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24 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.240 (Livro 17 Cap 8) ARRANCA-SE UMA ÁGUIA DE OURO QUE HERODES TINHA CONSAGRADO NO PORTAL DO TEMPLO. SEVERO CASTIGO QUE ELE IMPÕE. HORRÍVEL ENFERMIDADE DESSE PRÍNCIPE E ORDENS CRUÉIS QUE ELE DÁ A SALOMÉ, SUA IRMÃ, E A SEU MARIDO.

História De Israel – Teologia 31.240

 
CAPÍTULO 8

ARRANCA-SE UMA ÁGUIA DE OURO QUE HERODES TINHA CONSAGRADO NO
PORTAL DO TEMPLO. SEVERO CASTIGO QUE ELE IMPÕE. HORRÍVEL
ENFERMIDADE DESSE PRÍNCIPE E ORDENS CRUÉIS QUE ELE DÁ A SALOMÉ,
SUA IRMÃ, E A SEU MARIDO.

737.  Enquanto os embaixadores de Herodes estavam a caminho de Roma, com as ordens que lhes havia dado, ele caiu doente, fez seu testamento e nomeou seu sucessor no reino a Antipas, o mais novo de seus filhos, porque Antípatro o havia irritado com suas calúnias contra Arquelau e contra Filipe. Legou mil talentos a Augusto, quinhentos talentos à imperatriz, sua esposa, aos seus filhos, aos amigos e aos libertos. Dividiu o resto do seu dinheiro, suas terras e seus rendimentos, entre os filhos e netos, enriqueceu Salomé, sua irmã, como agradecimento pela amizade que ela lhe tinha constantemente demonstrado. Como não tinha esperança de salvar-se daquela doença, pois já tinha perto de setenta anos, ficou tão triste e tão irritado, que não podia tolerar nem a si mesmo. A opinião que ele tinha de que seus súditos o desprezavam e se regozijavam com sua desgraça era a causa principal disso e uma sedição suscitada por pessoas muito consideradas pelo povo, confirmou-lhe ainda mais essa suposição. O que aconteceu deste modo:
738. Judas, filho de Sarifeu e Matias, filha de Margalote, eram assaz queridos do povo, porque, além de serem os mais eloqüentes dos judeus e os mais sábios na interpretação das leis, eles educavam a juventude e tudo faziam para encaminhá-la à virtude. Quando esses dois homens souberam que a doença do rei era incurável, exortaram a estes moços que os reverenciavam como a.seus mestres, que destruíssem as obras que ele tinha feito, como desprezo dos costumes de seus antepassados; disseram-lhes que nada lhes poderia ser mais glorioso, do que se declararem defensores da religião e que tantas desgraças, que afligiam a família de Herodes eram sem dúvida causadas por ter ele ousado burlar as leis, que deviam ser invioláveis e calcar aos pés as antigas determinações, para estabelecer novas obras. Esses doutores, assim falando, nada diziam que não tivessem deveras no coração. Entre essas obras profanas de Herodes ele tinha feito colocar e consagrar sobre o portal do Templo, uma águia de ouro, de tamanho extraordinário e de muito valor, embora as nossas leis proíbam expressamente fazer figuras de animais. Assim, esses dois homens, zelosos da observância da disciplina de nossos antepassados, excitaram seus discípulos a arrancar aquela águia; disseram-lhe que embora a empresa fosse perigosa, nela não deviam empregar menos entusiasmo, pois uma morte honrosa deve ser preferível à vida, embora suave e tranqüila, quando se trata de manter as leis do país e de conseguir uma reputação imortal. Os covar-des morrem, bem como os generosos, e assim a morte, sendo inevitável para todos os homens, os que terminam sua vida com grandes feitos, tem a consolação de deixar à posteridade uma glória imperecível.
Estas palavras animaram de tal modo os moços que a notícia se espalhou logo; ao mesmo tempo dizia-se que o rei tinha morrido e eles então, em pleno dia, subiram ao lugar onde estava a águia, arrancaram-na, atiraram-na por terra e a fizeram em pedaços a golpes de machado, diante de grande multidão de povo, que estava reunido no Templo. O que comandava as tropas do rei, apenas soube do que se passava, temendo aquilo fosse o princípio de uma conspiração, correu para lá, com um grande número de soldados e encontrando apenas uma multidão confusa que se tinha reunido, dissipou-a sem dificuldade. Mais ou menos uns quarenta daqueles moços foram os únicos que ousaram resistir. Ele os prendeu e os enviou ao rei, com judas e Matias, que julgaram ser-lhes-ia vergonhoso fugir. Herodes perguntou-lhes quem os havia feito tão ousados, arrancando do lugar um objeto que ele havia feito consagrar. Responderam-lhe: "Há muito havíamos tomado essa resolução e não te-ríamos podido, sem faltar à coragem, não tê-la executado. Vingamos o ultraje feito a Deus e mantivemos a honra da lei de que somos discípulos. Achais estranho que tendo-a recebido das mãos de Moisés a quem Deus mesmo a deus, nós a tenhamos preferido às vossas ordens? Julgais que tememos, nos façais sofrer a mesma morte, que em vez de ser um castigo de um crime, será a recompensa da nossa virtude e de nossa piedade?" Eles pronunciaram estas palavras com tanta firmeza, que não se podia duvidar de que sua coragem correspondia às suas palavras e de que eles não teriam menor valor em sofrer, do que havia tido coragem em agir. Herodes mandou-os acorrentados a Jerico, fez reunir os mais ilustres dos judeus e foi levado para lá em liteira por causa de sua debilidade. Falou-lhes das dificuldades suportadas pelo bem público, disse que ele tinha para a glória de Deus, reconstruído o Templo, com despesas, o que todos os reis asmoneus juntamente, não tinham podido fazer durante cento e vinte e cinco anos, em que haviam reinado e tinha adornado com ricos presentes, que ali havia consagrado; que ele tinha esperado que lhe agradecessem, mesmo depois de sua morte e que prestassem honrar à sua memória. Mas, por um horrível atentado, em ver da gratidão que ele devia esperar, não se havia receado, estando ainda vivo, fazer-lhe tão grande ultraje, como em pleno dia, à vista de todo o povo, arrancar uma coisa que ele tinha consagrado a Deus, o qual com aquele ato tinha sido ainda mais ofendido do que ele.
Os maiorais da assembléia, ouvindo o rei falar desse modo e temendo que no furor de que estava ele possuído, não viesse a descarregar sobre eles a sua cólera, disseram que em nada haviam contribuído para o fato que sucedera, e que julgavam que aquela ação devia ser castigada. Estas palavras acalmaram-no e ele não investiu mais contra os outros; contentou-se de tirar o sumo sacerdócio de Matias, que ele pensava tinha tomado parte naquela depredação e a deu a Joazar, seu cunhado. Durante o tempo em que Matias exercia o sumo sacerdócio, sonhava certa noite, na qual se devia celebrar um jejum, que estivera na companhia de sua esposa e que assim não estava em condições de atender ao serviço divino; José, filho de Eli, que era seu parente foi encarregado de oficiar naquele dia, em seu lugar. Herodes, assim, depois de tê-lo privado do cargo de sumo sacerdote, mandou queimar vivo este outro Matias, autor da sedição, e todos os que tinham sido aprisionados com ele e naquela mesma noite sobreveio um eclipse da lua. 739. Deus queria que Herodes sofresse o castigo de sua impiedade; sua doença agravava-se cada vez mais. Uma febre lenta, que não transparecia exteriormente, queimava-o e o devorava por dentro; ele tinha uma fome tão violenta, que nada era capaz de saciá-lo; seus intestinos estavam cheios de úlceras; violentas eólicas faziam-no sofrer dores horríveis, seus pés estavam inchados e lívidos, suas virilhas também, as partes do corpo que se escondem com o maior cuidado, estavam tão corrompidas que já eram devoradas por vermes; seus nervos estavam frouxos; ele respirava com dificuldade e seu hálito era tão mau, que ninguém queria estar perto dele. Todos os que consideravam com espírito de piedade o estado em que se achava esse infeliz príncipe, estavam de acordo em admitir que tudo aquilo era um castigo visível de Deus, para puni-lo por sua crueldade. Mas embora ninguém acreditasse que ele poderia, ainda, escapar daquela doença, ele não deixava de esperá-lo. Mandou vir médicos de todos os países e, a conselho deles, foi para além do Jordão, às águas cálidas de Caliroé, que se despejam num lago cheio de betume e não somente a medicinais, mas também agradáveis para se beber. Meteram-no numa tina cheia de óleo e ele sentiu-se tão mal, que se pensou que ele ia morrer. Os gritos e as lágrimas de seus domésticos, fizeram-no voltar a si e então viram que seu mal era incurável. Ele mandou que se distribuísse a todos os seus soldados, cinqüenta draemas por cabeça, deu grandes presentes aos seus chefes e aos seus amigos e se fez reconduzir a Jerico onde sua crueldade aumentou ainda, de tal modo, que o fez tomar as mais horríveis deliberações, como jamais o espírito humano pôde conceber. Ordenou por um edito a todos os judeus mais ilustres, que fossem a Jerico, sob pena de morte para os que faltassem e, quando todos chegaram, ele os fez encerrar no hipódromo, sem indagar se eles eram culpados ou inocentes. Mandou depois vir Salomé, sua irmã, e Alexas, marido dela, e disse-lhes que ele sofria tantas dores que via bem que o fim de sua vida estava próximo e que ele não se podia queixar, pois era um tributo que uma lei comum a todos os homens, o obrigava a pagar à natureza. Mas que ele não podia tolerar ser privado da honra que é devida a todos os reis, por um luto público. Que ele sabia, entretanto, que o ódio que os judeus lhe tinham era grande, que eles com sua morte teriam se rejubilado, pois mesmo durante sua vida eles não tinham temido revoltar-se contra ele e ofendê-lo. Que ele esperava de duas pessoas muito próximas do seu afeto e de seu dever, que o consolassem em tão sensível desprazer e poderiam fazê-lo, cumprindo o que lhes ia dizer, tornando assim seus funerais mais magníficos e mais agradáveis às suas cinzas que o de qualquer outro rei, porque não haveria uma só pessoa em todo o reino, que não derramasse lágrimas de verdade; que para executar essa incumbência, logo que ele tivesse exalado o último suspiro, fizessem rodear o hipódromo de soldados, sem lhes falar de sua morte e ordenassem aos mesmos de sua parte, que matassem a flechadas todos os que lá estavam encerrados. Se eles executassem essa ordem, ele lhes deveria um duplo favor: um, por ter satisfeito ao seu pedido e o outro, por ter tornado o luto de suas exéquias mais célebre do que qualquer outro. Este cruel soberano acom-panhava as palavras com lágrimas; rogou-lhes pelo afeto que lhe tinham e por tudo o que tinham de mais santo, que não permitissem que se deixasse de prestar aquelas últimas honras à sua memória e eles prometeram-lhe executar pontualmente suas ordens.
Se alguém quisesse desculpar a Herodes as crueldades praticadas em pessoas, que lhe eram parentes, pela razão de que se tratava de garantir a sua vida, esta última ação, o obrigaria a confessar, que jamais se viu tão espantosa desumani-dade em querer que, estando ele para deixar a vida, todas as famílias e mesmo amigos ilustres, sofressem também um luto, por sua ordem, a fim de que todo o reino padecesse ao mesmo tempo absoluta tristeza, pela morte de alguém, sem perdoar nem mesmo aos que nunca o haviam ofendido e de que jamais tivera motivo de queixa, quando, por pouca bondade que se tenha, costuma-se perdoar aos mesmos inimigos, reduzidos a esse estado.


Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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