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28 de abril de 2017

Hamartiologia - Teologia 27.21 - Existência e Definições do Pecado

Hamartiologia - Teologia 27.21
 
Capítulo 4

Existência e Definições do Pecado

Como pode existir o mal, se Deus é onipotente e totalmente bom? Esta pergunta, juntamente com a questão correlata a respeito da origem do mal, é o fantasma que assombra todas as tentativas de se compreender o pecado. Antes de continuarmos este estudo, façamos uma distinção entre algumas formas do mal. O mal moral - ou pecado - é a iniqüidade cometida por criaturas dotadas de vontade. (O mal natural é a desordem e decadência do Universo) (calamidades naturais, algumas doenças etc.). Está ligado à maldição que Deus pronunciou contra a terra (Gn 3.17,18). O mal metafísico é aquele involuntário, resultante da finitude das criaturas (insuficiência mental e física etc.). 

A Bíblia afirma a perfeição moral de Deus (Sl 100.5; Mc 10.18) e o seu poder Mt 19.26). Foi Ele só quem criou (Gn 1.1, 2; Jo 1.1-3), e tudo quanto Ele criou era bom (Gn 1; Ec 7.29). Ele não criou o mal, a que odeia (Sl 7.11; Rm 1.18). Ele não tenta, nem é tentado (Tg 1.13). Apesar disso, dois textos bíblicos que parecem contradizer esse fato devem ser considerados. Isaías 45.7 diz que Deus cria o mal (ARC). Mas ra' (“mal”) também possui um sentido que nada tem que ver com a moralidade (Gn 47.9) ou apresenta-se como antônimo de “paz” (Am 6.3). Pode significar também “desventura”, “calamidade”, “desgraça”, palavras que neste contexto são boas traduções. Deus, portanto, traz o julgamento moral, mas não o mal imoral.

O fato de Deus endurecer ou cegar as pessoas também levanta dúvidas. Pode tratar-se de uma “entrega” passiva em que Deus simplesmente deixa as pessoas viverem conforme desejam (Sl 81.12; Rm 1. 18-28; 1Tm 4-1,2) ou uma imposição ativa de endurecimento a pessoas que já assumiram um compromisso irrevogável com o mal (Êx 1.8-15,21; Dt 2.30; Js 11.20; Is 6.9,10; 2Co 3.14,15; Ef 4.17-19; 2Ts 2.9,12).

Observe o exemplo de Faraó (Êx 1.8-15,21). Ele não foi criado com o propósito de ser endurecido (o que pode sugerir uma leitura superficial de Romanos 9.17: “... te levantei”). O verbo hebraico 'amad e seu equivalente na Septuaginta (LXX), diatereõ (Êx 9.16), referem-se a posição ou categoria (e não à criação), fato este que está dentro do alcance semântico de exegeirõ (Rm 9.17). Faraó já mereceu o castigo divino quando rejeitou a petição de Moisés pela primeira vez (Êx 5.2). Deus, porém, o preservou, para ser glorificado através do rei egípcio. Inicialmente, Deus apenas predisse o endurecimento do coração de Faraó (Êx 4.21, heb. 'achazzeq, “tornarei forte”; Êx 7-3, heb. 'aqsheh, “tornarei pesado”, ou seja, difícil de ser movido). Antes de Deus agir, no entanto, Faraó endureceu seu próprio coração (implicitamente, Êx 1.8-22; 5.2; e explicitamente, Êx 7.13,14). O coração de Faraó “endureceu-se” (literalmente “tornou-se forte”), aparentemente um modo de reagir ao milagre que removeu a praga, e Deus disse que o coração de Faraó não cedia (heb. Kavedh, “estar pesado”, Êx 7.22,23; 8.15,32; 9.7). Faraó, então, continuou o processo (Êx 9.34,35) com a ajuda e Deus (Êx 9.12; 10.1,20,27; 11.10; 14.4,8,17). 

Esse sistema está explícito em outros casos ou é compatível com eles e com a santa justiça de Deus (Rm 1.18). Por isso Deus pode acelerar a pecaminosidade deliberada, visando seus próprios propósitos (Sl 105.25), mas os pecadores continuam arcando com a responsabilidade (Rm 1.20).

Deus não criou o mal, porém realmente criou tudo que existe. Assim, o mal não pode ter uma existência independente. O mal é a ausência ou a perversão do bem. Este fato pode ser ilustrado pelo sal de cozinha, que é um composto (ou mistura compacta) de duas matérias químicas: o sódio e o cloreto. Estes dois elementos, em separado, são altamente mortíferos. O sódio irrompe em chamas ao entrar em contato com a água, e o cloro é um veneno fatal. Assim como a alteração na composição do sal, a criação perfeita de Deus é mortífera quando o pecado lhe estraga o equilíbrio. Das quedas de Satanás e de Adão surge todo o mal. Por isso, o mal natural provém do mal moral. Todas as doenças provêm, em última análise, do mal, porém não necessariamente do pecado daquele que está enfermo ao (Jo 9.1-3), embora este possa ser o caso (Sl 107.17; Is 3.17; At 12.23). A grande ironia de Gênesis 1.3 é que tanto Deus quanto Satanás empregam a linguagem: Deus, num gesto criador, para trazer à existência a realidade e a ordem ex nihilo; e Satanás, de modo imitativo, para trazer engano e desordem. O mal depende do bem, e a obra de Satanás não passa de imitação.

Por ter Deus a capacidade de impedir o mal (isolando a árvore, por exemplo) e não o ter feito, e, por saber o que aconteceria, parece que Ele permitiu que o mal surgisse (isto é muito diferente de causá-lo). Segue-se que o Deus Santo viu que do permitir o mal surgiria um maior bem. Eis algumas sugestões quanto à natureza desse bem:

a) que a humanidade amadureceria através do sofrimento (cf. Hb 5.7-9);

b) que as pessoas poderiam amar a Deus livre e sinceramente, uma vez que tamanho
amor só pode existir onde houver a possibilidade do ódio e do pecado;

c) que as maneiras como Deus se expressa seriam impossíveis de outra forma (tais como seu ódio ao mal, Rm 9.22, e seu amor gracioso aos pecadores, Ef 2.7). Todos esses pontos de vista têm sua validade.

Descrever o pecado é uma tarefa difícil. Talvez a dificuldade provenha da sua natureza parasítica, posto que não tem existência em separado, mas é condicionado por aquilo a que se agarra. Mesmo assim, delineia-se nas Escrituras uma imagem - algo camaleônica - da existência derivada do pecado. 

Há muitas sugestões a respeito da essência do pecado: a incredulidade, o orgulho, o egoísmo, a rebelião, a corrupção moral, a luta entre a carne e o espírito, a idolatria e combinações entre todos esses itens. Embora todas essas idéias sejam informativas, nenhuma delas caracteriza a totalidade dos pecados (os pecados da ignorância, por exemplo) nem explica adequadamente o pecado como natureza (a pecaminosidade). De modo mais significativo, todas definem o pecado. em termos de pecadores, que são muitos, variados e imperfeitos. Parece preferível definir o pecado como algo cometido contra Deus. Somente Ele é uno, consistente e absoluto, e a qualidade perversa e iníqua do pecado é revelada contra o pano de fundo de sua santidade.

Talvez a melhor definição do pecado seja a encontrada em 1 João 3.4: “O pecado é iniqüidade”. Seja o que mais o pecado for, ele é, no seu âmago, uma violação da lei de Deus. E, já que “toda a iniqüidade [gr. adikia, literalmente “injustiça”] é pecado” (1Jo 5.17), toda injustiça quebra a lei de Deus. Por isso, Davi confessa: “Contra ti, contra ti somente pequei” (Sl 51.4; cf. Lc 15. 18,2 1). Além disso, a transgressão provoca a separação entre a pessoa e o Deus da vida e da santidade, que necessariamente resulta na corrupção (inclusive a morte) da natureza humana finita e dependente. Logo, essa definição do pecado é bíblica, exata, e abrange todos os tipos do pecado; explica os efeitos do pecado sobre a natureza; e tem Deus (e não a humanidade) como ponto de referência. Isto é, reconhecemos a verdadeira natureza do pecado ao observarmos seu contraste com Deus, e não por meio de comparar seus efeitos entre os seres humanos.

Embora os crentes não estejam debaixo da lei mosaica, ainda existem padrões objetivos, passíveis de serem violados (Jo 4.21; 1Jo 5.3; os muitos regulamentos nas epístolas). Por causa da incapacidade humana de cumprir a Lei, somente um relacionamento com Cristo pode suprir a expiação para apagar o pecado e o poder para viver uma vida segundo a vontade de Deus. O crente que ainda peca precisa confessar e, se possível, fazer restituição, não visando a absolvição, mas para reafirmar seu relacionamento com Cristo. É essa fé que sempre se contrasta com a “justiça segundo as obras” (Hc 2.4; Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10.38), de modo que tudo quanto não é de fé é pecado (Rm 14.23; cf. Tt 1.15; Hb 11.6). Por isso, o pecado - nos crentes ou nos incrédulos, antes ou depois da crucificação - é sempre a violação da Lei, e a única solução é a fé em Cristo. 

Não se define o pecado por sentimentos, nem por filosofias, mas somente por Deus, na sua lei, no seu desejo e na sua vontade. É nas Escrituras que descobrimos esse fato de modo mais concreto. Embora, na melhor das hipóteses, o coração do crente (no seu sentido mais lato) perceba o que é o pecado (Rm 2.13 - 15; 1Jo 3.21), sua sensibilidade espiritual para com o bem e o mal precisa ser aprimorada (Hb 5.14). O coração tem sido desesperançosamente corrupto (Jr 17.9) e pode ser cauterizado (1Tm 4.2). Pode, também, sentir falsa culpa (1Jo 3.20). Assim, os sentimentos subjetivos jamais devem ser colocados acima da Palavra objetiva e escrita de Deus. Nem por isso, entretanto, devemos deixar de ser espiritualmente sensíveis. 

A idéia do pecado como uma violação da lei está embutida na própria linguagem das Escrituras. O grupo de palavras hebraicas representado por chatta’th (o assunto do pecado tem a idéia básica de “errar o alvo” Jz 20.16; Pv 19.2). Essa idéia de alvo - ou padrão objetivo - permite a referência aos pecados deliberados (Êx 10.17; Dt 9.18; Sl 25.7), a uma realidade externa do pecado (Gn 4.7), a um padrão sistemático do pecado (Gn 18.20; 1Rs 8.36), aos erros (Lv 4.2) e às ofertas exigidas por causa dos pecados (Lv 4.8). 'Awon (“iniqüidade”), proveniente da idéia de ser “torto” ou “pervertido”, refere-se a pecados graves e muitas vezes forma um paralelo com chatta'th (Is 43.24). O verbo 'avar fala em ir além de uma fronteira e, portanto (metaforicamente), da transgressão (Nm 14.41; Dt 17.2). Resha' pode referir-se a coisa errada (Pv 11.10) ou à injustiça (Pv 28.3,4). 

Um grupo de palavras gregas representado por hamartia é usado para o conceito genérico de pecado no Novo Testamento. Tem o sentido básico de “errar o alvo” (assim como em chatta’th), e é um termo amplo, originalmente sem conotação moral. No Novo Testamento, porém, refere-se a pecados específicos (Mc 1.5; At 2.38; Gl 1.4; Hb 10.12) e ao pecado como uma força (Rm 6.6,12; Hb 12.1). Anomia (gr. nomos, “lei”, mais o prefixo negativo a - “sem lei”, “ilegalidade”, “iniqüidade”) e seus termos correlatos representam provavelmente a linguagem mais contundente para o pecado. O adjetivo e o advérbio talvez se refiram àqueles que não têm a Torá (Rm 2.12; 1Co 9.21), mas a palavra usualmente identifica qualquer pessoa que violou alguma lei divina (Mt 7.23; 1Jo 3.4). E, também,  injustiça” de 2 Tessalonicenses 2.7-12.

Outro termo para o pecado, adikia, é mais literalmente traduzido por “ilegalidade” (mais comumente “iniqüidade”, em nossas Bíblias) e varia desde um mero engano até violações grosseiras da lei. É grande injustiça (2Pe 2.13-15) e contrasta-se com a justiça (Rm 6.13). Parabasis (“passar além”, “transgressão”) e seus derivados indicam o violar um padrão. A palavra descreve a Queda (Rm 5.14; cf 1Tm 2.14), a transgressão da lei como pecado (Tg 2.9,11) e a perda do apostolado de Judas (At 1.25). Asebeia (“impiedade” - o prefixo negativo a com sebomai [“reverenciar”, “adorar” etc.]), sugere uma insensibilidade espiritual que resulta em pecado grosseiro (Jd 4) e grande condenação (1Pe 4.18; 2Pe 2.5;3.7).

A idéia do pecado como quebra de lei e como desordem evidencia um contraste marcante com o Deus pessoal que, pela sua palavra, trouxe à existência um mundo ordeiro e bom. A própria idéia de uma personalidade (humana ou divina) exige ordem. A ausência desta dá origem ao termo técnico “desordem da personalidade”.

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