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7 de janeiro de 2022

História De Israel – Teologia 31.301 (2º Parte Livro 1) CAPÍTULO 19 HERODES EXPULSA FERORAS, SEU IRMÃO, DA CORTE, PORQUE NÃO QUERIA REPUDIAR SUA MULHER E ESTE MORRE NA TETRARQUIA. HERODES VEM A SABER QUE ELE TINHA QUERIDO ENVENENÁ-LO ANTE A INSISTÊNCIA DE ANTÍPATRO E ELIMINA DE SEU TESTAMENTO HERODES, UM DE SEUS FILHOS, PORQUE MARIANA, SUA MÃE, FILHA DE SIMÃO, SUMO SACERDOTE, TIVERA PARTE NAQUELA CONSPIRAÇÃO DE ANTÍPATRO.*

 

História De Israel – Teologia 31.301

(2º Parte Livro 1)

CAPÍTULO 19

HERODES EXPULSA FERORAS, SEU IRMÃO, DA CORTE, PORQUE NÃO QUERIA

REPUDIAR SUA MULHER E ESTE MORRE NA TETRARQUIA. HERODES VEM A

SABER QUE ELE TINHA QUERIDO ENVENENÁ-LO ANTE A INSISTÊNCIA DE

ANTÍPATRO E ELIMINA DE SEU TESTAMENTO HERODES, UM DE SEUS FILHOS,

PORQUE MARIANA, SUA MÃE, FILHA DE SIMÃO, SUMO SACERDOTE,

TIVERA PARTE NAQUELA CONSPIRAÇÃO DE ANTÍPATRO.*

 

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* Este registro também se encontra no Livro Décimo Sétimo, capítulos 3, 5, 6 e 7, Antigüidades Judaicas, Parte I.

 

119. Herodes, não sabendo como castigar a mulher de Feroras, que ele tinha tantos motivos de odiar, insistia, mais que nunca, que a repudiasse; não podendo conter sua cólera, porque Feroras se obstinava em conservá-la, expulsou-os, a ambos, de sua corte. Feroras ficou muito aborrecido; retirou-se para sua tetrarquia e jurou jamais voltar, enquanto Herodes vivesse. Observou o seu juramento, pois Herodes numa grande enfermidade pela qual ele passou, pediu diversas vezes que viesse visitá-lo, porque tinha ordens importantes a lhe dar antes de morrer, mas ele jamais o atendeu. Herodes, contra toda esperança, sarou e manifestou logo muito do seu bom caráter, porque Feroras também, por sua vez, adoeceu e ele foi logo visitá-lo, assistindo-o com grande cuidado. O mal, porém, foi mais poderoso que os remédios e ele morreu alguns dias depois; embora Herodes sempre lhe demonstrasse grande afeto, não deixou de correr o boato de que o tinha envenenado. Ele mandou trazer seu corpo a Jerusalém, ordenou luto público e mandou fazer-lhe magníficos funerais.

120. Este foi o fim de um daqueles que mais haviam contribuído para a ruína de Alexandre e de Aristobulo; esta morte foi o começo da ruína de Antipatro, o principal autor de tão horrível maldade. Na aflição em que alguns libertos de Feroras estavam pela morte do amo, foram dizer ao rei que ele tinha sido envenenado pela própria mulher, que ela lhe tinha dado uma bebida que o fizera cair logo doente e, dois dias antes, ela e sua mãe tinham mandado vir uma mulher da Arábia que era tida como grande envenenadora, a fim de lhe dar aquela bebida, própria, dizia ela, para causar amor; mas era na verdade um veneno mortal, que ela tinha trazido por ordem de Sileu, de quem era muito conhecida.

Herodes, impressionado com estas palavras e com tantos outros motivos de suspeita que já tinha, mandou torturar a alguns daqueles libertos e libertas, uma das quais, não podendo resistir à violência das dores, exclamou: "Deus, que tudo podeis, no céu e na terra, vingai na mãe de Antipatro os males de que ela é causa de que sofremos agora." Essas palavras começaram por fazer Herodes abrir os olhos e tudo ele fez para conhecer a verdade. Assim ele soube de uma dessas libertas, dos entendimentos que a mãe de Antipatro tinha com Feroras e com as outras mulheres, de suas reuniões secretas e de que, quando Feroras e Antipatro voltavam do palácio, passavam com elas a noite inteira em banquetes, sem permitir a presença de seus domésticos. Mandou depois torturar separadamente a cada uma das mulheres e todas as suas declarações estavam de acordo: Herodes soube também que Antipatro havia cuidado de sua viagem a Roma e que Feroras se havia retirado para além do Jordão. Soube também de que os haviam ouvido dizer muitas vezes, que nada havia que a morte de Mariana, de Alexandre e de Aristobulo não desse motivo às suas mulheres de temer por ele, pois que não tendo poupado sua própria esposa e seus filhos, seria iludir-se crer que os pouparia e que assim o partido mais seguro para eles era afastar-se o mais possível daquele animal feroz.

Aquelas mulheres declararam ainda que Antípatro se queixava muitas vezes à sua mãe de que sendo já velho, seu pai rejuvenescia todos os dias; que ele morreria talvez antes dele e que mesmo quando ele o sobrevivesse, o que era uma coisa ainda remota, o prazer de reinar teria já passado, quando o tivesse apenas começado a gozar; que via, de outro lado, renascerem as cabeças da hidra na pessoa dos filhos de Alexandre e de Aristóbulo, e que ele não podia esperar deixar o reino aos seus filhos, pois Herodes havia declarado que queria que depois dele, passasse a Herodes, que ele tivera de Mariana, filha de Simão, o sumo sacerdote; mas que era preciso que ele tivesse perdido a razão, para imaginar que ele manteria seu testamento e que não daria um só da sua família; que embora pai algum jamais tivesse odiado tanto seus filhos como Herodes odiava os seus, ele odiava ainda mais seus irmãos, e disso não havia prova melhor, do que lhe ter dado cem talentos, para obrigá-lo a não falar mais com Feroras.

Aquelas mulheres acrescentavam que quando Feroras lhes perguntava "Que lhe fizemos?" ele respondia "Prouvesse a Deus que ele se contentasse de nos tirar tudo, até nossa camisa, e nos deixasse pelo menos a vida: mas é o que não poderemos esperar de um animal tão cruel, o qual não pôde tolerar que aqueles que se amam, tenham a liberdade de o manifestar reciprocamente. Assim, nos encontramos reduzidos a nos podermos ver somente em segredo. Mas, se tivermos coragem e nossas mãos secundarem nossa energia, poderíamos fazê-lo abertamente." Estas foram as confissões das mulheres mediante tortura, quando disseram também que Feroras tinha deliberado fugir com os outros para Petra.

121.  Esta particularidade de cem talentos fez que Herodes acreditasse em tudo o mais, porque ele só tinha falado com Antípatro. Sua cólera começou então a explodir. Dóris, mãe de Antípatro, foi quem por primeiro lhe sofreu os efeitos. Ele a privou de todas as jóias e pedras preciosas que lhe havia dado no valor de vários talentos e a expulsou do palácio. Satisfeito assim, de algum modo, ele ordenou que deixassem de torturar as mulheres. Mas seu espírito cheio de medo tornava-o tão suspeitoso, que para não deixar de castigar todos os que poderiam ser culpados, ele mandava torturar também inocentes.

122.  Um certo Antípatro, samaritano, intendente de Antípatro, seu filho, confessou mediante tortura, que seu amo tinha mandado ao Egito um de seus amigos, chamado Antifilo para trazer-lhe veneno, a fim de envenená-lo, e que Antifilo tinha dado a Tudiom, tio de Antípatro, e Tudiom a Feroras; que Antípatro tinha pedido que o ministrasse a Herodes, quando ele estivesse em Roma, a fim de que não pudessem desconfiar dele, e Feroras tinha entregue esse veneno à sua mulher. Herodes mandou buscar imediatamente a viúva de Feroras e ordenou-lhe que lhe trouxesse o veneno. Ela saiu dizendo que ia buscá-lo, mas atirou-se do alto de uma janela para se livrar dos tormentos que temia Herodes a fizesse sofrer. Deus, que queria castigar Antípatro, permitiu que ela não caísse sobre a cabeça e ficasse somente sem sentidos; levaram-na novamente ao rei. Quando voltou a si, ele perguntou-lhe o que a havia levado a tentar contra a própria vida, prometendo-lhe, com juramento, que não lhe faria mal algum, contanto que lhe dissesse a verdade; mas se ela mentisse, fá-la-ia morrer entre tormentos e a privaria da honra da sepultura. Ela ficou algum tempo sem falar e depois disse: "Agora, que meu marido morreu, guardarei ainda segredo, para conservar a vida a Antípatro, que é a única causa de nossa desgraça? Escutai, majestade, o que eu vos vou declarar na presença de Deus, que não pode ser enganado e que eu tomo como testemunha da veracidade de minhas palavras. Quando eu estava debulhada em lágrimas, junto de Feroras, que estava no fim da vida, ele me disse: "Eu me enganei muito, minha mulher, no juízo que fazia dos sentimentos do rei meu irmão por mim, pois, na certeza de que ele me odiava, eu também o odiava, de tal modo que tinha mesmo resolvido matá-lo e agora vejo-o, ao contrário, oprimido pela dor, pelo receio que tem de minha morte. Mas Deus me castigou como eu mereço. Vai buscar o veneno que Antípatro te deu para guardar, a fim de queimá-lo em minha presença e que eu não leve para o outro mundo uma alma ralada de remorsos de tão grande crime". Eu obedeci e queimei o veneno diante de seus mesmos olhos, mas guardei uma pequena quantidade do mesmo, pelo medo que tinha de vossa majestade, para deles me servir contra mim mesma, se viesse a ter necessidade disso." Ela mostrou depois a caixinha na qual havia um pouco do pó venenoso. Herodes mandou torturar a mãe e a irmã de Antifilo e elas confessaram que aquele veneno tinha sido trazido do Egito, naquela caixinha e que seu irmão, que era médico em Alexandria, lho havia entregue.

123. Parecia que os espíritos de Alexandre e de Aristóbulo andavam vagando por toda a parte, para descobrir as coisas mais ocultas e obter testemunhas e provas, da boca daqueles que estavam mais afastados das suspeitas, pois os irmãos de Mariana, filha de Simão, sumo sacerdote, foram torturados e veio-se a saber pelas suas confissões que ela era culpada daquela conspiração. Herodes castigou nos filhos o crime da mãe: riscou do testamento o nome de Herodes, que dela tivera e que ele tinha declarado seu sucessor.

 

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