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1 de dezembro de 2017

História De Israel – Teologia 31.84 - Davi Perdoa Simei e Dá a Mefibosete A Metade De Seus Bens (Livro 7 Cap 10)

História De Israel – Teologia 31.84
 
CAPÍTULO 10

DAVI, DEMONSTRANDO EXCESSIVA DOR PELA MORTE DE ABSALÃO, É CONSOLADO POR JOABE. DAVI PERDOA SIMEI E DÁ A MEFIBOSETE A METADE
DE SEUS BENS. TODAS AS TRIBOS VOLTAM A OBEDECER-LHE. A DEJUDÁ É A
PREFERIDA, E AS OUTRAS SENTEM INVEJA, REVOLTANDO-SE POR INCITAMENTO
DE SEBA. DAVI DETERMINA QUEAMASA MARCHE CONTRA ELE. COMO
AMASA DEMORA A VOLTAR, ENVIA JOABE COM OS QUE TEM JUNTO DE SI.
JOABE ENCONTRA AMASA E MATA-O À TRAIÇÃO. PERSEGUE SEBA E TRAZ A
CABEÇA DELE A DAVI. GRANDE CARESTIA ENVIADA POR DEUS DEVIDO AOS
MAUS-TRATOS DE SAUL PARA COM OS GIBEONITAS. DAVI OS SATISFAZ, E A
CARESTIA CESSA. ELE ADIANTA-SE NUM COMBATE E É SALVO PORABISAI DE
MORRER NAS MÃOS DE UM GIGANTE. DEPOIS VENCER DIVERSAS VEZES OS
FILISTEUS, DESFRUTA GRANDE PAZ. COMPÕE DIVERSAS OBRAS EM LOUVOR A
DEUS. INCRÍVEIS ATOS DE VALOR DOS BRAVOS DE DAVI. DEUS MANDA UMA
GRANDE PESTE PARA CASTIGÁ-LO POR TER FEITO O RECENSEAMENTO DOS
HOMENS APTOS PARA PEGAR EM ARMAS. DAVI, PARA APLACÁ-LO, ERGUE UM
ALTAR. DEUS PROMETE-LHE QUE SALOMÃO CONSTRUIRÁ O TEMPLO. ELE REÚNE
AS COISAS NECESSÁRIAS PARA A CONSTRUÇÃO.

290. Depois da morte de Absalão, o seu partido desapareceu completamente. Aimaas, filho de Zadoque, sumo sacerdote, rogou a Joabe que o mandasse levar a Davi a notícia da vitória e do auxílio que haviam recebido de Deus. Joabe, porém, respondeu-lhe que, tendo ele até então levado a Davi apenas boas notícias, não julgava bom que agora lhe levasse uma informação tão triste como a da morte de Absalão. E enviou Cusi para narrar a Davi o que se havia passado. Aimaas rogou então que lhe permitisse ao menos ir para informá-lo do feliz êxito da batalha, sem falar-lhe de Absalão, e Joabe concordou. Partiu no mesmo instante e, como conhecia um caminho mais curto que o tomado pelo etíope, chegou antes dele.
Davi estava à porta da cidade, esperando notícias de alguém que tivesse tomado parte no combate. Uma sentinela, vendo aproximar-se Aimaas e não o reconhecendo, porque ele ainda estava muito longe, avisou que um homem se aproximava rapidamente. O rei tomou a pressa como um bom augúrio. Logo depois, a sentinela disse que vinha um outro, o que o príncipe julgou ser ainda um bom sinal. Quando Aimaas já estava bem perto, a sentinela reconheceu-o e disse ao rei que era Aimaas, filho do sumo sacerdote. Então Davi não duvidou mais de que ele lhe trazia boas notícias. Aimaas, depois de se ter prostrado diante dele, disse-lhe que o seu exército havia conquistado a vitória. Davi, sem falar de outra coisa, perguntou-lhe o que havia acontecido a Absalão. Ele respondeu nada poder informar, porque Joabe o fizera partir imediatamente após a vitória, para trazer-lhe a notícia. Sabia apenas que um grande número de soldados o perseguia com grande ânsia.
O etíope chegou em seguida, prostrou-se diante do rei e confirmou a notícia da vitória. Davi perguntou-lhe também a respeito de Absalão, e ele respondeu:
"Desejo que o que aconteceu a Absalão aconteça a todos os vossos inimigos". Essas palavras apagaram do coração de Davi toda a alegria que ele sentira pela vitória, e a sua imensa tristeza perturbou os servidores. Foi ao lugar mais alto da cidade e lá chorou o seu filho. Batia no próprio estômago, arrancava o cabelo e, não pondo limites à dor, gritava em alta voz: "Absalão! Meu filho Absalão! Prouvera a Deus que eu tivesse morrido contigo!"
Além de ser Davi de uma natureza extremamente terna, Absalão, dentre os filhos que lhe restavam, era o que mais ele amava. Os soldados, regressando, souberam de sua extrema aflição e julgaram que não seria conveniente comparecer à sua presença como vitoriosos e triunfantes. E assim entraram também chorando na cidade, de olhos baixos, como se tivessem sido vencidos.
Joabe, porém, vendo que o rei tinha a cabeça coberta e continuava a chorar amargamente o filho, falou-lhe: "Vossa majestade sabe o que faz e em que perigo se põe? Não está parecendo que vossa majestade odeia os que tudo arriscaram a vosso serviço e também a vós mesmos e toda a família real, afligindo-vos tanto com a morte de vosso maior inimigo? Se Absalão tivesse vencido e confirmado a sua injusta dominação, haveria algum de nós a quem ele teria poupado a vida? Não teria ele começado por vossa majestade e pelos vossos filhos? Longe de chorar por nós e por vossa majestade, como vossa majestade o faz, ele não somente se teria regozijado, mas teria castigado até os que tivessem compaixão de nossa infelicidade. Não tem pois vossa majestade vergonha de lamentar assim o maior de vossos inimigos, o qual, após receber vida de vossa majestade, tornou-se tanto mais ímpio quanto vos devia em honra e respeito? Deixai portanto de lamentar e de vos afligir por motivo injusto. Apresentai-vos aos vossos soldados e expressai a eles o agradecimento que lhes deveis por haverem conquistado com o preço do próprio sangue tão importante vitória. Se não o fizerdes e continuardes a mostrar tão irrazoável mágoa, protesto-vos que desde hoje, sem esperar mais, porei a coroa sobre a cabeça de um outro, e então terá vossa majestade verdadeiro motivo de aflição".
Essas palavras acalmaram o Espírito de Davi e despertaram-lhe as obrigações que a qualidade de rei exigia para o povo e para a nação. Mudou os vestess e, para alegrar os soldados, saiu de seu aposento e apresentou-se a eles. Então cada um deles veio prestar-lhe homenagens.
291. Os que se haviam salvado do exército de Absalão vieram de todas as cidades apresentar as suas homenagens a Davi, pois a vitória deste os fez reconquistar a liberdade. Eles reconheceram que estavam errados e que haviam feito mal em se revoltar contra ele. E, agora que Absalão estava morto, queriam pedir a Davi que os perdoasse e suplicar que retomasse o governo do reino.
Davi soube de tudo e escreveu então aos sumos sacerdotes, Zadoque e Abiatar, que dissessem também aos chefes da tribo de Judá que, sendo o rei da mesma tribo que eles, ser-lhes-ia vergonhoso se fossem os últimos a manifestar-lhe a sua afeição e em restabelecê-lo em seu estado e que relatassem a mesma coisa a Amasa, acrescentando que, tendo a vantagem de ser sobrinho do rei, ele deveria esperar não somente o perdão por ter tomado as armas contra ele, mas também a confirmação no cargo de general, a que Absalão o elevara.
Zadoque e Abiatar cumpriram seriamente essa comissão, de modo que tudo saiu como Davi desejava. Assim, todas as tribos enviaram-lhe embaixadores, por iniciativa de Amasa, rogando-lhe que voltasse a Jerusalém. Mas a de judá sobressaiu-se dentre as demais nessa ocasião, pois veio até diante dele, no rio Jordão.
292.  Simei foi também, com mil homens de sua tribo, e Ziba lá estava, com os seus quinze filhos e vinte servidores. Ao chegar à margem do rio, fizeram uma ponte com barcos, para facilitar a passagem do rei e dos que o acompanhavam. E, quando ele se aproximou da margem, toda a tribo de Judá saudou-o. Simei lançou-se-lhe aos pés, sobre a ponte, pedindo perdão e suplicando-lhe que considerasse que ele era o primeiro a manifestar arrependimento. Conjurou-o ainda a não usar do poder para castigar aos que o haviam ofendido.
Abisai, ouvindo-o falar assim, disse-lhe: "Julgais então que isso basta para evitar o suplício que mereceis por ter blasfemado contra o rei que o próprio Deus nos deu?" Mas Davi tomou a palavra e disse a Abisai: "Não perturbemos a alegria desta jornada. Eu a considero como o primeiro dia do meu reinado e quero perdoar a todos". Disse em seguida a Simei: "Não temas! Tua vida está segura!" Simei prostrou-se até o chão e depois foi andando diante dele.
293.  Mefibosete, filho de Jônatas, chegou depois, vestido miseravelmente e com a barba e os cabelos cheios de imundícies, pois ficara tão vivamente sentido pela infelicidade do rei que não os quis cortar desde o dia em que Davi saíra de Jerusalém e continuou a negligenciar o resto de sua pessoa, tanto era falsa a acusação de Ziba contra ele. Davi, depois que esse príncipe tão bom quanto infeliz o saudou, perguntou-lhe por que não o havia acompanhado em sua retirada.
Disse ele: "Ziba foi a única causa disso, majestade. Ordenei-lhe que preparasse tudo para que eu o seguisse, mas ele não obedeceu e ainda tratou-me com muito desprezo. Isso não me impediria de partir se eu tivesse boas pernas. Porém ele fez ainda mais, majestade. Não se contentando em me impedir de cumprir o meu dever e de vos demonstrar a minha afeição e fidelidade, acusou-me falsamente perante vossa majestade. Mas bem conheço a vossa prudência, justiça e piedade e também o amor que tendes pela verdade, para temer que vossa majestade tenha prestado fé às suas calúnias. Sei que quando estava em vosso poder vingar-se da perseguição sofrida durante o reinado de meu avô, vossa majestade não o quis fazer. Jamais esquecerei as obrigações que vos devo, por receber-me no número de vossos amigos depois de restaurado no trono e por tratar-me como a um de vossos parentes, fazendo-me comer à vossa mesa".
Depois de ouvi-lo falar assim, Davi não procurou saber se ele era culpado nem verificar se Ziba o caluniara, contentando-se em dizer que ordenaria a Ziba que lhe restituísse a metade dos bens que recebera em confisco. A isso ele respondeu: "Majestade, que ele conserve tudo. Para eu ficar contente, basta-me ver vossa majestade reassumir gloriosamente o reino".
294.  Barzilai, gileadita, homem muito hábil e bom cidadão que ajudou muito a Davi durante o tempo da infelicidade deste, levou-o até o Jordão. Davi insistiu que ele o acompanhasse até Jerusalém e prometeu dedicar-lhe a honra e o afeto de um pai. Barzilai agradeceu, mas suplicou insistentemente que o rei lhe permitisse voltar para pensar apenas em se preparar para a morte, pois, tendo mais de oitenta anos, não estava mais na idade de gozar dos prazeres do mundo.
Davi, não podendo convencê-lo a acompanhá-lo, rogou-lhe que lhe desse pelo menos o filho Quimã, para que pudesse testemunhar na pessoa dele aquela amizade. Então Barzilai, depois de se prostrar diante dos príncipes e de lhes desejar toda sorte de felicidade e prosperidade, voltou para casa.
295.  Quando Davi chegou a Cilgal, a tribo de Judá inteira e quase metade de todas as outras posicionaram-se junto dele. Os principais da província, acompanhados por uma grande multidão de seus habitantes, queixaram-se de que os de Judá vieram à presença do rei sem os avisar, pois se o tivessem sabido não teriam deixado de ir também.
296.  Os príncipes de Judá responderam que não houve intenção de ofendê-los, pois, sendo da mesma tribo do rei, tinham, mais que os outros, obrigação de apresentar-lhe as suas homenagens particulares, e que não pretenderam absolutamente tirar qualquer vantagem disso, apenas cumprir um dever. Essa desculpa não satisfez os príncipes das outras tribos, que retrucaram: "Não podemos deixar de muito nos admirar que estejais persuadidos de que o rei, por ser da vossa tribo, vos é mais próximo, pois Deus no-lo deu a todos, igualmente. Vossa tribo não pode ter nisso nenhuma vantagem sobre as demais, porque é apenas a duodécima parte do todo. Assim, fizestes mal em ir à presença do rei sem nos avisar".
2 Samuel 20. Como a divergência aumentava e os ânimos se acaloravam, Seba, filho de Bicri, da tribo de Benjamim, que era sedicioso e mau-caráter, gritou com toda força: "Nós não temos parte com Davi e não conhecemos o filho de Jessé". Mandou em seguida tocar as trompas, para mostrar, com esse sinal, que lhe declarava guerra. No mesmo instante, todas as tribos abandonaram Davi, exceto a de Judá, que o levou a Jerusalém. Lá mandou sair do palácio as concubinas de que Absalão havia abusado. Colocou-as numa casa e cuidou de sua manutenção, porém nunca mais as viu.
297. Davi concedeu a Amasa, como havia prometido, o cargo de general de seu exército, antes comandado por Joabe, ordenando-lhe que fosse recrutar o maior número possível de homens da tribo de Judá e os trouxesse dentro de três dias, para marchar imediatamente contra Seba. Passou-se o terceiro dia, e Amasa não voltou. Temendo que o partido de Seba se tornasse mais forte e o fizesse correr o mesmo risco que correra com Absalão, Davi não quis esperar mais. Ordenou a Joabe que tomasse todas as forças que estavam com ele e a companhia de seiscentos homens e marchasse rapidamente contra Seba, para dar-lhe combate onde ele estivesse e para que, se tivesse ocasião de se tornar senhor de alguma praça-forte, não lhe causasse dissabores.
Joabe, acompanhado por Abisai, seu irmão, partiu imediatamente, armado com couraça, levando a companhia de seiscentos homens que sempre acompanhava Davi e as outras tropas que estavam em Jerusalém. Quando chegou à aldeia de Gibeão, distante quarenta estádios de Jerusalém, encontrou Amasa, que conduzia um grande número de soldados. Aproximou-se dele e, deixando de propósito cair a espada fora da bainha, apanhou-a de volta. E assim, de espada na mão, como que por acaso, tomou Amasa pela barba, com o pretexto de abraçá-lo, e matou-o com um golpe que lhe atravessou o corpo.
Por mais infame que tenha sido a ação de Joabe ao assassinar Abner, a última foi ainda mais detestável, pois àquela podia-se acrescentar a grande dor pela morte de Asael, seu irmão, ao passo que esta foi motivada unicamente pela inveja, porque o rei dera a Amasa o cargo de general, em demonstração de afeto. Tal sentimento levou-o a matar com as próprias mãos, manchando-as no sangue de um homem de grande mérito e de grandes esperanças, que jamais lhe fizera mal algum e ainda era seu parente.
Depois de cometer esse crime, Joabe marchou contra Seba, deixando junto do corpo um homem com o encargo de gritar em alta voz a todas as tropas conduzidas por Amasa que ele fora castigado como merecia e que, se quisessem demonstrar afeto ao rei, deviam seguir Joabe, general de seu exército, e Abisai, seu irmão. O homem executou a ordem e, depois que todos viram com espanto aquele corpo, mandou cobri-lo com um manto e levá-lo a um lugar afastado do caminho.
298. Todas as tropas seguiram Joabe, o qual, depois perseguir Seba por muito tempo, soube ele se havia encerrado em Abel-Bete-Maaca, que é uma praça-forte. Para lá partiu, a fim de prendê-lo. Mas os habitantes dessa praça não o deixaram entrar. Isso o enfureceu de tal modo que ele sitiou a cidade com o propósito de não poupar nenhum deles e de destruir a cidade completamente.
Uma mulher de grande inteligência, vendo o extremo perigo que corriam devido àquela imprudência, levada pelo amor à pátria, subiu à muralha e gritou para a guarda mais próxima dos sitiantes que desejava falar com o general deles. Joabe veio, e ela disse-lhe: "Deus estabeleceu o rei sobre os povos para garanti-los contra os inimigos e fazê-los desfrutar a paz. Mas vós, ao contrário, quereis empregar as armas do rei para destruir uma de suas principais cidades, embora jamais o tenhamos ofendido".
Joabe respondeu-lhe que, bem longe de ter essa intenção, lhe desejava toda sorte de felicidade. Queria somente que lhe entregassem o traidor Seba, que se revoltara contra o rei, e então levantaria imediatamente o cerco. A mulher disse-lhe que tivesse um pouco de paciência, e dar-lhe-iam satisfação. Reuniu em seguida todos os habitantes e disse-lhes: "Estais então resolvidos a perecer com vossas esposas e filhos por amor a um homem mau que nem mesmo conheceis, para protegê-lo contra o rei, a quem sois devedores de tantos benefícios? Julgais que sois bastante fortes para resistir a um poderoso exército?"
Essas palavras os persuadiram, e eles cortaram a cabeça de Seba e a atiraram ao acampamento de Joabe, que no mesmo instante levantou o cerco e regressou a Jerusalém. Tão grande feito obrigou Davi a confirmá-lo no cargo de general. Em seguida, o rei elevou Benaia a comandante de sua guarda e da companhia de seiscentos homens. Encarregou Adorão de receber os impostos, deu o encargo dos registros a Josafá e a Seva e manteve Zadoque e Abiatar no sumo sacerdócio.
299.  2 Samuel 21. Pouco tempo depois, o reino inteiro foi assolado por uma grande carestia. Davi recorreu a Deus e rogou-lhe que tivesse compaixão de seu povo e que não somente revelasse a causa daquele mal, mas também o remédio. Os profetas responderam ao rei que a carestia iria continuar até que o gibeonitas fossem vingados da injustiça de Saul, que matara vários deles, em prejuízo da aliança que Josué fizera com eles, havendo ele e o senado jurado solenemente. Assim, o único meio de aplacar a cólera de Deus e de fazer cessar a carestia era dar àquele povo a satisfação que ele desejava.
Davi, após essa resposta, mandou logo chamar os principais dos gibeonitas e perguntou-lhes o que se poderia fazer para contentá-los. Responderam-lhe que queriam sete pessoas da família de Saul para enforcá-las. Davi concordou, excetuando, porém, Mefibosete, ao qual desejou poupar por ser filho de Jônatas. Assim, estando os gibeonitas plenamente satisfeitos, Deus fez cair sobre a terra chuvas brandas e benéficas, que lhe restituíram a primitiva beleza. Começou a ser de novo fecunda, e os israelitas voltaram também à primeira condição, de feliz abundância.
300. Como Davi preferia o interesse da nação ao descanso, atacou os filisteus e os venceu num grande combate. O ardor com que os perseguia levou-o tão além que ele se sentiu cansado e percebeu que as forças lhe faltavam. Então um filisteu da raça dos gigantes, de nome Isbi-Benobe, filho de Arafa, que estava coberto com uma jaqueta de malha e tinha, além da espada, um dardo que pesava trezentos sidos, vendo-o naquele estado, correu para ele, prostrou-o por terra e o teria matado se Abisai não tivesse vindo em seu socorro e matado o temível gigante.
O exército inteiro ficou alarmado com o perigo que o rei havia corrido, e os chefes, não podendo tolerar que o excesso de coragem os pusesse em risco de perder o melhor príncipe do mundo, cujo sábio proceder fazia toda a sua felicidade, obrigaram-no a prometer com juramento que não tomaria mais parte nas batalhas.
Após esse combate, os filisteus reuniram-se na cidade de Gaza. Logo que Davi o soube, enviou contra eles um grande exército. Dentre os mais valentes dos seus, um cheneense de nome Sobaque sobressaiu-se muito nessa guerra e foi um dos principais motivos da vitória, porque matou vários daqueles que se vangloriavam de ser da raça dos gigantes, aos quais a extraordinária força tornava ousados e soberbos.
Tão grande perda não abateu a coragem dos filisteus, e eles recomeçaram a guerra. Davi então enviou contra eles Nefã, um de seus parentes, que conquistou grande fama, pois combateu-os corpo a corpo e matou o mais forte e o mais valente dos filisteus, o que deixou os outros muito pasmados, e fugiram. Essa iornada custou a vida a vários desses poderosos inimigos.
Algum tempo depois, puseram-se eles em campo novamente, e vieram para perto da fronteira dos israelitas, jônatas, filho de Siméia, sobrinho de Davi, matou um deles, um terrível gigante que tinha seis côvados de altura e seis dedos em cada pé e em cada mão. Se esse combate foi tão glorioso ao bravo israelita, não foi menos vantajoso para a sua nação, porque desde aquele dia os filisteus não se atreveram mais a lhes fazer guerra.
301.  2 Samuel 22. Davi, após correr tantos perigos e vencer tantas batalhas, teve momentos de paz e tranqüilidade. Começou então a compor vários cânticos, hinos e salmos em louvor a Deus, em versos de diversas medidas, pois uns eram trímetros e outros pentâmetros. Ordenou que os levitas os cantassem nos sábados e nos outros dias de festa, com diversos instrumentos de música, que ele fabricara para essa ocasião, dentre os quais havia violões de dez cordas, que se tocavam com um arco, e saltérios de doze tons, que se tocavam com os dedos, além de grandes timbales de bronze. E seja isso suficiente para que não se diga que esses instrumentos são inteiramente desconhecidos.
302.  2 Samuel 23. O príncipe tinha sempre junto de si homens de valor extraordinário, dos quais trinta e oito estavam entre os mais distintos. Contentar-me-ei em citar cinco deles, para que se saiba até que ponto ia a coragem heróica que os tornava capazes de vencer nações inteiras.
O primeiro era Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, que rompeu diversas vezes os batalhões inimigos e matou oitocentos homens num só combate.
O segundo era Eleazar, filho de Dodô, que ficou sozinho quando os israelitas, espantados pelo grande número de filisteus, fugiram, na jornada de Azaram, onde ele estava com Davi, e deteve os inimigos, causando tal morticínio que o sangue de que se molhara a sua espada colou-a em sua mão. Isso deu tanta coragem aos seus que eles não somente fizeram meia-volta como também penetraram os batalhões que ele já havia desfeito, obtendo aquela memorável vitória na qual uma parte dos soldados teve de se ocupar em despojar os mortos que caíam sob os golpes fulminantes de Eleazar.
O terceiro era Sama, filho de Agé, o qual, vendo os hebreus recuarem assustados com a aproximação dos filisteus, que se haviam preparado para a batalha num campo denominado Maxilar, enfrentou sozinho muitos inimigos e praticou atos de bravura tão extraordinários que os desbaratou, pô-los em fuga e depois ainda os perseguiu.
Eis aqui outro feito desses três heróis. Quando os filisteus voltaram com um grande exército e acamparam no vale que se estende até Belém e fica próximo de Jerusalém mais ou menos uns vinte estádios, Davi, que então estava na cidade, subiu à fortaleza para perguntar a Deus qual seria o êxito daquela guerra e pronunciou também estas palavras: "Oh! Que boa água se bebe em meu país, principalmente a daquela cisterna que está perto da porta de Belém. Na verdade, se alguém me pudesse trazer tal presente, ser-me-ia muito mais agradável que uma grande soma de dinheiro".
Esses três valentes, ouvindo-o falar assim, partiram imediatamente, atravessaram todo o acampamento dos inimigos, foram a Belém, tiraram água daquela cisterna, voltaram pelo mesmo caminho e a apresentaram ao rei, sem que filisteu algum se opusesse à sua passagem, quer pelo espanto com a ousadia deles, quer pelo pequeno número, que não lhes podia causar temor nem apreensões. Davi, porém, contentou-se em receber a água de suas mãos. Não a quis beber, dizendo: "A gravidade do perigo ao qual homens tão valentes se expuseram para trazê-la torna-a demasiado cara". Assim, ele a derramou como oferta na presença de Deus, dando-lhe graças por haver conservado aqueles que com ela o presentearam.
O quarto desse bravos era Abisai, irmão de Joabe, que num só combate matou trezentos inimigos.
O quinto era Benaia, da casta sacerdotal. Atacado ao mesmo tempo por dois irmãos que passavam pelos mais valentes dos moabitas, matou a ambos. Depois, sem armas, foi atacado por um egípcio de estatura prodigiosa e bem armado. Matou-o com a própria lança, que lhe arrancara das mãos. E, não tendo outra arma senão um cajado, matou um leão numa cisterna em que caíra durante uma tempestade de neve.
303. 2 Samuel 24. Esses foram os feitos desses cinco homens extraordinários. Os outros trinta e três não lhes ficavam atrás, nem em força nem em coragem.
Davi, querendo saber o número de homens que podiam pegar em armas no seu reino e não se lembrando de que Moisés ordenara que se pagasse a Deus meio sido por cabeça todas as vezes que fosse feito um recenseamento, disse a Joabe que o realizasse. Este desculpou-se, dizendo que aquilo não era necessário. Mas Davi deu-lhe ordem de maneira taxativa.
Assim, Joabe partiu e, depois de nove meses de trabalho mais vinte dias, foi procurá-lo em Jerusalém, com os príncipes das tribos e os escribas. Pela relação que lhe apresentou, constataram que o número dos que podiam pegar em armas totalizava oitocentos mil homens, sem estarem incluídas a tribo de Judá, que sozinha podia fornecer quinhentos mil, e as de Benjamim e Levi, porque antes que se concluísse o recenseamento o rei as havia mandado voltar, pois os profetas haviam feito conhecer ao rei o pecado que este cometera. O religioso príncipe pediu perdão a Deus, que ordenou, por meio de Gade, seu profeta, que ele escolhesse qual destes três castigos preferia: uma carestia geral de sete anos, uma guerra de três meses, na qual ele seria sempre vencido, ou uma peste de três dias.
Davi ficou tão perplexo ante tais propostas que nada soube dizer. Não sabia, dentre esses males, qual escolher. O profeta insistia que ele resolvesse logo, a fim de levara resposta a Deus. Davi considerou que, se escolhesse a carestia, podiam pensar que ele preferira a própria conservação à de seus súditos, pois, embora viesse a faltar pão aos demais, o rei não seria privado dele. Se escolhesse a guerra, do mesmo modo não correria grande risco, tendo praças-fortes e muitos soldados para velar pela sua segurança. Mas se escolhesse a peste, daria provas de que não tinha em conta nenhum interesse particular, porque a doença é igualmente perigosa, tanto para um rei quanto para o menor de seus súditos. Assim, ele deliberou pedi-la, imaginando que lhe seria mais vantajoso cair nas mãos de Deus que nas dos homens.
Não acabara o profeta de dar a Deus a resposta, e o terrível flagelo devastou o reino, sem que se conhecesse algo para debelar tão cruel enfermidade. Parecia em geral uma peste muito violenta, mas feria os homens de maneira diferente. Em alguns, não aparecia, mas morriam do mesmo modo que os outros e muito depressa. Outros expiravam em meio a dores atrozes e violentíssimas. Alguns, não podendo tolerar o remédio, pereciam nas mãos dos médicos. Outros perdiam a visão num momento e logo depois ficavam sufocados. E havia quem morresse ao sepultar os mortos, sendo enterrados com eles. Tão espantoso contágio matou numa única manhã setenta mil homens.
O anjo exterminador enviado por Deus mantinha os braços erguidos para fazer Jerusalém sentir os efeitos de sua cólera. Davi, revestido de um saco e com a cabeça coberta de cinzas, prostrou-se por terra, pedindo a Deus que se contentasse com aquele grande número de mortos e aplacasse a sua cólera. Então ele viu o anjo cruzar o espaço com uma espada desembainhada na mão e gritou com todas as suas forças que somente ele, Davi, merecia ser castigado, pois era o único culpado, e não o seu povo. O povo era inocente. Rogou a Deus que lhe perdoasse e se contentasse em fazê-lo perecer com toda a sua família. Deus, comovido por essa oração, fez cessar a terrível peste e mandou-lhe dizer pelo mesmo profeta que erguesse um altar na eira de Araúna e ali oferecesse um sacrifício.
Araúna era um jebuseu. Davi o havia poupado depois de tomar a cidade, tanta era a afeição que tinha por ele. Sem demora, o rei dirigiu-se à casa dele e encontrou-o batendo trigo na eira. Araúna correu para o rei, prostrou-se diante dele e perguntou-lhe de onde vinha e a que devia a honra daquela visita. Davi respondeu que viera comprar a eira, para erguer ali um altar e oferecer a Deus um sacrifício. Replicou Araúna: "A eira, a charrua e os bois estão ao serviço de vossa majestade. Cedo-os de todo o coração e rogo a Deus que tenha esse sacrifício como agradável".
O rei louvou a sua liberalidade e franqueza, manifestando todo o seu agradecimento, mas não quis aceitar a oferta, afirmando que não se devem oferecer a Deus vítimas recebidas como presentes. Assim, comprou tudo por cinqüenta sidos, ergueu um altar e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas. Esse local é o mesmo ao qual Abraão levou Isaque para oferecê-lo a Deus em sacrifício, aparecendo bem perto um carneiro quando ele erguia o braço para feri-lo, que foi imolado no lugar do filho. Davi, percebendo que Deus se inclinava a aceitar o sacrifício, deu a esse altar o nome de Todo o Povo e escolheu-o para ali construir o Templo. Deus aceitou-o de tão boa vontade que no mesmo instante mandou dizer pelo seu profeta que o filho e sucessor de Davi executaria o desejo deste.
Depois dessas palavras, Davi mandou fazer o recenseamento dos estrangeiros que habitavam o seu reino. Constatou que eram uns cento e oitenta mil. Destes, empregou oitenta mil para cortar pedras e o resto para transportá-las, bem como aos outros materiais, exceto uns três mil e quinhentos, designados para vigiar e dirigir os trabalhos, juntou bastante ferro, cobre e uma enorme quantidade de madeira de cedro, fornecida pelos tírios e pelos sidônios. Ele dizia aos amigos que fazia todos esses preparativos para poupar trabalho ao filho, que ainda era muito jovem, e facilitar-lhe a construção do Templo.




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