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2 de agosto de 2013

Antropologia - Teologia 03.34 - Os dias da Criação

Antropologia - Teologia 03.34

4.4.1 Os dias da Criação 



E que dizer dos "dias" em que se operou a criação? Há quem suponha tratar-se de dias de 24 horas, uma vez que se mencionam tardes e manhãs, ou então admitir-se apenas uma visão dramática, já que a história se apresentou a Moisés numa série de revelações, que duraram seis dias.
Sugestões interessante e curiosas, sem dúvida, mas que não passam de conjeturas, o mesmo sucedendo à teoria moderna, segundo a qual o "dia" representaria uma idade geológica. 
Para isso supunha-se que o sol, supremo regulador do tempo planetário, não existia durante os primeiros três dias; de resto, a palavra "dia" em 2.4 estende-se aos seis dias da criação; por outro lado, em diferentes textos da Escritura o mesmo vocábulo refere-se a períodos de tempo ilimitado, como no Sl 90.4. 
A principal dificuldade que se levanta contra esta última interpretação é a alusão a "tarde" e a "manhã", mas pode admitir-se que a obra da criação figuradamente seja caracterizada por épocas bem definidas. 

É espiritual e religioso o objetivo da narração de Gn 1. A formação dos seres vem manifestar as relações entre Deus e as criaturas de sorte que só a fé as compreenderá devidamente: "Pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11.3). 
Só o crente, portanto, compreenderá o alcance da narração; mas não admira que por vezes surjam hesitações, perante as dificuldades de interpretação. 

Mas a narrativa tem ainda um segundo objetivo: o de pôr o homem em contato com toda a criação, ou melhor, o de colocá-lo em posição de primazia perante todos os seres criados. 
Por isso vemos Deus a agir gradualmente na Sua obra criadora, que atinge, com a formação do homem, o ponto culminante dessa obra-prima de Deus. 

No Princípio, Criou Deus (v.1). A expressão No princípio é enfática, e chama a atenção para o fato de um princípio real. 
Outras religiões antigas, ao falarem da criação, afirmam que esta ocorreu a partir de algo já existente. 
Referem-se à história como algo que ocorre em ciclos perpétuos. 
A Bíblia olha para a história de modo linear, com um alvo final determinado por Deus. 
Deus teve um plano na criação, o qual Ele levará a efeito. 
Declaração sintética que introduz os seis dias da atividade criadora. 
A verdade desse versículo magnífico foi afirmada com júbilo por poetas (Sl 102.25) e profetas (Is 40.21). 
No princípio Deus. 
A Bíblia sempre toma por certo e jamais discute a existência de Deus. 
Embora todas as coisas tenham tido um começo, Deus sempre existiu (SI 90.2). 
No princípio. Jo 1.1-10, que ressalta a obra de Cristo na criação, inicia com a mesma expressão. 
Deus criou. 
O substantivo hebraico Elohim está no plural, mas o verbo está no singular - esse uso gramatical é comum no Antigo Testamento quando há referência ao Deus único e verdadeiro.
No Antigo Testamento hebraico, o verbo traduzido por "criar" é usado no tocante à atividade divina, nunca à humana, os céus e a terra. “todas as coisas” (Is 44.24). 
O fato de Deus ter criado tudo é ensinado também em Ec 11.5; Jr 10.16; Jo 1.3; Cl 1.16 e 
Hb 1.2. 
O ensino positivo e gerador de vida do v. 1 é maravilhosamente resumido em Is 45.18. 

Terra (2). O centro desse relato, sem forma e vazia. 
Essa locução, que só ocorre depois em Jr 4.23, dá estrutura ao restante do capítulo. 
O "separar" e o "ajuntar" que Deus realizou do primeiro ao terceiro dia produziu a forma; o "fazer" e o "encher" do quarto ao sexto dia eliminaram o vazio. trevas [...] abismo. 
Completa o quadro de um mundo que aguarda a palavra de Deus para fazer raiar a luz, produzir ordem e gerar a vida. 
E, ou "mas". 
O quadro impressionante (e aterrorizante para o homem primitivo) do estado original da criação visível é amenizado pela proclamação majestosa de que o poderoso Espírito de Deus se move sobre a criação. 
Essa proclamação antecede as palavras criadoras que Deus profere em seguida.
Espírito de Deus. 
Estava atuante na criação, e seu poder criador continua até hoje (v. Jó 33.4; SI 104.30). se movia sobre. 
Como uma ave que sustenta seus filhotes e os protege (v. Dt 32.11; Is 31.5). 
A figura de linguagem pode também evocar o disco alado do sol, que em todo o antigo Oriente Médio era símbolo da majestade divina. 

Sem forma e vazia (v. 2). 
A expressão hebraica (tohu wabhohu) contém algo de onomatopéico que parece significar: desolação e vacuidade. 
Em Is 45.18, onde aparece o termo bohu não contradiz aquele significado e dá a entender que Deus não abandonou a terra que criou: "Não a criou vazia, mas formou-a para que fosse habitada". 
O caos era um meio, não um fim. 

Disse Deus (3). Pela palavra do Senhor foram feitos os céus" (Sl 33.6). Cfr. Jo 1.1-3. 
Luz (3). O caráter primário da luz, mesmo antes do sol, é um dos postulados da ciência moderna. 
A palavra hebraica para luz é `or, e refere-se às ondas iniciais de energia luminosa atuando sobre a terra. 
Posteriormente, 
Deus colocou luminares (hb. ma`or, literalmente luzeiros , v.14) nos céus como geradores e refletores permanentes das ondas de luz. 
O propósito principal desses luzeiros é servir de sinais demarcadores das estações, dias e anos (vv. 5,14). 

Era boa a luz (4). Sete vezes Deus declara que aquilo que Ele criara era bom (vv. 4,10,12,18,21,25,31). 
Cada parte da criação por Deus efetuada, executou plenamente a sua vontade e propósito. Deus criou o mundo para revelar a sua glória e para ser um lugar onde a raça humana pudesse compartilhar da sua alegria e vida. 
Note como Deus executou a obra da criação de conformidade com um plano e uma ordem: 

A tarde e a manhã (5). Atendendo à linguagem poética do texto, "manhã" não deve significar, aqui, a segunda metade do dia. 
O dia começava de manhã; seguia-se a tarde, e depois a manhã que seguia a tarde era o começo do segundo dia, que por isso terminava o primeiro. 
E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro. 
Essa identificação é repetida seis vezes neste cap. (vv. 5,8,13,19,23,31). 
A palavra hebraica para dia é yom. 
Normalmente significa um dia de vinte e quatro horas (cf. 7.17; Mt 17.1), ou a porção em que há luz, nas vinte e quatro horas (dia em contraste com noite, Jo 11.9). 
Mas também pode referir-se a um período de tempo de duração indeterminada (e.g., tempo da sega, Pv 25.13). 
Note-se que em 2.4, os seis dias da criação são designados como no dia. 
Muitos entendem que os dias da criação eram de vinte e quatro horas, pois sua descrição diz que consistiam em uma tarde e uma manhã (v. 5; Êx 20.11). 
Outros crêem que tarde e manhã simplesmente significa que uma determinada tarde encerrou algum ato específico da criação, e que a manhã seguinte iniciou novo ato.

Expansão (6). É a formação da atmosfera, ou o firmamento.  
Produza (11). 
Embora se trate da criação intermédia, não se exclui a intervenção divina. 
Segundo a sua espécie (11). 
Comparando este vers. com os 12,21,24,25, fácil é interpretá-lo como se dissesse: "em todas as suas variedades", duma variedade dentro de certos grupos gerais. 
Para sinais (14). 
Tomem-se aqui estes sinais no sentido astronômico e não astrológico, pois os corpos celestes determinam as estações e dividem o tempo.


Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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