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29 de junho de 2018

História De Israel – Teologia 31.250 (Livro 18 Cap 3) MORTE DE SALOMÉ, IRMÃ DO REI HERODES, O GRANDE. MORTE DE AUGUSTO. TIBÉRIO SUCEDE-O NO GOVERNO DO IMPÉRIO. HERODES, O TETRARCA, CONSTRÓI EM HONRA DE TIBÉRIO A CIDADE DE TIBERÍADES. AGITAÇÕES ENTRE OS PARTOS E NA ARMÊNIA. OUTRAS PERTURBAÇÕES NO REINO DE COMAGENA. GERMÂNICO É ENVIADO DE ROMA AO ORIENTE PARA CONSOLIDAR ALI A AUTORIDADE DO IMPÉRIO, E É ENVENENADO POR PISÃO.

História De Israel – Teologia 31.250

 
CAPÍTULO 3

MORTE DE SALOMÉ, IRMÃ DO REI HERODES, O GRANDE. MORTE DE AUGUSTO.
TIBÉRIO SUCEDE-O NO GOVERNO DO IMPÉRIO. HERODES, O TETRARCA,
CONSTRÓI EM HONRA DE TIBÉRIO A CIDADE DE TIBERÍADES. AGITAÇÕES
ENTRE OS PARTOS E NA ARMÊNIA. OUTRAS PERTURBAÇÕES NO REINO DE
COMAGENA. GERMÂNICO É ENVIADO DE ROMA AO ORIENTE PARA
CONSOLIDAR ALI A AUTORIDADE DO IMPÉRIO, E É ENVENENADO POR PISÃO.

761.  Depois que Cirênio vendeu os bens confiscados a Arquelau e terminou o inventário, que se realizou trinta e sete anos depois da batalha de Áccio, ganha por Augusto contra Antônio, os judeus se rebelaram contra Joazar, sumo sacerdote, e ele tirou-lhe o cargo e deu-o Anano, filho de Sete.
762.  Vimos como Herodes e Filipe foram mantidos por Augusto nas tetrarquias que o rei Herodes, o Grande, seu pai, lhes deixou em seu testamento. Esses dois príncipes tudo fizeram para se estabelecer o mais vantajosamente possível. Herodes cercou Seforis com muralhas, tornou-a a principal e a mais forte de todas as praças da Galileia. Fortificou também a cidade de Betaranfta e a chamou de Julíada, em honra à imperatriz. Filipe, por sua vez, embelezou muito Paneada, que está perto da nascente do Jordão, e a chamou Cesaréia. Aumentou também de tal modo a aldeia de Betsaida, situada às margens do lago de Genesaré, que se poderia tomá-la por uma cidade. Povoou-a, enriqueceu-a e a chamou Julíada, em honra a Júlia, filha de Augusto.
763.  Copônio governava a Judéia, quando chegou o dia da festa dos Pães Asmos, a que chamamos Páscoa. Os sacerdotes, segundo o costume, abriram as portas do Templo à meia-noite. Então, alguns samaritanos entraram secretamente em Jerusalém e espalharam ossos de homens mortos pelas galerias e em todo o resto do Templo, o que fez os sacerdotes serem mais cuidadosos para o futuro.
764. Pouco depois, Copônio voltou a Roma. Foi substituído por Marco Ambívio no governo da Judéia. Ao mesmo tempo, morreu Salomé, irmã do rei Herodes, o Grande. Ela deixou à Júlia,* além de sua toparquia, Jamnia, Fazaélida, situada no campo, e Arquelaide, onde havia uma imensa plantação de palmeiras que produziam excelentes frutos.

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* Esposa de Augusto.

765.  Anio Rufo sucedeu a Ambívio, e foi durante o seu governo que morreu César Augusto, na idade de setenta e sete anos. Esse príncipe, que foi o segundo imperador dos romanos, reinou cinqüenta e sete anos, seis meses e dois dias, incluindo-se os quatorze anos que reinou com Antônio.
766.  Tibério Nero, filho de Lívia, sua mulher, substituiu-o no império e enviou Valério Grato à Judéia como sucessor de Rufo, tornando-se aquele o seu quinto governador. Ele tirou o sumo sacerdócio a Anano e deu-o a Ismael, filho de Fabo. Mas logo depois Ismael foi deposto, e em seu lugar foi colocado Eleazar, filho de Anano. Um ano depois, depuseram também a este, que foi substituído por Simão, filho de Camite. Ele também só ocupou o cargo durante um ano, sendo obrigado a resigná-lo em favor de José, cognominado Caifás. Grato, após ter durante onze anos governado a Judéia, voltou a Roma, e Pôncio Pilatos sucedeu-o.
767.  Herodes, o tetrarca, conquistara as boas graças do imperador Tibério. Construiu uma cidade à qual, por causa dele, deu o nome de Tiberíades. Escolheu para esse fim um dos territórios mais férteis de toda a Galiléia, que está à beira do lago de Genesaré e muito próximo das águas quentes de Emaús. Povoou essa nova cidade em parte com estrangeiros e em parte com galileus, alguns dos quais foram obrigados a se estabelecer ali, mas alguns nobres para ela se dirigiram de boa vontade.
Esse príncipe tinha tanto desejo de tornar a cidade bem povoada que recebeu até mesmo pessoas de baixa condição, provenientes de todas as partes, e dentre as quais algumas tinham a aparência de escravos. Concedeu-lhes grandes privilégios e fez benefícios a muitos, dando terras a uns e casas a outros, para obrigá-los a não se afastar dali, como de fato havia motivo para temer, se não o fizesse, porque o lugar onde a cidade se situa está cheio de sepulcros, o que é tão contrário às nossas leis que passa por impuro durante sete dias aquele que tiver de permanecer em semelhante lugar.
768.  Nesse mesmo tempo, Fraate, rei dos partos, foi morto à traição por Fraatace, seu filho, do modo que vou narrar: Fraate tinha vários filhos legítimos, mas ficou perdidamente enamorado de uma criada italiana, que o imperador lhe havia mandado, entre outros presentes, e que era na verdade muito formosa. Considerou-a de início uma concubina, mas a paixão crescia sempre e, como já tivera com ela um filho — Fraatace —, desposou-a. Ela era poderosa e tinha ascendência sobre o espírito dele, e por isso concebeu a idéia de entregar o império dos partos nas mãos do filho. Mas os seus esforços só teriam efeito se os filhos legítimos de Fraate fossem afastados. Ela então o persuadiu a enviá-los como reféns a Roma. O soberano, que nada lhe podia recusar, atendeu-a.
Assim, Fraatace ficou sozinho com ela. Esse detestável filho tinha grande desejo de reinar e, não esperando nem mesmo a morte do pai, mandou matá-lo, a conselho de sua mãe, com a qual, sabia-se, ele vivia de maneira abominável. O horror causado por esse parricídio e pelo incesto atraiu sobre ele um ódio geral, e ele foi expulso, morrendo antes de assumir a sua criminosa dominação.
A nobreza então julgava que o Estado só se poderia manter sob o governo de um rei e que esse rei deveria ser da família dos arsácidas. Considerando a família de Fraate conspurcada pela horrível impudicícia daquela italiana, escolheram Herodes, que era de sangue real, para elevá-lo ao trono e enviou embaixadores a ele. Mas esse príncipe era tão colérico, tão cruel e de tão difícil acesso que o povo não pôde tolerá-lo. Conspiraram contra ele. Como os partos tinham o costume de levar consigo espadas, ele foi morto num banquete ou, como outros dizem, numa caçada.
Assim, os partos, não tendo mais reis, mandaram pedir em Roma que um dos filhos de Fraate reinasse sobre eles. Os príncipe estavam então sob custódia em Roma, e deram-lhe Vonono, que foi preferido aos irmão porque o julgaram, por consentimento unânime dos dois grandes impérios, mais digno que os outros de ser elevado àquele alto grau de honra. Mas como esses bárbaros são naturalmente inconstantes e insolentes, os principais dentre eles se arrependeram bem depressa de sua escolha e disseram que não queriam mais obedecer a um escravo (chamavam assim o príncipe porque ele fora entregue como refém aos romanos). Alegavam também que ele chegara à condição de rei não pelo direito da guerra, mas em tempo de paz.
Depois dessa revolta, mandaram oferecer a coroa a Artabano, rei dos medos, que também era da família dos arsácidas. Ele a aceitou com alegria e veio com um grande exército. Mas como somente a nobreza tomava parte nesses acontecimentos, Vonono, ao qual o povo continuava fiel, venceu Artabano numa batalha e obrigou-o a fugir para os montes da Média. Artabano reuniu depois novas forças e travou uma segunda batalha, na qual Vonono foi vencido e fugiu com os seus homens para a Armênia. Artabano, após promover grande carnificina entre os partos, avançou até Ctesifon e ficou assim senhor de todo o reino.
Quanto a Vonono, logo que chegou à Armênia concebeu a idéia de se tornar rei. Para esse fim, enviou embaixadores a Roma, porém Tibério, que o desprezava e não queria ofender os partos, os quais ameaçavam declarar guerra ao império, recusou-se a ajudá-lo. Assim, sem esperanças e sem nada conseguir dos romanos, vendo que o mais poderoso povo da Armênia (que habitava as cercanias de Nifate) abraçara o partido de Artabano, foi ter com Silano, governador da Síria, que o recebeu em consideração por ele ter sido outrora educado em Roma. Artabano, não encontrando mais resistência, constituiu Orodé, seu filho, rei da Armênia.
769. Antíoco, rei de Comagena, morreu naquela mesma época. Surgiu então uma grande divergência entre a nobreza e o povo. A nobreza queria que o reino fosse reduzido a província, e o povo exigia o contrário, querendo ser governado por um rei, como antes. Para resolver esse caso, Germânico, por um decreto do senado, foi enviado ao Oriente. Parece que o destino preparou essa ocasião para destruir o ilustre príncipe. Após organizar com habilidade todos os negócios, como era de se desejar, ele foi envenenado por Pisão, como veremos mais adiante.



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