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5 de julho de 2018

História De Israel – Teologia 31.261 (Livro 19 Cap 2) OS SOLDADOS DELIBERAM ELEVAR CLÁUDIO, TIO DE CAIO, AO TRONO DO IMPÉRIO. DISCURSO DE SATURNINO NO SENADO EM FAVOR DA LIBERDADE. CHEREAS MANDA MATAR A IMPERATRIZ CESÔNIA, MULHER DE CAIO, E SUA FILHA. BOAS E MÁS QUALIDADES DE CAIO. OS SOLDADOS RESOLVEM CONSTITUIR CLÁUDIO IMPERADOR E LEVAM-NO AO CAMPO. O SENADO ENVIA DEPUTADOS PARA ROGAR-LHE QUE DESISTA DESSA INTENÇÃO.

História De Israel – Teologia 31.261

 
CAPÍTULO 2

OS SOLDADOS DELIBERAM ELEVAR CLÁUDIO, TIO DE CAIO, AO TRONO DO
IMPÉRIO. DISCURSO DE SATURNINO NO SENADO EM FAVOR DA LIBERDADE.
CHEREAS MANDA MATAR A IMPERATRIZ CESÔNIA, MULHER DE CAIO, E
SUA FILHA. BOAS E MÁS QUALIDADES DE CAIO. OS SOLDADOS RESOLVEM
CONSTITUIR CLÁUDIO IMPERADOR E LEVAM-NO AO CAMPO. O SENADO
ENVIA DEPUTADOS PARA ROGAR-LHE QUE DESISTA DESSA INTENÇÃO.

799. Enquanto o senado deliberava, os soldados, por seu lado, também trocavam idéias. Consideradas todas as coisas, pareceu-lhes que, se o governo popular fosse restabelecido, seria incapaz de sustentar o peso da direção de tantos reinos e províncias. E, mesmo que fosse possível, eles não teriam nenhuma vantagem. Além disso, se acontecesse de algum dos principais do senado ser eleito imperador sem que eles tivessem contribuído para elevá-lo a esse supremo grau de honra, seriam considerados inimigos.
Assim, julgando que nenhum outro era tão merecedor, escolheram Cláudio, tanto pela nobreza da origem, pois era tio de Caio, quanto pela maneira nobre como fora educado. E, convictos de que ele lhes demonstraria a sua gratidão com benefícios proporcionais à obrigação de que lhes seria devedor, resolveram ir buscá-lo em sua casa. Gneu Sentio Saturnino disso teve ciência no senado e, julgando que não havia tempo a perder, para demonstrar virtude e coragem, ergueu-se como se fora impelido por alguém — mas na verdade era por iniciativa própria — e falou com uma ousadia digna dos grandes homens que fizeram brilhar por toda a terra a glória da generosidade romana.
Ele disse: "Estamos vendo, por fim, senhores, após uma servidão de tantos anos, despontar hoje, contra toda a esperança, a nossa liberdade. É verdade que não sabemos o quanto há de durar, porque depende da vontade de Deus a sua conservação, depois de Ele no-la conceder. Mas, ainda que tão grande ventura logo desapareça, não devemos deixar de estimá-la, pois não há homem de coragem que não sinta alegria em viver livre, num país livre, e desfrutar pelo menos durante algumas horas a doçura que nossos antepassados gozavam nos séculos em que a república florescia em todo o seu esplendor. Como nasci após essa liberdade haver sido suprimida, não vi esse tempo feliz, quando se estudavam as letras e se era treinado nos exercícios que podem formar o espírito e erguer o ânimo. Assim, tudo o que posso fazer é manifestar o meu amor por aquela que hoje se nos apresenta. Eis por que julgo que, abaixo dos deuses imortais, não há honra que não devamos tributar àqueles cuja generosidade e virtude nos fizeram rever a luz tão doce da liberdade. Pois, mesmo que a desfrutássemos durante um só dia, não seria isso para cada um de nós um grande bem? Para os velhos, porque morreriam sem tristeza, após uma mudança tão inesperada. Para os jovens, porque é para eles um exemplo que não poderiam deixar de imitar sem degenerar da virtude de seus antepassados, pois somente por meio de ações virtuosas podemos conquistar a liberdade. Das coisas passadas, posso falar apenas por referências de outros, mas as que vi não me permitem ignorar os males causados pela tirania. Sei que ela faz guerra aberta à virtude e não tolera os que possuem coragem e mérito, infunde o medo nos espíritos e leva-os à covarde bajulação, pois é quando não se administra mais pelas leis, e sim pelo humor do príncipe. Depois que Júlio César, calcando aos pés a ordem tão religiosamente observada por nossos pais, estabeleceu a sua injusta monarquia sobre as ruínas da República, não há calamidade que não tenha afligido a cidade de Roma. Os que a ele sucederam no soberano poder demonstraram também não ter outro propósito senão subverter a antiga disciplina. E, como só acreditavam que encontrariam segurança entre homens dispostos a cometer toda espécie de crimes para lhes obedecer, não há meios bárbaros de que não se tenham servido para oprimir as pessoas mais ilustres e mesmo para lhes tirar a vida. Entre esses intoleráveis senhores que nos fizeram gemer sob tão tirânica dominação, Caio podia vangloriar-se de superar a todos, pois não exercitava o seu furor apenas sobre os nossos cidadãos, mas também sobre os parentes e amigos, e não era menos ímpio para com os deuses. Pois é próprio dos tiranos não se contentarem em ser avaros, voluptuosos e soberbos. O seu maior prazer é exterminar os inimigos, e eles consideram como tais todos os que têm alma nobre. Nenhuma ponderação é capaz de os acalmar, pois, sabendo o quanto são odiosos aos que lhes estão sujeitos, acham que não se conservarão em segurança senão oprimin-do-os de tal modo que eles não possam livrar-se de tantas misérias. Agora, então, que disso nos livramos, com a vantagem de só dependermos de nós mesmos, a nossa união presente pode gerar segurança para o futuro. Quem nos impede de reerguer a glória de Roma e dar à República o seu antigo brilho e o primeiro esplendor? Podemos falar com liberdade contra as desordens e propor sem perigo tudo o que julgamos mais vantajoso para o bem público, pois sacudimos o jugo desses senhores prepotentes. Lembremo-nos de que nada favoreceu tanto a tirania em seu início quanto a covardia daqueles que a ela não se ousaram opor e que foram essa fraqueza e a mesquinhez de se preferir, como escravos, uma vida vergonhosa a uma morte honrosa que lançaram Roma neste abismo de infinitos males. Mas antes de todas as coisas, senhores, prestemos a honra devida aos que nos libertaram da escravidão, particularmente a Chereas, cujo proceder e cujo braço, com o auxílio dos deuses, nos deram a liberdade. Que recompensa não merece receber daqueles pelos quais não receou se expor a tal perigo? Ele tem mesmo vantagem sobre Bruto e Cássio, cuja virtude imitou, pois, enquanto a ação daqueles foi seguida de uma guerra que perturbou todo o império e o mundo inteiro, este, pela morte de um só homem, libertou-nos de todos os males".
O discurso de Saturnino foi ouvido com grande prazer por todos os senadores e cavaleiros presentes, e o ardor com que falou o fez esquecer de que trazia no dedo um anel, onde havia uma pedra na qual estava gravada a imagem de Caio. Trebélio Máximo arrancou-o então, e no mesmo instante a pedra foi feita em pedaços.
800. A noite já ia adiantada, e Chereas pediu a senha aos cônsules. E eles a deram: "Liberdade". E não se cansavam de se rejubilar por haverem tornado a entrar no gozo daquele sinal de sua antiga autoridade. Chereas em seguida deu a senha aos oficiais de quatro coortes, os quais, preferindo a dominação legítima à tirania, haviam abraçado o partido do senado.
801.  Pouco depois, o povo, por efeito da inconstância que lhe é peculiar, externou muita alegria pela esperança de reconquistar, com a liberdade, o poder que outrora havia desfrutado, e Chereas tornou-se deles muito estimado.
802.  Como chefe do empreendimento que acabava de mudar a face do império, Chereas, julgando que haveria sempre motivo de temor enquanto existisse alguém da família de Caio, ordenou a Júlio Lupo, um dos oficiais da guarda, que fosse matar a imperatriz Cesônia e sua filha. Ele foi escolhido porque tinha parentesco com Clemente e também porque havia participado da conspiração. Alguns acharam crueldade assassinar uma mulher como se ela fosse culpada do sangue dos ilustres romanos que Caio — e ele somente, em seu furor — mandara derramar. Outros diziam, ao contrário, que ela era a causa principal dos males do império, pois fizera Caio tomar uma bebida, a fim de prendê-lo pelo amor, e a poção lhe perturbara o juízo. Por isso deviam considerá-la culpada de haver ministrado um veneno mortal a muitas pessoas de eminente virtude.
Esse último sentimento prevaleceu, e Lupo partiu para matá-la. Encontrou Cesônia estendida por terra, junto ao corpo do marido — o qual estava privado de tudo, até mesmo do que não se recusa aos mortos — e manchada com o sangue que corria de suas feridas. A filha estava ao lado dela e a ouvia queixar-se amargamente de que Caio não quisera atender aos seus muitos avisos. Essas palavras foram e são ainda hoje diversamente interpretadas. Uns acreditam que ela queria dizer que havia aconselhado o imperador seu marido a mudar de proceder, adotando um estilo mais moderado, a fim de reconquistar o afeto dos romanos e para não levá-los, pelo desespero, a atentar contra a sua vida. Outros, ao contrário, julgam que essas palavras significavam que, tendo ouvido alguma notícia da conspiração, ela havia insistido com ele para que matasse imediatamente todos os conspiradores.
A princesa, oprimida pela dor, julgava que Lupo viera ver o corpo do marido. Disse-lhe então, com lágrimas, suspirando, que se aproximasse um pouco mais. Mas quando percebeu que ele não respondia, não teve dificuldade para compreender o motivo que o trouxera ali. Deplorando a própria condição, apresentou-lhe o pescoço e insistiu que se consumasse logo o último ato daquela sanguinolenta tragédia. Esperou em seguida o golpe de morte com fortaleza admirável. Sua filha, que era ainda apenas uma criança, foi morta depois dela.
803. Foi esse o fim de Caio, após reinar durante três anos e oito meses. Ele já havia demonstrado, mesmo antes de ser imperador, o quanto era brutal, malvado, voluptuoso, protetor dos caluniadores, covarde e, por conseguinte, cruel. Considerava a maior vantagem da autoridade soberana poder abusar dela contra os inocentes e enriquecer-se com os despojos deles depois de os fazer injustamente perder a vida. Não podia tolerar que o considerassem apenas um homem, mas desejava loucamente ser reverenciado como um deus e vangloriava-se das tolas bajulações do povo. O freio que as leis e a virtude impõem às paixões desregradas era-lhe insuportável. Não havia amizade, por maior ou mais antiga que fosse, que lhe pudesse impedir de manchar as mãos no sangue, quando encolerizado. Todos os homens de bem passavam em seu espírito por inimigos.
Por mais injustas que fossem as suas ordens, queria que fossem executadas imediatamente, sem a menor oposição. E, dentre os tantos vícios que o tornaram odioso, aquela abominável impudicícia, inaudita até então, que o levou a cometer incesto com a própria irmã, tornou-o detestável a todos. Durante o seu reinado, nada empreendeu de importante ou magnífico ou de que o império pudesse haurir alguma vantagem, exceto alguns portos e cais perto de Régio e na Sicília, para receber os navios que traziam trigo do Egito para a Itália, e que eram sem dúvida muito úteis ao povo. Ainda assim, eles não foram terminados, tanto pelo desleixo daqueles aos quais ele dera tal incumbência quanto porque ele preferia empregar o dinheiro em despesas vãs, entregando-se mais ao prazer que à realização de obras dignas de um grande imperador, que iria preferir o bem de seus súditos à sua satisfação particular.
Quanto ao resto, era muito eloqüente, muito instruído nas letras gregas e romanas e compreendia facilmente todas as coisas. Respondia imediatamente aos questionamentos que lhe eram feitos, e, mesmo nos assuntos mais importantes, ninguém mais que ele era capaz de incutir o que empreendia sustentar, porque possuía uma grande inteligência e se havia preparado para não ser inferior a Germânico, seu pai, nem a Tibério, o qual a esse respeito excedia a todos os outros e tomara grande cuidado em instruí-lo. Mas essa boa educação não o impediu de perder-se quando subiu ao trono, pois é difícil para aquele que detém um poder absoluto conter a própria maldade. No começo de seu reinado, ele tinha como amigos pessoas de grande mérito, que o estavam levando a ações que lhe poderiam granjear boa reputação e glória. Mas ele os afastou pouco a pouco e, quando se abandonou a uma licenciosidade desenfreada, sentiu de tal modo aversão por eles que não teve vergonha de empregar os meios mais infames para causar-lhes a morte e satisfazer assim a sua ingratidão e crueldade.
804. Devemos agora falar de Cláudio, que, como dissemos, ia adiante de Caio quando este saía do teatro. Sabendo da morte do imperador e vendo aquela grande perturbação, ele foi esconder-se num canto muito escuro do palácio. No entanto, nenhum outro motivo senão a grandeza de sua origem lhe provocava temor, pois ele vivera até ali como um cidadão comum e procedera sempre com muita modéstia. Longe do barulho e do tumulto, ocupava-se com o estudo, principalmente dos autores gregos, sem se imiscuir de maneira alguma na política.
A confusão, todavia, aumentava cada vez mais. O palácio estava cheio de soldados, que corriam para todos os lados com furor, sem saber o que queriam, e o povo também para lá acorria em massa. Então os guardas pretorianos, que estavam na primeira linha entre os soldados, se reuniram para deliberar sobre o que deviam fazer. A morte do imperador não lhes causava pesar, até achavam que ele bem a havia merecido, mas pensavam em tomar resoluções que lhes fossem vantajosas. Quanto aos alemães, não era a consideração do bem público que os incitava contra os que haviam assassinado Caio, e sim a própria paixão.
O temor de Cláudio aumentou quando ele viu as cabeças de Asprenas e dos outros que os bárbaros haviam sacrificado à sua vingança. Manteve-se em seu esconderijo, onde só se podia chegar subindo alguns degraus. Um dos guardas do imperador, de nome Grato, avistou-o, mas, por causa da escuridão, não pôde reconhecê-lo, por isso aproximou-se e ordenou-lhe que saísse dali. Cláudio não quis obedecer. O guardou tirou-o à força e então o reconheceu, gritando aos companheiros: "Eis aqui Germânico.* Façamo-lo imperador". Ante essas palavras, o guarda o agarrou, para levá-lo, e Cláudio pensou que iria ser morto, em razão do ódio à memória de Caio. Assim, rogou-lhe que considerasse a sua inocência e lembrasse que ele não tivera absoluta-mente parte no que havia acontecido. Grato, nesse momento, tomou-o pela mão e, sorrindo, disse-lhe: "Não tenhais receio pela vossa vida, mas pensai apenas em demonstrar uma coragem digna do império, pois os deuses, cansados dos males que Caio causou a toda a terra, oferecem-no hoje à vossa virtude. Portanto, subi gloriosamente ao trono de vossos antepassados".
Enquanto Grato falava, um grande número de soldados da guarda pretoriana reuniu-se em torno dele. O combate violento que se travara em seu coração entre o temor e a alegria não lhe permitia sequer caminhar, e então eles o carregaram nos ombros. Muitos, vendo-o naquele estado, julgaram que iam matá-lo. E, como sabiam que ele jamais havia tomado parte em coisa alguma e até mesmo algumas vezes correra perigo de vida sob o reinado de Caio, ficaram consternados pela sua desdita e protestaram, dizendo que competia aos cônsules julgá-lo. À medida que os soldados caminhavam, outros reuniam-se a eles, que continuavam a levar Cláudio, porque os que carregavam a liteira, julgando-o perdido ao vê-lo ser agarrado, haviam fugido. O povo abria caminho àquela multidão de soldados que enchia o palácio, o qual dizem estar na parte mais antiga de Roma.
Um número maior de soldados uniu-se ainda a eles, e a alegria deles por ver Cláudio foi tão grande que disseram estar dispostos a tudo para elevá-lo ao trono do império, quer pelo amor e respeito que conservavam à memória de Germânico, seu pai, quer porque não ignoravam os males que a ambição desmedida dos maiorais do senado havia causado quando este ainda possuía autoridade. Crendo que era impossível restaurar aquela forma de governo, tinham de eleger um imperador, e importava escolher alguém que lhes ficaria devendo obrigação. Cláudio, portanto, ser-lhes-ia devedor daquele alto cargo, com todas as suas honras, e, como recompensa, não haveria favor que ele não lhes devesse conceder ou que não pudessem esperar dele. Depois que assim deliberaram, comunicaram a sua opinião aos que se haviam juntado a eles, e todos puseram-se de acordo num único desígnio: colocaram Cláudio no meio deles e o levaram ao acampamento para concluir aquele assunto importantíssimo sem que ninguém os pudesse impedir.

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* Josefo chama Cláudio de Germânico, porque o imperador era filho de Germânico.

805. Enquanto isso se passava, o senado e o povo experimentavam sentimentos opostos. Aquele, vendo-se livre da servidão dos tiranos, queria retomar a antiga autoridade. Este, invejando-lhe essa honra, considerava o poder imperial um freio aos excessos dos políticos mais arrojados e uma proteção contra as suas violências. Por isso, regozijava-se com a resolução tomada pelos soldados em favor de Cláudio e esperava, por seu intermédio, evitar a guerra civil e os outros males que Roma sofrerá nos tempos de Pompeu.

806. O senado, logo que soube do que acontecia no acampamento, mandou dizer a Cláudio que não aceitasse ser eleito imperador pela violência; que deixasse o senado cuidar do governo e escolhesse alguém dentre eles, o qual, com a consistência dos outros senadores, agiria conforme as leis, no que se referia ao bem público; que ele recordasse os males que haviam afligido a cidade de Roma durante a dominação do tiranos e os perigos que ele mesmo correra sob o reinado de Caio; que seria estranho ele, após condenar a tirania nos outros, querer, por ambição, recolocar a sua pátria sob o jugo insuportável do qual acabava de ser libertada; que ele, ao contrário, se concordasse em acatar os sentimentos do senado e em viver como antes, demonstrando a costumeira virtude, receberia as maiores honras, porque elas lhe seriam prestadas voluntariamente e por pessoas livres; que, sujeitando-se às leis, obteria os louvores que bem merecem os homens de virtude; e que, caso ele não considerasse o que acontecera a Caio e perseverasse em seu intento, o senado estava resolvido a fazer-lhe oposição, pois, além do grande número de soldados que este possuía, poderia ainda armar uma grande quantidade de escravos, embora a sua confiança principal repousasse no socorro dos deuses, que sempre auxiliam os que combatem pela justiça — e nada era mais justo que defender a liberdade de seu país.
Verânio e Brocco, os tribunos enviados como embaixadores, depois de falar a Cláudio, puseram-se de joelhos diante dele e suplicaram-lhe que não lançasse Roma numa guerra civil. E, vendo-o rodeado por uma multidão de soldados incomparavelmente mais numerosa que os partidários dos cônsules, rogaram-lhe, uma vez que estava resolvido a subir ao trono, que ao menos consentisse em recebê-lo das mãos do senado, pois era mais razoável e ser-Ihe-ia mais vantajoso ser elevado ao soberano poder por um consentimento geral que pela violência.




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