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11 de outubro de 2017

História De Israel – Teologia 31.39 - Castigo Pelo Pecado (Livro 3 Cap 13)

História De Israel – Teologia 31.39
 
CAPÍTULO 13

MOISÉS MANDA EXPLORAR A TERRA DE CANAÃ. MURMURAÇÃO E SEDIÇÃO DO POVO POR CAUSA DO RELATÓRIO QUE LHES FOI FEITO. JOSUÉ E CALEBE
FALAM GENEROSAMENTE DE CANAÃ. MOISÉS, DA PARTE DE DEUS,
ANUNCIA-LHES QUE, COMO CASTIGO PELO PECADO, ELES NÃO ENTRARIAM
NA TERRA QUE ELE LHES HAVIA PROMETIDO, MAS QUE SOMENTE OS SEUS
FILHOS A POSSUIRIAM. LOUVOR DE MOISÉS, A EXTREMA VENERAÇÃO EM
QUE SEMPRE VIVEU E COMO AINDA É VENERADO.

149. Números 13 e 14. Moisés levou em seguida o exército para as fronteiras dos cananeus, a um lugar chamado Para, onde é difícil morar, e ali falou a todo o povo, desta maneira: "Deus, pela sua extrema bondade para convosco, prometeu-vos a liberdade, terra abundante e toda espécie de bens. Agora desfrutareis uma e logo outra, pois acabamos de chegar à fronteira dos cananeus, dos quais nem os reis, nem as cidades, nem todas as forças unidas juntamente nos poderão impedir o usufruto do efeito de suas promessas. Preparai-vos, portanto, para combater generosamente, pois não será sem luta que vos abandonarão esse rico país. Mas nós o possuiremos contra a vontade deles, depois de os termos vencido. Precisamos começar por mandar alguém verificar a fertilidade da terra e a força dos que nela habitam. E necessitamos, principalmente, nos unirmos todos, mais do que nunca, e prestarmos a Deus a honra que lhe devemos, a fim de que Ele seja o nosso protetor e o nosso auxílio".
O povo enalteceu bastante essas propostas e escolheu doze dos mais importantes entre eles, um de cada tribo, para ir explorar o país dos cananeus, a Começar do lado que limita com o Egito, continuando até a cidade de Hamate e o monte Líbano. Empregaram quarenta dias nessa viagem e, depois de considerarem bastante a natureza do país e de estarem muito particularmente informados da maneira de viver dos seus habitantes, fizeram uma relação do que tinham visto e trouxeram frutos daquela terra, cujo tamanho e beleza animaram o povo a conquistá-la. Mas, ao mesmo tempo, todos esses enviados, exceto dois, desanimaram o povo pela dificuldade da empresa, dizendo que era necessário atravessar grandes rios, muito profundos, escalar montanhas quase inacessíveis, atacar cidades muito fortes e poderosas, combater os gigantes com se haviam deparado em Hebrom e que nada haviam encontrado de tão temível depois de haverem saído do Egito.
O medo desses homens passou assim do seu espírito para o do povo, que perdeu a esperança de obter um feliz resultado em tão difícil empreendimento. E então voltaram às suas tendas, com as suas mulheres e filhos, para lastimar a sua desgraça. O sofrimento e o desânimo levou-os mesmo a dizer que Deus lhes fazia muitas promessas, mas que não viam os resultados. Insurgiram-se ainda contra Moisés e passaram toda a noite a clamar contra ele e contra Arão. E, logo que raiou o dia, reuniram-se tumultuosamente, com o intento de apedrejá-los e de voltar para o Egito.
Josué, filho de Num, da tribo de Efraim, e Calebe, da tribo de Judá, que eram dois dos doze que haviam ido fazer o reconhecimento, vendo aquela desordem e temendo as conseqüências, disseram-lhes que não deviam perder a esperança, nem acusar a Deus de ser infiel às suas promessas e nem prestar fé aos vãos temores de que ouviram falar, representando as coisas muito diferentes do que eram na realidade, mas deviam acreditar na palavra deles e segui-los para a conquista daquela terra tão fértil; que se ofereciam para servir-lhes de guia naquela gloriosa empresa; que não viam nisso tantas dificuldades como lhes haviam dito: as montanhas não eram tão altas nem aqueles rios tão profundos que pudessem arrefecer nos homens a coragem; e que nada tinham a temer, pois Deus se manifestava em favor deles e queria combater por eles. "Marchai, pois, sem temor", acrescentaram, "na certeza de seu auxílio, e segui-nos para onde estamos prontos a vos levar!"
Enquanto esses dois verdadeiros e generosos israelitas assim falavam, para procurar acalmar a multidão tão revoltada, Moisés e Arão, prostrados por terra, rogavam a Deus não que os livrasse do furor do povo, mas que tivesse piedade da loucura daquela gente e lhes acalmasse os espíritos perturbados pelas necessidades presentes e por vãs apreensões para o futuro. A oração foi ouvida, e viu-se uma nuvem cobrir todo o Tabernáculo, sinal de que Deus o enchia com a sua presença.
Moisés, então, cheio de confiança, apresentou-se ao povo e disse-lhes que Deus estava resolvido a castigá-los, não tanto quanto eles o mereciam, mas do modo como o bom pai castiga os seus filhos. "Pois", acrescentou, "tendo entrado no Tabernáculo para pedir-lhe com lágrimas que não vos exterminasse, Ele me fez ver os benefícios com que já vos presenteou, bem como a vossa extrema ingratidão e a ofensa que lhe fazeis em prestar mais fé a falsas referências que às suas promessas. No entanto garantiu-me que, por vos ter escolhido dentre todas as nações para serdes o seu povo, não vos destruirá inteiramente, mas, para castigo de vosso pecado, não possuireis a terra de Canaã, nem desfrutareis a doçura e a abundância de seus frutos, e andareis errantes durante quarenta anos pelo deserto, sem ter casa nem cidades, o que não impedirá que Ele dê a vossos filhos a posse do país e dos bens que vos prometeu e dos quais vos tornastes indignos por vossa murmuração e desobediência".
Essas palavras encheram o povo de espanto e de profunda tristeza. Rogaram a Moisés que fosse o seu intercessor junto a Deus, para que Ele se dignasse esquecer-lhes a falta e cumprisse as suas promessas. Ele respondeu-lhes que não deviam esperar que a sua soberana Majestade se deixasse comover pelos seus rogos, porque não fora por transporte de cólera ou por leviandade, como os homens, mas por ato de justiça e de vontade deliberada que Deus havia pronunciado contra eles aquela sentença.
150. Ainda que pareça incrível que um só homem tenha podido acalmar num momento uma quase incontável multidão de homens, no mais forte de sua agitação e revolta, não há motivo para admiração, porque Deus, que sempre assistia Moisés, lhes havia preparado o coração para deixar-se persuadir por aquelas palavras, e porque já haviam experimentado muitas vezes, no meio de tanta infelicidade que os afligiu, castigos pela incredulidade e desobediência. Mas que maior sinal se pode desejar da eminente virtude desse admirável legislador e da maravilhosa autoridade que conquistou do que ver que não somente aqueles que viviam no seu tempo, mas toda a sua posteridade o tem em veneração? Tanto é que, ainda hoje, não se vê entre os hebreus quem não se julgue obrigado a observar com exatidão as suas ordens ou que não o considere presente e prestes a castiaar quem as infringir.
Dentre várias outras provas dessa autoridade mais que humana por ele adquirida, eis aqui uma, que me parece muito importante. Pessoas que tinham vindo das províncias de além do Eufrates para visitar o nosso Templo e nele oferecer os seus sacrifícios, tendo caminhado com grande perigo durante quatro meses, com muitas despesas e dificuldades, não puderam conseguir nem mesmo uma parte pequenina dos animais que ofereceram em holocausto, pois a nossa lei não o permite, por certas razões. Outras não puderam obter a licença para sacrificar. Outras ainda foram obrigadas a deixar os seus sacrifícios incompletos. E outras, por fim, não puderam sequer entrar no Templo. No entanto não se julgaram ofendidas e nem fizeram a menor queixa, preferindo obedecer às leis estabelecidas por esse grande personagem a satisfazer os próprios desejos. Essas pessoas foram levadas a tal submissão unicamente pela admiração à virtude de Moisés, porque, persuadidos de que ele recebera essas leis do próprio Deus, consideravam-no mais que um homem.
E, não há muito tempo, pouco antes da guerra dos judeus, sob o reinado do imperador Cláudio, quando Ismael era sumo sacerdote, a Judéia foi flagelada por uma grande carestia — uma medida de farinha era vendida por quatro dracmas. Levou-se, para a festa dos Asmos, setenta medidas, que perfazem trinta e um medins sicilianos e quarenta e um medins áticos, sem que nenhum dos sacerdotes, embora atormentados pela fome, ousasse tocar naquilo para comer, de tanto que temiam faltar à Lei e atrair sobre si a cólera de Deus, que castiga tão severamente os pecados, mesmo os ocultos.
Quem se admirará, então, de que Moisés tenha feito coisas tão extraordinárias, se depois de tantos séculos e ainda hoje vemos, no que deixou escrito, tal autoridade que mesmo os nossos inimigos são obrigados a reconhecer que foi o próprio Deus quem, por meio dele, outorgou aos homens uma regra de vida tão perfeita e se serviu de seu admirável proceder para fazer com que a recebessem? Todavia deixo a cada qual que julgue como lhe aprouver.


Que o Santo Espirito do Senhor, ilumine o nosso entendimento
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