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11 de julho de 2018

História De Israel – Teologia 31.274 (Livro 20 Cap 8) ALBINO SUCEDE A FESTO NO GOVERNO DAJUDÉIA E O REIAGRIPA DÁ E TIRA DIVERSAS VEZES O SUMO SACERDÓCIO. ANANO, SUMO SACERDOTE, MANDA MATAR TIAGO. AGRIPA ENGRANDECE E EMBELEZA A CIDADE DE CESARÉIA DE FILIPE E A CHAMA NERONIANA. GRAÇAS QUE ELE CONCEDE AOS LEVITAS. RELAÇÃO DE TODOS OS SUMOS SACERDOTES DESDE AARÃO.


História De Israel – Teologia 31.274
 
CAPÍTULO 8

ALBINO SUCEDE A FESTO NO GOVERNO DAJUDÉIA E O REIAGRIPA DÁ E TIRA
DIVERSAS VEZES O SUMO SACERDÓCIO. ANANO, SUMO SACERDOTE, MANDA
MATAR TIAGO. AGRIPA ENGRANDECE E EMBELEZA A CIDADE DE CESARÉIA
DE FILIPE E A CHAMA NERONIANA. GRAÇAS QUE ELE CONCEDE AOS LEVITAS.
RELAÇÃO DE TODOS OS SUMOS SACERDOTES DESDE AARÃO.

856.  Morrendo Festo, Nero deu o governo da Judéia a Albino e o rei Agripa tirou o sumo sacerdócio de José para dá-lo a Anano. Anano, o pai, foi considerado como um dos homens mais felizes do mundo, pios gozou quanto quis dessa grande dignidade e teve cinco filhos que a possuíram também depois dele; o que jamais aconteceu a qualquer outro. Anano, um dos de que nós falamos agora, era homem ousado e empreendedor, da seita dos saduceus, que, como dissemos, são os mais severos de todos judeus e os mais rigorosos nos julgamentos. Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não tinha chegado, para reunir um conselho, diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento. Esse ato desagradou muito a todos os habitantes de Jerusalém, que eram piedosos e tinham verdadeiro amor pela observância de nossas leis. Mandaram secretamente pedir ao rei Agripa que ordenasse a Anano, nada mais fazer de semelhante, pois o que ele fizera, não se podia desculpar. Alguns deles foram à presença de Albino, que então tinha partido de Alexandria, para informá-lo do que se havia passado e dizer-lhe que Anano não podia nem devia ter reunido aquele conselho sem sua licença. Ele aceitou estas desculpas e escreveu a Anano, encoleriza-do, ameaçando mandar castigá-lo. Agripa, vendo-o tão irritado, tirou-lhe o sumo sacerdócio, que exercera somente durante quatro meses, e a deu a Jesus, filho de Daneu.
857.  Quando Albino chegou a Jerusalém, empregou todo o seu cuidado em restituir a calma à província pela morte de uma grande parte dos ladrões. Nesse mesmo tempo, Ananias, que era um sacerdote de mérito, conquistava o coração de todos. Não havia quem não o honrasse pela sua liberalidade; não se passava um dia sem que ele não desse presentes a Albino e ao sumo sacerdote. Mas ele tinha servos tão maus que iam pelas granjas com outros que não eram melhores do que eles, tomar à força as décimas, que pertenciam aos sacerdotes e batiam nos que se recusavam dá-las. Outros faziam também a mesma coisa; assim, os sacerdotes, que não tinham outro meio de vida, achavam-se reduzidos aos extremos, sem que ninguém se resolvesse dar um remédio a isso.
Durante uma festa, esses assassinos de que acabamos de falar, entraram à noite na cidade e prenderam o secretário de um oficial do exército, que era filho do sacerdote Ananias, amarraram-no, levaram-no e mandaram dizer ao pai dele que o soltariam, desde que obtivesse de Albino a liberdade de dez dos seus companheiros, que estavam presos. Esse plano deu resultado. Albino, vendo a necessidade em que Ananias se encontrava de lhe fazer esse pedido, concedeu-lho; isso foi causa de muitos males, porque os ladrões sempre encontravam novos meios de apanhar parentes de Ananias e só os restituíam com semelhantes trocas. Assim, seu número cresceu ainda mais, sua ousadia aumentou também na mesma proporção e mil males eles causavam a toda a província.
858.  O rei Agripa aumentou a cidade de Cesaréia de Felipe e a chamou de Neroniana, em homenagem a Nero. Mandou também construir em Berita um magnífico teatro, onde dava todos os anos espetáculos ao povo; mandou distribuir trigo e óleo aos habitantes, e, para embelezar a cidade, mandou levar a maior parte de tudo o que havia de mais raro no resto de seu reino, para lá; bem como uma grande quantidade de excelentes estátuas dos maiores personagens da antigüidade. Tal magnificência tornou-o odioso aos seus súditos, porque eles não podiam tolerar que ele despojasse suas cidades dos seus mais belos ornamentos, para embelezar uma cidade estrangeira.
859.  Ele tirou ainda o sumo sacerdócio de Jesus, filho de Daneu, para dá-lo Jesus, filho de Gamaliel. Mas como ele não a deixou de boa vontade, produziu-se entre eles uma grande divergência. Eles faziam-se acompanhar de homens armados, chegavam freqüentemente às injúrias e das injúrias, aos fatos.
860. Ananias continuava a ser o mais ilustre dos sacerdotes, quer por suas grandes riquezas, quer pela sua liberalidade, que lhe granjeava, cada vez mais, novos amigos.
Costobaro e Saul tinham conseguido um grande número de soldados e, como eram de sangue real e parentes do rei, tornaram-se ilustres; mas eram violentos e sempre prontos a oprimir os mais fracos. Foi então que começou a ruína da nossa nação, pois as coisas iam de mal a pior.
861.  Quando Albino soube que Géssio Floro vinha para substituí-lo, pareceu querer obsequiar os habitantes de Jerusalém. Assim, mandou trazer todos os prisioneiros, condenou à morte todos os que realmente eram culpados de crime capital, mandou para a prisão os que lá tinham sido postos por faltas leves e depois lhes deu a liberdade, a troco de dinheiro. Assim esvaziou as prisões, e ao mesmo tempo todo o país ficou cheio de ladrões.
862.  Os da tribo de Levi, cuja função era cantar hinos em louvor a Deus, obtiveram do rei Agripa, que determinasse em seu conselho, que eles poderiam usar a estola de linho, o que só era permitido aos sacerdotes. Disseram-lhe para isso que, tendo jamais gozado daquela graça, ser-lhe-ia glorioso conceder-lha. Mas ele permitiu ao mesmo tempo à outra parte da tribo, que era empregada no serviço do Templo, que também entoasse, como os demais, hinos e cânticos. Todas essas coisas eram contrárias às nossas leis e jamais foram violadas sem que Deus lhes desse um severo castigo.
863. As obras do Templo, então, estavam terminadas; assim, dezoito mil operários que ali eram empregados e pagos pontualmente, ficaram sem trabalho; os habitantes de Jerusalém, quiseram dar-lhes uma ocupação e um meio de vida; como eles nada desejavam conservar de todo o sagrado tesouro do Templo, para que os romanos dele não se apoderassem, propuseram ao rei Agripa reconstruir a galeria que está do lado do ocidente. Essa galeria estava fora do Templo, num profundo vale, tão profundo que seus muros tinham quatrocentas côvados de altura e eram construídos de pedra quadrada, muito branca, de vinte côvados de comprimento e de seis de grossura sendo ainda obra de Salomão, que, por primeiro, construíra o Templo. Mas Agripa, ao qual o imperador Cláudio tinha encarregado de tudo o que se referia às reparações desse edifício sagrado, considerando a magnitude da empresa, tanto pelo tempo como pela quantidade de dinheiro que seria necessário empregar-se para isso e que, as maiores obras se destróem facilmente, não quis dar-lhes consentimento, mas permitiu-lhes, se o quisessem, mandar pavimentar sua cidade, com pedras brancas. Tirou em seguida o sumo sacerdócio, a Jesus, filho da Gamaliel e o deu a Matias, filho de TeóFílon, sob cujo sacerdócio, a guerra dos judeus começou.
864.  A este propósito, julgo conveniente aqui a série dos sumos sacerdotes, elevados a esta honra até o fim desta a guerra. O primeiro foi Aarão, irmão de Moisés. Seus filhos sucederam-no e essa grande dignidade sempre permaneceu na sua família, sem que nenhum outro que não seus descendentes, nem mesmo reis, tenham sido escolhidos para exercê-lo. Houve oitenta e três, desde Aarão até Fanazo, que os sediciosos elevaram a esse cargo e treze dentre eles o tiveram desde o tempo em que Moisés elevou um Tabernáculo a Deus no deserto até que o povo entrou na Judéia, onde Salomão construiu o Templo; no começo só se provia a essa dignidade depois da morte daquele que a exercia; mas, em seguida, foram substituídos, mesmo antes de morrer. Estes treze, eram todos descendentes dos filhos de Aarão e sucederam-se uns aos outros. O governo de nossa nação era então, aristocrático. A autoridade depois foi posta nas mãos de um só. Por fim, passou para a pessoa dos reis; havia seiscentos e doze anos que nossa nação tinha deixado o Egito, sob o comando de Moisés, quando Salomão construiu o Templo.
Dezoito outros grandes sacerdotes sucederam a estes treze, durante quatrocentos e sessenta e seis anos, seis meses e dez dias, que se passaram sob o reinado dos reis, desde Salomão, até que Nabucodonosor, rei de Babilônia, depois de ter tomado Jerusalém e incendiado o Templo, levou o povo escravo para Babilônia e com eles, Josedeque, sumo sacerdote.
Depois do cativeiro de setenta e dois anos, Ciro, rei da Pérsia, permitiu aos judeus regressar ao seu país, reconstruir o Templo, sendo então Jesus, filho de Josedeque, sumo sacerdote. Quinze dos seus descendentes, todos sumos sacerdotes, como ele, durante quatrocentos e quatorze anos governaram a República, até que o rei Antioco Eupator e Lísias, general de seu exército, tendo feito morrer Onias, em Beroé, o qual era sumo sacerdote, deram esse cargo a Jacim, da família de Aarão, não, porém, da mesma família, que o possuíra antes e dele privaram o filho de Onias, que tinha o seu mesmo nome. Esse jovem Onias foi para o Egito onde, tendo caído nas boas graças do rei Ptolomeu e da rainha Cleópatra, sua mulher, permitiram-lhe construir em Heliópolis, um Templo semelhante ao de Jerusalém, do qual ele foi feito sumo sacerdote, como já dissemos. Jacim morreu no fim de três anos e o sumo sacerdócio ficou vago durante sete anos. Quando nossa nação revoltou-se contra os macedônios e escolheu para príncipe os da família dos asmoneus,* Jônatas, um deles, foi escolhido com unânime consentimento, para exercer esse grande cargo. Exerceu-o por sete anos; Trifom fê-lo morrer à traição e Simão, seu irmão, sucedeu-o. Simão foi assassinado por seu genro num banquete e Hircano, seu filho, foi elevado àquela honra. Dela ficou de posse, durante trinta e um anos e morreu em idade muito avançada. Judas, seu filho, cognominado Aristóbulo, sucedeu-o e foi o primeiro que teve o título de rei. Só reinou um ano e Alexandre, seu irmão, sucedeu-o no reino e no sumo sacerdócio. Reinou vinte e sete anos e deixou ao morrer, Alexandra, sua mulher, como regente, com o poder de estabelecer no cargo de sumo sacerdote, aquele, dos filhos, que bem quisesse. Ela deu-o a Hircano, que o exerceu durante os nove anos em que ela reinou, mas depois que ela morreu, Aristóbulo, seu irmão, que era mais moço do que ele, fez-lhe guerra, venceu-o, obrigou-o a viver vida privada e usurpou-lhe ao mesmo tempo, o reino e o sumo sacerdócio. Gozou durante três anos de um e de outro, mas Pompeu, depois de ter tomado Jerusalém, levou-o prisioneiro a Roma, com seus filhos, e restabeleceu Hircano no cargo de sumo sacerdote e de príncipe do judeus, sem, todavia, dar-lhe o título de rei. Dele gozou durante vinte e três anos, além dos nove, de que falamos, mas, no fim desse tempo, Pacoro e Barzafarnes, generais do exército dos partos, vieram de além do Eufrates, fizeram-lhe guerra, levaram-no prisioneiro e constituíram rei dos judeus a Antígono, filho de Aristóbulo. Três anos e três meses depois, esse príncipe foi aprisionado em Jerusalém, por Herodes e por Sósio que o enviaram a Antônio, o qual lhe mandou cortar a cabeça em Antioquia.

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* Isto não está no grego, pois ali deve estar Judas, e não Jônatas, como se vê no artigo 491. Mas o que se diz em seguida de Jônatas é verdade, como se vê nos artigos 525 e529.

Herodes, feito rei pelos romanos, não escolheu mais, para sumos sacerdotes os da família dos asmoneus, mas honrava indiferentemente com esse cargo, os mesmos sacerdotes e até outros menos ilustres, exceto quando o deu a Aristóbulo, neto de Hircano, aprisionado pelos partos e irmão de Mariana, sua mulher, por causa do afeto que o povo tinha por ele e do respeito que se conservava pela memória de Hircano. Mas ele via a simpatia que todos tinham por esse jovem príncipe; começou a sentir medo e, então, fê-lo afogar em Jerico, da maneira como descrevemos, e não quis mais elevar a essa honra a nenhum da família dos asmoneus. Arqueiau, filho de Herodes, e os romanos, que em seguida se tornaram senhores da Judéia, fizeram do mesmo modo. Assim, durante os cento e sete anos que se passaram desde o começo do reino de Herodes até o tempo em que Tito incendiou Jerusalém e o Templo, houve vinte e oito sumos sacerdotes, alguns dos quais exerceram o cargo sob o reinado de Herodes. Depois da morte deste e de Arqueiau, a maneira de governar entre os de sua nação tornou-se aristocracia e eram os sumos sacerdotes que tinham a principal autoridade.

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