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3 de março de 2019

História Do Cristianismo - Teologia 32.274 - MARTÍRIO DE CRANMER

História Do Cristianismo - Teologia 32.274



MARTÍRIO DE CRANMER

Em seguida chegou a vez de Cranmer, mas não com a mesma glória dos outros mártires. Embora cristão, e por fim mártir também, foi tímido e inconstante quase até a morte; e num momento de grande tentação, faltou-lhe a coragem, e caiu. Era já velho e pela ordem da natureza, poucos anos mais poderia viver, mas ainda parecia agarra­do à vida. Foi depois do seu interrogatório e da sentença la­vrada que começou a vacilar; e nesta situação, persuadido pelas lisonjas dos seus inimigos e os receios da tortura nas chamas, estendeu a mão para assinar uma retratação. "Esta retratação", diz Foxe, "ainda bem não estava escri­ta, e já os doutores e prelados a levavam a imprimir e a es­palhavam por toda a parte. A rainha que tinha agora tido ocasião de vingar o seu antigo pesar, recebeu esta retrata­ção com muito prazer; mas não perdeu a idéia de mandar matar o seu autor".
Pode-se calcular qual era a situação do pobre arcebispo nestas condições. A sua vergonha e completa negação da fé destruiu a sua paz de espírito, e ao mesmo tempo não di­minuiu a severidade da sua sentença, e na verdade sentia-se muito desgraçado. Mas Cranmer ainda era o objeto do amor de Cristo, e havia de ser restaurado pela graça divi­na. Era uma ovelha do Senhor, e apesar de ter andado er­rante, ainda era um membro do rebanho, e amado com um amor que nem os seus erros podiam fazer diminuir. Pouco depois começou a sentir no seu coração os benéficos sinais do Espírito, que o levaram a confessar a Deus a sua falta; e assim lhe voltou a paz de espírito, e uma força que não era a sua própria tomou posse da sua alma. O seu desejo de vi­ver cessou, e começou a esperar com resignação e alegria pura, o momento em que Deus o chamasse para si.
No dia 21 de março de 1556, foi levado da prisão para a igreja de Sta. Maria, em Oxford, para ali estar presente ao seu sermão fúnebre que devia ser pregado pelo Dr. Cole, um zeloso papista. A igreja estava apinhada de gente, visto esperar-se que o arcebispo fosse chamado para ler a sua re­tratação, e o momento era de verdadeiro interesse. Os papistas estavam ali para presenciarem o triunfo da sua reli­gião, e os protestantes para se certificarem com tristeza da verdade das notícias desastrosas a respeito do arcebispo. Enquanto o Dr. Cole prosseguiu o seu sermão notou-se que Cranmer por várias vezes derramava lágrimas, e uma ou duas vezes voltou-se e ergueu as mãos ao Céu como se estivesse orando. Muitos dos assistentes choravam também e exprimiam a maior compaixão e piedade.
O sermão terminou e a congregação dispunha-se a par­tir, quando Dr. Cole pediu a todos os presentes que esperassem um pouco. "Irmãos", disse ele, "para que ninguém duvide da sincera conversão e do arrependimento deste homem, ele irá falar perante vós; peço, portanto, ao Mestre Cranmer, que cumpra agora o que prometeu há pouco, isto é, que exprima publicamente a verdadeira e indubitável profissão da sua fé para que todos fiquem sabendo que ele é na verdade um católico".
"Assim farei, e com a maior vontade," disse o arcebis­po, descobrindo a sua cabeça para falar; e em seguida, de­pois de um momento de silêncio, levantou-se e começou a falar ao povo. A primeira parte do seu discurso, que foi in­terrompido pela mais sincera oração, foi uma solene expo­sição da vaidade da vida humana e do engano das rique­zas; a confissão ficava para o fim. A proporção que o dis­curso prosseguia, tanto os papistas como os protestantes fi­cavam cada vez mais sossegados e atentos, sem fazerem uma única interrupção. Por fim chegou-se à confissão, e nesse momento um intenso sentimento de excitação per­correu aquela multidão ali reunida. "E agora", disse Cran­mer, "chego ao importante ponto que tanto perturba a mi­nha consciência mais do que tudo quanto eu jamais disse ou fiz em toda a minha vida; vem a ser a publicação de um escrito contrário à verdade, e que eu agora aqui renego como coisas escritas pela minha mão contrárias à verdade que eu tinha e tenho no coração. Foram escritas por medo da morte e para salvar a minha vida se assim pudesse. São mentirosos todos os papéis que eu tenho escrito e assinado com a minha mão depois da minha degradação; papéis em que eu escrevi muitas coisas falsas. E visto que a minha mão ofendeu a Deus, pois escreveu coisas contrárias ao meu coração, esta minha mão será a primeira a ser castiga­da. Quanto ao papa, nego-o, como inimigo de Cristo que é, pois é o Anticristo; nego-o com todas as suas falsas doutrinas. Quanto ao sacramento, eu creio conforme ensinei no I meu livro contra o bispo de Winchester; livro esse que ensina uma doutrina tão verdadeira a respeito do sacramento que ele há de conservar-se no último dia perante o julga­mento de Deus, quando a doutrina papista tiver vergonha de se manifestar".
Não se pode descrever a cena de confusão que se seguiu a este discurso. Os protestantes choravam lágrimas de re­conhecimento e de alegria e os papistas raivosos rangiam os dentes. Quanto ao Dr. Cole, tinha já ouvido bastante de confissão e quando o arcebispo começava a desenvolver as suas observações sobre o papismo e o sacramento, ele excla­mou: "Façam calar esse herege e levem-no daqui!"
A graça triunfara e a derrota dos católicos fora comple­ta.
Ao ser levado ao lugar do seu suplício, Cranmer despo­jou-se do seu vestido externo, e deixou-se amarrar ao poste com uma cadeia de ferro. Acendeu-se em seguida a foguei­ra, e quando o fogo chegou à roda dele, estendeu a sua mão direita sobre as chamas (a mão que assinara a retratação) e viram-no dizer repetidas vezes, "Esta indigna mão direi­ta!... esta indigna mão direita!..." Em seguida repetiu di­versas vezes o grito de Estêvão: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito!" e assim expirou.
Muitos, algumas centenas até foram sacrificados no al­tar da sua fé na Inglaterra no reinado e sob as ordens de Maria, incluindo eclesiásticos, nobres, negociantes, lavra­dores, trabalhadores, criados, mulheres e até crianças. Há a acrescentar a estes muitos outros que sofreram doutras maneiras, pela tortura e pela prisão, tudo com o consenti­mento da perversa rainha.



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