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26 de novembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.61 - Vitoria Milagrosa Sobre os Filisteus (Livro 6 Cap 2)

História De Israel – Teologia 31.61
 
CAPÍTULO 2

ALEGRIA DOS ISRAELITAS PELO RETORNO DA ARCA. SAMUEL EXORTA-OS A
RECOBRAR A LIBERDADE. VITÓRIA MILAGROSA SOBRE OS FILISTEUS, AOS QUAIS CONTINUAM A FAZER GUERRA.

219.  1 Samuel 6. As vacas tomaram o caminho que levava aos israelitas, como se para lá fossem levadas, e os principais dos filisteus seguiram-nas, para ver aonde iam parar. Quando chegaram a uma aldeia da tribo de Judá, de nome Bete-Semes, pararam, embora diante delas se abrisse bela e vasta planície. Era o tempo da ceifa, e todos estavam ocupados em cortar o trigo. Mas logo que os habitantes da aldeia viram a arca, a sua alegria fê-los deixar tudo e correr ao carro. Tomaram a arca e a caixa, colocaram-na sobre uma pedra e fizeram sacrifícios, oferecendo a Deus em holocaustos as vacas e o carro e mostrando com festas públicas o seu regozijo, do qual foram testemunhas os filisteus de que acabamos de falar. Estes levaram a notícia aos outros.
Os habitantes de Bete-Semes, porém, sofreram os efeitos da cólera de Deus, que fez morrer setenta deles, porque, não sendo sacerdotes, ousaram tocar na arca. O pesar foi tanto maior quanto essa morte não era tributo à natureza, e sim castigo. Assim, sabendo que não eram dignos de ter junto de si tão sagrado e precioso depósito, mandaram avisar a todas as tribos de que os filisteus haviam restituído a arca. Elas deram logo ordem de levá-la a Quiriate-Jearim, que é cidade próxima de Bete-Semes. Colocaram-na em casa de um levita de nome Abinadabe, ilustre por sua piedade, na certeza de que a casa de um homem de bem era lugar próprio para recebê-la. Esse santo homem colocou-a sob o cuidado dos filhos e nada se pode acrescentar ao que eles obtiveram durante os vinte anos em que ela aí permaneceu. Os filisteus a conservaram apenas sete meses.
220.  1 Samuel 7. Durante os vinte anos em que a arca ficou em Quiriate-Jearim, os israelitas viveram de modo muito religioso e ofereceram a Deus, com fervor, votos e sacrifícios. Assim, o profeta Samuel julgou que o tempo era próprio para exortá-los a reconquistar a liberdade e desfrutar os bens que ela produz. E, para harmonizar os sentimentos, falou-lhes nestes termos: "Os nossos inimigos não deixam de nos oprimir, e Deus mostra que nos é favorável. Não basta fazer votos pela nossa liberdade, é necessário empreender tudo para reconquistá-la. Cuidai, porém, para não vos tomardes indignos pela corrupção dos vossos costumes, tendo, ao contrário, amor à justiça e horror ao pecado e convertendo-vos a Deus com tal pureza de coração que nada jamais vos impeça de prestar-lhe a honra que lhe deveis. Se assim procederdes, não haverá felicidade que não possais esperar: sereis libertos da escravidão e triunfareis sobre os vossos inimigos, porque somente por intermédio de Deus, e não pela força, coragem e número dos combatentes, poderemos obter todas essas vantagens, as quais somente a justiça e a probidade podem conceder. Ponde, pois, toda a vossa confiança nEle, e eu vos asseguro que Ele não frustrará as vossas esperanças".
Essas palavras animaram de tal modo o povo que eles, depois de manifestar a sua alegria por aclamações, declararam estar prontos para fazer o que Deus lhes ordenasse. Samuel ordenou que se reunissem na cidade de Mispa (isto é, "visível"). Lá tiraram água, ofereceram sacrifícios a Deus, jejuaram durante um dia e fizeram orações públicas. Os filisteus, avisados dessa reunião, vieram imediatamente contra eles com poderoso exército, convictos de que, surpreendendo-os, poderiam dizimá-los facilmente.
Os israelitas, assustados com o perigo, recorreram a Samuel e confessaram-lhe que temiam combater inimigos tão temíveis. Embora fosse verdade que estavam ali reunidos para fazer orações e sacrifícios e que se haviam comprometido com juramento a fazer a guerra, não tinham nenhuma esperança de vencer os filisteus, os quais iriam atacá-los antes que tivessem tempo de apanhar as armas e de se preparar para resistir-lhes o ataque, a menos que Deus se deixasse vencer pelas suas orações e se declarasse seu protetor. O profeta exortou-os a nada temer e garantiu-lhes o auxílio de Deus. Em seguida, ofereceu a Deus, em nome de todo o povo, o sacrifício de um cordeiro de leite, rogando-lhe que não abandonasse aqueles que confiavam somente nEle e não permitisse que caíssem em poder dos inimigos. Deus aceitou aquela vítima tão agradavelmente que prometeu combater por eles e dar-lhes a vitória.
Antes de concluído o sacrifício e de a vítima ser inteiramente consumida pelo fogo sagrado, os filisteus deixaram o seu acampamento para iniciar o combate e, como surpreendiam os israelitas, sem lhes dar ocasião de preparar a defesa, não punham em dúvida o resultado favorável da luta. Mas o desfecho foi tal que eles jamais poderiam imaginá-lo, ainda que alguém o tivesse predito. Por efeito da onipotência de Deus, sentiram a terra tremer de tal modo sob os pés que mal podiam equilibrar-se e viram-na abrir-se em alguns lugares e tragar os que ali se encontravam. Estrugiu nos ares um trovão tão espantoso e acompanhado de raios tão fortes que os olhos deles se ofuscaram e as mãos, semiqueimadas, não podiam segurar as armas. Assim foram obrigados a lançá-las por terra e buscar a salvação na fuga.
Os israelitas mataram grande número deles, perseguiram o resto até o lugar chamado Bete-Car, onde Samuel mandou fixar uma pedra como sinal da vitória e chamou ao lugar Ebenézer, para dar a conhecer que tudo o que haviam conseguido de força naquela célebre jornada deviam a Deus somente. Fato tão maravilhoso lançou tal terror no espírito dos filisteus que eles não ousaram mais atacar os israelitas, e a ousadia que antes manifestavam passou, por estranha modificação, ao coração dos vitoriosos. Samuel continuou a fazer-lhes guerra, matou muitos em diversos combates, domou-lhes o orgulho, reconquistou um país situado entre as cidade de Gate e Ecrom que eles haviam, pelas armas, conquistado aos israelitas. Estes, enquanto estavam ocupados com essa guerra, viveram em paz com os cananeus.



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