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3 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.198 (Livro 14 Cap 25) BARZAFARNÉS CONSERVA PRESOS FAZAEL E HIRCANO. MANDA SOLDADOS A JERUSALÉM PARA PRENDER HERODES. DURANTE A NOITE, HERODES SE RETIRA COM TODOS OS SEUS SOLDADOS E PARENTES. E ATACADO NO CAMINHO, MAS LEVA VANTAGEM. FAZAEL SUICIDA-SE. INGRATIDÃO DO REI DOS ÁRABES PARA COM HERODES, QUE VAI A ROMA.

História De Israel – Teologia 31.198

 
CAPÍTULO 25

BARZAFARNÉS CONSERVA PRESOS FAZAEL E HIRCANO. MANDA SOLDADOS A
JERUSALÉM PARA PRENDER HERODES. DURANTE A NOITE, HERODES SE RETIRA
COM TODOS OS SEUS SOLDADOS E PARENTES. E ATACADO NO CAMINHO, MAS
LEVA VANTAGEM. FAZAEL SUICIDA-SE. INGRATIDÃO DO REI DOS ÁRABES PARA
COM HERODES, QUE VAI A ROMA.

608. Logo que Barzafarnés partiu, prenderam Hircano e Fazael, que nada mais pôde fazer senão execrar tal perfídia. Aquele bárbaro mandou ao mesmo tempo um eunuco a Jerusalém, a Herodes, com ordem de atraí-lo para fora do palácio e prendê-lo. Mas este sabia que os partos haviam aprisionado os que Fazael lhe mandara para avisá-lo da traição. Fez graves queixas a Pacoro e a todos os outros chefes, e eles, embora de tudo soubessem, fingiram completa ignorância do que se passava e disseram-lhe que ele não devia criar dificuldades para sair do palácio a fim de receber as cartas que lhe queriam entregar, pois traziam somente boas notícias de seu irmão. Herodes não prestou fé a essas palavras porque já sabia da prisão de Fazael, confirmada por Alexandra, filha de Hircano, cuja filha ele devia desposar. Embora os outros zombassem de seus avisos, ela não deixava de os considerar atentamente, porque era uma mulher muito hábil.
Os partos, embaraçados quanto ao que deviam fazer, porque não ousavam atacar abertamente um homem tão destemido, deixaram para o dia seguinte a sua determinação. Então Herodes, não podendo mais duvidar de sua perfídia e da prisão de seu irmão, embora outros afirmassem o contrário, resolveu aproveitar para fugir naquela mesma tarde, evitando permanecer em tal risco no meio de seus inimigos. Para realizar essa resolução, tomou tudo o que tinha de soldados, fez subir em carros puxados por cavalos sua mãe, sua irmã, sua noiva Mariana, Alexandra, mãe dela, seu irmão, todos os criados e o resto dos servidores. Assim, tomou o caminho para a Iduméia sem que os inimigos o soubessem.
Teria sido impossível permanecer insensível diante de tão triste espetáculo. Mulheres banhadas em lágrimas e aflitas pela dor arrastavam os filhos, abandonavam o seu país e deixavam parentes na prisão, não podendo esperar também para si mesmas uma sorte melhor. Nada, porém, pôde abater a coragem de Herodes. Nessa contingência, ele mostrou que o seu valor era maior que a sua infelicidade e durante toda a viagem não deixava de exortá-los a suportar corajosamente a situação a que se encontravam reduzidos, sem se deixar dominar pela tristeza ou por queixumes inúteis, que só iriam retardar a fuga, sua única esperança de salvação. Mas aconteceu um acidente, e este o tocou de tal modo que pouco faltou para que não se suicidasse: o carro no qual estava a sua mãe tombou, e ela ficou tão ferida que se pensava que viesse a morrer.
A grande dor que ele sentiu, unida ao temor de que seus inimigos chegassem de repente, aproveitando o atraso de sua retirada, deixou-o tão fora de si que ele puxou a espada, e atravessá-la-ia no próprio corpo se alguns dos que estavam perto não tivessem impedido aquele gesto. Eles rogaram-lhe que não os abandonasse ao furor dos inimigos, mostrando que aquela não era uma ação digna de sua generosidade, isto é, pensar somente em se esquivar daqueles males, mais temíveis que a própria morte, sem se incomodar que pessoas que lhe eram tão caras ficassem a eles expostas. Assim, em parte pela força e em parte pela vergonha de sucumbir ante a infelicidade, ele desistiu daquele fúnebre desígnio, mandou medicar a mãe como se poderia fazer naquela contingência, e retomaram o caminho para a fortaleza de Massada.
Os partos atacaram-no várias vezes durante o caminho, e ele os venceu em todas as ocasiões. Até mesmo alguns judeus o atacaram, quando ele ainda não estava afastado de Jerusalém mais que uns sessenta estádios, mas ele os venceu também num grande combate, porque não se defendia como um homem que foge e é surpreendido, e sim como um grande general preparado para sustentar um ataque violento. E, quando ele foi elevado ao trono, mandou construir naquele mesmo lugar um soberbo palácio e uma cidade, a que chamou Herodiom.
Quando chegou a Tressa, aldeia da Iduméia, José, seu irmão, veio encontrá-lo, e juntos consideraram sobre o que fazer com o grande número de soldados que Herodes trouxera, além dos que estavam sob pagamento, porque a fortaleza de Massada, onde ele queria abrigar-se, não era bastante grande para recebê-los todos. Resolveu então mandar embora a maior parte deles, mais ou menos umas nove mil pessoas. Deu-lhes víveres e disse-lhes que poderiam se estabelecer do melhor modo possível nas diversas regiões da Iduméia. Ficou com os parentes e mais alguns valentes e peritos. Deixou as mulheres na fortaleza, bem como as pessoas para servi-las, em número de oitocentos mais ou menos. Como a fortaleza tinha bastante trigo e água e todas as outras coisas necessárias para a sua subsistência, ele tranqüilizou-se. Depois de tomar todas as providências, partiu para Petra, capital da Arábia.
Despontando o dia, os partos saquearam e roubaram tudo o que Herodes havia deixado em Jerusalém, até mesmo no palácio. Não tocaram, porém, em trezentos talentos que pertenciam a Hircano, e uma parte do que pertencia a Herodes também foi salva, com tudo o que a sua previdência o fizera mandar para a Iduméia. Os bárbaros não se contentaram em saquear a cidade, devastaram também os campos e destruíram inteiramente Maressa, cidade muito rica. Assim, Antígono apoderou-se da Judéia, tomando-lhe o governo por intermédio do rei dos partos. Entregaram-lhe também Hircano e Fazael como prisioneiros, mas ele ficou muito envergonhado, porque as mulheres que ele prometera dar ao príncipe junto com os quinhentos talentos haviam escapado. E, com medo de que o povo restaurasse Hircano no trono, mandou cortar-lhe as orelhas, para torná-lo inapto ao sumo sacerdócio, porque a Lei proíbe que se conceda essa honra aos que têm qualquer defeito físico.
609.  Não poderemos deixar de admirar a grandeza da coragem de Fazael. Ele não temia tanto a morte, à qual sabia estar destinado, quanto a vergonha de recebê-la das mãos do inimigo. Não podendo matar-se, porque estava acorrentado, quebrou a cabeça contra uma pedra. Diz-se que Antígono lhe mandou alguns médicos, os quais, em vez de medicá-lo, envenenaram-lhe as feridas. Antes de morrer, ele teve a consolação de saber por uma mulher pobre que Herodes estava a salvo e suportou a morte alegremente, acreditando que deixava um irmão que a vingaria e que seus inimigos receberiam dele o castigo pela sua perfídia.
610.  Herodes, cuja coragem não se abatia ante a fortuna adversa, tudo fazia para se pôr em condições de superá-la. Foi procurar Malco, rei dos árabes, que lhe devia grandes favores, para pedir-lhe que demonstrasse reconhecimento em tão pungente necessidade e, principalmente, que o ajudasse com dinheiro, quer como donativo, quer como empréstimo. Como ainda não sabia da morte do irmão, estava resolvido a empregar até trezentos talentos para resgatá-lo. Havia até mesmo levado consigo, para esse fim, o filho de Fazael, de apenas sete anos de idade, para dá-lo como refém aos árabes. Porém, alguns homens enviados por esse príncipe vieram ordenar-lhe, da parte dele, que saísse de suas terras, porque os partos o haviam proibido de recebê-lo, dizendo-lhe que os grandes de seu reino tinham dado aquele covarde conselho para dele se isentarem, com o pretexto de entregar a Herodes o dinheiro que Antípatro havia confiado em depósito. Herodes respondeu que não o queria atacar, mas desejava apenas falar-lhe de assuntos importantes.
611. Depois de pensar, ele julgou que era melhor retirar-se e dirigiu-se para o Egito, tão insatisfeito como se pode imaginar alguém diante de uma ação tão indigna de um rei. Deteve-se num Templo onde havia deixado vários dos que o acompanhavam, chegando no dia seguinte a Rinosura, e lá soube da morte de Fazael. No entanto, o rei dos árabes reconheceu o seu erro e, sentido, veio ao seu encalço, mas não pôde alcançá-lo, porque ele caminhava rapidamente, a fim de chegar logo a Pelusa. Alguns marinheiros que iam para Alexandria, porém, recusaram-se a recebê-lo em seu navio, e Herodes dirigiu-se então aos magistrados, que lhe prestaram grandes honras. A rainha Cleópatra quis retê-lo, mas não conseguiu persuadi-lo a ficar, tanto ele estava ansioso para ir a Roma, embora fosse pleno inverno e corresse a notícia de que as coisas na Itália estavam muito difíceis, com grandes perturbações e motins.
Assim, ele embarcou para a Panfília, mas foram acossados por uma violenta tempestade, que os obrigou a lançar ao mar muitas das coisas que estavam no navio. Chegou por fim a Rodes. Lá encontrou dois amigos, Sapinas e Ptolomeu. Ficou tão comovido ao ver a cidade destruída pela guerra contra Cássio que nem a necessidade em que se encontrava o impediu de fazer-lhe grandes benefícios, muito acima de suas posses. Ali equipou uma galera, embarcou com os seus amigos, chegou a Brindisi e de lá foi para Roma, onde primeiramente se dirigiu a Antônio. Contou-lhe tudo o que havia acontecido na Judéia: que seu irmão Fazael fora aprisionado e morto pelos partos; que eles ainda retinham Hircano prisioneiro; que haviam constituído Antígono rei porque ele lhes prometera mil talentos e quinhentas mulheres, as quais escolheu dentre as pessoas de maior destaque, particularmente da família dele, de Herodes; que para salvá-las de suas mãos ele as levara à noite, com muita dificuldade, deixando-as em grandíssimo perigo; e que por fim enfrentara os risco do mar em pleno inverno para vir procurá-lo, como sendo o seu refúgio e o único de quem esperava algum auxílio.


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