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8 de janeiro de 2022

História De Israel – Teologia 31.320 (2º Parte Livro 2) CAPÍTULO 17 O IMPERADOR CAIO CALÍGULA ORDENA A PETRÔNIO, GOVERNADOR DA SÍRIA, QUE OBRIGUE OS JUDEUS PELAS ARMAS A RECEBER A SUA ESTÁTUA NO TEMPLO. MAS PETRÔNIO, COMOVIDO POR SEUS ROGOS, ESCREVE-LHE EM FAVOR DELES, O QUE LHE TERIA CUSTADO A VIDA, SE ESSE PRÍNCIPE NÃO TIVESSE MORRIDO LOGO DEPOIS. *

 História De Israel – Teologia 31.320

(2º Parte Livro 2)

 

CAPÍTULO 17

O IMPERADOR CAIO CALÍGULA ORDENA A PETRÔNIO, GOVERNADOR DA

SÍRIA, QUE OBRIGUE OS JUDEUS PELAS ARMAS A RECEBER A SUA ESTÁTUA

NO TEMPLO. MAS PETRÔNIO, COMOVIDO POR SEUS ROGOS, ESCREVE-LHE EM

FAVOR DELES, O QUE LHE TERIA CUSTADO A VIDA, SE ESSE PRÍNCIPE NÃO

TIVESSE MORRIDO LOGO DEPOIS. *

 

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* Este registro também se encontra no Livro Décimo Oitavo, capítulo 11, Antigüidades Judaicas, Parte I.

 

164. O imperador Caio abusou de tal modo de sua boa sorte e deixou-se levar até o excesso do orgulho, chegando a se persuadir de que era deus e querendo que lhe dessem esse nome. Privou o Império, por sua crueldade, de um grande número de cidadãos, dos mais ilustres romanos e fez a judéia sofrer os efeitos de sua horrível impiedade. Mandou Petrônio a Jerusalém com um exército e uma ordem expressa de pôr suas estátuas no Templo, de matar todos os judeus que tivessem a ousadia de se opor a isso e de reduzir à escravidão o restante do povo. Poderia Deus suportar uma ordem tão abominável?

Petrônio partiu em seguida de Antioquia, com três legiões e um grande número de soldados e tropas auxiliares da Síria para entrar na Judéia. Essa notícia surpreendeu de tal modo os judeus, que eles mal (he podiam prestar fé; e os que acreditaram nela estavam impossibilitados de resistir e de se defender. Mas o terror foi geral, quando se soube que Petrônio já tinha chegado com seu exército a Ptolemaida. Essa cidade da Caliléia está situada à beira-mar, numa grande planície rodeada, do lado do oriente, por montanhas daquela província, que estão longe cerca de sessenta estádios, e do lado do sul, pelo monte Carmelo, que dista cento e vinte estádios, e do lado do norte, por uma montanha muito alta chamada a montanha dos sírios, distante cem estádios.

A dois estádios dessa cidade passa um pequeno rio de nome Pelleu, perto do qual está a sepultura de Memnon, obra admirável, de cem côvados de altura e de forma côncava. Lá existe uma areia tão clara como o vidro; os navios vão buscá-la e logo que é levada, o vento, em seguida, traz outra do alto da montanha, a qual ocupa o espaço vazio. Posta no forno, esta areia se converte logo em vidro e o que me parece mais admirável ainda, é que esse vidro, levado àquele mesmo lugar, retoma a sua primitiva natureza e torna-se pura areia como antes.

Na consternação em que os judeus se encontravam, foram com suas mulheres e seus filhos procurar Petrônio em Ptolemaida para lhe rogar que não violasse as suas santas leis e tivesse compaixão deles. Petrônio, comovido com seu grande número e com seus rogos, deixou em Ptolemaida as estátuas do imperador e dirigiu-se para a Caliléia; mandou vir todo o povo com seus chefes a Tiberíades. Lá, falou-lhes do poder dos romanos, de como as ameaças do imperador lhes deviam ser temíveis, de como ele se julgaria ofendido com o pedido que lhe faziam, porque de todas as nações a ele sujeitas, somente eles se recusavam colocar suas estátuas no número dos deuses, o que era o mesmo que revoltar-se contra ele e também fazer-lhe grande injúria, pois sendo seu governador, representava a sua pessoa. Eles responderam que suas leis o proibiam tão expressamente, que não poderiam fazê-lo sem violá-las, colocando-as no Templo, nem mesmo num lugar profano, não somente a imagem de um homem, mas até mesmo a de Deus. "Se observais tão religiosamente vossas leis", replicou Petrônio, "eu não sou menos obrigado a executar as ordens do imperador que para mim são como leis, pois ele é meu senhor e eu não poderia desobedecer-lhe, para poupar-vos, sem que isso me custasse a própria vida. É portanto a ele, e não a mim, que vos deveis dirigir; eu o faço por sua ordem e a ele não sou menos sujeito do que vós." A estas palavras toda aquela multidão exclamou que não havia perigo ao qual não estivessem prontos a se expor, com alegria, pela observância de suas leis. Depois de ter acalmado o tumulto, Petrônio disse-lhes: "estais pois resolvidos a tomar as armas contra o imperador?" "Não", responderam eles, "nós oferecemos, ao contrário, todos os dias sacrifícios a Deus por ele e pelo povo romano, mas se vós quiserdes pôr essas estátuas em nosso Templo, será preciso antes degolar-nos todos, com nossas mulheres e filhos." O amor tão ardente desse povo por sua religião e essa firmeza inquebrantável que o fazia preferir a morte à não observância de suas leis, causou tanta admiração a Petrônio e, ao mesmo tempo, tanta compaixão, que ele dissolveu a assembléia, sem nada resolver.

No dia seguinte e alguns dias depois, ele falou aos chefes em particular e a todos em geral; uniu seus conselhos a exortações e suas ameaças a conselhos, dizendo-lhes ainda do grande poderio romano, de como a cólera do imperador lhes devia ser temível e por fim da necessidade em que eles se encontravam de lhe obedecer. Nada, porém, foi capaz de movê-los; vendo que o tempo de semear a terra estava se passando, porque eles, empenhados de tal modo nessa questão, há quarenta dias haviam renunciado a todos os outros cuidados, reuniu-os de novo e disse-lhes: "estou disposto a expor-me, por amor de vós, aos mesmos perigos que estais ameaçados. Assim, ou Deus me fará a graça de abrandar o espírito do imperador e terei o prazer de me salvar, salvando-os também, ou se atrair sobre mim sua cólera, não sentirei perder a vida, por ter me esforçado para preservar da morte tão grande povo."

Depois de lhes ter falado deste modo, mandou para casa toda aquela grande multidão, que não se cansava de fazer votos por sua prosperidade e reconduziu suas tropas de Ptolemaida para Antioquia, de onde mandou cartas ao imperador, dizendo que para obedecer às suas ordens ele tinha entrado na Judéia, com grandes tropas, e que se ele não se rendesse aos pedidos daquela nação, seria necessário destruí-la completamente e devastar todo o país, porque aquele povo estava tão firme na observância de suas leis, que nada havia que eles não estivessem dispostos a sofrer, antes que cumprir aquela determinação.

Esta carta irritou de tal modo o imperador, cruel e desumano, que o ameaçou, como resposta, fazê-lo morrer por ter ousado diferir na execução de suas ordens; mas os que haviam sido encarregados desse terrível despacho, tiveram uma viagem difícil com ventos contrários e demoraram-se três meses no mar, e só chegaram vinte e sete dias depois que outros haviam trazido a Petrônio a notícia da morte daquele feroz imperador.

 

 

 

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