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13 de julho de 2018

História De Israel – Teologia 31.278 (2º Parte Livro 0.2) Vida de Flávio Josefo Escrita por Ele mesmo Parte 2


História De Israel – Teologia 31.278
 
Vida de Flávio Josefo

Escrita por Ele mesmo Parte 2

aumentaram ainda mais a inveja de João. Ele escreveu-me pedindo permissão para ir a Tiberíades tomar banhos quentes, de que estava necessitando para sua saúde. Como não imaginava que ele tinha má intenção, não somente lho permiti, mas ordenei aos magistrados que lhe preparassem um aposento, a ele e aos seus companheiros, e lhes fornecessem em abundância tudo o que lhes fosse necessário. Eu estava então em Canaã, cidadezinha da Galileia; apenas João chegou a Tiberíades, procurou logo induzir os habitantes a faltar-me à fidelidade e a se separarem de mim, para passar ao seu partido. Vários dentre eles, propensos à revolução, escutaram com prazer essa proposta, principalmente Justo e Pisto, seu pai; mas eu tornei inútil o seu mau intento. Silas, que eu havia dado por governador aos de Tiberíades, man-dou com grande rapidez avisar-me do que se passava e insistiu que eu me apressasse, se não quisesse, pela minha demora, deixar cair aquela cidade em poder de outro. Tomei imediatamente duzentos homens, caminhei durante toda a noite e mandei avisar os de Tibenades acerca de minha chegada.
No dia seguinte, ao raiar da aurora, eu estava perto da cidade; os habitantes vieram ter comigo, e João com eles; cumprimentou-me com o rosto espantado e temendo que o mandasse matar, se viesse a saber da sua perfídia, retirou-se para o seu aposento. Chegando à praça dos exercícios, conservei comigo apenas um homem e dez soldados. Subi a um lugar elevado e disse ao povo quanto lhe era necessário manter a fidelidade, pois do contrário eu não poderia mais confiar nele, e que se arrependeriam um dia de ter faltado ao seu dever. Enquanto falava, um dos meus amigos avisou-me que me retirasse, pois não era aquele o tempo mais apropriado para granjear a benevolência do povo, mas para me salvar de suas mãos, pois João tendo sabido que eu estava quase sozinho, tinha escolhido, entre os mil homens que comandava, aqueles em quem mais confiava e os mandara com ordem de me matar.
Com efeito, aqueles assassinos já estavam perto e teriam executado seu perverso intento, se eu não me tivesse afastado prontamente, com o auxílio de um dos meus guardas, de nome Jacó, e de um homem de Tiberíades, chamado Herodes, que me fizeram descer e me acompanharam até o lago. Ali, por felicidade, encontrei uma barca que me levou a Tariquéia; assim, pude frustrar as esperanças dos meus inimigos. Os habitantes da cidade sentiram tanto horror pela traição dos de Tiberíades que tomaram logo as armas e insistiram comigo que os levasse contra eles, para se vingar de tal perfídia, e mandaram contar a toda a Galiléia tudo o que se tinha passado, convidando todos a se juntarem a eles e a marcharem sob meu comando. Esses povos reuniram-se em grande número junto de mim e todos me rogaram que fosse atacar Tiberíades, que a destruísse inteiramente, vendesse em leilão todos os homens, as mulheres e as crianças; meus amigos, que haviam escapado do mesmo perigo, aconselhavam-me a mesma coisa. Mas o medo de atear uma guerra civil impediu-me que tomasse tal decisão. Julguei que era melhor acomodar a situação e lhes mostrei o mal que fariam a si mesmos, se quando os romanos viessem, os encontrassem divididos, a matarem-se uns aos outros.
Assim acalmei-lhes a cólera, e João, vendo que sua traição lhe havia saído tão mal, fugiu assustado de Tiberíades com seus homens para se refugiar em Ciscala. Ele me escreveu que não tivera participação no que havia acontecido, e fazia juramentos e estranhas execrações para me levar a acreditar em suas palavras. No entanto, um grande número de galileus veio ter comigo armados, e como sabiam que João era mau e perjuro, rogavam-me insistentemente que os levasse contra ele, para derrotá-lo e castigá-lo, e exterminar os de Giscala. Eu lhes agradeci muito aquela demonstração de boa vontade e garanti que conservaria sempre grande gratidão, mas rogava que aprovassem o meu desejo de pacificar aquela perturbação, sem derramamento de sangue. Consegui persuadi-los e em seguida fomos a Séforis. Seus habitantes, que temiam minha vinda, porque estavam resolvidos a permanecer fiéis e obedientes aos romanos, procuraram levar-me a outra parte e para isso pediram a Jesus, com oitocentos ladrões, comandados por ele, que estavam então na fronteira de Ptolemaida, para fazer-me guerra, a troco de grande soma de dinheiro.
Tal recompensa fê-lo aceitar a proposta, mas antes de chegarmos às armas abertamente, ele procurou surpreender-me. Mandou dizer-me que lhe permitisse vir cumprimentar-me. Permiti-lho, porque não desconfiava de nada; ele se pôs em seguida a caminho, com todos os seus homens. Sua maldade, no entanto, não teve o êxito que ele esperava. Quando já estava muito perto de nós, um do seu bando veio avisar-me do seu intento. Então, sem dar demonstração alguma, fui à praça pública, acompanhado de grande número de galileus armados, entre os quais havia alguns de Tiberíades; ordenei que vigiassem todas as ruas e encarreguei aos que estavam nas portas, que não deixassem Jesus entrar, senão com um pequeno número e afastassem os outros; até mesmo os repelissem, à força, se eles teimassem em querer entrar. Jesus veio, então, com apenas alguns homens e eu lhe ordenei que deixasse as armas, se não quisesse perder a vida; quando se viu rodeado de soldados, foi obrigado a obedecer. Os seus, que tinham ficado do lado de fora, quando souberam que ele estava preso, fugiram. Levei-o à parte e disse-lhe que não ignorava qual era seu intento, nem sabia quem eram seus cúmplices, mas que lhe perdoaria, se ele me prometesse ser fiel para o futuro. Ele me prometeu e o deixei sair, permitido-lhe reorganizar suas tropas. Quanto aos seforitanos, declarei-lhes que, se não continuassem a obedecer, saberia muito bem como castigá-los.
Nesse mesmo tempo, dois senhores traconitidas, súditos do rei, vieram me procurar, armados, com cavalos e dinheiro. Os judeus não lhes queriam permitir permanecer com eles, se não se fizessem circuncidar; mas eu lhes disse que se devia deixar a cada qual a liberdade de servir a Deus segundo os movimentos da própria consciência, sem usar de coação, nem dar motivo, aos que vinham pro-curar sua segurança entre nós, de se arrepender. Assim fiz o povo mudar de sentimentos e levei-o a dar a esses estrangeiros as coisas de que eles tinham necessidade.
O rei Agripa mandou, nesse mesmo tempo, Equo Módio, com grande número de soldados, para tomar o castelo de Magdala; mas ele não ousou sitiá-lo e se contentou em perturbar Gamala, pondo soldados nas ruas. No entanto, Ebúcio, outrora governador do Campo Grande, soube que eu estava em Simoniada, na fronteira da Galiléia, a sessenta estádios dele. Marchou a noite toda, para vir atacar-me com cem cavaleiros, duzentos homens de infantaria e o socorro que lhe mandaram os de Gaba. Enviei contra ele uma parte de meus soldados e, como ele confiava na sua cavalaria, fiz o possível para atraí-los à luta. Mas como eu tinha somente infantaria, não lhe quis dar essa vantagem. Assim, depois de ter valentemente resistido, quando ele viu que a posição do lugar não lhe era favorável, regressou a Gaba, tendo perdido somente três soldados. Eu o persegui com três mil homens até uma aldeia da fronteira de Ptolemaida, de nome Bezara, distante vinte estádios de Gaba. Fiz colocar guardas nas avenidas para impedir o ataque dos inimigos e mandei carregar sobre muitos camelos, que mandara vir para esse fim, o trigo que a rainha Berenice tinha feito reunir naquele lugar, das aldeias dos arredores e o levei à Galiléia. Depois mandei desafiar Ebúcio para um combate; ele não ousou aceitá-lo, tanto nossa coragem o havia deixado atônito. Dali, sem perder tempo, marchei contra Neapolitano, que, com a cavalaria que conservava na guarnição de Citópolis, saqueava os arredores de Tiberíades. Consegui impedir que ele continuasse suas correrias e entreguei-me todo ao governo da Galiléia.
João, filho de Levi, que estava, como dissemos, em Giscala, vendo que todas as coisas sucediam-se felizmente, que eu era amado pelo povo e temido pelos inimigos, considerou a minha boa sorte como um obstáculo à sua e, ardendo de inveja, alimentava a esperança de me poder sobrepujar instigando contra mim o ódio do povo. Para isso procurou agradar aos de Tiberíades e de Séforis, a fim de atrair para seu partido as três principais cidades da Galiléia; procurou também os de Gabara, fazendo crer que eles seriam muito mais felizes sob seu governo do que sob o meu. Mas Séforis nada quis, nem com ele nem comigo, porque pendia toda para os romanos; Tiberíades, que achava perigoso revoltar-se, contentou-se em prometer-lhe viver em amizade com ele. Assim, os de Gabara foram os únicos que abraçaram seu partido, ante a insistência de Simão, que era seu amigo e um dos principais da cidade. Eles não ousaram, no entanto, declarar-se abertamente, porque temiam os galileus, dos quais haviam várias vezes constatado o afeto por mim, mas esperavam a ocasião de me surpreender com uma traição; pouco faltou, então, para que deveras isso acontecesse, pelo fato que passo a narrar:
Alguns jovens de Dabar, muito corajosos e ousados, tendo sabido que a mulher de Ptolomeu, intendente dos negócios do rei, atravessava o Campo Grande com magnífica equipagem e acompanhada de alguns cavaleiros para passar das terras do rei à província dos romanos, atacaram sua escolta; tudo o que a senhora pôde fazer foi salvar-se enquanto eles estavam ocupados com o saque. Depois disso, vieram procurar-me, em Tariquéia, com quatro mulas carregadas de muitas coisas de valor, baixelas de prata, e quinhentas peças de ouro. Como Ptolomeu era judeu e nossas leis proíbem tomar as coisas dos da nossa própria nação, mesmo quando fossem nossos inimigos, eu quis conservar essa presa para resti-tuí-la; com esse fim, disse àqueles moços que devíamos guardá-lo, para vendê-lo e mandar o produto a Jerusalém, a fim de empregá-lo na reparação dos muros da cidade. Isso irritou-os de tal modo, porque esperavam aproveitar-se de tudo, que fizeram correr o boato, nos arredores de Tiberíades, que eu queria colocar a província sob o domínio dos romanos; que o que eu havia dito sobre Jerusalém era falso, e minha verdadeira intenção era restituir tudo a Ptolomeu, e nisso eles não restavam errados. Mal haviam eles me deixado, entreguei tudo o que haviam apanhado a Dassiom e Jane, filhos de Levi, dois dos principais habitantes de Tariquéia, muito queridos do rei. Dei-lhes ordem de que lho entregassem e proibi-lhes, sob pena de morte, falar a quem quer que fosse.
No entanto, espalhou-se por toda a Galiléia o boato de que eu a queria entregar aos romanos. Decidiram matar-me; os de Tariquéia, tendo prestado fé a essa mentira, persuadiram os meus guardas e os soldados que me acompanhavam, a aproveitar, quando eu estivesse dormindo, para encontrar com os outros no Hi-pódromo,* a fim de deliberarem os meios de executar o seu intento. Foram todos e lá encontraram um grande número de pessoas já reunidas. De comum acordo deliberaram tratar-me como traidor da República e Jesus, filho de Safias, que então era o principal juiz de Tiberíades e um dos piores homens do mundo, dos mais sediciosos, para incitá-los ainda mais, mostrou-lhes as Leis de Moisés, que tinha na mão e disse-lhes: "Se não estais comovidos ante a consideração da vossa própria salvação, pelo menos não desprezeis estas santas Leis, que o pérfido Josefo, vosso governador, não tem receio de violar, o qual deveria ser castigado mui severamente por ter cometido tão grande crime".
Tendo assim falado e vendo que o povo aprovava com seus gritos o que ele dizia, tomou consigo alguns soldados e veio ao meu aposento, com o intuito de me matar. Como nada desconfiava e estava dormindo, cansado e fatigado, Si-mão, um dos meus guardas, que tinha ficado comigo, vendo aquele grupo furioso, despertou-me, avisou-me do perigo em que me encontrava e exortou-me a morrer honrosamente, matando-me antes que ser morto pelos inimigos. Eu me recomendei a Deus, tomei uma veste negra, para me disfarçar, e levando somente minha espada,:passei pelo meio desse grupo e fui diretamente ao hipódromo, por um outro jcamiinbo. Lá, prostrei-me diante de todos, banhei a terra com minhas lágrimas, para comovê-los à piedade; quando vi que começavam a se enternecer, procurei dividi-los em seus sentimentos, antes que aqueles que me tinham ido matar estivessem de volta. Disse-lhes que não negava ter conservado aqueles despojos, como me acusavam; mas rogava-lhes que me ouvissem, para saber com que fim o fizera, e se achassem que eu havia errado, poderiam depois mandar matar-me.
Então toda a multidão ordenou-me que falasse; os que tinham ido procurar-me chegaram naquele mesmo instante e queriam lançar-se sobre mim mas foram contidos pela voz unânime do povo. Julgaram que, depois de ter confessado querer entregar aqueles despojos ao rei, eu passaria por traidor e eles poderiam executar o seu intento, sem oposição alguma. Assim, toda a assembléia calou-se para me escutar e eu falei: "Se julgais que eu mereço a morte, não me recuso a sofrê-la; mas permiti-me antes declarar-vos toda a verdade. Como eu havia reconhecido que a beleza e a comodidade de vossa cidade atraem para ela os estrangeiros de todos os lugares e muitos dentre eles abandonam seu país para vir habitar aqui; para dividir convosco os vossos dias de felicidade e de adversidade, eu tinha intenção de empregar esse dinheiro lá fazendo construir muralhas". A estas palavras, os habitantes e os estrangeiros puseram-se a gritar que todos me eram muito agradecidos e que nada mais eu tinha a temer.
Os galileus, ao contrário, e os de Tiberíades, continuavam com sua animosidade. Estando assim divididos, uns me ameaçavam, outros me tranqüilizavam. Depois que prometi aos de Tiberíades e aos das outras cidades, cuja posição o permitisse, construir-lhes também muralhas, eles prestaram fé às minhas palavras, a assembléia se dissolveu e me retirei com meus amigos e vinte dos meus soldados, depois de, contra toda sorte de esperança, ter escapado de tão grande perigo. Mas os autores da sedição, que julgavam que eu me vingaria, reuniram-se armados em número de seiscentos e marcharam para minha casa, com a intenção de incendiá-la. Avisaram-me disso em tempo, mas, julgando que me seria vergonhoso fugir, recorri à audácia, à coragem, para me defender. Assim, depois de ter mandado fechar as portas, subi ao andar mais alto do edifício, de onde lhes gritei que mandassem alguns deles receber aquele dinheiro que era a causa do seu descontentamento e de suas queixas. Mandaram logo o mais revoltoso de todos; eu o fiz açoitar com varas, mandei cortar-lhe uma das mãos, que lhe penduraram ao pescoço, e o despedi nesse estado. Este ato tão ousado fê-los acreditar que eu tinha comigo um grande número de soldados e os assustou de tal modo, que todos fugiram. Assim, pela minha firmeza e sagacidade evitei este segundo perigo.
Alguns outros dos mais revoltosos continuavam ainda a incitar o povo, dizendo que era preciso matar aqueles dois senhores que se tinham refugiado junto de mim, pois recusavam-se submeter às leis de um país onde tinham vindo procurar sua segurança e eram envenenadores, que favoreciam o partido dos romanos. Quando vi que o povo se deixava enganar por essas palavras, disse-lhe que era injusto perseguir pessoas que tinham vindo procurar asilo entre nós; que aquele envenenamento de que lhes falavam era pura imaginação e quimera, pois os romanos não tinham necessidade de manter um número tão grande de legiões, se podiam, com esse meio, desfazer-se de seus inimigos. Estas palavras acalmaram-no, mas os artifícios desses perturbadores, irritaram-no de novo, e ele foi, armado, sitiar as casas dos dois senhores, com o fim de matá-los. Eu fui avisado disso; temendo que, se cometessem tão grande crime, ninguém mais desejasse vir para junto de nós, resolvi ir naquele mesmo instante, acompanhado por alguns dos meus, à casa dos estrangeiros. Mandei também fechar as portas da casa, saindo por um canal, até o lago que estava perto, entrei com eles numa barca e os levei até a fronteira dos ipenianos. Ali paguei-lhes o valor dos cavalos que eles não tinham podido trazer e, dizendo-lhes adeus, exortei-os a suportar corajosamente a infelicidade que lhes havia sucedido.
Na verdade, tinha o coração muito pesaroso, por ser obrigado a expor ainda uma vez, num país inimigo, pessoas que tinham vindo buscar segurança entre nós. Julguei, no entanto, que era preferível pô-los em perigo de morrer nas mãos dos romanos do que vê-los assassinados diante de meus olhos, numa província que eu governava. Eles, porém, evitaram a desgraça que eu lhes imaginava, porque o rei Agripa acalmou-se e perdoou-os.

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* Lugar onde se realizavam as corridas de cavalos.

Nesse mesmo tempo, os habitantes de Tiberíades escreveram ao soberano e prometeram-lhe entregar-se a ele, se lhes prometesse mandar tropas para a defesa de seu país. Logo que soube disso, fui procurá-los; como eles sabiam que Tariquéia já tinha sido rodeada de muralhas, rogaram-me que cumprisse a palavra que lhes havia dado, de lhes fazer o mesmo favor. Eu o fiz e mandei buscar o material e os operários. Parti três dias depois de Tiberíades para Tariquéia, que dista dali trinta estádios. Logo que saí, alguns cavaleiros apareceram perto da cidade e os habitantes julgaram que eram tropas do rei; começaram a me injuriar com toda espécie de impropérios. Um homem veio com toda a pressa avisar-me do que se passava e acrescentou que tudo fazia prever uma revolução. Essa notícia encheu-me de espanto, tanto mais que havia dispensado de Tariquéia todos os meus soldados, porque o dia de sábado estava perto e desejava que os habitantes pudessem celebrá-lo sem serem perturbados pelos soldados; eu fazia sempre assim, naquela cidade, pela confiança que tinha no afeto dos habitantes o qual havia tantas vezesexperimentado. Assim, tendo comigo apenas sete soldados e alguns amigos, não sábia o que fazer. De um lado, não via probabilidade de reunir minhas tropas na véspera de um dia errxque nossas leis não nos permitem combater, mesmo nas ocasiões mais prementes; por outro lado, não me achavam bastante forte, quando mesmo tivesse podido, nessa ocorrência, servir-me dos habitantes de Tariquéia e dos estrangeiros que lá habitavam, rogando-Ihes que me ajudassem na esperança de ricos despojos.
No entanto, esse assunto não padecia demora, pois, por pouco que o adiasse, aqueles que, se dizia, o rei havia enviado, tornar-se-iam senhores da cidade e me impediriam de lá entrar. Na ansiedade em que me encontrava, dei ordem a alguns amigos meus, nos quais confiava, que montassem guarda às portas da cidade e não deixassem ninguém sair. Mandei depois aos principais habitantes que subissem cada qual a um barco com um barqueiro somente para seguir-me até Tiberíades; eu também subi a um deles, com sete soldados e alguns amigos. Os de Tiberíades, que não sabiam que eu tinha sido avisado do que se passava, vendo que não haviam chegado tropas do rei e que todo o lago estava coberto de barcos, que eles julgavam cheio de soldados, ficaram tomados de tão grande temor que imediatamente mudaram de opinião; deixaram as armas e vieram à minha presença, com suas mulheres e filhos, e desejando-me toda sorte de prosperidade, rogavam-me que continuasse a lhes demonstrar o meu afeto. Ordenei aos que dirigiam os barcos que me seguiam, que se detivessem longe da terra, para que eles não pudessem perceber as poucas pessoas que estavam dentro deles; aproximei-me da margem e dirigi severas recriminações aos da cidade, por terem violado tão levianamente a palavra que me haviam dado. Prometi-lhes, no entanto, perdoá-los, contanto que me enviassem dez dos principais dentre eles, o que fizeram imediatamente. Pedi ainda mais outros dez; e continuei a usar do mesmo ardil, até que consegui enviar a Tariquéia todo o Senado de Tiberíades e um grande número de seus principais habitantes.
Então o povo, vendo o perigo em que se achava, rogou-me que castigasse o autor da sedição. Era um jovem de nome Clito, muito corajoso e muito atrevido. Fiquei muito embaraçado; pois, de um lado, não podia tomar a decisão de mandar matar um homem da minha nação e, por outro lado, era assaz importante dar um castigo exemplar. Nessa dificuldade, tomei logo uma das resoluções, isto é, ordenei a Levi, um dos meus guardas, que o prendesse e lhe cortasse uma das mãos. Como visse que ele não ousava prendê-lo, no meio de tão grande multidão, não querendo que os de Tiberíades percebessem sua timidez, chamei Clito e disse-lhe: "Ingrato! Pérfido! Merecestes que lhe cortássemos ambas as mãos; sereis vós mesmo vosso algoz, se não quereis ser castigado ainda com maior severidade". Ele então rogou-me que lhe conservasse pelo menos uma das mãos. Eu concedi-lho, mas fingindo resolver-me a isso, contra a vontade; no mesmo instante ele cortou a mão esquerda com a própria espada. Assim

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