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6 de maio de 2018

História De Israel – Teologia 31.141 (Livro 12 Cap 11) JUDAS MACABEU DERROTA UM GRANDE EXÉRCITO ENVIADO POR ANTÍOCO CONTRA OS JUDEUS. LÍSIAS RETORNA NO ANO SEGUINTE COM UM EXÉRCITO AINDA MAIS FORTE. JUDAS MATA CINCO MIL HOMENS E OBRIGA LÍSIAS A SE RETIRAR. PURIFICA E RESTAURA O TEMPLO. OUTROS GRANDES FEITOS DESSE PRÍNCIPE DOS JUDEUS.

História De Israel – Teologia 31.141

 
CAPÍTULO 11

JUDAS MACABEU DERROTA UM GRANDE EXÉRCITO ENVIADO POR ANTÍOCO CONTRA OS JUDEUS. LÍSIAS RETORNA NO ANO SEGUINTE COM UM EXÉRCITO AINDA MAIS FORTE. JUDAS MATA CINCO MIL HOMENS E OBRIGA LÍSIAS A SE RETIRAR. PURIFICA E RESTAURA O TEMPLO. OUTROS GRANDES FEITOS DESSE PRÍNCIPE DOS JUDEUS.

O rei Antíoco ficou tão irritado com a derrota de seus dois generais que não se contentou em reunir todas as suas tropas, mas tomou ainda, sob pagamento, soldados das ilhas e resolveu marchar contra os judeus no começo da primavera. Porém o seu tesouro ficou esgotado depois do pagamento das tropas, tanto porque as revoltas de seus súditos o impediam de receber os tributos quanto pelo fato de ele ser naturalmente muito amigo do luxo, fazendo enormes despesas. Assim, julgou conveniente ir antes à Pérsia receber o que lhe era devido.
Ao partir, deixou a Lísias, em quem depositava toda a sua confiança, a direção dos negócios, o governo das províncias que se estendem desde o Eufrates até o Egito e a Ásia Menor, e uma parte de suas tropas e de seus elefantes. Recomendou-lhe que tivesse grande cuidado de seu filho, o príncipe Antíoco, durante a sua ausência, e que destruísse toda a Judéia, levando escravos todos os seus habitantes, aniquilasse Jerusalém e exterminasse a nação dos judeus. Depois de dar essas ordens, partiu para a viagem à Pérsia, no ano cento e quarenta e sete, passando o Eufrates e marchando para as províncias superiores.
473. Lísias escolheu, dentre os mais valentes generais e os de maior confiança do rei, Ptolomeu, filho de Dorímenes, Górgias e Nicanor e os enviou à Judéia com quarenta mil soldados de infantaria e sete mil de cavalaria. Depois que chegaram a Emaús e acamparam na planície vizinha, foram aumentados com o reforço dos sírios e das nações limítrofes e com grande número de judeus. Vieram também alguns negociantes com dinheiro para comprar os escravos e com cadeias para ligá-los. Judas, vendo aquela grande multidão de inimigos, exortou os seus soldados a não temer, mas a colocar toda a sua confiança em Deus e a se revestir de um saco, como faziam os seus pais nos grandes perigos, a fim de pedir a Ele que lhes concedesse a vitória, pois era o único meio de atrair a sua misericórdia e obter a força de que precisavam para vencer os inimigos.
Ordenou em seguida aos chefes de campo e oficiais que assumissem o comando das tropas, como se fazia antigamente. Despediu os recém-casados e os que haviam adquirido alguma propriedade recentemente, de modo que a má disposição deles por haverem deixado a mulher ou a propriedade não viesse diminuir a coragem dos outros. Depois fez uma exortação aos soldados com estas palavras: "Jamais encontraremos ocasião em que nos seja mais necessário mostrar coragem e desprezar o perigo do que esta, pois, se combatermos gene-rosamente, a liberdade será a recompensa de nosso valor, e, por mais desejável que ela seja por si mesma, tanto mais a devemos desejar, porque não poderemos sem ela conservar a nossa santa religião. Considerai então que o resultado desta jornada ou nos cumulará de felicidade, dando-nos os meios de observar em paz as leis e os costumes de nossos antepassados, ou nos lançará a toda espécie de misérias, cobrindo-nos de infâmia, se, por nossa pusilanimidade, formos causa de que o resto de nossa nação seja completamente exterminado. Lembrai-vos de que nem os covardes nem os corajosos podem evitar a morte, mas, expondo-se a vida pela religião e pelo país, é possível conquistar uma glória imortal. E não duvideis de que, indo ao combate com a firme resolução de morrer ou de vencer, o dia de amanhã vos fará triunfar sobre os vossos inimigos".
474. As palavras de judas animaram-nos, e, ante o aviso de que Górgias, guiado por alguns judeus trânsfugas, vinha atacá-los durante a noite com mil cavaleiros e cinco mil soldados de infantaria, ele decidiu antecipar-se e ir-lhes ao encontro, atacando naquela mesma noite o acampamento dos inimigos, que então estaria mais fraco, pela diminuição de seus homens. Assim, depois de dar a refeição aos seus homens e acender várias fogueiras, marchou protegido pelas trevas para Emaús. Górgias não deixou de vir e, como não encontrou ninguém no acampamento dos judeus, julgou que o medo os obrigara a se esconder nos montes. Marchou então para ir procurá-los.
Judas, ao despontar do dia, chegou ao acampamento dos inimigos, com três mil homens somente, todos muito mal armados, tanto era triste a sua situação. Quando ele viu que aqueles aos quais queria atacar estavam bem armados e tinham o seu campo muito bem defendido, disse aos seus homens que nada deveriam temer, pois Deus sentiria prazer vendo que eles não temiam atacar, naquele estado, um exército tão numeroso e de inimigos tão bem armados, e certamente lhes daria a vitória. Ordenou em seguida que se tocasse o sinal de avançar. A surpresa dos inimigos foi tão grande que muitos foram mortos de imediato, e os outros, perseguidos até Gadara e aos campos da Iduméia, de Azoto e de jamnia, de modo que eles perderam três mil homens. Judas proibiu aos seus de se entregarem ao saque, porque tinham ainda de combater Górgias, mas lhes prometeu que, após tê-lo vencido, iriam se enriquecer com tantos despojos.
Judas ainda falava, quando viram Górgias, que regressava com as suas tropas, aparecer num elevado. Quando ele viu a mortandade, a derrota do exército do rei e o campo incendiado, não teve dificuldade em imaginar o que havia acontecido. Vendo que judas se preparava para atacá-lo, ficou tomado de tanto medo que fugiu. Assim, Judas venceu-o sem combate e permitiu então aos seus soldados que se entregassem ao saque. Eles encontraram grande quantidade de ouro, de prata, de escarlate e de púrpura e voltaram com grande alegria, cantando hinos em louvor a Deus, o autor da vitória que contribuiu para a reconquista da liberdade.
475.  No ano seguinte, Lísias, para reparara vergonha daquela derrota, reuniu um novo exército, composto de tropas escolhidas, em número de sessenta mil soldados de infantaria e cinco mil cavaleiros, entrou na Judéia e veio pelos montes acampar próximo de Bete-Zur. Judas marchou contra ele com dez mil homens. Vendo a potência dos inimigos, rogou a Deus que lhe fosse favorável e confiou no seu auxílio. Então atacou pela vanguarda e a desfez, matou cinco mil homens e lançou tal medo nos outros que Lísias, vendo que os judeus estavam resolvidos ou a perecer ou a reconquistar a liberdade e temendo deles mais o desespero que as forças, retirou-se para Antioquia com o resto de seu exército. Ali, tomou soldados estrangeiros sob pagamento e preparou-se para voltar à Judéia com um exército ainda mais poderoso que o primeiro.
476. Judas, após obter tão grandes vitórias sobre os generais do exército de Antíoco, persuadiu os judeus a ir a Jerusalém dar graças a Deus, como lhe eram devidas, purificar o Templo e oferecer sacrifícios. Quando lá chegaram, no entanto, encontraram as portas queimadas e os muros cheios de mato, o qual havia crescido durante aquele período de inteiro abandono. Tão grande desolação arrancou suspiros do coração e lágrimas dos olhos de Judas. E, depois de ordenar que uma parte da tropa sitiasse a fortaleza, pôs mãos à obra para purificar o Templo.
Fez-se tudo com o máximo cuidado. Judas colocou nele um candelabro, uma mesa e um altar de ouro completamente novos. Mandou colocar também portas novas e cobriu-as com cortinas. Depois destruiu o altar dos holocaustos, porque fora profanado, e mandou fazer um novo, com pedras que não houvessem sido trabalhadas a martelo. No dia vinte e cinco do mês de quisleu, que os macedônios chamam apeleu, acenderam-se as luzes do candelabro, incensou-se o altar, colocaram-se os pães sobre a mesa e ofereceram- se holocaustos sobre o novo altar.
Isso se deu no mesmo dia em que, três anos antes, o Templo fora indigna-mente profanado por Antíoco e abandonado, no dia vinte e cinco do mês de apeleu, no ano cento e quarenta e cinco, e na Olimpíada cento e cinqüenta e três. A renovação ocorreu no mesmo dia do ano cento e quarenta e oito e da Olimpíada cento e cinqüenta e quatro, como o profeta Daniel havia predito, quatrocentos e oito anos antes, dizendo clara e distintamente que o Templo seria profanado pelos macedônios.
Judas celebrou durante oito dias com todo o povo, por meio de solenes sacrifícios, a festa da restauração do Templo, e não houve regozijo honesto a que não se entregassem durante esse período. Eram festins e banquetes públicos. O ar ressoava os hinos e cânticos que se elevavam em louvor a Deus, e a alegria de se ver, depois de tantos anos, quando menos se esperava, a restauração dos antigos costumes de nossos pais e a prática de nossa religião foi tão grande que foi determinado realizar-se todos os anos aquela festa, durante oito dias. Chamaram-na festa das luzes porque, segundo a minha opinião, essa felicidade foi como uma luz agradável que dissipou as trevas de nossos longos sofrimentos, aparecendo numa ocasião em que não poderíamos sequer imaginá-la. Judas, em seguida, mandou restaurar as muralhas da cidade, fortificou as grandes torres e colocou soldados para defendê-las contra os inimigos. Fortificou também a cidade de Bete-Zur, para dela se servir como fortaleza contra os ataques.
477. Os povos vizinhos, não podendo tolerar a ressurreição do poder de nossa nação, armaram ciladas aos judeus e mataram vários deles. Judas, que estava continuamente no campo, para impedir tais incursões, atacou ao mesmo tempo Acrabatena,* matou um grande número de idumeus, descendentes de Esaú, e apoderou-se de grandes despojos. Tomou também o forte de onde os filhos de Baam, seu príncipe, incomodavam os judeus, matou os que o defendiam e incendiou-o. Marchou depois contra os amonitas, que eram em grande número, comandados por Timóteo, venceu-os, tomou-lhes a cidade de Jasor, saqueou-a e levou como escravos todos os seus habitantes.
As nações vizinhas, porém, logo que souberam que ele havia voltado para Jerusalém, reuniram todas as suas forças e atacaram os judeus que moravam na fronteira de Galaade. Estes refugiaram-se no castelo de Atemam e mandaram contar a Judas que corriam o perigo de cair nas mãos de Timóteo. Judas recebeu ao mesmo tempo cartas da Galiléia, pelas quais lhe davam aviso de que os de Ptolemaida, de Tiro e de Sidom e outros povos vizinhos se reuniam para atacá-lo.

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* Ou Acrabim.


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