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29 de abril de 2017

Hamartiologia - Teologia 27.22 - Características do Pecado - Muitas das facetas do pecado

Hamartiologia - Teologia 27.22
 
Capítulo 5

Características do Pecado

Muitas das facetas do pecado estão refletidas nas características a seguir, tiradas do registro bíblico. 

O pecado como incredulidade, ou falta de fé, é visto na Queda, na rejeição da humanidade à revelação geral (Rm 1.18; 2.2) e naqueles condenados à segunda morte (Ap 21.8). Está estreitamente vinculado à desobediência de Israel no deserto (Hb 3.18,19). A palavra grega
apistia (“incredulidade”, At 28.24) combina o prefixo negativo a com pistis (“fé”, “confiança”, “fidelidade”). Tudo o que não é de fé é pecado (Rm 14.23; Hb 11.6). A incredulidade é o antônimo da fé salvífica (At 13.39; Rm 10.9) e leva à condenação eterna (Jo 3.16; Hb 4.6,11).

O orgulho é a auto-exaltação. Ironicamente, é tanto o desejo de ser semelhante a Deus (como na ocasião em que Satanás tentou Eva) quanto a rejeição a Ele (Sl 10.4). A despeito do terrível custo, não tem valor diante de Deus (Is 2.11) e é por Ele odiado (Am 6.8). O orgulho engana (Hb 3) e leva à destruição (Pv 16.18; Ob 4; Zc 10.11). Ajudou a tornar a incredulidade de Cafarnaum pior que a depravação de Sodoma (Mt 11. 23; Lc 10.15), e é a antítese da humildade de Jesus (Mt 11.29; 20.28; cf. Fp 2.3-8). No Juízo Final, os orgulhosos serão humilhados, e os humildes, exaltados (Mt 23.1-12; Lc 14.7-14). Embora apresente um lado positivo, o hebraico ga’on (Am 6.8) e o grego huperêphanos (Tg 4.6) tipicamente denotam uma arrogância profunda e permanente.

Intimamente relacionado ao orgulho, o desejo malsão - ou mal orientado - e seu egocentrismo são pecado e motivam ao pecado (1Jo 2.15-17). Epithumia (“desejo”, Tg 4.2), usado num mau sentido, leva ao assassínio e à guerra, e pleonexia, a apaixonada “cobiça” ou o “desejo de ter mais”, é equiparada à idolatria. 

Conseqüentemente, são condenados todos os desejos iníquos (Rm 6.12). Quer se trate da desobediência de Adão ou da falta de amor no crente (1Co 14.15,21; 15.10), todo pecado consciente é rebelião contra Deus. Em hebraico, pesha' envolve a “rebelião” deliberada e premeditada (Is 59.13). A rebelião também é refletida em marah (“ser refratário, obstinado”, Dt 9.7) e em sarar (“ser teimoso”, Sl 78.8), e no grego apeitheia (“desobediência”, Ef 2.2), apostasia (“apostasia” ou “abandono, rebelde, traição”, 2Ts 2.3) e
parakoê (“recusa de ouvir”, “desobediência”, 2Co 10.6). E assim, a rebelião é equiparada ao pecado da adivinhação, que busca orientação em outras fontes que não Deus ou sua Palavra (1Sm 15.23).

O pecado, que provém do “pai da mentira” (Jo 8.44), é a antítese da verdade de Deus (Sl 31.5; Jo 14.6; 1Jo 5.20). Desde o princípio tem sido enganoso nas suas promessas, incitando pessoas enganadas a cometer mais prevaricação (Jo 3.20; 2Tm 3.13). Pode outorgar prazer dramático, mas sempre temporário (Hb 11.25). O hebraico ma'al (“infidelidade”, “engano”, Lv 26.40) e o grego paraptõma (“passo em falso”, “transgressão”, Hb 6.6), podem igualmente significar traição devida à incredulidade. 

O lado objetivo da mentira que é o pecado é a distorção real do bem. “Iniqüidade” (‘awon), que provém da idéia de torcido ou pervertido, representa esse conceito (Gn 19.15; Sl 31.10; Zc 3.9). Vários compostos de strephõ (“virar”- apo-, Lc 23.14; dia-, At 20.30; meta-, Gl 1.7; ek-, Tt 3.11) também apresentam o mesmo sentido em grego, assim como skolios (“Perverso”, “inescrupuloso”, At 2.40).

De modo genérico, o conceito bíblico do mal abrange tanto o pecado quanto o seu resultado. O hebraico ra' apresenta uma ampla variedade de usos: animais inadequados para o sacrifício (Lv 27.10), as dificuldades da vida (Gn 47.9), a árvore proibida do Éden (Gn 2.17), as imaginações do coração (Gn 6.5), atos iníquos (Êx 23.2) , pessoas perversas (Gn 38.7), a retribuição (Gn 31.29) e o justo juízo de Deus (Jr 6.19). O grego, kakos tipicamente designa coisas más ou desagradáveis (At 28.5). No entanto, kakos e os seus compostos podem ter um significado mais amplo, moral, que designa pensamentos (Mc 7.21), ações (2Co 5.10), pessoas (Tt 1.12) e o mal como uma força (Rm 7.21; 12.21). Ponêria e a sua classe de
palavras desenvolvem conotações forte, mente éticas no Novo Testamento, inclusive Satanás como o “maligno” (Mt 13.19; ver também Mc 4.15; cf. 1Jo 2.13) e o mal coletivo (Gl 1.4).

Os pecados especialmente repugnantes para Deus são designados como detestáveis (“abominações”). To'evah (“coisa abominável, detestável, ofensiva”) pode referir-se aos ímpios (Pv 29.27), ao transvestismo (Dt 22.5), ao homossexualismo (Lv 18.22), à idolatria (Dt 7.25,26), ao sacrifício infantil (Dt 12.31) e a outros pecados graves (Pv 6.16-19). A palavra grega correspondente, bdelugma, fala de grande hipocrisia (Lc 16.15), da profanação final do Lugar Santo (Mt 24.15; Mc 13.14) e do conteúdo da taça nas mãos da prostituta Babilônia (Ap 17.4).

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