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28 de novembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.70 - Davi Mata Golias, Saul Sente Inveja de Davi (Livro 6 Cap 11)

História De Israel – Teologia 31.70
 
CAPÍTULO 11

DAVI MATA GOLIAS. O EXÉRCITO DOS FILISTEUS FOGE, E SAUL FAZ ENORME CARNIFICINA. O REI SENTE INVEJA DE DAVI E, PARA VENCÊ-LA, PROMETE-LHE MICAL, SUA FILHA, EM CASAMENTO, COM A CONDIÇÃO DE QUE ELE LHE TRAGA OS PREPÚCIOS DE CEM FILISTEUS. DAVI ACEITA E FAZ O QUE ELE DESEJA.

237.  Davi, por quem Deus combatia de maneira invisível, avançou corajosamente contra Golias, tirou uma pedra da sacola, colocou-a na funda e lançou-a com tal rapidez que ela, atingindo o gigante no meio da testa, penetrou-lhe a cabeça e o fez cair morto, com o rosto em terra. O vencedor logo correu a ele e, como não tinha espada, serviu-se da do próprio gigante para cortar-lhe a cabeça.
O mesmo golpe que fez esse orgulhoso filisteu perder a vida infundiu tal terror no ânimo de todos os outros que eles, não ousando tentar a sorte em uma batalha após verem cair diante dos próprios olhos aquele no qual punham toda a sua confiança, deliberaram fugir. Os israelitas perseguiram-nos com grandes gritos de alegria até a fronteira de Gate e, às portas de Ascalom, mataram uns trinta mil e feriram duas vezes esse tanto. Voltaram para saquear o acampamento, ao qual puseram fogo depois de havê-lo devastado inteiramente. Davi levou a cabeça de Golias e consagrou a Deus a sua espada.
238.  Quando Saul voltou, triunfante, multidões de mulheres e de moças vieram ao seu encontro, cantando ao som de trombetas e de címbalos, para manifestar a sua alegria por tão importante vitória. As mulheres diziam que Saul havia matado mais de mil, e as moças, que Davi matara mais de dez mil. Palavras tão elogiosas a Davi causaram tanta inveja a Saul que ele pensou que, depois de tantos louvores, só lhe faltava mesmo o nome de rei. Começou então a temê-lo e a julgar que não teria mais segurança se o conservasse junto de si. Assim, com o pretexto de agradecer-lhe, mas na realidade pretendendo afastá-lo e eliminá-lo, deu-lhe mil homens para comandar, julgando que não seria difícil ele perecer num cargo em que estaria exposto a muitos perigos.
Deus, todavia, não abandonava Davi, e ele saiu-se tão bem em todos os seus empreendimentos que o seu extraordinário valor lhe granjeou uma estima geral. E Mical, uma das filhas de Saul que ainda não estava casada, ficou tão enamorada dele que a sua paixão não passou desapercebida nem mesmo ao rei, seu pai. Saul, em vez de se aborrecer, ficou contente, imaginando ali uma oportunidade para eliminar Davi. Respondeu aos que lhe comunicaram o fato que daria a Davi, de muito boa vontade, a princesa em casamento. Ele raciocinava assim: "Eu lhe direi que desejo que ele me traga, em troca dessa honra, os prepucios de cem filisteus. Estou certo de que, sendo tão valente e generoso, aceitará com alegria essa condição porque, quanto mais perigosa, tanto maior glória lhe proporcionará. E, não havendo risco ao qual ele não se exponha, desfaço-me dele sem que de nada me possam censurar".
Depois de tomar essa resolução, deu ordem para sondarem os sentimentos de Davi com relação ao casamento. Os encarregados da missão disseram a Davi que o rei tinha tanta afeição a ele e via com tanto prazer a estima que o povo lhe devotava que queria dar-lhe em casamento a princesa, sua filha. Ele respondeu-lhes: "Se não compreendeis qual a honra de ser genro do rei, então não me pareço convosco, pois não tenho dificuldade alguma em compreendê-lo e em constatar quão grande é a desproporção entre uma condição tão elevada e a humildade de meu nascimento".
Foram aqueles homens relatar a Saul as palavras de Davi, e o rei mandou-os de volta, para dizer que não se incomodava que Davi não fosse rico e não pudesse oferecer à sua filha grandes presentes, pois não pretendia vendê-la, mas dá-la; que lhe era suficiente encontrar no genro um valor extraordinário, acompanhado de todas as outras virtudes que nele havia constatado; que não lhe pedia outra coisa senão uma guerra mortal aos filisteus e que lhe trouxesse os prepucios de cem deles; que aquele seria o maior e o mais agradável dos presentes que Davi poderia oferecer a ele e à filha, pois não era de condição a receber somente dádivas comuns; e que não podia fazer uma escolha mais digna dela que lhe dar por marido um homem que triunfara dos inimigos de seu pai e de sua pátria.
Julgando Davi que Saul agia sinceramente, não pôs dificuldade em realizar aquela empresa. Aceitou com alegria aquela condição e, para cumpri-la, atacou imediatamente os inimigos, juntamente com os homens que comandava. Deus ajudou-o nessa ocasião, bem como em todas as outras, e ele pôde matar um grande número de filisteus. Levou ao rei duzentos prepucios, cem a mais do que ele exigira, é pédíti-lhe que cumprisse a sua promessa.


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