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18 de setembro de 2013

Eclesiologia - Teologia 25.08 - Natureza da Igreja Part 2/2

Eclesiologia - Teologia 25.08

NATUREZA DA IGREJA:  Part 2/2

Outra  agrupação  de  termos  reflete  a  missão  a  ser  desempenhada  pela  igreja.   Estas  designações  como  corpo  e  membros  de  Cristo,  refletem  a  igreja  como  a
presença visível e ativa de Deus na terra. A missão de estender o ministério de   Cristo espelha-se nos termos como ramos da parreira, galhos da oliva, lavradores   da  vinha,  coluna  e  baluarte  da  verdade,  luzeiro  e  sacerdócio  real.  Há  também   expressões  parecidas  sacadas  da  agricultura  como  lavoura,  vinha  e  horta,  mas   estes  termos  refletem  mais  a  obra  de  Cristo  nos  integrantes  da  igreja,  em   conjunto  com  termos  no  sentido  de  edifício,  construção  e  seu  vínculo  com   colocações  da  obra  de  Cristo  na  igreja.  Este  agrupação  de  termos  reflete  a   natureza da igreja pelo seu aspecto do processo de desenvolvimento, chegando   a cumprir com o propósito de Deus.  

Tratando-se da questão de continuidade entre Israel e a igreja, deve-se lembrar   da parábola de Jesus lançada aos fariseus, na qual ele os trata como lavradores   maus, cuja posição e responsabilidade lhes são tomadas para serem entregues a   outros. Aqui é interessante notar que os fariseus compreenderam a mensagem   de que o reino lhes seria tirado, mesmo se não aceitassem a palavra. Além desta   passagem,  lembra-se  também  as  colocações  no  livro  de  Isaias  referentes  à   missão  de  trazer  todos  os  povos  a  cultuarem  a  Deus .  Lembra-se  que  a  Bíblia   deixa abertura para que Israel se volte a Deus e novamente encontre o seu lugar  dentro  dos  propósitos  de  Deus.  Esta  reintegração,  no  entanto,  dependeria  do   arrependimento do povo.  

A  mensagem  missionária  referida  por  Jesus  já  havia  sido  expressa  na  aliança   sinaítica, a qual, por sua vez, tem fundamento no propósito de Deus, registrado a   partir de Gênesis 3, para reconciliar consigo mesmo os seres humanos alienados   em pecado. Tal ensino é mais claro nos profetas como Isaías. Na aliança sinaítica,   a proposta missionária era integral à identificação do povo como povo de Deus.   Esta  condição  foi  quebrada  por  Israel  inúmeras  vezes.  A  única  ressalva  para  o   povo  continuar  sob  a  aliança  era  a  misericórdia  de  Deus,  pois  eles  já  haviam   rompido a aliança desde o deserto, mesmo antes de entrar na terra prometida.  

A aliança entre o povo e Deus é de certa forma frágil, pois dependia sempre da   fidelidade do povo em obedecer ao pacto. “O termo aliança... significou sempre   uma aliança de graça, um acordo em que Deus tomava a iniciativa e determinava   as condições”. Era sempre pela graça divina que Deus iniciava a restauração da   aliança rota pelo povo. Tal conceito está em todo o Antigo Testamento, porém é   muitas  vezes  ignorado  pela  questão  da  insistência  divina  em  re-estabelecer  o   pacto. No entanto, não havia nada que impedisse que Deus desligasse o povo em   preferência  a  outro,  senão  por  causa  da  promessa  a  Abraão.  Mesmo  essa
promessa, porém, não implicava no povo permanecer para sempre como povo   de   Deus.   A   promessa   a   Abraão   foi   de   ser   bênção   às   nações   e   de   sua   descendência  ser multiplicada. A convocação do povo  no Sinai foi estabelecida   em  termos  condicionais.  Era  apenas  necessário  que  o  povo  se  multiplicasse  e   fosse utilizado como bênção a todas as nações, condição esta que se cumpriu em   Jesus.  

Grande parte da expectativa judaica referente ao Messias girava em torno de um   reino político e geográfico. Jesus, no entanto, declarava claramente que o reino   dele não era político. Ele pregava o reinar de Deus no interior do ser humano,   enfatizando que mesmo o jugo romano sobre Israel do seu dia não era tema de   interesse. Jesus não tinha interesse político, nem em sentido pessoal de reinar,   nem em libertar Israel da opressão romana. Por outro lado, ensinou em vários   contextos   da   necessidade   do   povo   ser   fiel   em   servir   a   Deus   de   forma   comprometida. O reinar de Deus por sua mensagem era algo interior, não uma   questão  nacional,  institucional  ou  de  outra  forma  externa  ao  indivíduo.  Sua   pregação era com respeito  ao compromisso interior com Deus. Logo, questões   de Israel como um povo soberano são considerações ignoradas por Jesus por não   terem importância.  

É comum tratar a adoração como parte do propósito ou missão da igreja. Existe   um problema nessa designação, resultando de uma compreensão falha do termo   adoração.  O  conceito  original  de  adoração  é  muito  mais  amplo  no  aspecto  da   forma, do que na maneira pela qual o termo é utilizado em círculos evangélicos   atuais.  O  termo  grego  latreia,  quer  dizer  serviço,  cujo  conceito  seria  melhor   traduzido por servir a Deus, do que por “adorar a Deus”. Em geral, o termo vem   sendo aplicado em relação à música ou à prestação de um culto formalizado, no   qual  se  proclama  a  grandeza  de  Deus.  Hebreus  9.14  clarifica  a  questão  no   contexto de obras mortas, sendo comparadas a serviço de adoração real a Deus.   O que é enfatizado aqui é o servir a Deus, não em cantos e hinos, mas na prática   do reinar de Deus com base na salvação alcançada em Cristo.  

Em  Apocalipse  4.7-11,  a  perspectiva  do  culto  a  Deus  se  equipara  com  Isaías  6,   onde  o  enfoque  é  expressamente  a  grandeza  e  incomparabilidade  de  Deus  .   Nesta adoração, Isaías se prontifica a serviço em anúncio da mensagem, o que   parece  ser  o  propósito  do  culto  em  si.  Isaías  vê  a  grandeza  de  Deus  e  a  sua   conseqüente necessidade de se encurvar perante o Altíssimo em serviço. Todo o   proceder  do  culto  é  direcionado  a  traçar  a  distinção  ou  a  distância  entre  o   Criador e a sua criatura frágil e dependente. Não há nenhuma expressão aqui de  Isaías,   nem   dos   seres   celestiais   em   Apocalipse   se   sentirem   numa   êxtase   emocional,  mesmo  que  o  evento  para  Isaías  seja  de  uma  visão.  São  levados  a   contemplar a sua necessidade, fraqueza e inadequação perante a identidade de   Deus, assim dando a Deus real louvor.  

O louvor aqui tratado é dever humano, mas é ao mesmo tempo uma expressão   da necessidade humana, não de qualquer necessidade divina. Deus tem prazer   num culto digno, mas tal prazer não espelha tanto a necessidade de Deus como   espelha  a  necessidade  do  ser  humano  em  reconhecer  a  Deus  como  Senhor   absoluto.  Há  passagens  que  indicariam  a  necessidade  de  uma  prestação  de   adoração  e  louvor  a  Deus  em  reconhecimento  de  Sua  identidade  e  grandeza.   Mesmo quando Jesus indica que as pedras clamariam se o povo tivesse calado,   ainda  não  espelha  uma  necessidade  da  parte  de  Deus,  mas  a  necessidade  do   evento e da proclamação digna. A razão da exclamação era o reconhecimento e a   proclamação da identificação de Jesus como sendo o ungido de Deus.  

Adoração,  portanto,  nos  termos  de  servir  a  Deus  é  parte  da  missão  da  igreja.   Adoração em sentido de prestar um culto a Deus não chega a ser parte integral   da  missão  da  igreja.  Este  tipo  de  adoração  realmente  tem  mais  vínculo  com  a   necessidade  humana  de  reverenciar  a  Deus  e  lembrar-se  de  Sua  grandeza,  do
que por qualquer necessidade divina de receber o culto prestado. Deus, Deus de   Israel,  está  muito  além  de  carecer  do  culto  humano.  Uma  rápida  comparação   entre  as  narrativas  de  Gênesis  1-11  com  as  narrativa  mitológicas  babilônicas   revelam de forma bem clara este conceito.  

Nas  narrativas  babilônicas,  os  deuses  chegam  aos  sacrifícios  como  moscas  ou   aves   famintos,   precisando   da   comida   oferecida   em   holocausto.   A   Bíblia   apresenta  a  Deus  sem  necessidade  alimentícia,  exigindo  em  troca  que  o  ser   humano  reconheça  a  sua  dependência  e  obedeça  às  Suas  instruções.  Logo,  o   culto  prestado  em  louvor  a  Deus  é  necessário  em  decorrência  da  necessidade   humana de reconhecer e lembrar da grandeza de Deus em contraste com a sua   fragilidade  de  criatura.  A  instrução  ao  culto  é  motivado  pela   necessidade   humana, não por qualquer necessidade divina. A própria criação já presta culto a   Deus, como também os seres celestiais. O culto humano não passa muito além   de uma ajuda para o indivíduo a lembrar-se de sua própria necessidade perante   Deus, Criador do universo.  

Como   a   igreja   é   integrada   por   seres   humanos   falhos,   há   uma   constante   necessidade de avaliar as formas e práticas existentes em relação não somente à   missão,  mas  também  de  acordo  com  a  sua  natureza  ideal.  A  igreja  é  de  certa
forma   um   organismo   vivo   e   precisa   adaptar-se   a   novos   contextos   para   permanecer   fiel   à   sua   natureza   e   ao   seu   propósito.   As   investigações   e   preocupações   da   Reforma   partiram   do   contexto   histórico-cultural   que   os   reformadores  vivenciaram.  Havia  abusos  para  serem  corrigidos  na  sua  época,   como também no presente. A correção de alguns erros já possibilita a correção   de outros menos aparentes de início.  

Veja Também:

NATUREZA DA IGREJA:  Part 1/2



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