ia retirado de boa vontade com os soldados que tinha consigo, mas, o mal que ele tinha feito aos judeus, impedia-lhe confiar em sua palavra; condições tão vantajosas eram-lhe suspeitas e ele esperava o socorro de Varo.
751. Estando as coisas neste pé, em Jerusalém, houve ainda diversos movimentos de agitação, em vários outros lugares da Judéia; uns a isso eram levados pela esperança do lucro, outros, pelo desejo de vingança.
Dois mil dos melhores homens que Herodes tivera, e que foram licenciados, reuniram-se e foram atacar as tropas do rei, comandadas por Aquiabe, sobrinho de Herodes; mas como eram todos velhos soldados e muito experimentados Aquiabe não ousou enfrentá-los no campo e retirou-se com os seus a dois lugares fortes e de difícil acesso.
Por outro lado judas, filho de Ezequias, chefe dos ladrões que Herodes outro-ra tinha trucidado com grande dificuldade, reuniu perto da cidade de Séforis, na Caliléia, um numeroso grupo de homens e entrou nas terras do rei, apoderou-se do arsenal, armou os seus, apanhou todo o dinheiro desse príncipe, que encontrou nos lugares vizinhos, saqueou tudo o que encontrou, tornou-se temível a todo o país; sua audácia o levava mesmo a aspirar à coroa, não que ele julgasse ter as qualidades que o poderiam elevar ao supremo cargo de honra, mas por-que a licença de fazer o mal, dava-lhe a liberdade de tudo empreender.
Um certo Simão, de que Herodes outrora tinham usado para assuntos importantes e cuja força, tamanho e boa aparência faziam sobressair entre os outros, teve a coragem de pôr a coroa na própria cabeça. Não somente um grande número de gente seguiu-o, mas a loucura do povo, levou-o a saudá-lo como rei e ele tinha tão boa opinião de si mesmo, que se persuadiu de que nenhum outro melhor do que ele merecia mesmo sê-lo. A primeira coisa que fez foi pôr fogo no palácio real de Jerico. Queimou depois vários outros, cujas riquezas deu aos seus, e estava para empreender coisas importantes, quando apareceram os obstáculos. Grato, que comandava as tropas do rei e que, como vimos, se havia juntado aos romanos, veio contra ele e depois de um grande combate onde os de Simão mostraram muito mais coragem do que ordem e ciência na guerra, foram derrotados e ele mesmo, foi aprisionado num lugar estreito, por onde pensava poder salvar-se e Grato fez cortar-lhe a cabeça.
Um grupo de outros homens, semelhante a este, que tinha seguido a Simão, queimou também nesse mesmo tempo o palácio real de Amata, situado nas margens do Jordão e via-se reinar então tal furor em toda a Judéia, quer pela falta do rei, cuja virtude mantivesse o povo dentro do seu dever, quer porque os romanos, em vez de apaziguar e acalmar o mal, reprimindo os sediciosos, os irritavam ainda mais, com sua maneira insolente de agir e por sua insaciável ambição e avareza.
Um certo Atronjo, cuja origem era tão baixa, que ele tinha sido antes um simples pastor e tinha por único mérito ser muito forte e muito grande de corpo, chegou ao cúmulo do atrevimento, de querer também fazer-se rei e comprar com preço da própria vida, o poder de fazer mal a todos. Ele tinha quatro irmãos, grandes e valentes como ele, que comandavam também um grupo de soldados e se persuadiam de que, para se chegar ao poder, era suficiente ter a coragem de tudo empreender. Uma grande multidão de gente se uniu a esses cinco irmãos e Atronjo servia-se de seus irmãos como de seus lugar-tenentes para fazer incursões de todos os lados enquanto ele com a coroa na cabeça orientava os negócios e dava as ordens com soberana autoridade. Assim, ficou por muito tempo nessa condição e podia-se dizer de algum modo que ele não tinha em vão o nome de rei, pois tudo o que ele ordenava era feito e executado. Seus maiores esforços foram contra os romanos e contra as tropas do rei, que igualmente ele odiava, uns por causa dos males que faziam, outros por causa do que haviam feito, sob o reinado de Herodes. Matou a muitos e fazia-lhes dia a dia uma guerra mais cruel, quer pela esperança de enriquecer, quer porque as vantagens que obtinha sobre eles inflamava-lhe a coragem. Um grupo de romanos que levavam trigos e armas ao campo, tendo caído numa emboscada que ele lhes armara perto de Emaús, aquele que os comandava e quarenta dos mais valentes, foram mortos a flechadas e o resto, julgava-se perdido, quando Grato sobreveio com tropas do rei e os salvou; mas os mortos ficaram em poder dos revoltosos. Os cinco irmãos continuaram por muito tempo a incomodar, desse modo, aos romanos, em diversos combates e a aumentar os males de sua própria nação. Mas, por fim, um deles foi vencido e preso por Grato e um outro foi preso por Ptolomeu. Atronjo caiu também depois em poder de Arquelau e algum tempo depois, o último de todos, assustado com a desgraça de seus irmãos, não tendo mais esperança de salvação porque o cansaço e as doenças tinham arruinado seus soldados, entregou-se, sob palavra, ao tio de Arquelau.
Em tão estranha confusão, que enchia toda a Judéia de latrocínio, apenas alguém podia ajuntar um grupo de sediciosos, tomava logo o nome de rei. O país estava estraçalhado, e a menor parte do mal caiu sobre os romanos, porque os judeus, em vez de se reunir, para juntos voltarem contra eles suas armas, dividiam-se entre esses sediciosos e matavam-se uns aos outros.
752. Varo, apenas soube pelas cartas de Sabino o que se passava e o perigo que corria a legião sitiada em Jerusalém, tomou as outras que estavam na Síria, com quatro companhias de cavalaria e as tropas auxiliares que ele tirou dos reis e tetrarcas, para ir urgentemente em socorro dos seus e marcou o encontro de todas as suas tropas em Tolemaida. Os de Berita aumentaram-nas com mil e quinhentos homens, quando passaram pela sua cidade; Aretas, rei de Petra, que pelo ódio que tinha a Herodes, tinha feito aliança com os romanos, mandou-lhe também um corpo considerável de cavalaria e de infantaria. Depois que Varo reuniu assim em Tolemaida, todo o seu exército, deu uma parte dele ao seu filho, ajudado por um de seus amigos, com ordem de entrar na Galiléia, que está perto de Tolemaida. Ele cumpriu essa ordem, pôs em fuga todos os que quiseram oferecer resistência, tomou a cidade de Séforis, vendeu em leilão todos os seus habitantes, incendiou-a e a reduziu a cinzas. Varo, por outro lado marchou em pessoa para Samaria com o resto do exército, sem nada empreender contra aquela cidade, porque ela não tomara parte na revolta e acampou numa aldeia chamada Aro, que pertencia a Ptolomeu. Os árabes incendiaram-na, porque seu ódio por Herodes era tão grande que se estendia até aos seus amigos. O exército avançou depois para Safo e embora a praça fosse forte, os árabes a tomaram, saquearam-na e a incendiaram como as outras. Não perdoaram a nada do que encontraram no seu caminho e passaram tudo a ferro e fogo. Quanto à cidade de Emaús que os habitantes tinham abandonado, foi por ordem de Varo incendiada, como vingança, porque vários romanos lá haviam sido mortos. Logo que os judeus que cercavam a legião romana souberam que Varo se aproximava com seu exército, levantaram o cerco e então os sitiados, os maiorais da cidade e José, neto do rei Herodes, compareceram à sua presença; mas Sabino retirou-se secretamente para o mar. Varo repreendeu severamente os habitantes de Jerusalém e eles desculparam-se, protestando que de nenhum modo haviam participado do empreendimento, mas que tudo fora feito pelo povo que tinha vindo de todas as partes para a solenidade da festa; e muito ao contrário, em vez de terem eles sitiado os romanos, eles mesmos haviam sido cercados por esse grande número de estrangeiros.
Varo mandou em seguida uma parte de seu exército para uma cuidadosa indagação em todo o reino procurando os autores da revolta; dois mil foram crucificados e aos demais ele deixou livres. Como ele julgava não haver mais necessidade de tropas e estava desgostoso com os males, que o desejo de enriquecer tinha levado as suas a proceder contra suas ordens, ele as queria mandar de volta, quando soube que dez mil judeus se haviam reunido. Marchou rapidamente para dar-lhes combate, mas eles não ousaram esperar e se entregaram a Aquiabe. Varo contentou-se de mandar os chefes a Augusto que perdoou a maior parte deles e mandou castigar somente alguns dos parentes de Herodes, que ele julgou merecer, porque nem a consideração do sangue, nem da justiça não os havia podido manter no cumprimento do dever. Depois que Varo apaziguou todas essas desordens, e restabeleceu a calma na Judéia, deixou como guarnição na fortaleza de Jerusalém a mesma legião que já lá estava antes e retirou-se para Antioquia.
753. Enquanto as coisas deste modo se passavam na (udéia, Arquelau encontrou um novo obstáculo às suas pretensões, pelo motivo que passo a dizer. Cinqüenta embaixadores dos judeus vieram com permissão de Varo procurar Augusto, para pedir-lhe que lhes permitisse viver segundo suas leis; e mais de oito mil judeus, que moravam em Roma, uniram-se a eles nessa petição. O imperador, para esse fim, reuniu uma grande assembléia de seus amigos dos mais ilustres romanos no templo de Apoio, que tinha feito construir com ingentes despesas. Esses embaixadores, seguidos pelos outros judeus, lá se apresentaram e Arquelau também compareceu com seus amigos; mas seus parentes não sabiam que partido tomar, porque de um lado eles se odiavam, e por outro, tinham vergonha de parecer favorecer, na presença do imperador, aos inimigos de um príncipe de seu sangue. Filipe, irmão de Arquelau, que Varo muito estimava, veio também da Síria a seu conselho, com o pretexto de ajudar seu irmão, mas na verdade com a esperança de que se esses embaixadores obtivessem o que desejavam e o reino fosse dividido entre os filhos de Herodes, ele lhe pudesse também obter uma parte.
Os embaixadores falaram primeiro e disseram que não havia leis que Herodes não tivesse violado, com sua conduta injusta e criminosa; que ele fora rei só de nome, pois jamais tirano algum havia sido tão cruel, não se contentando de empregar todos os meios de que os outros se serviam para a desgraça de seus súditos, ele tinha inventado outros novos, que seria inútil falar-se do grande número de judeus que ele tinha feito morrer, pois a condição daqueles aos quais não tinham tirado à vida, era pior do que a dos mortos, quer pelo temor contínuo que sua desumanidade lhes causava, quer porque ele os despojava de todos os seus bens. Que ele tinha construído e embelezado as cidades fora de seu território, apenas para arruinar as do seu reino com horríveis impostos e exações. Que tendo encontrado a Judéia florescente e na abundância, ele a havia reduzido à sua miséria anterior. Que ele tinha feito morrer sem motivo, várias pessoas de posição, a fim de se apoderar de seus bens e que os havia arrebatado também àqueles aos quais não tinha tirado a vida. Que além de todos os impostos comuns, de que ninguém estava isento, era-se ainda obrigado a dar grandes somas, para satisfazer à ambição de seus amigos e dos seus cortesãos e para se livrar das injustas vexações de seus oficiais. Que eles não falavam das moças que ele havia violado e das mulheres de condição, às quais ele havia feito o mesmo ultraje, porque o único alívio que elas poderiam ter em sua extrema dor era que tudo cairia logo no esquecimento. Que enfim, se fora possível que um animal feroz, como ele, tivesse o governo de um reino, não haveria quem tratasse os homens com mais crueldade, do que esse príncipe os havia tratado, pois não se via em história alguma, algo comparável aos males que ele lhes havia causado; e assim, na suposição que faziam, de que aquele que o substituísse não usasse de um proceder diferente, não faria dificuldade em reconhecer a Arquelau como rei, que tinham em consideração a ele honrado a memória de seu pai, com um luto público e que não havia serviços que não estivessem dispostos a lhe prestar para ganhar-lhe a afeição; mas que ele, ao contrário, como se temesse que se duvidasse de que era filho de Herodes, tinha logo manifestado que opinião se devia ter dele, pois, sem esperar que o imperador o tivesse confirmado no reino e quando toda sua fortuna dependia ainda de sua vontade, ele tinha dado aos seus novos súditos uma tão bela prova de sua virtude, de sua moderação e de sua justiça, começando por fazer degolar no Templo em vez de vítimas, três mil homens da mesma nação; que se podia julgar por essa ação tão detestável se eles faziam mal em odiar um homem, que depois de tal crime, os acusava de sedição e de crimes de lesa-majestade. Os embaixadores terminaram suplicando a Augusto que mudasse a forma de seu governo, não os sujeitando mais a reis, mas anexando-os à Síria para dependerem somente daqueles aos quais ele desse o governo e que então veriam se eles eram mesmo sediciosos e se não saberiam obedecer aos que tinham o legítimo poder de governar.
Depois que os embaixadores assim falaram, Nicolau tomou a defesa de Herodes e de Arquelau. Disse que, quanto ao primeiro, era estranho que ninguém o tivesse acusado durante a vida — quando se podia esperar da justiça do imperador o castigo de seus crimes, se fossem verdadeiros — e se tentasse, depois de sua morte, desonrá-lo à sua memória. Quanto a Arquelau, dever-se-ia considerar que a ação de que o censuravam, era somente devida à insolência e à revolta dos que o haviam obrigado a castigá-los, quando calcando aos pés todas as leis e o respeito que lhe deviam, tinham matado a golpes de espada e a pedradas os que ele havia mandado para impedir que continuassem a promover a agitação. Nicolau terminou seu discurso acusando-os de serem facciosos, sempre prontos a se revoltar, porque não se podiam decidir a obedecer às leis e à justiça, mas queriam ser senhores e dominar.


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