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9 de janeiro de 2022

História De Israel – Teologia 31.331 (2º Parte Livro 2) CAPÍTULO 28 FLORO COMUNICA A CÉSTIO, GOVERNADOR DA SÍRIA, QUE OS JUDEUS SE TINHAM REVOLTADO; E ELES, POR SEU LADO, ACUSAM FLORO PERANTE ELE. CÉSTIO MANDA OBSERVADORES PARA SE INFORMAREM DA VERDADE. O REI AGRIPA VEM A JERUSALÉM E ENCONTRA O POVO DISPOSTO A TOMAR AS ARMAS SE NÃO LHE FIZEREM JUSTIÇA CONTRA FLORO. GRANDE DISCURSO ELE FAZ PARA DISSUADI-LO, FALANDO-LHE DO PODERIO ROMANO

 História De Israel – Teologia 31.331

(2º Parte Livro 2)

 

CAPÍTULO 28

FLORO COMUNICA A CÉSTIO, GOVERNADOR DA SÍRIA, QUE OS JUDEUS SE TINHAM REVOLTADO; E ELES, POR SEU LADO, ACUSAM FLORO PERANTE ELE.

CÉSTIO MANDA OBSERVADORES PARA SE INFORMAREM DA VERDADE. O REI AGRIPA VEM A JERUSALÉM E ENCONTRA O POVO DISPOSTO A TOMAR AS

ARMAS SE NÃO LHE FIZEREM JUSTIÇA CONTRA FLORO. GRANDE DISCURSO ELE FAZ PARA DISSUADI-LO, FALANDO-LHE DO PODERIO ROMANO.

 

194. Floro apenas chegou a Cesaréia, procurou novamente pretextos para manter a guerra. Mandou dizer a Céstio, governador da Síria, que os judeus se tinham revoltado e por uma vergonhosa mentira acusou-os de terem feito o mal que ele mesmo fizera. Os principais de Jerusalém não deixaram, por sua vez, bem como a rainha Berenice, de avisar a Céstio do que se havia passado e da crueldade que Floro tinha feito aos judeus. Depois que Céstio leu as cartas de uns e de outros, reuniu os oficiais de suas tropas para deliberar sobre o que se haveria de fazer e alguns foram de opinião que ele fosse à Judéia com o exército para castigar os judeus, se fosse verdade que eles se haviam revoltado, ou confirmá-los em sua fidelidade, se eles tivessem sido acusados falsamente. Mas ele julgou que era melhor mandar antes alguns observadores, que se informassem exatamente da verdade, para lhe dar depois um relatório fiel dos fatos; deu essa incumbência a Napolitano, mestre de campo. Esse oficial encontrou, perto de Jamnia, o rei Agripa que voltava de Alexandria e disse-lhe do motivo de sua viagem.

Os sacerdotes dos judeus, os Senadores e as outras pessoas mais ilustres vieram àquele lugar para prestar suas homenagens àquele príncipe e apresentar-lhe suas queixas a respeito da crueldade sem nome de Floro. Ele ficou impressionado e sentiu grande compaixão, mas não deixou de censurá-los duramente, como se eles não tivessem razão, porque ele queria acalmar-lhes o espírito, e não irritá-los ainda mais, mostrando participar dos seus sentimentos. Os principais dentre eles, que tinham muito a perder, desejavam a paz, para poder conservar seus bens e receberam aquelas censuras como um sinal de afeto. O povo de Jerusalém veio também procurar o rei Agripa e Napolitano, a uma distância de sessenta estádios da cidade; as mulheres dos que tinham sido cruelmente massacrados enchiam o ar com seus gemidos e gritos e o povo acompanhava-as com suspiros e lágrimas. Todos pediram ao príncipe que os ajudasse dizendo a Napolitano da crueldade de Floro e pediram-lhe que viesse à cidade para ver de que modo eles eram tratados. Ele foi. Mostraram-lhe o grande mercado inteiramente abandonado e as casas saqueadas. Rogaram depois ao rei Agripa que fizesse de modo que Napolitano, acompanhado somente por um dos seus, desse uma volta pela cidade até à piscina de Siloé, para ver com seus próprios olhos, que nada se podia acrescentar à obediência que eles tinham prestado aos outros governadores romanos e Floro era o único que eles não podiam tolerar por causa de sua horrível crueldade. Depois que Napolitano, a rogo do rei Agripa, deu uma volta pela cidade e ficou muito satisfeito com a submissão de todo o povo, subiu ao Templo e ali fez reunir uma grande multidão; louvou-o, com um discurso, por sua fidelidade aos romanos, exortou-o a permanecer sempre em espírito de paz e depois de ter adorado a Deus e às suas santas leis, sem penetrar no mesmo, porque nossa religião não lho permitia, voltou para falar com Céstio.

195. Depois que ele partiu, os sacerdotes e o povo insistiram com Agripa que lhes permitisse mandar embaixadores a Nero, para lhe levar suas queixas contra Floro, porque depois de tão grande carnificina, eles não podiam permanecer em silêncio, para não dar motivo de se crer que eles se tinham revoltado e de que eles tinham por primeiro tomado as armas; quando, na verdade, fora ele que a isso os havia obrigado; pediam-no com tanta insistência que pareciam não poder ficar tranqüilos, se ele não o concedesse. O príncipe, considerando que de um lado era vergonhoso mandar embaixadores para acusar Floro, e, por outro, não lhe era conveniente descontentar o povo tão irritado e tão inclinado à guerra, reuniu-o numa grande galeria e depois de ter posto a rainha Berenice, sua irmã, num lugar bem elevado, que era como uma espécie de trono, no palácio dos príncipes hasmoneus, que dava para a galeria, do lado mais alto da cidade, onde uma ponte une a galeria ao Templo, falou-lhe deste modo:

196. "Eu vos vejo decididos a fazer guerra aos romanos, mas eu sei também que a maior parte deseja conservar a paz, do contrário não teria vindo até aqui, nem me daria ao trabalho de vos aconselhar, pois quando todos em geral estão dispostos a abraçar o pior partido é inútil proporem-se coisas vantajosas. Mas, como eu vejo que o ardor de alguns lhes impede conhecer os males da guerra e que outros se deixam iludir por uma vã esperança de liberdade e que a avareza também procura aproveitar-se dessa agitação, julguei dever reunir-vos, para vos dizer o que eu julgo necessário e impedir que os maus conselhos de um pequeno número venham a causar a perda de tantos homens de bem.

"Que ninguém me interrompa nem murmure quando eu disser coisas que não lhes são agradáveis. Será permitido, aos que são inclinados à revolta, aos quais nada lhes pode curar o espírito, permanecer em suas opiniões depois que eu tiver terminado o meu discurso, pois eu falaria inutilmente aos que desejam me escutar se todos não se conservarem em silêncio.

"Eu sei que muitos representam de maneira patética os ultrajes que receberam dos governadores dessas províncias bem como o grande bem da liberdade. Mas, antes de examinar a diferença entre vossas forças e as daqueles aos quais quereis fazer guerra, devemos considerar duas coisas que confundis. Se desejais somente que se vos dê razão, porque tanto sofrestes, por que louvais tanto a liberdade? E se a servidão vos parece coisa insuportável, de que vos servirá vos queixardes de vossos governadores, mesmo quando eles fossem os mais moderados do mundo, não consideraríeis uma vergonha obedecer-lhes?

"Considerai, eu vos rogo, atentamente, como é frágil o motivo que vos levaria a empreender tão grande guerra e de que maneira devemos proceder com relação àqueles aos quais estamos sujeitos. É preciso mantê-los calmos com a submissão e não irritá-los com queixas. As pequenas faltas que neles censuramos irritam-nos e os levam a cometer outras maiores. Se antes faziam o mal secretamente, e com certa vergonha, depois não temem fazer violência, abertamente. Nada, ao contrário, é tão frágil como a paciência para detê-los, e um sofrimento humilde só poderia causar confusão aos mais ousados e aos mais injustos.

"Porém, mesmo quando esses governadores abusassem de tal modo do seu poder e vos dessem muitos motivos de queixas, deveria vosso ressentimento se estender a todos os romanos, e mesmo ao imperador, para vos fazer tomar as armas contra eles? É por sua ordem que eles vos oprimem? Podem eles ver do ocidente o que se passa no oriente? Não é muito difícil que eles sejam exatamente informados do que a nós se refere?

"Que há, então, de mais irrazoável do que querer, com razões tão frágeis, empenhar-se numa guerra contra tão poderosos inimigos, sem que eles saibam somente qual é a razão que a isso vos obriga? Não tendes motivos de esperar que aquilo que sofreis terminará depressa, pois esses injustos governadores não são perpétuos e poderão vir sucessores mais equilibrados e razoáveis? E quando a guerra se tivesse começado, como fazê-la e ainda mais terminá-la, sem experimentar todos os males que a ela se seguem?

"Que imprudência maior do que tentar libertar-se da servidão, quando não se tem os meios necessários para se recuperar a liberdade? Não é, ao contrário, um motivo de se cair numa nova escravidão, ainda mais dura que a primeira?

"Nada mais justo do que combater, para se evitar o jugo de uma dominação estrangeira. No entanto, depois que se recebeu esse jugo, tomar as armas para dele se libertar não é mais amor à liberdade, mas apenas uma revolta.

"Quando Pompeu entrou nesse país, tudo devíamos fazer para repelir os romanos. Mas se nossos antepassados e nossos reis ainda que incomparavelmente mais ricos e poderosos do que nós não puderam resistir a uma pequena parte de suas forças, em que vos fundais para esperar que vossos antepassados e vós, estando sujeitos a eles, há tanto tempo, podereis agora resistir ao ímpeto de todo esse enorme e temível império?

"Aqueles generosos atenienses, que para defender a liberdade da Grécia, não temeram ver reduzir-se a cinzas suas cidades, que com uma pequena frota puseram em fuga o soberbo Xerxes — cujos navios cobriam todo o mar, e cujos exércitos de terra pareciam avassalar toda a Europa, que naquela célebre batalha travada junto da ilha de Salamina, triunfaram sobre todas as forças da Ásia unidas — obedecem agora aos romanos e vêem sua república, que era como a rainha da Grécia, sujeita às ordens que recebem da Itália.

"Os lacedemônios, que ganharam aquelas famosas batalhas das Termópilas e de Platéia e viram Agesilau levar tão bem longe da Ásia suas armas vitoriosas, reconhecem também agora os romanos como seus senhores.

"Os próprios macedônios, que tinham continuamente diante dos olhos o valor de Filipe e os troféus do grande Alexandre, e se compraziam com a posse do império de todo o mundo, experimentaram, como os outros, as alternativas da sorte e agora dobram os joelhos diante desses invencíveis conquistadores, para cujo partido passaram.

"Tantas outras nações, que não julgavam possível perder a liberdade, também sofrem o jugo desses dominadores de toda a terra; e vós pretendeis ser os únicos a não obedecer a quem todos os outros obedecem?

"Onde estão os exércitos, onde estão as forças em que confiais? Onde estão os navios para vos abrir passagem em todos os mares sujeitos aos romanos? Onde estão os meios para sustentar as despesas de tão ousado empreendimento?

"Julgais combater egípcios ou árabes e ousais opor vossa fraqueza ao poderio romano? Já vos esquecestes de que fostes tantas vezes vencidos por vossos vizinhos, e de que, ao contrário, por toda a parte onde os romanos levaram a guerra sempre foram vitoriosos? A conquista de todas as terras conhecidas ainda não os satisfez; sua ambição e coragem os levam a avançar sempre. Não se contentaram de ter também submetido todo o Eufrates, do lado do oriente, todo o Danúbio, do lado do norte, toda a África até os desertos da Líbia, do lado do sul e de penetrar do lado do ocidente até Cádiz: eles buscaram outro mundo, além do Oceano, e mostraram à Grã-Bretanha, que se julgava inacessível, que nada é capaz de limitar o vôo das águias romanas.

"Pensais ser mais poderosos que os gauleses, mais valentes que os alemães e mais hábeis que os gregos? Ou melhor, pensais ser os únicos mais fortes que todos os outros juntamente? Em que vos fundais, para vos ousardes revoltar contra tão temível império?

"Podereis dizer que a servidão é coisa dura. Não considerais porém que ela deve ser muito mais dura para os gregos que julgam sobrepujar em nobreza a todos os outros povos e estenderam seu domínio tão longe e obedecem agora sem resistência aos magistrados que Roma lhes manda?

"Os macedônios fazem do mesmo modo, embora eles possam com mais justo título do que vós defender sua liberdade. Quinhentas cidades da Asia não obedecem também a um cônsul, sem que nenhuma força a isso as obrigue? Que direi dos enioqueanos, dos colqueanos, dos toreanos e dos bosforianos, dos que moram nas margens do Ponto e nos Paludes Meótidos, que jamais tiveram chefes, nem mesmo da própria nação, jamais ousaram pensar em se revoltar, embora tenham como guamição apenas três mil soldados romanos? E esses mesmos romanos não dominam com quarenta navios, somente, todo o mar, do qual antes ninguém havia tentado a passagem?

"Que razões a Bitínia, a Capadócia, a Panfília, a Lídia e a Cilícia poderiam apresentar em favor de sua liberdade? E, entretanto, pagam tributo aos romanos sem que haja necessidade de exércitos para os obrigarem a isso?

"Dois mil soldados não lhes bastam também, na Trácia, para mantê-la submissa, embora tenha uma extensão de sete dias de caminho e de cinco de largura; e embora esse país seja muito mais rude e mais forte do que o vosso e as geleiras possam sozinhas defender-lhe a entrada?

"Não têm eles, do mesmo modo, sob sua obediência toda a llíria, que se estende para além do Danúbio, até a Dalmácia, com duas legiões somente, que lhes servem também para dominar os dácios? E os dalmatas, que tomaram as armas para reconquistar a liberdade e que o fizeram sempre com maiores esforços, não obedecem pacificamente hoje a uma legião romana?

"Se há razões bastante fortes para levar uma nação a se revoltar contra os romanos, quem não as teria senão os gauleses? Pois, parece-me que a natureza mesma sentiu prazer em fortificá-los de todos os lados; ao oriente eles têm os Alpes, ao norte o Reno, ao sul os Pirineus e ao ocidente o Oceano. Embora defendidos pela natureza, embora reunindo trezentos e cinco povos diversos, embora tenham em si mesmos uma fonte inesgotável de toda espécie de bens, que difundem em todo o restante da terra, eles são tributários dos romanos e julgam que sua felicidade depende da do grande império. A esse respeito não se pode dizer que haja falta de coragem ou que seus antepassados tenham sido fracos e covardes, pois eles combateram durante oitenta anos, defendendo sua liberdade. Mas viram com espanto e admiração que o grande valor dos romanos era acompanhado também de grande prosperidade e sua boa sorte somente fê-los muitas vezes vitoriosos em tantas guerras. Eles se submetem a mil e duzentos soldados somente, daquela nação, hoje senhora do mundo, número que iguala quase o de suas cidades.

"De que serviu, outrossim, aos espanhóis, que quiseram defender sua liberdade, ter em seu território minas de ouro? De que serviu aos portugueses e aos biscaínos estar tão longe de Roma, à margem do Oceano, cujas tempestades causam espanto, ameaçar a mesma terra? Esses incomparáveis conquistadores galgaram os cumes dos Pirineus como se estivessem caminhando através das nuvens e levaram seus exércitos além do mar, mais longe ainda do que as colunas de Hércules, e uma somente de suas legiões não mantém sob seu domínio tantas províncias, tão belicosas?

"Quem dentre vós não ouviu falar do numeroso povo alemão? Não notastes tantas vezes sua estatura e sua força extraordinária, pois não há lugar no mundo onde os romanos não tenham escravos daquela gente? Embora seu país seja muito extenso, embora sua coragem seja ainda maior que sua estatura, embora tenham uma firmeza de alma que os faz desprezar a morte e embora, quando estão irritados, sejam mais ferozes que os mesmos animais, hoje têm o Reno por fronteira e oito legiões romanas os dominam: os que são aprisionados tornam-se escravos e os outros só podem viver submetendo-se a eles.

"Se na força de vossas muralhas pondes vossa confiança, considerai a Grã-Bretanha, toda rodeada pelo mar e tão extensa que pode passar por um pequeno mundo. Os romanos, entretanto, dominaram-na, não obstante os ventos e as ondas que se opunham à sua passagem e quatro legiões são suficientes para manter na obediência aquela grande ilha.

"Que direi dos partos, nação tão poderosa e tão valente, que antes dominava tantas outras? Não dá agora reféns aos romanos e não manda a Roma, com o pretexto de paz, mas, de verdade, como uma prova de sua servidão, a flor da nobreza do Oriente?

"Assim, dentre tantos povos que o sol ilumina com seus raios, fazendo o giro do mundo, não há quem não se dobre ao poder dos romanos. Quereis ser os únicos a lhes declarar guerra? Não vedes o que sucedeu aos cartagineses, que embora tendo sua origem dos ilustres fenícios e gloriando-se de ter por chefe o temível e ilustre Aníbal, não puderam evitar cair sob as armas vitoriosas de Cipião?

"Não vos lembrais de que os sirenianos, descendentes dos lacedemônios, dos marmáridas, que se estendem até os desertos tão áridos, onde nada lhes é mais raro do que a água, dos cirtas, de quem não se pode ouvir falar sem espanto, dos nassamoneanos, dos mouros, e da multidão inumerável dos númidas que não puderam resistir ao poderio romano?

"Esses soberbos vencedores não submeteram também aquela terça parte da terra, de que seria difícil enumerar as nações e que se estendem desde o Oceano Atlântico e as colunas de Hércules até o mar Vermelho, inclusive toda a Etiópia? Além do trigo que esses países fornecem todos os anos, para nutrir durante oito meses o povo romano, eles ainda pagam tributos e satisfazem sem murmurar a várias outras despesas e só têm uma legião como guarnição.

"Mas por que procurar exemplos tão afastados para vos persuadir do máximo poder dos romanos, pois o Egito, de que estais tão próximos, vo-lo pode dar? Embora esse grande reino se estenda até a Etiópia e a Arábia Feliz, e se limite com as índias, seja povoado por um número infinito de homens, além dos de Alexandria, não se julga desonrado de pagar um tributo aos romanos, e que é realmente muito grande, pois ele o paga por cabeça, para uma inumerável multidão de pessoas.

"Que motivo não seria para Alexandria se revoltar, a sua maravilhosa extensão de trinta estádios de comprimento e dez de largura, suas grandes riquezas e o número de seus habitantes? É fortificada de todos os lados, por desertos impenetráveis, por um oceano sem portos, por rios profundos, por paludes tremendos. Mas, como não há obstáculo que o valor e a sorte dos romanos não vença, ela tem de lhe pagar cada mês mais do que vós em um ano e de fornecer ainda o trigo para alimentar durante quatro meses o povo romano e uma guarnição de duas legiões é suficiente para os manter na obediência, com toda sua nobreza, a Macedônia e todo o Egito, cuja extensão é enorme.

"Assim, todo o mundo habitado está sujeito aos romanos; tereis que procurar auxílio no deserto se, levando vossas esperanças além do Eufrates, esperais recebê-lo dos adiabenianos. Mas eles não serão tão imprudentes de se empenharem sem motivo em tão grande guerra; e mesmo que o resolvessem fazer, os partos não o permitiriam, porque eles querem conservar a paz com os romanos e a julgariam violada, se consentissem que aqueles que lhe são sujeitos tomassem as armas contra eles.

"Não vos resta, portanto, que recorrer a Deus. Mas como podeis esperar na vossa fé, que Ele vos seja favorável, se foi Ele mesmo que elevou o Império Romano a tal felicidade e poder?

"Mesmo que vossos inimigos fossem mais fracos do que vós, não poderíeis esperar um êxito favorável nessa empresa. Se observardes religiosamente o sábado, não podereis evitar serdes atacados, como vossos antepassados o foram, por Pompeu, que escolheu esse tempo para dominá-los, pois sabia que eles não se atreveriam a se defender. E se não temeis violar a lei combatendo como nos outros dias, por que dizeis que só tomais as armas para manter as vossas leis, como podeis esperar o auxílio de Deus, quando o ofendeis, voluntariamente desobedecendo aos seus mandamentos? Só se deve empreender uma guerra quando há confiança no seu auxílio ou no dos homens; mas, se um e outro faltarem, como não cair na escravidão?

"Se não podeis resistir ao ardor que vos excita, parti em pedaços com vossas próprias mãos os vossos filhos e as vossas esposas, reduzi a cinzas todo este belo país, a fim de que só se possa atribuir ao vosso furor a ruína de vossa pátria, poupando-vos a vergonha de vê-la destruída por vossos inimigos.

"Crede-me, meus amigos, crede-me; é de grande prudência prever a tempestade, quando o navio ainda está no porto; é mui grande imprudência levantar a âncora e velejar, quando ela já começou a se desencadear. Como lamentamos, com razão, os que são vítimas das desgraças, que não haviam podido prever e como se censuram com justiça os que se lançam voluntariamente em perigos claros e inevitáveis.

"Julgais talvez que a guerra se pode fazer com condições e que os romanos vencedores usarão de bondade em sua vitória? Não deveis, ao contrário, pensar que, para vos fazer servir de exemplo aos outros povos, eles destruirão pelo fogo esta cidade santa, e pelo ferro, toda vossa nação? Onde e como se salvariam os que ficassem com vida, pois todos estão sujeitos aos romanos ou temem cair em seu poder.

"Tão estranha desolação não se limitaria somente a vós, iria além. Os judeus espalhados por toda a terra sentir-se-iam esmagados sob vossa ruína. A revolta, a que os maus conselhos de alguns vos querem levar, faria correr rios de sangue em todas as cidades, onde moram os de vossa nação, e onde eles se julgam em segurança, sem que se possam censurar os romanos, pois a isso os teríeis obrigado; e se eles os deixarem em paz, julgai que injustiça vos teria feito tomar as armas contra aqueles que usariam da vitória com tanta moderação e bondade.

"Se perdestes todos os sentimentos da humanidade por vossas mulheres e por vossos filhos, tende pelo menos compaixão da capital da Judéia. Não sejais tão cruéis e tão ímpios, armando vossas mãos para derrubar vossas muralhas, para destruir vosso sagrado Templo, para arruinar o santuário e abolir vossas santas leis. Ousais esperar que os romanos, depois de tão mal recompensados, por vos terem poupado antes, vos poupem agora, quando de novo vos tiverem vencido?

"Tomo como testemunha estas coisas santas, os anjos de Deus e nossa pátria comum, de como jamais me descuidei em tudo o que pensei contribuir para vossa salvação.

"Se seguirdes meu conselho todos gozaremos de paz. Mas se continuais a vos deixardes levar pelo furor que vos agita, não estou disposto a me expor convosco aos perigos que vos são tão fáceis evitar."

O rei Agripa terminou este discurso e a rainha Berenice acompanhou-o com suas lágrimas; tantas razões e tantas provas de afeto tocaram o coração do povo, que moderou o furor e exclamou: "Não é contra os romanos que queremos empunhar as armas, mas contra Floro, cuja tirania é insuportável". "Mas vossas ações mostram", respondeu-lhes Agripa, "que é contra os romanos que o fazeis, pois não pagais o tributo ao imperador e derribastes a galeria que unia o Templo à fortaleza Antônia. Se quereis mostrar que não tendes intenção de vos revoltar, apressai-vos em cumprir o primeiro dever e em reconstruir a galeria, pois é ao imperador e não a Floro que esse dinheiro é devido e essa fortaleza pertence."

 

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